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BBC Brasil também cometeu graves deslizes ao falar de Espiritismo


FAMOSA PELO JORNALISMO INVESTIGATIVO, A BBC BRASIL IGNORA QUE CHICO XAVIER FOI UM VERGONHOSO E GRAVE DETURPADOR DO ESPIRITISMO.

Depois da Folha de São Paulo, a BBC Brasil cometeu a vergonha de cobrir o Espiritismo dentro daquele esquema "alhos com bugalhos", num engodo jornalístico que destoa das boas reportagens que a filial brasileira da estatal britânica produz habitualmente.

Aqui, a BBC Brasil pisou feio no tomate e fez uma matéria porca, que não traz a compreensão verdadeira da trajetória real da Doutrina Espírita, que no Brasil foi simplesmente empastelada e reduzida ao mais viciado igrejismo medieval.

Misturando as coisas, a reportagem - se é que isso pode ser assim chamado, pois soa mais um release publicitário da Federação "Espírita" Brasileira - tenta descrever como Allan Kardec teria popularizado o Espiritismo no Brasil, uma ideia que não passa de uma grande e acintosa mentira.

Primeiro, porque o que conhecemos como Espiritismo foi um engodo catolicizado influenciado por Jean-Baptiste Roustaing, primeiro deturpador da doutrina. Isso é fato. Se verificarmos os primórdios da FEB, veremos que fatos contrariam as versões oficiais que textos como a referida matéria da BBC, como o fato de que o doutor Adolfo Bezerra de Menezes não pode ser o "Kardec brasileiro", uma vez que, em sua vida, ele professou o roustanguismo de maneira bastante explícita.

Kardec só foi "popularizado" através de traduções igrejistas de Guillón Ribeiro - que, depois, passaram a concorrer com o igrejismo mais "correto" de Salvador Gentile, publicado pela editora IDE e de mais agrado aos "isentões espíritas" - , o que significa que foi preciso criar traduções que fugissem da essência kardeciana original para "inserir" Kardec ao grande público.

Além disso, até a realização do Pacto Áureo, de 1949, a FEB determinava a obrigatoriedade dos "espíritas" em conhecer "a revelação da Revelação", que era o subtítulo do livro de Roustaing, Os Quatro Evangelhos. Até Francisco Cândido Xavier se consolidar como o adaptador brasileiro do pensamento roustanguista, o advogado de Bordéus era superestimado pelo "movimento espírita".

Aliás, a matéria da BBC rasga a seda em Chico Xavier, a ponto de aceitar, com passividade bovina, o monte de mentiras trazidas pelo roustanguistas da FEB. A passagem é de um apelo fortemente publicitário, que chega ao ponto de mostrar detalhes típicos de fake news:

"Outro nome de destaque na consolidação do espiritismo no Brasil é Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Em 1932, aos 22 anos, lançou seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, antologia de 259 poemas assinados por nomes como Castro Alves, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos. Até 2002, quando morreu aos 92 anos, psicografou 459 títulos - e doou os direitos autorais de todos eles, com registro em cartório, para obras assistenciais - e 10 mil cartas - algumas delas chegaram a ser aceitas como prova em tribunais.

Inspirado na noção de santidade católica, Chico Xavier adotou votos monásticos como modelo de conduta e espiritualidade. Assim, ele se tornou referência moral não só para médiuns, como também para os demais adeptos da doutrina. Essa construção do estilo brasileiro de ser espírita, marcadamente católico, é o que chamo de espiritismo à brasileira", explica Sandra Stoll, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP)".

É curioso que seja citado a expressão que, aliás, serviu de retranca para a reprodução da matéria pelo portal UOL: "espiritismo à brasileira". É a denominação pejorativa da doutrina que foi corrompida pela catolicização, criando uma forma deturpada da qual o Espiritismo se tornou refém, numa obsessão ideológica que tem dificuldades de se desvencilhar. Mas a BBC nem se preocupou em ver esse aspecto oculto do "espiritismo à brasileira".

Quanto às mentiras, o que ninguém percebe é que Chico Xavier doou os direitos autorais de seus livros não para a Assistência Social - o certo, aliás, é falar Assistencialismo, pois a "caridade" de Chico Xavier sempre foi dos níveis medíocres que gente como Luciano Huck (admirador confesso do "médium") faz ultimamente - , mas para os depósitos financeiros das lideranças "espíritas", sejam da FEB ou de federações regionais que controlavam editoras "independentes".

Chico Xavier não deveria ser considerado modelo de conduta, porque ele sempre foi um arrivista que fazia apologia do sofrimento humano, glamourizava a tragédia humana, fazia literatura fake e disfarçava seu estrelismo com a falsa modéstia. Ele se promoveu às custas de muita desonestidade doutrinária e a ele se "comprou" o céu, enquanto nós, cidadãos comuns, que nem estamos com pressa para alcançar o Paraíso, temos que aguentar adversidades em silêncio.

O livro Parnaso de Além-Túmulo é, reconhecidamente, uma fraude. Há mais de uma denúncia de que o livro é uma farsa montada por editores da FEB, inclusive citando Antônio Wantuil de Freitas, Luís da Costa Porto Carreiro Neto e Manuel Quintão como envolvidos nos reparos editoriais que, estranhamente, teve a obra durante 23 anos e em cinco vezes, desmentindo o caráter de "obra de espíritos benfeitores" que, se tivesse sido realmente impecável, pararia na primeira edição.

Outro dado a lembrar é que as "cartas mediúnicas" que Chico Xavier produziu eram fake e, no caso dos tribunais, quando elas foram usadas para "resolver casos policiais", o que o "médium" fez foi apenas pegar carona em casos que já estavam praticamente resolvidos, forjando "mensagens espirituais" que só serviram para o beato mineiro se promover às custas de ocorrências criminais, fazendo a maior festa da imprensa marrom, a maior beneficiada pelo religioso.

Portanto, a BBC acabou recebendo um "A" triplo para se somar à sua sigla, lamentavelmente. Poderia ter um mínimo de questionamento do mito de Chico Xavier e destoar das narrativas dominantes que já existem na chamada mídia venal.

Se esquecendo de sua prática investigativa, a BBC sucumbiu ao mesmo ridículo do semiólogo Wilson Roberto Vieira Ferreira, do Cinegnose, que tinha nas mãos um paiol de bombas semióticas representado por Chico Xavier e, em vez de questioná-lo de maneira rigorosa e severa, preferiu acreditar na cidade fantasiosa de Nosso Lar e na risível profecia da "Data-Limite", que Kardec, aliás, teria reprovado com o mais absoluto rigor.

Triste saber que existem pessoas que lançam excelentes questionamentos e revelações, mas que, diante de Chico Xavier, amarelam-se completamente. Esses são os perigos da fascinação obsessiva resultantes pelos truques traiçoeiros do dominador Chico Xavier, o maior e mais perigoso artífice dos "bombardeios de amor" que, infelizmente, desnorteiam muita gente boa, como os cantos-de-sereia da Odisseia de Homero. Ver que Chico Xavier é capaz de travar a mente de uma pessoa é assustador.

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