quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Brasil passará por uma fase de corrupção escancarada


Com o caminho aberto para a entrada, praticamente garantida, de Alexandre de Moraes para a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, o Brasil consagra sua mais aberrante fase, em que uma coleção de retrocessos gravíssimos que transformam o país numa nação institucional e politicamente insegura e vulnerável.

Mas o que mais preocupa a todos é a despreocupação daqueles que, meses antes, despejavam fúria descontrolada quando viam Dilma Rousseff ou Lula discursando na televisão, a ponto de baterem panelas de cozinha ou soprarem vuvuzelas em plenas horas noturnas.

São pessoas que vão para as ruas ou praias sorrirem, como se vivessem num paraíso, se reunindo para cantar sobre flores e amores, jogar conversa fora, contar piadas e, nas redes sociais, mostrarem fotos de viagens, selfies com amigos, reencontros com antigos colegas, tudo o mais. Não que isso não deva ser feito, mas da forma como se faz, num momento de catástrofe política em que vivemos, essa alegria mais assusta do que conforta.

Hoje prevalece uma mentalidade que já causou uma tragédia ecológica devastadora, com quase vinte pessoas mortas - animais, então, nem se fala - , que foi a de Mariana, em Minas Gerais, num contexto em que há um plano de privatizações vorazes, em que, se deixarmos, até as creches públicas serão entregues a corporações educacionais dos EUA, venda de nossas riquezas e até entrega de parcelas do território brasileiro para empresas estrangeiras, criando "principados" empresariais gringos aqui.

Que as pessoas possam discordar do PT, de Dilma, de Lula, de José Dirceu e achar que o projeto político deste partido não é de agrado da população, tudo bem. Têm todo o direito de pensar assim. Mas faltou paciência ao aguentar Dilma Rousseff por mais dois anos, perdendo uma boa oportunidade dos opositores "se vingarem" nas urnas em 2018, dando vitória eleitoral a um tucano ou coisa parecida.

Quiseram derrubar as coisas na maior pressa e abriram caminho para um processo de delinquência política que pode trazer defeitos danosos para os brasileiros. E é bom deixar claro que as pessoas que estão felizes hoje também vão pagar a conta, altíssima, dos retrocessos que se acumulam como numa tragicomédia de erros graves.

Até o "folclórico" senhor de idade, que diante das bancas de jornais, ao ver as más notícias na primeira página, ri dizendo que "não tem mais jeito" e volta para casa ou vai ao trabalho tranquilo, vai também pagar a conta. Quando a praia de Copacabana se tornar uma propriedade privada de hotéis de Los Angeles, o pessoal vai perceber.

Se até a cultura popular está privatizada - essa bregalização cultural que certos intelectuais treinados pela mídia patronal para fazer proselitismo nas esquerdas e sabotar os debates culturais - , então a situação está muito, muito feia para o país.

O Brasil virou um país em que uma minoria acha que pode tudo. E isso vem desde aquele valentão das redes sociais, que transforma fóruns de Internet em ringues, cria blogues de ofensas e difamação e depois, despindo de seus fakes truculentos, vai para eventos sociais mostrando seu verdadeiro nome e posando de civilizado, conciliador e antenado.

Chegamos a esse ponto dos abusos humanos de pessoas que julgávamos importantes, gabaritadas e moderadas. Tudo porque apostávamos nossas fichas àqueles a que se presumia alguma superioridade ligada a um atributo material: desde aquele internauta que parecia "o mais divertido" até aquele rico que parecia "responsável" no uso do porte de arma.

Nesse caminho, endeusávamos pessoas por causa do diploma, da fortuna, do poder político, da formação acadêmica, da visibilidade, da fama, e sobretudo do prestígio religioso. As paixões religiosas são justamente as mais perigosas, armadilhas traiçoeiras em que ideias supostamente "puras" ligadas a supostos ideais de simplicidade e humildade revelam sentimentos orgiásticos dos mais cruéis e mais perniciosos e fúteis.

Achávamos que uma coleção de paradigmas de superioridade social iria resolver as crises ocorridas desde 2013. Víamos em políticos conservadores e corruptos pessoas "moderadas" e "responsáveis" para tocar o país na frente. Acreditávamos que sacrifícios traziam mais benefícios do que a obtenção justa dos próprios benefícios.

E o que ganhamos de presente? A perda das nossas riquezas que, vendidas para estrangeiros, não se resultarão no retorno de investimentos sociais e renda socialmente compartilhada pela população, mas em meras migalhas investidas no Brasil, enquanto o grosso do lucro obtido pelas empresas gringas vai para as contas dos paraísos fiscais dos seus donos e de seus aliados mais chegados.

Mas não é só isso. Vamos perder conquistas trabalhistas, trabalhar até morrer, porque a forma como se dará a reforma administrativa só vai garantir os vencimentos da aposentadoria quando o beneficiário já estiver na "pátria espiritual". Se o dinheiro, pelo menos, estiver disponível para seus herdeiros, seria menos mal.

Com a aprovação do repressivo ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, para a vaga do STF, a situação do Brasil ficará ainda pior. Teremos um Judiciário que já conta com pessoas de atuação duvidosa, como Gilmar Mendes. O STF, que monitora a aplicação das leis no Brasil, deixará sua isenção de lado e reafirmará como um órgão do PSDB.

Moraes promete que atuará de forma "independente e imparcial", mas sabemos que isso é conversa para boi dormir. Como é conversa para boi dormir tudo o que o presidente Michel Temer diz, achando que, por exemplo, prorrogar a aposentadoria para o fim da vida será ótimo para a população, assim como restringir investimentos públicos para a Saúde e Educação.

Os ricos ficam mais ricos, mais esnobes, mais sádicos, mais preconceituosos, mais violentos. De repente vivemos a ditadura de elites que acham que podem fazer o que querem. Não controlam seus impulsos, mas acham que podem controlar suas circunstâncias e saírem impunes numa boa. Vivemos uma catástrofe social que deve causar perplexidade em todos. Não é hora de sorrir e caçar borboletas pelas ruas das grandes cidades. A hora é de pararmos para pensar no que está o país hoje.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Cuidado, cyberbully, você está sendo vigiado!


Vivemos uma época em que as elites detentoras de algum privilégio social acham que podem fazer o que querem. Numa retomada ultraconservadora, pessoas cujos privilégios variam do domínio tecnológico ao prestígio religioso se viram, de repente, na plenitude de seus abusos, como se nada pudesse detê-las.

São pessoas que até se envolvem em escândalos, muitas vezes cabeludos, veem a encrenca bater à porta de sua casa ou de seu ambiente profissional, mas aparentemente dão a volta por cima, seja com algum jogo de cintura, seja com alguma represália.

Estamos vendo exemplos assim no governo Michel Temer, que empurra medidas impopulares e prejudiciais à população, enquanto põe seus integrantes da "equipe de notáveis" em cargos estratégicos ou até em cargos no Judiciário. Nunca um senhor de 77 anos se comportou como se fosse um menino teimoso e mimado (por sinal, pela grande mídia) de sete anos.

Recentemente, o ex-governador do Rio de Janeiro, Wellington Moreira Franco, citado inúmeras vezes em atividades de corrupção por delatores da Operação Lava Jato, e já definido pelo antigo rival Leonel Brizola (1922-2004) como "gatinho angorá", porque passa "de colo em colo" (ou seja, muda o padrinho político conforme as conveniências), conseguiu não só assumir o cargo de ministro da Secretaria-Geral da República, como adquiriu foro privilegiado, só podendo ser julgado pelo STF.

A propósito, temos também a possibilidade de Alexandre de Moraes ser ministro do Supremo Tribunal Federal, mesmo com todo o acúmulo de inconvenientes. Foi constatado que ele não tem um pós-doutorado que havia sido declarado, porque ele foi registrado por engano. E, o que é mais grave, o "ilustre jurista" também é acusado de plagiar, em seus livros, um teórico espanhol, Francisco Rubio Llorente.

Isso lembra Francisco Cândido Xavier. Ele havia plagiado trechos de várias obras literárias. Em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, um livro pretensamente de "História e de Espiritualidade", há um capítulo que copiou um outro inteiro de um livro, pasmem, cômico, O Brasil Anedótico, que o alegado autor Humberto de Campos - que nunca escreveria as barbaridades que atribuem à sua autoria espiritual - havia produzido em vida.

Chico Xavier, sabemos, fez o que queria. De um pastichador de livros - tarefa que ele não fazia sozinho, mas com uma equipe de editores e redatores da FEB - , ele virou algo perto de um Deus, um "dono da verdade" e um "proprietário do Brasil". Seus defensores fazem o possível para manter ele no pedestal, ainda que haja desentendimentos mil, como uns achando que ele era profeta e outros pensando que ele era reencarnação de Allan Kardec (o que é um absurdo sem tamanho).

Ele fez o que queria porque gozava de prestígio religioso. Era um beato católico ortodoxo - sim, Chico era devoto da Igreja Católica Apostólica Romana, rezador de terços, adorador de imagens, rigoroso espectador de missas católicas - e entrou no Espiritismo pela porta dos fundos, graças a uma ajudinha do presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas.

A ascensão de Chico Xavier tornou-se tão descontrolada que hoje é um mito gigantesco no qual se torna difícil questionar. Ele poderia não entender de Espiritismo e sua mediunidade teria sido mais limitada do que muitos acreditam, mas ele entendia de hipnose e de técnicas de manipulação da mente, sendo habilidoso na técnica da falácia chamada Ad Passiones, ou "apelo à emoção".

No Ad Passiones, usa-se todo tipo de apelo emocional para seduzir a opinião pública. É uma tática de controle mental mais perigosa que a coerção, porque pode dominar o inconsciente. Chico Xavier foi um praticante de estratégias como o vitimismo ou coitadismo, reagindo em silêncio e com poses e depoimentos de tristeza quando era duramente questionado.

Graças a isso, o Espiritismo foi empastelado no Brasil. O legado que Kardec concebeu com muito trabalho e dor - seus últimos livros foram escritos quando ele sofria de aneurisma - foi simplesmente desmoralizado, reduzido, no Brasil, a um sub-catolicismo marcado pela permissividade e por uma falsa imagem de filantropia, feita mais para ajudar o benfeitor do que o povo carente.

Aí, faz-se o que bem entender. Se você é um novelista ruim, não mande seu roteiro para a televisão, mas adapte suas novelas medíocres com alguma temática sobrenatural, preencha as páginas com alguma lição moralista, use um mero prenome ou nome composto para um suposto espírito (Verônica ou Pedro Lúcio, por exemplo), e vai vender como água. Se disser que o lucro do livro será "para a caridade", melhor ainda. Blindagem na certa.

Da mesma forma, se plagiar e realizar pastiches literários ou falsificar quadros imitando (e muito mal) os estilos de vários pintores mortos, basta correr para adquirir uma casa velha, botar uns pobres dentro e sair por aí fazendo palestras com palavras bonitas sobre família, amor e compaixão, dentro daquele igrejismo que conhecemos e, pronto. Ninguém mexe com quem fizer tudo isso. Os juízes só chegarão perto de você só para lhe dar um abraço e pedir um livro autografado.

OS VALENTÕES DIGITAIS

Se você tem dinheiro, fama, poder político, poder de liderança em geral, porte de arma, prestígio religioso, diplomas, etc etc, você acha que faz o que quer. As elites surtaram e hoje despejam seus piores preconceitos sociais, sob os quais não medem escrúpulos em cometer crimes graves. Há poucos dias, um publicitário, ex-militar e saudosista da ditadura militar matou a filha só por causa de discussões tolas sobre herança.

O pior é que existe a ilusão da impunidade, da imunidade e, o que é pior, a ilusão de que tais pessoas podem cometer abusos e se manter em popularidade. Se você é do tipo que falsifica quadros e plagia livros e corre para um "abrigo institucional" da religião "espírita", ninguém mexe com você e, quando há um escândalo, nada que um Ad Passiones não possa resolver. A carteirada religiosa ainda arranca lágrimas de muita gente e cala a boca de muito questionador de vontade mais débil.

Até quando se tira a vida de alguém a pessoa que acha que pode fazer o que quer a ponto de homicidas ricos acharem que não podem adoecer pela forte pressão dos efeitos de seus atos. Acham que podem não só ficarem impunes como se acham no direito de uma vida "cor-de-rosa".

Acham que suas vítimas podem morrer até na mais tenra juventude, mas se revoltam quando um médico lhes alerta do risco de morrerem de repente antes dos 60 anos. Não querem morrer sequer antes dos 90! E, quando não há jeito, suas mortes não podem ser reportadas pela imprensa.

O egoísmo humano ou as demais ilusões que vão do luxo da alta sociedade à falsa modéstia do prestígio religioso - tão perigoso por direcionar a vaidade humana aos "tesouros do céu", desejando avidamente não o luxo terreno, mas as extravagâncias no "porvir" - consistem no espírito do tempo que faz com que valentões usem a Internet para intimidar e desmoralizar os outros.

Troleiros, hackers e cyberbullies, ou mesmo falsos denunciadores - que primeiro criam um fake para cometer atrocidades sob o nome da vítima para depois denunciá-la como se fosse um "delinquente digital" - constituem o cenário de horror que reside nas redes sociais e transforma computadores e telefones celulares em "terras sem lei".

Recebemos denúncias de gente sendo vitimada por blogs de ofensas e calúnias. Há até um feito por um busólogo da Baixada Fluminense que, dizem, foi criar uma página de "comentários críticos" para se vingar de uma abortada ascensão política, porque o cara fazia um curso de Informática para jovens carentes.

O valentão copiava os textos e fotos de suas vítimas e, para cada parágrafo, fazia um "comentário crítico", ao mesmo tempo jocoso e ofensivo. Quando era contrariado, ele ainda ia para redes sociais, fóruns e até petições de Internet, para despejar comentários ainda mais agressivos. Ele tinha um aliado mais jovem que fazia fakes personificando o mesmo tipo de "tarado gay".

O valentão dos "comentários críticos" ainda ia para a cidade dos outros fazer ameaças, a pretexto de tirar fotos para sua página pessoal (quando ele assumia a identidade de um "equilibrado" busólogo). Ele não encontrava os desafetos, mas era observado de longe por milicianos que controlam serviços de vans e que faziam ponto num estacionamento próximo ao terminal rodoviário.

Mas se o valentão era observado por gente da pesada, sua página de horrores era também denunciada pelo SaferNet, página na Internet que recebe denúncias de crimes virtuais. O valentão atualiza sua página, capricha nos comentários mais "picantes", e, dentro de seu quartinho não sabe que suas páginas estão sendo lidas por funcionários da Polícia Federal, que não raro têm até o Protocolo de Internet (registro digital do computador usado pelo internauta) do valentão.

Muitos valentões das redes sociais ou da blogosfera têm suas páginas ofensivas com algum registro policial. Isso é fato. Mas não é qualquer um que pode alertar os brutamontes eletrônicos sobre isso, já que a resposta que estes dão é "KKKKKKKKK" e, irritados com o alerta, são capazes de atualizar os blogs com mensagens ainda mais ofensivas e ameaçadoras.

Vivemos uma época em que a Justiça começa a aprender essa nova realidade, de que o status quo dominante não é garantia de imunidade, impunidade e prestígio. É claro que temos estruturas sociais velhas e os chamados privilegiados de toda ordem, do dinheiro à religião, passando pela fama ou até pelo prestígio "doméstico" da turma de amigos ou apreciadores de um hobby, estão demonstrando visões cada vez mais reacionárias, violentas e socialmente preconceituosas.

Desde que o feminicídio foi considerado crime hediondo e até o "espiritismo" brasileiro foi pivô de um crime de recusar atendimento a uma vítima de estupro, fatos diversos desafiam a compreensão de juristas e outros especialistas sobre os abusos humanos protegidos por alguma vantagem social.

Até mesmo na Justiça se observa uma atuação irregular, tendenciosa e nem sempre benéfica à sociedade. Permite-se que o presidente da República, Michel Temer, lance propostas que ameaçam gravemente os direitos sociais dos brasileiros, tão trabalhosamente adquiridos. E isso num país em que a maior corporação de Comunicação, as Organizações Globo, são controladas por irmãos sonegadores de impostos e donos de fortunas descomunais.

O maior desafio no Brasil é se desapegar das antigas condescendências movidas pelas conveniências sociais e adquirir coragem para, se preciso, punir ou limitar os privilégios de pessoas consideradas "admiráveis". Derrubar totens é algo que muitos sentem dificuldade, sobretudo quando é um parceiro de hobby, o "maioral da turma" ou o ídolo religioso de práticas cheias de irregularidades.

Fazer uma grande revisão de valores e deixar de lado a aura divinizada dos privilegiados da Terra é um imperativo que juristas e outros especialistas devem assumir, mesmo que seja sob o preço de derrubar totens antes vistos como sagrados ou pessoas antes vistas como "legais". Não se pode considerar pessoas com tais qualidades se elas cometem abusos que vão contra a ética, o bom senso, a lógica humana, a coerência e, sobretudo, o respeito humano.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Brasil está em séria crise, e isso não é uma piada


Que as pessoas até sentissem raiva só por ver Lula e Dilma Rousseff na tela da TV ou numa página de jornal, isso é compreensível. Que o pessoal não aguentasse 14 anos de PT no poder, vá lá, talvez não esteja preparado para um projeto político como esse.

Mas ficar despreocupado e feliz diante de um governo caótico que se sucedeu ao impeachment de Dilma é inadmissível. Desde maio de 2016, quando o insosso vice-presidente Michel Temer assumiu o mandato, houve uma série infinita e trágica de confusões, recuos, escândalos de corrupção, arbitrariedades, covardias, retrocessos políticos, crises econômicas e tantas ameaças.

Era para o Brasil estar uma situação de calamidade pública. E está mesmo. Mas a Rede Globo não noticia isso. Não vira primeira página de Veja. Não vira postagem com mais curtidas do Facebook. Não impulsiona uma parcela de brasileiros para as passeatas com camisas verde-amarelas.

Enquanto o governo Temer se marcava por uma série de incidentes graves como este, as pessoas iam para as praias e praças jogar conversa fora, rir despreocupadamente, fazer suas compras e rir até do aumento de preços. "Ih, está caro! Mas é isso mesmo!", diz a pessoa, tranquila, e compra o produto assim mesmo.

Jovens que poderiam reagir em passeatas - até existem os que fazem isso, mas de repente até isso se esfriou - vão jogar vôlei, caçar borboletas e, agora, bichinhos do Pokemon, e quando leem os jornais sobre mais um escândalo do governo Temer, ficam rindo como se não fossem escândalos políticos, mas demonstrações de senso de humor, como se a política fosse um programa humorístico de TV.

A situação está terrível e, sobretudo no Estado do Rio de Janeiro, existe uma figura típica daquele cidadão que lê as barbaridades que ocorrem no local e, de um jeito esnobe, fica dizendo para qualquer transeunte: "Mas não tem jeito mesmo o Rio, hein?". E depois volta para casa viver sua vidinha confortável de quem não se sente atingido pelos problemas.

Os escândalos, no plano nacional, também causam a mesma reação. Só que o Brasil não é uma versão ao vivo do A Praça é Nossa. O que vemos são casos de corrupção e outras atrocidades - como a terrível medida de limitar os gastos públicos - , envolvendo nomeação de políticos lenhados em cargos importantes do governo, além da catástrofe de pôr o terrível Alexandre de Moraes para ser ministro do Supremo Tribunal Federal, algo que, espera-se, nunca aconteça.

Isso porque o currículo de Alexandre de Moraes é extremamente calamitoso. Há até mesmo acusações de plágio em seus livros - o "espiritismo" já mostra caso semelhante, sobretudo com o "iluminado" Chico Xavier, ele mesmo uma coleção de irregularidades - , além de outros casos como a repressão aos movimentos sociais, práticas de corrupção e outras coisas de arrepiar.

O grande perigo de ter um sujeito desses no STF é porque a instância máxima do Poder Judiciário, que já está maculada por figuras como Gilmar Mendes, pode botar tudo a perder. Teremos que aguentar Alexandre de Moraes por cerca de 30 anos, ganhando um rio de dinheiro, gozando de foro privilegiado e imunidades mil, gozando de privilégios que, para um brasileiro médio, seria um sonho de contos de fadas.

E ninguém faz passeata, ninguém bate panela quando vê aquele sósia do Lex Luthor - que parece bonzinho diante do "ilustre jurista", que carrega um semblante bastante agressivo - , e o pessoal vai postar nas redes sociais foto de bichinho, de pesca ao lado do titio, de bolo de aniversário, de receita de comida, poeminhas, passarinhos, pôr-do-sol etc.

Caramba, e é o mesmo pessoal que espumava de raiva só de ver Lula! Eles reviveram esse momento quando, na cerimônia de cremação do corpo da ex-primeira-dama Marisa Letícia, não suportavam sequer ver Lula chorando, no seu direito de ser humano de manifestar seus prantos quando morre um ente querido.

Ao verem que Lula, depois, fez um discurso, as pessoas se espumaram de raiva. e houve até gente manifestando profundo rancor, até uma Luana Piovani dizendo que o ex-presidente "fez draminha". Isso como se não bastasse gente comemorando a morte de dona Marisa, na maior insensibilidade.

Já basta fazerem oposição ao PT. Se isso fosse feito dentro dos níveis respeitosos, seria até saudável e naturalmente democrático. Mas a onda de calúnias e difamações que os anti-petistas fizeram e fazem, da maneira mais doentia possível, chega a causar preocupação não só quando neste caso, quando eles fazem o que não devem, mas no atual contexto político, em que eles não fazem o que devem.

Para quem vomita rancor só quando vê o rosto de Lula, pelo menos poderia contribuir para barrar o acesso de Alexandre de Moraes ao STF. Fazer passeatas, ocupar as avenidas, soltar panelaços, soprar vuvuzelas etc. Ninguém faz. E, se um brutamontes desses entra no STF e lá permanece por cerca de três décadas, o pessoal deveria agitar para que tudo seja impedido para tal finalidade.

As nomeações de ministros "inundados até o topo da cabeça" em denúncias de corrupção para cargos estratégicos do governo Michel Temer já era coisa de arrepiar os cabelos e botar as pessoas para irem às ruas com auto-falantes despejando protesto contra todos eles. E não é para defender a substituição deles por alguém mais autoritário, porque isso pode botar o Brasil a perder.

Temos que levar a sério o problema quando vemos pessoas como Geddel Vieira Lima, Romero Jucá, Wellington Moreira Franco, Eliseu Padilha e Aécio Neves como homens de confiança do governo Temer. Assim como a ida de Alexandre de Moraes ao STF, na qual os religiosos deveriam apelar até para Deus colocar uma barreira no Supremo a um sujeito desses. Problemas com essa gente são gravíssimos e não devem ser visto como coisa sem importância ou uma piadinha qualquer.

E não se pode também defender políticos autoritários. É um horror ver que, nas redes sociais, há mensagens de pessoas que preferem exército nas ruas do que o povo debatendo leis, esquecendo o grande mal que foi a ditadura militar, fase política que envergonha até mesmo as Forças Armadas e que fez o Brasil afundar numa violenta crise econômica. Defender aventureiros políticos é extremamente perigoso e nocivo para o país.

Só para se ter uma ideia, vazou uma gravação de uma imagem de mensagens em que o "herói" dos reacionários extremistas, Jair Bolsonaro, discute com seu filho Eduardo, com trocas de grosserias e com o jovem ainda chamando de "m****" o irmão Renan, também filho do "grande brasileiro". Jair também tem histórico de corrupção, pois seu patrimônio é bem maior do que seu "jeito simples" que empolga os midiotas sugere.

As pessoas deveriam pelo menos prestar atenção no que foi a ditadura militar, ou prestar atenção no que é a atividade do Judiciário e do Ministério Público hoje. Uma figura irregular como o juiz Sérgio Moro, que prefere as conveniências do jogo de interesses do que o respeito rigoroso à lei, só consegue deixar o meio jurídico bastante vulnerável.

Mas para quem aceita que pastichador de obras literárias use a Doutrina Espírita para virar um semi-deus, vale tudo. Só não vale petista no poder. Tudo bem que as pessoas não queiram o PT no governo, mas pelo menos honrem seu ódio à corrupção, a ponto de dar ao Alexandre de Moraes uma grande frustração em sua carreira de advogado, barrando-lhe o acesso ao STF.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Supremo Tribunal Federal não merece Alexandre de Moraes

UMA DAS OBRAS DE ALEXANDRE DE MORAES - Reprimir manifestações contra a arbitrariedade e os abusos do poder político.

Que ninguém aceite o nome de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal. Entidade máxima do Poder Judiciário, o STF será prejudicado com a presença de um jurista de atuação não só irregular, mas completamente maléfica para o Brasil.

As pessoas tem que entender a nomeação de hoje como uma catástrofe para o país, como um sério prejuízo às leis e à normalidade democrática nacional. Se caso, depois da edição deste texto, ele for escolhido, que tudo seja feito para retirá-lo do cargo. Se houve pressão para tirar Dilma Rousseff do poder, seria melhor que também se tirasse Alexandre de Moraes do STF de qualquer maneira.

Onde estão os manifestantes, as pessoas nas ruas? Cadê as pessoas com camisa verde-amarela para protestar contra uma indicação destas? Será que as pessoas não se preocupam com a catástrofe? Alexandre de Moraes nem era para ser ministro da Justiça, quanto mais ministro do Supremo Tribunal Federal, considerado instituição máxima do Judiciário!

A atuação de Alexandre de Moraes foi um risco para o país, seja como secretário de Segurança Pública do governo de Geraldo Alckmin, seja como ministro da Justiça desse calamitoso governo de Michel Temer.

Moraes já tem em seu currículo acusações de ter defendido o PCC, como advogado. Ele mandou reprimir violentamente manifestações estudantis, a ponto de deixar manifestantes seriamente feridos e com sequelas graves. Ele advogou até para o ex-deputado Eduardo Cunha, algo que deveria botar as pessoas para fazer passeatas em todo o país!!

Moraes, tendencioso, participou de um comício de um candidato do PSDB a uma prefeitura paulista, e disse, fazendo gracinha, que viria "mais Lava Jato" nos dias seguintes. Um rival do candidato, o ex-ministro de Lula, Antônio Palocci, foi preso. A atitude de Moraes foi considerada ilegal e inconveniente e quase pôs sua situação a perder. Apenas as conveniências políticas garantiram a permanência do ministro, que tinha tudo para ser expulso do cargo.

Moraes também não se interessou a mandar tropas federais para conter uma rebelião de presos em Roraima. Uma prefeita de Roraima, do partido da base aliada do governo Temer, o PP, pediu o envio de tropas e Moraes recusou. Resultado: uma chacina ocorreu no local, matando detentos de menor periculosidade, sem envolvimento com facções e cumprindo prisão provisória.

O perfil de Alexandre de Moraes não tem a isenção necessária para assumir um posto do Supremo Tribunal Federal. Ele que seja um jurista atuando no ostracismo. Quando muito, como um professor universitário, embora já seja demais. O mais irônico é que o próprio Alexandre de Moraes defende uma tese em seus livros de Direito que ocupantes de cargos de confiança não podem ocupar funções no Supremo Tribunal Federal.

O Brasil já enfrentou retrocessos demais para encarar uma cilada dessas. Já foi aprovada a PEC que limita os gastos públicos, está em andamento a venda de nossas riquezas para estrangeiros, as reformas trabalhista e previdenciária irão desfazer históricas conquistas sociais e há um lobby para elas serem aprovadas.

Pior: já morreu a ex-primeira-dama Marisa Letícia, pressionada por calúnias contra ela e sua família, sobretudo o marido Lula, resultante do abuso irresponsável e truculento do direito de se opor ao PT, que seria até saudável se fosse evitada toda essa campanha de ódio e calúnias.

Que algo seja feito para impedir que Alexandre de Moraes assuma o cargo de ministro do STF, na vaga do falecido Teori Zavascki. Que tudo seja feito para o STF ser uma instituição completamente distante da vida desse jurista e que tudo fosse feito para o cargo escapar de suas mãos. Pedimos à presidente do STF, Carmen Lúcia, prudência e que impeça a entrada de um sujeito nesses no órgão. Temer não é dono do Brasil!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Morte de Marisa Letícia: fruto do azar?


Sem querer aqui dar conclusões sobre qualquer coisa, mas é estranho que tantas tragédias ocorram depois do contato com o "espiritismo" brasileiro, de uma forma ou de outra. A morte de Marisa Letícia Lula da Silva, mulher do ex-presidente Lula, é um episódio que sugere também esse mau agouro "espírita".

Marisa Letícia parecia estar estável e com o acidente vascular cerebral aparentemente sob controle. De repente, o "médium" João Teixeira de Faria, o João de Deus, foi ao Hospital Sírio-Libanês (onde ele foi operado para extrair um câncer), em São Paulo, para "fazer orações" pela ex-primeira-dama. Dias depois, o estado dela piorou e hoje foi anunciada morte cerebral.

Embora muita gente reclame das acusações de que o "espiritismo" traz azar, o que, à primeira vista, pode soar "injusto" e "cruel demais", é indispensável lembrar da natureza contraditória e falha da doutrina brasileira, que por suas escolhas tornou-se a religião mais desonesta da História do Brasil.

Temos que, neste caso, abrir mão de qualquer paixão religiosa, esquecer toda aquela propaganda enganosa de "caridade", até porque ela fascina, encanta e comove, mas pouco realizou em termos de ajuda, ajudando muito mais o ídolo religioso que festeja demais com filantropia de menos.

O "espiritismo" brasileiro surgiu deturpando o legado de Allan Kardec. Optou pela visão igrejeira e medieval de Jean-Baptiste Roustaing, por estar de acordo com as paixões religiosas que até hoje conduzem o que os incautos chamam de "kardecismo" (termo que, na prática, mais parece pejorativo em relação ao professor lionês).

A "opção" pelas bases doutrinárias de Allan Kardec foi só um artifício marcado pelo jogo de interesses que se evidenciou em meados da década de 1970, com o falecimento de Antônio Wantuil de Freitas, ex-presidente da FEB que colocava o roustanguismo em "bons termos" e coordenava seu abrasileiramento pela obra de Francisco Cândido Xavier.

Sem Wantuil, o elo que ligava o alto clero da FEB - de atuação centralizada e postura assumidamente roustanguista - e as federações regionais (das quais se destacavam o mineiro Chico Xavier e o baiano Divaldo Franco) se rompeu e os "regionalistas" resolveram, apenas por uma mera formalidade, adotarem o nome de Allan Kardec para se contrapor à opção dos dirigentes da FEB por Roustaing.

E foi aí que a deturpação "espírita", juntamente com a "mediunidade" de faz-de-conta - a Justiça ignorou que o caso Humberto de Campos revelava que o que foi feito por Chico Xavier foi uma fraude, pelas contradições graves entre a obra de Humberto publicada em vida e sua suposta obra espiritual - , passou a assumir uma desonestidade doutrinária muitíssimo grave.

Isso porque, nos últimos 40 anos, os "espíritas" se encanaram em fingir que "respeitam rigorosamente" e que são "absolutamente fiéis" à obra de Kardec, enquanto continuavam mantendo práticas e valores que contrariavam frontalmente e de forma bastante chocante o legado do professor lionês.

Daí que a partir dos anos 70, o "espiritismo" ficou mais "popular", porém ficou mais desonesto. Antes ficasse com seu roustanguismo e se assumisse medieval. Em vez disso, os "espíritas" preferiram adotar uma postura "dúbia", defendendo o legado kardeciano no discurso e exaltando o igrejismo roustanguista na prática.

Enquanto bajulam Erasto, que havia dito que era melhor rejeitar dez verdades do que aceitar uma única mentira, aceitam a mentira chamada Chico Xavier, que de pastichador de livros virou um quase deus de "mil e uma qualidades" (quase todas inexistentes, diga-se de passagem).

Enquanto evocam, de maneira pedante, fatos e personalidades científicos em publicações e eventos ligados ao "movimento espírita", se exaltam os romances "espíritas" e toda a propaganda de "superação pessoal" que o "espiritismo" traz baseado na Teologia do Sofrimento.

Daí o mau agouro que se faz. Seguindo o caminho inverso de Allan Kardec, que partiu das brincadeiras "espirituais" da tábua Ouija e das mesas girantes para estudar o Espiritismo, os "espíritas" usaram as ideias de Kardec para rebaixá-las em práticas duvidosas e invigilantes - até de parte de "médiuns tarimbados", que já se corrompem movidos pelo "culto à personalidade" - , nivelando a "mediunidade" ao vale-tudo do ocultismo Ouija ou do faz-de-conta igrejista.

Há casos que indicam azar no contato com o "espiritismo". Foi Juscelino Kubitschek conceder à FEB o título de "organização de utilidade pública" e dar toda a consideração a Chico Xavier para o político contrair uma "maré de azar" que o impediu de tudo: ser novamente presidente da República, entrar na Academia Brasileira de Letras etc. E ainda foi exposto para sofrer uma tragédia que foi um estranho acidente automobilístico.

O ator José Wilker, ateu, que não parecia morrer relativamente cedo, foi procurar um "centro espírita" para fazer consulta sobre uma possível cirurgia espiritual. Pouco depois, sofreu um infarto fulminante numa noite, em abril de 2014.

Pessoas comuns também reclamam muito de terem contraído azar após obter tratamentos espirituais. Teve rapaz até que reclamou de que o "espiritismo", que tanto condena o "sensualismo", lhe deu azar porque, depois de um tratamento espiritual, só conquistava "periguetes", sem qualquer motivação plausível e sem um pingo de afinidade ou identificação espiritual, uma "atração" que ele exercia de mulheres que ele repudiava por não ter o menor interesse em tê-las.

Os "espíritas" vão dizer que, no caso de Marisa Letícia e José Wilker, eles fumaram demais. Tudo bem, eles fumaram. Mas, por outro lado, Doca Street também fumou demais, e, no passado, ainda consumiu cocaína, e "chegou inteiro" aos 72 anos em 2006, mesmo provavelmente "carregando" um câncer que lhe custou uma fracassada doação de um rim a um sobrinho que não resistiu ao implante. Dona Marisa e Wilker morreram sem chegar aos 70 anos de idade.

É certo, também, que a campanha midiática caluniosa, que violentava Lula e seus entes o tempo todo e permitia uma impune publicação de mentiras no YouTube, com o ex-presidente acusado de atrocidades que ele nunca cometeria, atingiu Marisa, que ficou angustiada, atormentada, deprimida e, em certas vezes, irritada com tal campanha.

Mas não há como desconfiar da mudança brusca que ocorreu, quando Marisa, que parecia ter um quadro de saúde estável com chances de recuperação (ela chegou a ter sedativos suspensos), ter se agravado da noite para o dia depois que recebeu orações do "médium" João de Deus. Mesmo que ele tenha feito aparentemente na melhor das intenções, ele serve uma doutrina dominada por energias maléficas, pelos motivos acima apresentados.

Essas energias podem vir sem querer, mas partem de espíritos maléficos que praticamente "governam" o "espiritismo", atraídos pela deturpação e por toda desonestidade doutrinária. Por isso é que o "espiritismo" dá azar, porque ele finge tudo: apreciar Allan Kardec, valorizar a Ciência e a Filosofia, praticar mediunidade. Nada disso é feito pelos "espíritas", que, ainda assim, mentem e afirmam fazer o que nunca fazem. É isso que sempre trouxe azar pelas energias "espíritas".