sábado, 28 de março de 2015

Dr. Bezerra de Menezes foi um político do PMDB do seu tempo


O "espiritismo" vive de fantasia, de mitificação e mistificação. E isso faz com que seus personagens sejam vistos mais como mitos do que como humanos. Criam-se até contos de fadas, relatos surreais, narrativas fabulosas e tudo. Realidade, que é bom, nada tem.

É isso que faz com que figuras como o médico, militar e político Adolfo Bezerra de Menezes seja visto como um mito, como um personagem de contos de fadas. A biografia que o dr. Bezerra tem oficialmente é parcial e cheia de fantasia, da qual é difícil traçar um perfil mais realista e objetivo sobre sua pessoa.

Não há informações realistas e suas atividades são romantizadas. Quase tudo em Bezerra de Menezes é fantasia, conto de fadas. Ele não era humano, mas um anjinho que se fez homem e se transformou no Papai Noel que dava presentinhos para os pobres. Um Papai Noel para o ano inteiro, não somente para o Natal.

Difícil encontrar na Internet um perfil de Adolfo Bezerra de Menezes que fosse dotado de realismo, mostrando também os seus defeitos. Ele era um político do tipo peemedebista, que não fede nem cheira, aparentemente simpático e generoso, mas com um quê de demagogo e corrupto.

Capacidade de colher dados não é difícil. Afinal, o dr. Bezerra era contemporâneo de Joaquim Nabuco, Dom Pedro II, Rui Barbosa e outros personagens com farto material biográfico, com seus aspectos positivos e negativos desses personagens, atuantes num Brasil problemático como sempre foi e continua sendo.

Francamente! Se Rui Barbosa, um dos mais admirados intelectuais do país, ou Joaquim Nabuco e Machado de Assis, também dotados de altos prestígios, tinham pontos sombrios em suas biografias, por que um político menor como Adolfo Bezerra de Menezes tem que ser tratado como se fosse a mais perfeita personalidade que viveu nos tempos do Segundo Império?

Se até o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, bonachão e simpático, é hostilizado e tem seus defeitos fartamente descritos na imprensa e na Internet, por que o dr. Bezerra tem que aparecer limpo e angelical, com uma biografia pouco recomendável para diabéticos, pelo excesso de doçura?

Fica devendo uma análise mais imparcial do dr. Bezerra, que foi uma personalidade de caráter mediano, um político de expressão menor, um abolicionista correto mas sem muito destaque e um líder religioso sem grande missão transformadora, muito pelo contrário, já que ele barrou todo o cientificismo que seu rival Afonso Angeli Torteroli queria introduzir na Doutrina Espírita.

Bezerra foi roustanguista durante toda sua vida como "espírita". Falecendo em 1900, aos 69 anos, reencarnou poucos anos depois, como seria de praxe para sua pessoa, e já deve estar duas encarnações posteriores à sua famosa, provavelmente sendo um jovem de cerca de 25 anos que vive entre nós.

No entanto, a visão oficial é que Bezerra não reencarnou mais, virou um "filantropo do além", um "santo" informalmente canonizado pela FEB e, diante da crise sofrida pela supremacia dos ideais de Jean-Baptiste Roustaing, supostos médiuns criaram mensagens apócrifas atribuídas a Bezerra de Menezes expressando o falso reconhecimento do valor de Allan Kardec.

Vamos tentar criar alguns aspectos sobre Bezerra de Menezes para que as pessoas larguem suas ilusões e vejam o "espiritismo" da FEB não como um consulado do paraíso celestial no Brasil, mas como uma seita religiosa como tantas outras, e cujos personagens estão longe de significar a suposta perfeição a que lhes é atribuída. Vamos lá:

FISIOLOGISMO POLÍTICO - O cenário político da época era mais marcado pelo fisiologismo político, ou seja, tendência em que políticos de perfil mediano e insípido, não muito progressistas mas também não muito reacionários, levemente populistas mas sutilmente elitistas, misturavam poucos ideais de melhorias sociais e uma certa prática de corrupção.

É o que se observa no PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) de hoje, um partido sem pé nem cabeça, mas situado entre o elitismo sutil (sobretudo os interesses pessoais de seus políticos) e um parcial populismo, pela adoção de medidas "sociais" que só servem para atrair votos ou "lavar dinheiro" das empreiteiras.

Constam-se os críticos do "espiritismo" brasileiro, que reclamam da imagem limpa demais que se legou do dr. Bezerra de Menezes, que ele se encaixava nesse perfil, Fora do âmbito "espírita", sua atuação política foi morna, sem grande empenho, lançando apenas um livro de corretas sugestões para o fim da escravidão.

O livro, intitulado A escravidão no Brasil e as Medidas que Convém Tomar para Extingui-la sem Dano para a Nação, foi lançado em 1869 praticamente no fim da "festa" abolicionista, a menos de 20 anos para a Lei Áurea que deixou tanto senhores de engenho como escravos à própria sorte e, na prática, foi raiz para o agravamento das desigualdades sociais que hoje conhecemos.

CATOLICISMO CONVICTO - Adolfo Bezerra de Menezes era membro de um conhecido clã cearense, com ramificações no Rio de Janeiro, o Bezerra de Menezes. No entanto, ele era isolado do seu meio, porque a ele eram atribuídos um "caráter excepcional" e uma "missão extraordinária", associada ao "espiritismo" brasileiro.

O dr. Bezerra não se mistura sequer com outro famosíssimo Bezerra de Menezes, o advogado e jornalista fluminense Geraldo, pelo simples fato de que o médico cearense era "espírita" e Geraldo era um militante católico.

Mas Bezerra de Menezes, o "espírita", era católico fervorosíssmo, igrejista de carteirinha, rezador por hábito, e mesmo quando assumiu o "espiritismo" - que seu revisionismo histórico tenta fazer um forçado e improcedente vínculo com Allan Kardec - , era um entusiasmado defensor de Jean-Baptiste Roustaing, o desafeto de Kardec que primeiro "catolicizou" a Doutrina Espírita.

TEMPERAMENTAL E ENÉRGICO - É muito falsa a ideia trazida por supostas psicofonias e psicografias atribuídas a Adolfo Bezerra de Menezes, do "bom velhinho" manso, que quando contrariado chorava em silêncio e cabisbaixo, que tinha um jeito bonachão e dócil e, na velhice, deixou como marca a voz frágil e a suavidade paternal.

Bezerra de Menezes era temperamental, e, como parlamentar, não deixaria de falar alto, apresentar um tom enérgico, diante de um Legislativo em que mais se discutiam que debatiam, e, na falta de microfones, ninguém iria falar baixinho para não ser ouvido.Se até Machado de Assis perdia a cabeça de vez em quando, por que Bezerra de Menezes, naqueles tempos caóticos, seria mansuetude 24 horas por dia?

DESUNIÃO NO MOVIMENTO ESPÍRITA - Adolfo Bezerra de Menezes, como dirigente da FEB, oficialmente se empenhou em unir os espíritas em torno de Allan Kardec e Jesus Cristo, com sua paciência ilimitada que transformou as bases da federação nos parâmetros atuais, resolvendo divergências e conflitos e depois promovendo a solidariedade e a unificação.

No entanto, o que Bezerra fez não foi unir, mas dividir o movimento espírita. Ele expurgou os científicos, e fortaleceu ainda mais o religiosismo do que ele entende como "doutrina espírita", e transformou a FEB numa entidade cada vez mais catolicizada, afastando os que desejavam as bases originais kardecianas.

CONCLUINDO

Bezerra de Menezes foi um político peemedebista do seu tempo e, como líder "espírita", foi um católico entusiasmado porém flexível, daí a visão exagerada de que o "espiritismo" brasileiro era rival da Igreja Católica, quando na verdade sempre agiu para agradar os católicos, mesmo os ortodoxos.

É preciso que haja livros que mostrem o Bezerra de Menezes sem fantasias nem visões adocicadas, para que possamos ver nele um personagem histórico e não o "Papai Noel brasileiro" a dar balinhas e guloseimas para a criançada carente. Material para pesquisa existe, o que se deve é despir dos dóceis preconceitos da fé deslumbrada e da ilusão que o estereótipo de "bondade" representa.

domingo, 22 de março de 2015

No "espiritismo", os mortos são proibidos de falar


Uma das piores distorções observadas no "espiritismo" brasileiro se diz a uma mediunidade que não é praticada, é tão somente fingida, com seus supostos médiuns se promovendo às custas da comoção alheia, de muitas famílias entristecidas e saudosas.

A mediunidade é uma prática desmoralizada no Brasil, mesmo quando ela está associada ao estrelismo astral de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco. Até eles se serviram de práticas fraudulentas, embora seja um aparente "consenso" de que é "exagerado" e "ofensivo" acusá-los de charlatanismo.

Pois eles cometeram charlatanismo, sim. Chico Xavier assinou atestados para fraudes de materialização. Divaldo Franco, espécie de dublador de TV frustrado, usa seus falsetes para atribuir a espíritos de personalidades que nunca deixaram registros de sua voz para a posteridade.

E as "cartas" de Chico Xavier? Elas mostram apenas a caligrafia dele ou de um colaborador que assina "a posteriori", mas que não têm a menor relação com as caligrafias originais dos falecidos, por mais que as imitações tentem parecer verossímeis.

As práticas mediúnicas são quase sempre fraudulentas, só se salvando exceções como as do espírito Emmanuel, cujos "ensinamentos" trazidos por Chico Xavier condizem com o religiosismo medieval do espírito do jesuíta Manuel da Nóbrega.

Mesmo assim, a "materialização" de Emmanuel em 1954, feita num "centro espírita" em Belo Horizonte, com Chico Xavier na plateia, era fraudulenta, com uma estátua com roupa copiada do Cristo Redentor e uma cabeça sem rosto para nela colar o recorte da famosa imagem do jesuíta que se dispõe facilmente na Internet, com ele olhando para o lado, em olhar sério.

A fraude ocorreu à noite, com a presença de um gentil mas ingênuo Arnaldo Rocha, esportista viúvo da jovem Irma de Castro, a Meimei, cuja saudade da falecida esposa, por quem era apaixonado e da qual era fiel e dedicado marido, acabou sendo explorada pelo esperto Chico Xavier.

Nela, a estátua era envolta por uma luz de várias cores, em tecnologia de luzes neon, enquanto a voz de um locutor em off, consciente de que a fraude de materialização poderia ser descoberta mais cedo ou mais tarde, narrava o seguinte texto, atribuído a um conselho de Emmanuel:

"Eu não quero! Eu não quero que o Chico sirva de médium de materialização. A sua missão é a missão do Livro! Não é médium com tarefas de efeitos físicos… Amigos, a materialização é fenômeno que pode deslumbrar alguns companheiros e até beneficiá-los com a cura física. Mas o livro é chuva que fertiliza lavouras imensas, alcançando milhões de almas. Rogo aos amigos a suspensão destas reuniões a partir desse momento".

Chico ainda haveria de sofrer com sua "molecagem" com o episódio de Otília Diogo, que merece menção detalhada em outros textos. Mas o que se sabe é que, com o exemplo do "todo-iluminado" Chico Xavier, a mediunidade brasileira virou uma grande bagunça, em que ninguém é capaz de se comunicar com os espíritos e vive no mundo do faz-de-conta.

Por isso é que as mensagens soam muito parecidas, pouco importando se elas trazem informações pessoais, sobretudo as tidas como "complexas". Mas é tudo o mesmo manifesto religioso, de pessoas que "sofreram, foram assistidas pelos amigos espirituais, depois passaram a se sentir bem e pedem aos entes da Terra a união pela 'fraternidade em Cristo'".

Pode ser um caixeiro viajante, um surfista, um empresário, uma bióloga, um poeta, todos se manifestam da mesma forma. Alguns supostos médiuns, mais malandros, colocam alguns ingredientes "próprios", colhem informações mais sutis e depois eles ficam choramingando dizendo que nunca fizeram consulta alguma às famílias, que nunca souberam desses dados "tão complexos".

Mas tudo isso é malandragem, que só se torna "polêmica" porque as pessoas da Terra vivem com suas paixões materialistas, que atribuem superioridade a Chico Xavier, Divaldo Franco e companhia porque se apegam aos estereótipos materialistas de "humildade", "bondade" e "maturidade" que se desfazem como pó quando todos chegarem ao mundo espiritual.

Lá o pessoal verá o quanto os espíritos falecidos não deram um pio para divulgar as mensagens "mediúnicas" na Terra. Muitos dos espíritos do além-túmulo já foram embora para longe ou até mesmo reencarnaram. Os supostos médiuns apenas usam seus nomes para criar qualquer bobagem religiosista, usando o nome de Jesus em vão e lançando textos piegas e enjoados.

Essa é a verdade. E isso é que transforma a mediunidade, no Brasil, numa prática corrompida, fraudulenta, irregular. E que faz os supostos médiuns construírem seu estrelismo usurpando nomes famosos ou explorando a comoção de famílias entristecidas, se passando pelos entes falecidos.

É muita fraude, muita mentira, muito charlatanismo. E ainda há gente que chora quando esses supostos médiuns são classificados como charlatães. Deveriam, pelo menos, todos se reunirem para choramingar sobre a represa do Sistema Cantareira, em São Paulo, porque pelo menos suas lágrimas serviriam para aumentar o nível do reservatório de água, beneficiando a população.

quinta-feira, 19 de março de 2015

"Superioridade espiritual" de Chico Xavier e Divaldo Franco é uma farsa


Muito se fala da suposta superioridade espiritual de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, que seus seguidores definem como "espíritos puros" e dotados da mais extrema elevação moral dentro do "movimento espírita" brasileiro.

São muitos relatos, argumentos, evocações, tudo o mais para tentar afirmar que os dois são as pessoas que mais chegaram ao máximo da evolução espiritual, talvez até mais do que Jesus Cristo, segundo alguns, até pelo fato de terem chegado à velhice (Chico Xavier faleceu há 13 anos).

Só que essa visão nada tem a ver com a realidade. Sabendo que o "movimento espírita" brasileiro se desenvolveu às custas de mitificações, mistificações e fraudes diversas, é também notório que Chico Xavier e Divaldo Franco também participaram, com gosto, em muitas falcatruas cometidas pelo "espiritismo" brasileiro.

Eles erraram, e erraram muitíssimo. Usaram o prestígio que acumularam ao longo dos anos para legitimar e popularizar mistificações, abordagens equivocadas, ideias sem a menor consistência, enfiando na Doutrina Espírita dogmas, ritos e ideias que NADA tinham a ver com o que Allan Kardec havia sistematizado originalmente.

Chico e Divaldo eram ligados mais a uma abordagem religiosista, a uma visão mística e moralista que herdaram do Catolicismo que seguiram fielmente (Divaldo ainda segue e foi visitar animadamente o Papa Francisco, no Vaticano, semanas atrás), frequentemente contrariando muitos pontos de vista trazidos por Allan Kardec e pelas mensagens do Espírito Verdade.

Chico realizou plágios de livros, fazia falsa mediunidade escrevendo cartas com a própria caligrafia e atribuía ao nome de falecidos, constituindo um claro indício de fraude, porque não há um vestígio da caligrafia do morto, assim como mesmo as informações mais complexas eram colhidas em consultas e conversas informais dos colaboradores do anti-médium mineiro com a família do falecido.

Ele também assinou atestados legitimando atos de fraude de materialização, em que pessoas ou objetos eram cobertos de mantos brancos e neles eram colocadas fotos de personalidades falecidas recortadas de revistas, jornais ou álbuns de recordação.

Divaldo também era um plagiador de livros, mas também se aproveita para usar falsetes que atribui como "psicofonias", quase sempre evocando personalidades antigas que não deixaram registros sonoros de suas vozes originais.

Eles usam desses recursos como certos farsantes que se apoiam em movimentos católicos e evangélicos para realizar as suas, como casos notórios de gente que se fingia de paralítica para se levantar em rituais de pseudo-exorcismo, ou de falsos cegos que eram convidados a abrir os olhos.

Aliás, consta-se que Chico Xavier não era exatamente cego, era um ávido leitor de livros, tendo apenas um relativo problema de visão que o obrigava a usar óculos escuros. Mas, estando com os óculos abertos, Chico Xavier geralmente mostrava semblante pesado - influência do "mentor" Emmanuel, o traiçoeiro espírito de um conhecido jesuíta - que chegava a ser assustador quando fotografado de frente.

Os plágios de Xavier eram feitos com livros de panfletarismo religioso pachorrentos, em parceria com editores da FEB ou colaboradores diversos como Waldo Vieira e o então presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas. Nos anos 1980 e 1990, há indícios de livros em que Chico Xavier nem sequer escreveu uma vírgula, feitos inteiramente por seus editores.

Além desses detalhes, há o de obras literárias diversas terem trechos plagiados em vários livros de Chico Xavier. Os plágios eram feitos com trechos de livros copiados, com apenas trocas de frases e de palavras, para dar uma impressão de que não foram literalmente reproduzidos. Há também casos de livros praticamente plagiados por completo, como Nosso Lar, cuja fonte foi A Vida Além do Véu, do reverendo inglês George Vale Owen.

Só essas práticas fraudulentas já desqualificam Chico Xavier e Divaldo Franco como "espíritos superiores" e eles mesmos marcaram suas trajetórias com a falsa modéstia garantida pelos estereótipos de humildade e caridade que criaram para si, o do "humilde caipira bondoso", depois "velho gentil", de Xavier, e o do "bom professor de semblante paternal", de Franco.

O problema é que seus seguidores, na tentativa de relativizar os muitos e gravíssimos erros dos dois anti-médiuns, alegam que existe também as obras filantrópicas e as palavras fraternais associadas aos dois, que tanto "ajudaram" as pessoas "sofredoras".

Isso é pura balela. Se observarmos bem, Chico Xavier nem foi essa maravilha toda em palavras e gestos de bondade. Da mesma forma que Divaldo Franco. E, em atividades filantrópicas, eles fizeram muito pouco para ajudar as pessoas, antes até nem tivessem feito, se era para rechear a caridade com o veneno do proselitismo religioso.

Chico Xavier é sempre conhecido pelas frases que fazem apologia ao sofrimento. A síntese de seu "admirável" pensamento, que comoveu tantos incautos e cria um "exército" de fanáticos que pode ser perigoso para o Brasil, expressa uma mesma ideia: "Se você sofre e tudo dá errado em sua vida, você tem que aceitar tudo isso, sorrir, agradecer a Deus, ficar conformado e apenas orar em silêncio para poder aguentar toda a barra pesada que o angustia".

Divaldo Franco não faz coisa diferente. E ele ainda tem como "mentora" uma tal de Joana de Angelis, que, do contrário do Emmanuel de Chico Xavier, que foi o padre jesuíta Manuel da Nóbrega, ela não teria sido Joana Angélica, enérgica mas não tão temperamental como a "mentora" de Divaldo.

Joana de Angelis, provavelmente espírito de alguma pessoa colaboradora de Emmanuel, com toda a certeza anônima e sem ter tido encarnações ilustres no passado, era também conhecida como a madre que não suportava ver pessoas tristes, admitindo, para elas, apenas quinze minutos de tristeza e depois a pessoa é que se virasse para ficar alegre, mesmo sem motivo.

Portanto, se Chico Xavier e Divaldo Franco são considerados "espíritos superiores", isso só se deve à paixão terrena e materialista - apesar do pretexto "espiritualista" - de seus seguidores, que refletem o espírito submisso às autoridades e aos ídolos religiosos que faz de boa parte do povo brasileiro uma multidão vulnerável aos arbítrios dos detentores do poder.

Chico e Divaldo só são "espíritos superiores" pela avaliação terrena e material de seus seguidores. Mas isso não corresponde à realidade do verdadeiro mundo espiritual. Chico Xavier, morrendo, voltou à erraticidade como espírito bastante inferiorizado, com o agravante de ter usado o pretexto de caridade e as "vestes materiais" do caipira humilde e depois do velhinho bondoso para enganar as pessoas da forma ampliada e, por isso, mais deplorável.

Divaldo Franco também pagará caro, porque espalhou para o mundo inteiro sua verborragia cheia de mistificações, pregações moralistas e todos os desvios da essência de Allan Kardec, com outro agravante: tentar usar o próprio pedagogo francês para legitimar todas as mistificações trazidas por Divaldo em suas palestras.

Com isso, a "superioridade espiritual" dos dois é apenas uma farsa, tomada por "verdade indiscutível" apenas pelas paixões terrenas de seus seguidores, obsediados pelos estereótipos religiosos cuja fé cega os aprisiona no atraso de suas vidas.

Quando regressar ao mundo espiritual, Divaldo Franco sentirá o mesmo choque que Chico Xavier sentiu, ao ver que seus simulacros terrenos de "evolução espiritual máxima" não passaram de uma grande ilusão, construída para atrair e sustentar os instintos e paixões das pessoas na Terra. A ilusão de "superioridade" se extingue no além-túmulo, até porque os espíritos do além não são tolos.

domingo, 15 de março de 2015

Chico Xavier e sua obsessão por mortos prematuros

A JOVEM IRMA DE CASTRO, A MEIMEI, FOI UMA DAS "VÍTIMAS" DE CHICO XAVIER.

O anti-médium mineiro Francisco Cândido Xavier era um obsediado que só a sorte e as conveniências de um Brasil escravizado pela fé cega do fanatismo religioso transformou não apenas num "santo" extra-oficial (sem canonização no Vaticano), como num vice-deus.

Tomado de dons mediúnicos que, na verdade, eram bastante limitados, que o faziam se comunicar com a mãe e com o padre jesuíta Manuel da Nóbrega, que adotou o codinome Emmanuel, Chico Xavier fingiu levar adiante os dons, a partir de uma duvidosa psicografia de textos parecidos e a mesma caligrafia do "médium", pouco importando o suposto autor espiritual.

Mesmo assim, Chico Xavier teve sorte, porque personificava os estereótipos de humildade e caipirismo que os brasileiros viam no personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato. Tais estereótipos se somaram, com o tempo, à da "velhice bondosa" que aumentou ainda mais seu mito.

E isso começou com sua obsessão por mortos prematuros, que o fez, em 1932, escrever um livro imitando os estilos de poetas falecidos de diversos movimentos literários - como o Ultraromantismo e o Parnasianismo - e que recebeu o título de Parnaso de Além-Túmulo.

O livro recebeu uma resenha irônica do escritor, acadêmico e articulista do Diário Carioca, Humberto de Campos, que aparentemente "reconheceu" as semelhanças dos "autores espirituais" com o que eles escreviam em vida. Não se sabe se ele realmente duvidava dessa semelhança, é provável que sim.

Mas Humberto, com aquele senso de humor que nunca existiu nas obras atribuídas a seu espírito, havia se queixado da suposta concorrência dos escritores vivos com os "autores do além", crítica sutil que parece não ter agradado muito Chico Xavier.

Chico Xavier, ao ver que Humberto de Campos não deu o devido reconhecimento ao livro, resolveu fazer sua revanche e, assim que o autor maranhense faleceu, um ano depois o anti-médium alegou ter tido um sonho com ele falando com o falecido escritor e membro da ABL, o que serviu de pretexto para o anti-médium praticamente virar "dono" de Humberto.

Sempre os sonhos de Chico Xavier, que o fizeram tornar-se dono da verdade e senhor absoluto de quem quer que fosse. Imagine se eu sonhasse com Clark Gable depois que escrevi uma resenha do filme ...E o Vento Levou e ele me dissesse "Você é aquele menino da resenha do filme?" e depois eu me apropriasse de sua imagem e escrevesse livros atribuídos à sua autoria?

Humberto de Campos tornou-se a maior obsessão de Chico Xavier. Sim, isso mesmo, sua apropriação da imagem do escritor maranhense foi um dos piores casos de obsessão da história do "espiritismo" no Brasil, a ponto de familiares do finado acadêmico moverem um processo judicial contra o anti-médium e a Federação "Espírita" Brasileira.

Para piorar, Chico Xavier atropelou a lógica e se aproveitou da ignorância dos juízes, que simplesmente não entenderam a razão do protesto - verificar se a autoria "espiritual" era verídica ou não - e deram empate no processo, para se ascender como mito e dar uma de espertalhão, xingando os herdeiros de Humberto de "mercenários".

Naquela época, Humberto de Campos era um escritor de sucesso - hoje ele está "esquecido" e virou refém de Chico Xavier, mesmo depois do falecimento deste - e, por isso, a FEB e Chico Xavier eram acusados de se promoverem às custas do falecido. Mas Chico, protegido pela sua "veste corporal" de homem "humilde", havia alegado que seu trabalho era só "para a caridade".

E assim Chico Xavier passou a ser "dono" dos mortos, com aquele processo charlatão de escrever livros ao lado de editores da FEB e consultores literários, ou escrever cartas de próprio punho, só com a assinatura dele, e inventar que recebia mensagens de espíritos. Alimentou seu mito e se promoveu às custas do sofrimento e das lágrimas de muitas pessoas.

Chico Xavier sentia uma atração mórbida pelos mortos prematuros. Era uma espécie de exotismo quase voluptuoso, e ele se apropriava de seus nomes para inventar mensagens, consultando livros e enviando colaboradores para entrevistar com seus familiares. E desenvolvia seu estrelato assim, explorando a memória dos mortos que não podem se sossegar fora da sombra do anti-médium.

Xavier se aproveitou até mesmo da comoção que um jovem esportista, Arnaldo Rocha, sentiu ao se tornar viúvo, perdendo sua jovem esposa Irma de Castro Rocha, a Meimei, e sua saudade de marido fiel foi usurpada por Chico Xavier, que inventou uns livros que dizia terem vindo do espírito da jovem, e Arnaldo, na sua boa-fé de homem apaixonado, acreditou piamente.

Chico acabou sendo astro de uma seita, o "espiritismo" brasileiro, que glamourizava o sofrimento alheio e fazia com que muitas famílias, que acreditavam nas suas palavras dóceis mas traiçoeiras, perdessem entes queridos e fossem ainda aconselhadas a ficarem em silêncio orando, no pior dos infortúnios.

E assim se deu a pretensa "divindade" de Chico Xavier, um homem que, mesmo depois de morto, tenta estar acima de tudo e de todos, senhor absoluto dos vivos e mortos, dono do passado, do presente e do futuro, detentor de todas as habilidades humanas.

Feito o anti-médium um "super-homem" assim do nada, apenas para alimentar uma instituição fraudulenta como a FEB, capaz de comprar até mesmo cientistas para corroborarem, em seus métodos duvidosos, o poderio de Chico Xavier, tornado "vice-deus" à custa da usurpação da memória dos mortos, principalmente os prematuros

quarta-feira, 11 de março de 2015

Status faz sonho sem importância de Chico Xavier virar "profecia"

CAPA DO LIVRO NÃO SERÁ EM 2012 E CONTRACAPA DO DOCUMENTÁRIO DATA-LIMITE SEGUNDO CHICO XAVIER.

O que é o status quo. Ser famoso e ter prestígio garante que qualquer frivolidade que fosse dita tivesse repercussão de algo mais importante. O Brasil em que uma parcela de anônimos tenta buscar a fama por nada, vide os inúmeros reality-shows que se multiplicam na televisão, sem falar dos fait divers que brotam feito fungos nas mídias sociais, são sintomas típicos disso.

É o que se vê em Francisco Cândido Xavier. Em 1969, com 25 anos de relativo sucesso, em que um empate judicial - na prática, os juízes não entenderam o que quiseram os herdeiros de Humberto de Campos para pedir que se verifiquem as obras "espirituais" que usam seu nome - trouxe vantagem ao anti-médium mineiro, um sonho veio promover ainda mais seu já preocupante estrelato.

Era uma vez uma missão de astronautas norte-americanos que, em 20 de julho de 1969, conseguiram chegar à Lua, o conhecido satélite natural da Terra. Pouco depois, Chico Xavier dorme e tem um sonho como qualquer pessoa tem quando dorme. Com uma mistura de aspectos reais e surreais, verídicos e fantasiosos.

Mas como Chico Xavier é Chico Xavier, o popstar do "espiritismo" da FEB, o sonho virou "profecia", depois que foi comunicado a Geraldo Lemos Neto, que divulgou o caso junto a Marlene Nobre nos artigos da Folha Espírita de 1986, que deram no livro dos dois, Não Será em 2012, que por sua vez virou documentário, Data-Limite Segundo Chico Xavier, nas mãos de Fábio Medeiros.

E o que diz o tal sonho de Chico Xavier? Ele, com seu temor de caipira, via na notícia da chegada de astronautas à Lua uma neurose baseada nas conversas sobre ficção científica que teria tido com o amigo Waldo Vieira, que rompeu a parceria pouco antes do "sonho" para fundar uma seita para lá de alucinada (era a época do hippismo, da onda esotérica), a Conscienciologia.

Segundo Chico Xavier, a chegada de astronautas da Terra ao solo lunar seria um fato "preocupante", que provocaria uma guerra nuclear tal como ele havia ouvido falar em 1962 (um ano depois do astronauta russo Yuri Gagarin realizar a órbita pela Terra), pelo rádio e pela imprensa. Cremos que Chico nem de longe era um cientista político (só faltava lhe atribuírem a tal), mas ao menos ele, conservador, tinha uma noção vaga do que foi a Guerra Fria.

Para os leitores de primeira viagem, que só conheceram a História do Mundo em apressadas aulas na faculdade - porque os ensinos fundamental e básico quase não lhes instigavam a aprender a História que seus professores mal-remunerados tentavam vagamente ensinar - , a Guerra Fria era um conflito ideológico entre o antigo mundo capitalista (EUA, Ocidente e outras áreas) e comunista (URSS e Leste Europeu, mais China e Cuba, mais metade da Coreia e do Vietnã).

Chico sabia o que era Guerra Fria, por isso que ele despejava seu anti-comunismo com um rancor que lhe é atípico, vide declaração no programa Pinga-Fogo, na TV Tupi, em 28 de julho de 1971, portanto, uns dois anos após o "sonho". Ele espinafrava João Goulart da forma que nem parte da direita espinafrava mais, arrependida com o monstro que haviam criado no Primeiro de Abril de 1964.

Mesmo o católico Alceu Amoroso Lima - que em outros tempos, acusava Parnaso de Além-Túmulo de ser uma armação comandada por editores da FEB - , que animadamente engrossava o coro dos que queriam o "Fora Jango", se arrependeu e havia se tornado opositor da ditadura que o "bondoso" e "progressista" (?!) Chico Xavier foi incapaz de se tornar.

Mas aí Chico Xavier via o conflito da Guerra Fria com os temores de quem ouvia relatos de Waldo sobre conflitos espaciais de ficção científica. E aí sonhou que uma equipe de "líderes do universo" ou, ao menos, do Sistema Solar, comandados por Jesus Cristo (?!) e tendo a presença de Emmanuel e Chico Xavier, que fizeram uma reunião urgente.

Eles discutiram os riscos de um "conflito planetário", e Jesus - pelo menos o Jesus ingênuo e abobalhado do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho - decidiu que o mundo teria 50 anos para se evoluir moralmente.

Contrariando interpretações das profecias de Michel de Notre Dame, o Nostradamus, na distante Idade Média, de que o mundo "acabaria" em 2012, a "moratória cristã" do sonho dormido de Chico Xavier teria seu limite em 2019. Estamos a quatro anos de lá e o mundo só piorou em sua crise.

Mas aí o "sonho" tem outras "revelações". Ele "previa" que o "velho mundo" (leia-se EUA, Europa, Oriente Médio, Ásia e Oceania, além de algumas "raspas" do Leste da América Latina) seria destruído e só sobrariam o Brasil, uma parcela da América Central e do norte da América do Sul e a maior parte da África.

O Brasil seria "potência mundial" e se tornaria uma nação "próspera, justa e fraterna". As melhores personalidades dos países a serem destruídos migrarão para o país sul-americano e inspirarão espíritos afins de grande valor artístico, moral e intelectual que se ascenderiam no país e comandarão a missão de evolução da humanidade.

Tudo isso parece maravilhoso, confortante e atraente. E houve até "analista" dizendo que Chico Xavier previu o crescimento da Petrobras. Só não previu o esquema de corrupção que atinge parte da instituição desde 1997, não bastasse a participação acionária do traiçoeiro George Soros, especulador financeiro e manipulador de mercados e movimentos sociais, o magnata que gosta de transformar o mundo em seu "brinquedo".

E que condições se ascenderão os melhores cientistas, artistas, ativistas e intelectuais que florescerão no Brasil se eles são escorraçados pelas mídias sociais, desprezados pelo poder público, boicotados pelo mercado e apenas vagamente bajulados por pseudo-intelectuais festivos que lhes apunhalam pelas costas?

Ou, numa outra interpretação: que "melhores personalidades" se refere em verdade a "profecia"? Estrelas de reality shows? Canastrões musicais? Criminosos foragidos ou em liberdade condicional? Especuladores financeiros e estelionatários? Mafiosos? Acadêmicos porraloucas? Atletas e musas de UFC? "Musas" siliconadas em geral?

Observando bem, o sonho de Chico Xavier só virou "profecia" por causa do status que ele acumulou, não necessariamente com vitórias em certas polêmicas, mas pela sorte de ninguém o ter encarado nos episódios de fraudes e irregularidades diversas.

O sonho que ele teve qualquer um podia ter, dando sua visão pessoal sobre "as transformações do mundo". Se atribuirmos "profecia" a todos eles, seria um caos. E a "profecia" de Chico Xavier nem tem lá essa importância assim. Mas papéis e rolos de filmes foram gastos para atribuir uma condição de "previsões sérias" a esse sonho que poderia ser sonhado também por qualquer um.

Só que o status quo, mais uma vez, salvou Chico Xavier e o "milho aos pombos" jogado pela armação da "data-limite" atraiu até outro espertalhão, o Divaldo Franco das palavras arrumadinhas, que até deu sua aposta para a "segunda etapa" das "transformações mundanas": 2052, com mais uma chance para 2057.

Isso parece com aquelas reportagens do RJ Móvel do RJ TV da TV Globo carioca, com aquelas promessas de cumprimento de datas. Mas é o sonho dormido de Chico Xavier, que gerou a imensa conversa para boi e "espírita" dormir que é a sua interpretação falsamente profética.

quinta-feira, 5 de março de 2015

No "espiritismo" brasileiro, o mundo espiritual é descrito no "achômetro"


Uma das grandes falhas, e podemos garantir, das mais graves, relacionadas ao "movimento espírita" brasileiro, é o total desconhecimento da verdadeira natureza da vida espiritual, apesar de toda a roupagem e verniz "científico" que cerca essa amalucada doutrina.

Embora seja uma doutrina que se declare fundamentada nos conhecimentos científicos de Allan Kardec, o "espiritismo" brasileiro sempre expressou sua preferência aos dogmas católicos, se limitando a desenvolver um suposto cientificismo confuso, alucinógeno, místico e pedante.

A doutrina brasileira não aprecia qualquer tipo de estudo relacionado à vida espiritual, à comunicação com os mortos e a resolver mistérios correspondentes à reencarnação. Existem, paralelamente ao seu carnaval doutrinário, estudos realmente sérios sobre a realidade espírita, mas eles são poucos e muito pouco valorizados.

Em compensação, cientistas e conhecimentos científicos se limitam a desfilar entre artigos confusos e cheios de erros e contradições publicados em todo o país em periódicos "espíritas" e em inúmeras palestras da mesma natureza, difundidos até mesmo por supostos especialistas.

Na maioria esmagadora dos casos, a vida espiritual é compreendida através do "achômetro", e o que se viu foi apenas uma tentativa de "organizar" e "padronizar" esse "achômetro", dentro de um modelo de fantasias e compreensões ideológicas que pareça "unificado" e que esteja de acordo com o religiosismo da Federação "Espírita" Brasileira.

É tudo na base da suposição, sem qualquer estudo que comprovasse se realmente há cidades espirituais ou se podemos identificar com precisão quem havíamos sido em outras encarnações, não bastasse o lado supérfluo ou, no pior dos casos, perigoso, de conhecermos nossas encarnações passadas, atitude que dá margem a vaidades e vergonhas profundas e potencialmente danosas.

Numa primeira instância, obras de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco se tornaram guias desse rol de fantasias, de um padrão supostamente "racional" de uma construção da realidade espiritual em narrativas que misturam dramalhões novelescos, ficção científica e panfletarismo religioso.

Há um modelo de "cidade espiritual", composto de um grande edifício, um hospital com aspectos de shopping center, diante de uma grande praça e um enorme campo do qual pessoas parecem ter um comportamento bovino e soam como se fossem uma versão angelical dos zumbis de filmes de terror.

Há os espíritos "socorristas", de temperamento frio e paternal, que dão o paradigma um tanto moralista de "evolução espiritual", num aspecto sobre-humano e que assemelha, na melhor das hipóteses, nos médicos de hospitais particulares.

A vida espiritual também segue um paradigma igrejista, e o que recebemos de mensagens supostamente espirituais correspondem a uma campanha panfletária de apelos fraternais, de devoções religiosas, de sentimentalismos piegas e uma pregação monocórdica de um moralismo sacramental.

Para piorar, a confusa e igrejista "realidade espiritual", construída a partir da ignorância que os "espíritas" têm de como se dá a vida após a morte, acaba se impondo à realidade concreta e lógica que conhecemos e vivemos, como se a ficção quisesse ser mais realista que a realidade.

Chegam mesmo a dizer que a realidade terrena que conhecemos é apenas "cópia" da "realidade espiritual" sem pé e sem cabeça que os "espíritas" são orientados a trabalhar, cheia de aspectos surreais que acobertam todas as dúvidas e dilemas, tratando o incerto e duvidoso como se fosse "certo" e "cientificamente" comprovado.

Para uma religião que reclama um espaço seu para a manutenção de visões fantasiosas e virgens de questionamentos e investigações lógicas, não há como admitir veracidade de uma visão de "vida espiritual" que não passa de um padrão de devaneios e crendices que eles tentam desenvolver entre si.

O aspecto de "disciplina" e organização ideológica não impede que exageros sejam cometidos, principalmente se observarmos que o "espiritismo" brasileiro se inspira nas ideias do francês Jean-Baptiste Roustaing, cuja visão de Jesus "fluídico" (ou seja, um Jesus "fantasmagórico" materializado) já é considerada controversa mesmo dentro dos meios "espíritas" brasileiros.

Já existem até mesmo narrativas eróticas do "mundo espiritual", não bastasse o misto de feiras livres, floriculturas e lanchonetes que Nosso Lar já trouxe para o imaginário espiritólico. Sem falar das lorotas de Chico Xavier sobre a existência de bichinhos fofinhos no mundo espiritual, como se soubéssemos da existência de oncinhas pintadas, zebrinhas listradas, coelhinhos peludos etc no além-túmulo.

Tudo acaba se transformando num carnaval de crendices, as quais geraram até mesmo um "serviço" de passes em animaizinhos, na mais singela das hipóteses, e na presunção de pioneirismo científico do fictício André Luiz, na mais complexa das hipóteses.

Tudo feito sem qualquer compromisso com a razão, permitindo que os absurdos sejam relativizados em torno da fé "espírita" e o que não tem lógica é confundido com o que "não pode ainda ser explicado", mesmo quando já existam provas racionais contra tais absurdos.

Mas aí os "espíritas", arrogantemente, reagem contra essas provas racionais contra suas alucinações como "sub-produto das paixões terrenas", uma grande desculpa para que o "espiritismo" brasileiro faça o que bem entender com as fantasias que vão contra a lógica e a realidade.