segunda-feira, 25 de maio de 2015

Chico Xavier cometeu erros graves, entre os quais lançar livros

PIOR É QUE ESSES LIVROS JÁ SÃO COLETÂNEAS QUE CANIBALIZARAM OS TERRÍVEIS 418 LIVROS ATRIBUÍDOS A FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

Chico Xavier causou um sério prejuízo para o Brasil. Sob todos os aspectos. Usurpou a Doutrina Espírita da qual não tinha o menor interesse em estudar e acabou se tornando o "dono" do sistema de ideias lançado por Allan Kardec.

Sob o pretexto de ajudar as famílias, se aproveitou das tragédias vividas por elas e, além de criar de sua mente mensagens falsamente atribuídas aos jovens mortos, ainda expôs os familiares à ostentação de seus dramas e tristezas, transformando a dor familiar em sensacionalismo.

Tudo o que Chico Xavier fez e que o pessoal acha o suprassumo da caridade plena é, na verdade, um monte de atitudes irresponsáveis que somente um país confuso como o Brasil define como "elevadas" e "puras".

Uma das piores atitudes de Chico Xavier foi lançar livros. Foram 418 livros fora outros que, após a morte do anti-médium mineiro, no dia em que Ricardo Teixeira estava feliz, canibalizam os conteúdos dos anteriores, criando uma "salada" de depoimentos e divagações temáticas de péssima qualidade.

Erros históricos grosseiros, conselhos moralistas retrógrados, mensagens tendenciosamente poéticas mesmo escritas em prosa e falsos recados de amor, criando uma indústria do supérfluo que deixa as pessoas viciadas em literatura água com açúcar.

Para piorar, há quem pense que isso é filosofia, sensação que remete não somente à mais pura ignorância dos leitores, mas também a preguiça dos mesmos em ler verdadeiros filósofos como Sócrates, Platão, Rousseau, Voltaire, Hegel, Weber e até o pessimista Nietzsche.

Isso porque o que Chico Xavier escreveu nunca tem a ver com filosofia, até pelo seu conservadorismo extremo, pelas mensagens confusas e pela pieguice que faz com que aqueles que tiveram a disposição de ler os verdadeiros filósofos saíssem enojados à primeira leitura dos livros do anti-médium.

Além disso, devemos levar em conta que Chico Xavier não teria escrito boa parte daqueles livros. E, de psicografia, a única possibilidade de acerto é em relação a Emmanuel, já que corresponde às caraterísticas do antigo padre jesuíta Manuel da Nóbrega, que tornou-se "mentor" (não seria obsessor?) de Xavier.

O resto, porém, veio da imaginação de Chico Xavier com parceiros como Antônio Wantuil de Freitas, ex-presidente da FEB e artífice do mito do "bondoso médium", ou de Waldo Vieira e outros. Esse negócio de Chico ter "recebido" mensagens de poetas, intelectuais, artistas e outras personalidades, famosas ou anônimas, do além, constituiu como um grande blefe.

Irma de Castro, a Meimei, tadinha, não escreveu uma linha dos livros que Chico Xavier lançou usando o nome dela. Ela era católica devota, mas não iria fazer esse religiosismo exacerbado da pena de Xavier, ainda mais que os textos têm muito mais a cara do anti-médium, comparados com as frases lançadas por ele em depoimentos e entrevistas.

Humberto de Campos, nem de longe, chegou perto de Chico Xavier. Foi delírio do mineiro, que disse ter sonhado com o ilustre escritor. Humberto não escreveu uma vírgula sequer, nem mesmo um espaço entre palavras, dos livros que Chico Xavier havia lançado usando o seu nome.

Pena que Humberto de Campos saiu de moda, por expressar mais a literatura do começo do século XX. Isso porque, se as pessoas lessem os livros que Humberto escreveu em vida, e comparassem com os que Chico Xavier lançou sob o nome do falecido acadêmico, verá, com certeza absoluta, que os estilos são completamente diferentes, em temáticas, narrativas, em tudo.

E André Luiz? Nunca passou de ficção. Um concorrente ruim de Buck Rogers e Flash Gordon, mais inofensivo e vestindo pijama branco, um médico que foi fanfarrão na Terra e, depois de uma passagem de oito anos numa zona cavernosa chamada umbral - que no filme Nosso Lar mais parece um grupo de teatro mambembe - , virou "espírito de luz" e foi "trabalhar", no plano espiritual, para "socorrer" as vítimas da Segunda Guerra Mundial.

André Luiz, pelo que se observa, teria surgido de uma adaptação não-assumida da obra de George Vale Owen, reverendo protestante inglês, que escreveu o livro "espiritualista" A Vida Além do Véu (Life Beyond the Veil), e, mais tarde, o personagem foi retrabalhado com as sugestões do adolescente Waldo Vieira que, depois, virou até co-autor e autor não-assumido da "série André Luiz".

Mas aí vieram as torcidas querendo inventar que André Luiz "existiu de verdade" e as apostas vieram, todas com alguma contradição, sobre quem ele teria sido: se Oswaldo Cruz, Carlos Chagas ou o médico e dirigente esportivo Faustino Esporel, muito pouco conhecido nos nossos dias.

Apesar da influência forte do Flamengo, com uma das maiores torcidas do país, Esporel é pouco badalado. Carlos Chagas leva a maior torcida, a ponto de um "centro espírita", na maior cara-de-pau, usar a foto dele como se fosse André Luiz.

Há muita fraude nos livros de Chico Xavier e, além disso, ele não escreveu uma vírgula em boa parte deles, já que ele, como popstar, tinha que receber pessoas, ir a homenagens, festas, dar entrevistas, não tinha tempo para lançar a média de quinze livros anuais que oficialmente se diz ter ele lançado em vida.

Alguém sabe como se faz um livro? Quanto tempo existe de escrita, revisão, correção etc? Tem gente que pensa que Chico Xavier é o Speed Racer da psicografia, mas a verdade é que, quando lhe faltava tempo para escrever ou verificar algum livro (ele confessou isso a Wantuil, certa vez), ghost writers entravam em ação para tentar imitar o estilo de Xavier.

Isso não lhe causava problema algum, até porque Chico Xavier tentava imitar os estilos de outros autores, embora sem muita sutileza. Em certos casos, nem imitava, porque o choroso e patético católico que se lê nos livros do "espírito Humberto de Campos" nem de longe lembram a prosa descontraída e fluente do saudoso autor maranhense.

Daí que a bibliografia de Chico Xavier, não bastassem erros históricos (como em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, cuja narrativa da História do Brasil copia dados dos mais toscos livros didáticos da época, algo grotesco demais para uma obra que se diz "reveladora"), os apelos moralistas retrógrados (aquele papo de "sofrer amando" e "orar em silêncio" é um porre), há os tais pastiches.

Como é que as pessoas vão perder tempo e dinheiro com obras dessas, se existem milhões e milhões de outros livros e outros autores com lições mais verdadeiras e edificantes, sem fazer pastiches, e sem dissimular moralismos e fraudes com palavrinhas dóceis que nem tem tanta serventia assim?

Gente, ninguém precisa dos livros de Chico Xavier. O que as pessoas precisam é criar e buscar suas próprias lições de vida, longe desse autor de pastiches literários e apelos moralistas retrógrados, que é o ícone de uma religião pseudo-vanguardista, o "espiritismo" brasileiro, que não passa da velha combinação entre Catolicismo e heresia medievais, que estão fora dos nossos tempos de hoje.

terça-feira, 12 de maio de 2015

E se Chico Xavier fosse um astro do rock?


Está certo que Francisco Cândido Xavier deixou de ser médium. O mineiro eliminou o caráter intermediário da palavra "médium" (surgida do latim que, bem traduzido, quer dizer "meio") para se tornar o centro das atenções.

Até para procurar mensagens de outrem do além, as famílias acabam aderindo à grife de Chico Xavier. Como ele está morto desde 2002, recorrem então àqueles que de uma forma ou de outra estavam ligados a ele.

Chico Xavier virou de tal forma o centro das atenções que tornou-se o astro pop do "movimento espírita". Como no show business e sua habitual mitomania, o "espiritismo" brasileiro inventou que Chico Xavier era discípulo de Allan Kardec, um autor que o mineiro de Pedro Leopoldo desprezava.

Chico tinha preferência pelo Catolicismo, adorar imagens de santos, rezar terços e falar com fantasma de padre jesuíta. Só que setores ultra-ortodoxos da Igreja Católica não gostaram dele e a Federação "Espírita" Brasileira o adotou para ser o astro maior do "espiritismo" catolicizado.

E aí Chico Xavier virou o popstar do "espiritismo", sendo impulsionado a receber pessoas, atender muitas famílias e ter seu nome associado a uma bibliografia produzida em ritmos industriais e que supostamente eram vinculadas à sua suposta mediunidade, que existiu mas era muito mais precária do que oficialmente se acredita.

Afinal, ele apenas falava com fantasma de padre - o jesuíta Manuel da Nóbrega, parceiro e BFF de José de Anchieta, como registra nossa História, e que depois mudou seu nome para Emmanuel - e tinha alguma atividade paranormal, mas não tanto para ficar produzindo a toda hora mensagens e livros do além.

Sabe-se hoje que muito que ele produziu e atribuiu à conta dos espíritos do além é bastante duvidoso. Pesquisas sérias apontaram que Chico Xavier praticou pastiches literários, escrevia cartas apócrifas com apenas a caligrafia sua, o mesmo padrão de mensagens e o mesmo apelo religioso, e lançava livros e ideias (como a "profecia" da "Data-Limite"), dotadas de muitos erros de abordagem.

E ele sofria pressões dignas não só de astros pop como Michael Jackson (ao qual Chico Xavier pode ser comparado pelo carisma adquirido), como de um astro do rock como Elvis Presley. Aliás, Chico Xavier tinha uma agenda sobrecarregada, impulsionado até pela tirania de seu "mentor" (ou obsessor) Emmanuel, daí ser difícil ele ter a mente inteira para fazer tanta mediunidade.

Evidentemente que Chico Xavier não teve o talento na Doutrina Espírita como Elvis Presley teve no rock. Chico Xavier, se fosse roqueiro, seria mais próximo do roquinho de butique que rola nas rádios 89 FM (SP) e Rádio Cidade (RJ), cujos ouvintes não entendem bulhufas de rock e só querem algo que soasse próximo ao som de um liquidificador, de uma furadeira ou de uma britadeira.

Aliás, o astral é o mesmo, assim como Chico Xavier não entendia de Espiritismo mas passou a ser seu "maior representante", a 89 e a Cidade são feitas por pessoal sem qualquer especialização. A programação diária das duas não passa de um monte de programas de besteirol, cópias do Pânico da Pan e o repertório musical dificilmente sai da linha de Pitty, Imagine Dragons, as lentinhas do Coldplay e dos momentos mais mornos do Red Hot Chili Peppers.

Daí ser até típico que, num modelo de família feliz, vejamos os pais e as mães fazendo a louvação católica enrustida, disfarçada de "doutrina espírita", enquanto os filhos se limitam a botar a língua para fora e fazer o sinal de "demônio" com as mãos, sem ter a menor ideia se o som que ouvem é de uma máquina furando a parede na casa vizinha ou o solo de um guitarrista mediano de rock. Roqueirinhos de comercial de achocolatado em pó.

E todos lembrando o quanto era "maravilhoso" Chico Xavier ficar sobrecarregado, acreditando que ele era capaz de atender multidões, dar entrevistas, ir a homenagens, assistir às missas, "receber" cartas do além, e ainda por cima produzir livros "mediúnicos" com a velocidade da luz, palavra favorita dos "espíritas" brasileiros.

O "espiritismo" brasileiro é um show business, e como astros do pop e do rock - nós, que diferimos Espiritismo e Catolicismo, não iriamos confundir pop e rock - , Chico Xavier sofria as pressões dos grandes astros. Mas como a tarefa era bastante pesada, ele mais parecia um desses roqueiros comerciais que são obrigados a fazer turnês, dar entrevistas, posar para fotos e descansar quase nada.

Faz parte do negócio do espetáculo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

As contradições dos seguidores do "líder" Chico Xavier


Para os que acham o anti-médium mineiro Francisco Cândido Xavier um "grande líder", há uma série de posturas bastante insólitas e interpretações das mais risíveis. É claro que Chico Xavier nunca seria um líder de fato, ele nunca teve essa vocação de liderança para coisa alguma, mas seus seguidores, infantilizados, querem que ele lidere sempre tudo, ou pelo menos algo que acreditam ser de sua competência.

O que ele fez ao Espiritismo brasileiro é altamente vergonhoso. E a reputação que ele alcançou com isso se torna mais vergonhosa ainda, porque neste caso ficou fácil alguém ser alçado a semi-deus errando muito, cometendo fraudes, omissões, vacilos, contradições, posturas tendenciosas e tudo de ruim, mas associado a tudo de bom que existe na Humanidade na Terra.

Sejamos sinceros. Chico Xavier é alvo das mais pérfidas e fúteis paixões terrenas humanas. É a desculpa que a hipocrisia humana encontrou para gostar de um velhinho humilde e ignorante, o que garante camuflar os pesos nas consciências daqueles que naturalmente odeiam velhos, pobres e ignorantes.

Sim, porque boa parte dos seguidores de Chico Xavier jogam seus pais no primeiro asilo que encontram pela frente, dão esmolas para pedintes fazendo cara de nojo e gritam para pessoas pobres que lhes perguntam as coisas mais triviais. E, no caso dos homens, são aqueles que adorariam atirar suas sogras do alto de uma ponte.

Num país sem filósofos, as pessoas recorrem ao Chico Xavier, uma espécie de "coringa" de um jogo de cartas marcadas. E isso vindo de classes abastadas e instruídas, que na falta de um Platão, de um Aristóteles, de um Hegel, de um Rousseau, colocam frases de Chico Xavier nas mídias sociais e dizem que aquilo é "filosofia".

Chico Xavier, o maior ídolo das paixões terrenas, voluptuosamente idolatrado pelos seus seguidores, é também idealizado e manipulado conforme as circunstâncias, tudo para que se atribua a ele a imagem de um "líder", num país em que se mexe com as palavras como quem mexe numa massa de modelar, transformando corrupção em transparência.

Por exemplo, se Chico Xavier participou de fraudes de materialização, assinando atestado para "legitimá-los", seus seguidores inventam que ele foi "forçado da fazê-lo", ou ele "foi enganado pelos fraudadores".

Para os desavisados de plantão, as fraudes de materialização consistiam em colocar travesseirinhos ou modelos humanos sob cobertores brancos e colar fotos recortadas de personalidades falecidas, ou de fotos de anônimos tiradas de álbuns de recordações. Registros apontam que essas atividades eram muito comuns no Brasil entre 1921 e 1979, quando se fez a fraude usando até foto de Herculano Pires, uma pessoa que reprovaria com veemência tais práticas.

Eram épocas em que se podia fazer isso e se usava uma máquina fotográfica ruim, que só tirava em preto e branco, para fazer um registro de péssima qualidade, para evitar que se fizesse alguma averiguação mais cuidadosa. De John Kennedy a Irma "Meimei" de Castro, todos viraram "cabeças-de-papel" com essas falsas materializações.

Só que acreditar que Chico Xavier foi "tapeado" pelos fraudadores contradiz sua suposta qualidade de líder. Como um líder pode ser tapeado, enganado nas entranhas, ainda mais que, no caso de Otília Diogo, que não usava "cabeças-de-papel", mas fazia ilusionismo usando vestes de freira encapuzada (a falsa Irmã Josefa), o anti-médium conversava com os envolvidos nos bastidores?

Há muitas contradições que, se observadas com cautela, simplesmente anulam qualquer hipótese de atribuir a Chico Xavier uma qualidade de líder, fosse qual fosse o pretexto relacionado. Isso porque qualquer hipótese sempre aponta para uma falta de lógica e coerência.

Se Chico Xavier cometeu sérios erros, ele não poderia ser líder porque é uma pessoa despreparada para tal, devido a suas falhas graves que não podem servir de exemplo algum para as pessoas. Mas se ele os cometeu sem querer, sob a influência de terceiros, mesmo assim não pode ser um líder, porque teve falta de firmeza e aceitou qualquer cilada sem saber a armadilha em que caiu.

Se Chico Xavier era ignorante, ele não poderia ser líder pela falta de conhecimento em História e Geografia Humana, constante em seus livros e depoimentos. Se ele era tido como sábio, não podia ser líder justamente por esses mesmos motivos.

Ele era um católico que foi empurrado para assumir o Espiritismo sem entender bulhufas do que Allan Kardec pensava. E, mesmo assim, Chico Xavier foi tido não só como "o maior líder da Doutrina Espírita" e, mais grave ainda, sua reputação ainda ultrapassa os limites da religião "espírita" tentando atrair a simpatia de outras crenças, ou mesmo de agnósticos e (com mais dificuldade) ateus.

Chico Xavier não pode ser considerado líder de coisa alguma porque em dado momento ele falha em ideias, decisões, pontos-de-vista e tudo o mais. Seja ele apoiando ou decidindo por erros graves que mancham a Doutrina Espírita no Brasil, seja ele sendo usado por terceiros para tais erros, Chico Xavier não podia ser líder porque, no primeiro caso, ele decidiu mal, e, no segundo, ele sucumbiu a decisões alheias.

Só mesmo a fé cega e todas as fantasias idealizadoras dos chiquistas é que colocam Chico Xavier como líder de uma maneira ou de outra. Usam desculpas mais estapafúrdias, usando sobretudo do famoso discurso da contradição, tão famoso e que fazia o anti-médium ser endeusado através das dicotomias como ignorância/sabedoria, silêncio/voz, pobreza/riqueza, fraqueza/força, infortúnio/triunfo, verdadeiras conversas para chiquista dormir.

Só isso revela o quanto Chico Xavier tornou-se mito através da contradição. E contradição não é coerência, não dá para fazer sequer um único esboço de coerência em sua personalidade. E o mito de Chico Xavier só serve para camuflar outra famosa dicotomia, os complexos de superioridade e de inferioridade que atinge uma parcela influente de brasileiros.

Pois são as pessoas que odeiam pobres, idosos e iletrados, movidas pelo seu orgulho, mas que também odeiam a coerência e o raciocínio questionador, movidas pela sua falsa modéstia, que fazem Chico Xavier com tantos erros, falhas e defeitos ser visto como "líder". Tentam buscar perfeição numa pessoa que foi cheia de falhas, muitas delas graves. Uma busca feita em vão.