quinta-feira, 30 de abril de 2015

"Espiritismo" tenta se promover com polêmica


O "movimento espírita" às vezes se comporta como no show business. Se alimenta de escândalos e polêmicas trazidas por supostas ideias que não correspondem às suas intenções originais, mas que lhes favorecem de alguma forma, dando-lhe publicidade e visibilidade.

É como se vê nos astros pop. Eles cometem deslizes de comportamento que não correspondem às intenções originais de seus empresários e da mídia em geral. Ou então se envolvem a fatos ou ideias que nada têm a ver com o que eles originalmente propuseram. Mesmo assim, os envolvidos acham tudo isso ótimo porque garantem sucesso e fama permanentes.

É o que se nota no caso do "novo Emmanuel". O "escolhido", o jovem Guilherme Romano, é paulista da capital (a gente diz da cidade de São Paulo porque, apesar de redundante, facilita as buscas do Google) e é considerado a reencarnação do famoso jesuíta, apesar de negar firmemente essa ocasião.


Vamos contar duas histórias, uma correspondente ao que deu origem a essa "profecia" do "novo Emmanuel" e outra que se refere ao rapaz que é tido como a reencarnação do padre jesuíta e que é tido pelos espiritólicos como a "nova salvação" para o "espiritismo" em crise.

Por volta de 1971, Chico Xavier alega ter recebido de seu "mentor espiritual", o padre Emmanuel da Nóbrega, o recado de que ele o deixaria um dia. Em princípio, a ideia era de Emmanuel deixar seu "protegido" depois que este morresse. Mas ao que parece a ideia mudou e Emmanuel havia dito que deixaria Chico Xavier em 1996.

Segundo o jesuíta, ele deixaria Chico Xavier em 1996 para se preparar para "renascer" em 1999 e iniciar uma "missão de educador", com o objetivo de "transformar o Brasil". preparando o "coração do mundo" e o "reino de amor" que irá "comandar o planeta". Isso com o "terremoto do Nepal" se expandindo para a Europa e a erupção do Calbuco, adquirida por empresários europeus, mudando de sede para o Sul da Itália ou para a Islândia.

Claro, sobrará o Brasil dos funkeiros, breganejos, dos BBBs, políticos fisiológicos, dos ônibus padronizados, dos roqueiros da 89 e Rádio Cidade que acham que guitarra boa é aquela que soa feito motoserra e é plugada por algum dirigente de futebol carioca ou paulista, das "peladonas" e dos intelectualoides que acham que os glúteos siliconados são o maior patrimônio cultural brasileiro.

E aí o Emmanuel, que segundo essa tese, seria um rapaz de 16 anos, teria nascido no interior paulista, onde continuaria vivendo e desenvolvendo seu "aprendizado educativo", para em poucos anos se tornar o professor prodígio que fará o milagre de transformar o entulho "cultural" brasileiro de hoje na pérola a prevalecer no resto do planeta?

Agora, a história de Guilherme Romano. Nascido em 1993, na capital paulista, estuda Filosofia na USP, viajou para a Índia, aprendeu crenças hindus e seu currículo inclui trabalhos na Casa Perseverança, que os "espíritas" dizem ser "o maior centro espírita do mundo", Foi um dos fundadores e é membro do Núcleo de Estudos Espiritualistas Luz da Nova Alvorada (NEELNA). Tanto a CP quanto o NEELNA funcionam em Sampa.

Guilherme tornou-se conhecido quando apareceu no programa Mais Você, da Rede Globo, apresentado por Ana Maria Braga, em 2007, falando sobre "mediunidade precoce". Apesar de sua desenvoltura atípica de sua idade, não houve qualquer alusão às previsões atribuídas ao Emmanuel reencarnado.

Da parte de Guilherme, ele tem consciência que não é reencarnação de Emmanuel. Admite que nem sequer conhece ele direito. A tese também é refutada por Geraldo Lemos Neto, presidente da Casa de Chico Xavier, e que havia recebido em 1969 as supostas previsões da "Data-Limite", hoje conhecidas.

Afinal, Geraldo já tem teses surrealistas demais para carregar. Aquele sonho da destruição do Hemisfério Norte narrado de maneira surreal já é dose. E Geraldo sempre se baseia em relatos de Chico Xavier para tirar conclusões, e as sobre Emmanuel não condizem com vários aspectos da vida de Guilherme Romano.

Guilherme tem 22 anos e a "previsão" dizia que, neste ano, o Emmanuel reencarnado teria 16. O jovem membro da NEELNA nasceu e vive na capital paulista. O novo Emmanuel seria um jovem nascido e habitante do interior.

Além disso, o temperamento de Guilherme Romano é muito tranquilo e suave, contrariando o jeito austero de Emmanuel, que até para expressar mansuetude mais parecia um soldado submisso às ordens dos oficiais do que de alguém realmente manso e suave de índole tranquila e meiga.

Portanto, a informação de que Guilherme Romano seria o "novo Emmanuel" não procede. Ela nem foi oficialmente difundida pela FEB. Ela veio de comparações risíveis de internautas que acharam que o jovem era Emmanuel só porque "gostava muito de falar, escrever e lançar livros". e "queria ser educador".

Por melhores que sejam essas qualidades, nenhum adolescente será o Emmanuel reencarnado só porque gosta de ler e escrever e quer ser professor. Isso é ridículo. É uma forma de tirar sarro da ignorância humana e dos problemas que temos na Educação, não bastando os professores de Curitiba levarem surra da polícia durante os protestos pacíficos da classe.

O pior é que, apesar da negação firme do "movimento espírita" de que Guilherme seria o "novo Emmanuel", seus líderes se beneficiam com o boato, já que obtém visibilidade e publicidade com isso, e seus "centros espíritas" atrairão mais gente até para esses líderes explicarem o "mal-entendido".

Com isso, o "espiritismo" em crise se inspira no show business para se manter em cartaz. O show business se alimenta do sensacionalismo, das mentiras e meias-verdades, e mesmo quando desmente tudo isso acaba se beneficiando com tais coisas, já que elas, por meio da polêmica, trazem visibilidade, fama e prestígio. É a alma do negócio.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

"Espíritas" brasileiros querem voltar às bases de...1975!!


A recente crise envolvendo o "espiritismo" brasileiro parece repetir a crise de 40 anos atrás, quando o roustanguismo, corrente que se baseia nas ideias do livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing, atingiu seu ponto mais crítico.

Sabe-se que Roustaing, o sinistro advogado de Bordéus, havia lançado o referido livro originalmente em três volumes em que ele alegava ter usado uma única médium para receber as mensagens dos quatro evangelistas (Marcos, Mateus, Lucas e João) e outras figuras bíblicas.

O livro supostamente "complementava" a obra de Allan Kardec e dele diferia pela ênfase nas ideias religiosas, com uma narrativa que parece imitar a Bíblia e, na prática, trazia uma abordagem do Espiritismo que fugia dos conceitos lógicos do codificador de Lyon.

Roustaing foi "descoberto" no Brasil por alguns dirigentes "espíritas", como Adolfo Bezerra de Menezes, o Dr. Bezerra idolatrado por seus seguidores, e depois de algum tempo ganhou edição brasileira nas mãos de Guillon Ribeiro, o mesmo que "domesticou" os livros de Kardec.

Durante muito tempo a Federação "Espírita" Brasileira preferiu Roustaing a Kardec e, no Estatuto da FEB, a leitura de Os Quatro Evangelhos era considerada obrigatória, algo que permaneceu até mesmo nas diretrizes determinadas pelo Pacto Áureo, em 1949.

Mas mesmo na década de 1940 começava a haver polêmica sobre a obra de Roustaing, por causa de dois pontos: o Jesus "fluídico", que acreditava que Jesus nunca passou de um fantasma materializado, e os "criptógamos carnudos", vermes, plantas e micróbios que seriam reencarnação de humanos infratores.

Isso causou um grande escândalo nos bastidores do "espiritismo", mas seus dirigentes, espertos, já tinham uma carta na manga para contornar qualquer crise. O "coringa" da situação foi um caixeiro de Pedro Leopoldo chamado Francisco Cândido Xavier, um católico fervoroso mas que era visto de forma negativa pelos católicos da região porque falava com o espírito de um padre.

O excêntrico Chico Xavier mantinha contatos com o jesuíta Manuel da Nóbrega, que se tornou o espírito Emmanuel. É o mesmo padre reacionário que conduzia o Catolicismo de sua missão jesuíta de forma enérgica, por vezes habilidosa, por outras bastante grotesca.

Chico Xavier foi designado pela FEB para escrever livros e "abrasileirar" o roustanguismo, sob a ajuda de editores da federação e consultores literários que prestavam serviço à entidade. Chico atribuía aos livros a autoria de personalidades mortas diversas, das quais a única hipótese passível de ser verdade é que Emmanuel teria realmente ditado os livros produzidos até meados dos anos 1960.

Com Chico Xavier, as ideias de Roustaing foram adaptadas na sua essência, tirando apenas os aspectos mais polêmicos. E Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que por um tendencioso equívoco atribuiu-se à autoria de Humberto de Campos (a obra destoa do estilo deste falecido escritor), tornou-se uma alternativa ao polêmico Os Quatro Evangelhos.

Mesmo assim, Roustaing era defendido pela cúpula da FEB, pelo fato de que sua obra corresponde à tendência do "espiritismo" brasileiro de assimilar dogmas e ritos da Igreja Católica. Era uma forma de evitar o cientificismo de Allan Kardec, considerado "complicado" e "científico demais" pelo "movimento espírita".

As polêmicas, no entanto, tornaram-se fortes, porque ao longo da trajetória da FEB haviam grupos que reivindicavam as bases doutrinárias kardecianas, a princípio a partir de figuras como Afonso Angeli Torteroli, e depois através de José Herculano Pires, Deolindo Amorim e outros.

Isso causava uma série de brigas e debates que em muitos momentos causavam escândalos e ameaçavam a reputação da federação. Escândalos de prováveis fraudes cometidas por Chico Xavier alimentavam também as polêmicas.

O auge da crise se deu em 1973, quando houve até notícia de uma tradução ainda mais grosseira dos livros de Kardec, que levaria a deturpação às últimas consequências. Chico Xavier deu apoio entusiasmado, mas Herculano Pires denunciou a farsa numa emissora de rádio e, com o escândalo causado, Xavier tentou mudar de opinião.

A supremacia da FEB - que decidia as coisas sem consultar as federações regionais - também agravou a crise, sobretudo pela influência de décadas de Antônio Wantuil de Freitas, presidente da entidade nacional durante anos, e que no começo dos anos 1970, já fora do cargo, estava doente, falecendo em 1974.

Francisco Thiessen e um dos membros da cúpula, Luciano dos Anjos, ainda mantiveram firmes no roustanguismo, até que a pressão de seus opositores se intensificou, principalmente com ampla divulgação na imprensa.

Espertos, Chico Xavier e Divaldo Franco, roustanguistas convictos (embora Divaldo dissesse que "não tivera tempo" para ler Roustaing), vendo o barco afundando, forjaram, em diferentes ocasiões, mensagens do dr. Bezerra de Menezes, antigo dirigente da FEB, alegando que "se arrependeu" de ter apreciado a obra de Roustaing.

Segundo essas mensagens, o suposto Bezerra teria "reconhecido" o valor das bases conceituais de Allan Kardec, embora visse no professor lionês não o cientista que debatia o tema da vida espiritual (como era de fato), mas sua forma estereotipada de pedagogo convertido em líder religioso.

Havia até mesmo o apelo para "kardequizar", que soa como uma corruptela de "catequizar", que era a prática educativa dos jesuítas. Portanto, não era um reconhecimento da atividade intelectual de Kardec, mas uma forma de tentar contornar a crise tirando os anéis roustanguianos para preservarem os dedos da FEB. E as mobilizações em torno do "novo espiritismo" vieram a partir de 1975, após o fim da "Era Wantuil".

E, a partir daí, o "espiritismo" passou a seguir diretrizes que se conhecem hoje. Do roustanguismo entusiasmadamente defendido, restou as diretrizes católicas já adaptadas por Chico Xavier. Por outro lado, a tão alardeada fidelidade a Allan Kardec nunca passou de uma demagogia que toma como base as traduções que, excetuando a de Herculano Pires, deturpam o pensamento do pedagogo francês.

Criou-se então um "espiritismo" que fingia ter recuperado as bases kardecianas, mas que se mantinha firme no seu religiosismo de inspiração católico-medieval. Continuaram as "mentiunidades", falsas mediunidades que têm como objetivo fazer pregação religiosa às custas do uso dos nomes dos mortos. Prosseguiu-se também os valores moralistas e outros próprios do conservadorismo "espírita".

Dessa feita, o fim da "Era Wantuil", com o falecimento do antigo dirigente da FEB e o desgaste de seus herdeiros ideológicos diretos, não significou o abandono completo do roustanguismo. Antes tudo permanecesse na mesma, apenas o nome de Roustaing passou a ser escondido e visto como um "palavrão".

Por outro lado, Allan Kardec passou a ser alvo mais frequente de bajulações e até mesmo de interpretações distorcidas e equivocadas de seu pensamento, e as fraudes feitas sob o manto do Espiritismo continuaram plenas, apenas dentro de uma conduta "mais elegante" e "equilibrada", sempre a abafar irregularidades que, denunciadas, gerariam novos escândalos, como os de hoje.

Daí que os chefes "espíritas" querem reviver 1975, se aproveitando da crise provavelmente para liquidar desafetos sob o pretexto de "praticarem mal o Espiritismo". É, mais uma vez, o momento da cúpula da FEB criar uma "nova limpeza" para assim manter apenas aqueles que são dotados de muito prestígio e poder. Kardec continua tão abandonado quanto antes.

sábado, 25 de abril de 2015

Chico Xavier errou: Chile é região altamente vulnerável


Francisco Cândido Xavier errou na sua suposta "profecia", que, sabemos, veio de um sonho que ele teria relatado em 1969 a Geraldo Lemos Neto e que é tido como atribuído a transformações que ocorreriam na Terra a partir de 2019.

O sonho, resultante das preocupações pessoais de Chico Xavier sobre a expedição da NASA na Lua, em 20 de julho daquele ano, narrava uma reunião entre supostos líderes do Sistema Solar, entre eles um Jesus Cristo estereotipado, mais Emmanuel, "anjo" Ismael, André Luiz e Chico Xavier, que decidiram por um prazo de 50 anos, contado de 1969, para o mundo entrar num ciclo de paz e harmonia.

Caso isso não ocorresse, haveriam catástrofes que eliminariam o Hemisfério Norte, tornando-o inabitável. A área a ser destruída, segundo a "profecia" de Chico Xavier, corresponde à América do Norte (sobretudo EUA), a Europa, a Ásia, o Oriente Médio e parte da Oceania.

Com base no maniqueísmo entre o Hemisfério Norte, a "encarnação do mal", e o Hemisfério Sul, o "paraíso do bem", Chico Xavier alegava que haveria uma migração em massa para o "Sul", e ele imaginou a tendência baseado em uma mera observação cartográfica - lendo mapas de papel - , ignorando nuances de caráter sociológico, geológico e geográfico. O trecho escrito foi este:

"Nosso Brasil como o conhecemos hoje será então desfigurado e dividido em quatro nações distintas. Somente uma quarta parte de nosso território permanecerá conosco e aos brasileiros restarão apenas os Estados do Sudeste somados a Goiás e ao Distrito Federal. Os norte­-americanos, canadenses e mexicanos ocuparão os Estados da Região Norte do País, em sintonia com a Colômbia e a Venezuela. Os europeus virão ocupar os Estados da Região Sul do Brasil unindo-os ao Uru­guai, à Argentina e ao Chile. Os asiáticos, notadamente chineses, japoneses e coreanos, virão ocupar o nosso Centro-Oeste, em conexão com o Paraguai, a Bolívia e o Peru. E, por fim, os Estados do Nordeste brasileiro serão ocu­pados pelos russos e povos eslavos. Nós não podemos nos esquecer de que todo esse intrincado processo tem a sua ascendência espiritual e somos forçados a reconhecer que temos muito que aprender com os povos invasores".

Nota-se que Chico Xavier cita o Chile como uma das regiões "protegidas" das catástrofes, o que é uma incoerência. A região é considerada uma das maiores áreas de atividades vulcânicas e sísmicas do planeta.

Segundo especialistas, o Chile é um dos países com maior atividade vulcânica do mundo. No entorno de seu território, existem 95 vulcões em atividade, um deles no deserto de Atacama, e também são constantes as ocorrências de terremotos no país. A quantidade de vulcões ativos impressiona pela pequena extensão territorial do país sul-americano.

Várias ocorrências de terremotos e maremotos, além de explosões vulcânicas, deixaram mortos, feridos e desabrigados. O mais grave da História do Chile ocorreu nas cidades de Valdívia e Concepción, em 22 de maio de 1960, com 9,5 pontos da escala Richter, causando um gigantesco maremoto, a erupção do monte Puyehue e gerou cerca de 5700 mortos e 2 milhões de feridos.

A gravidade do incidente de 1960 foi tanta que chegou a ameaçar a organização da Copa do Mundo de 1962, prevista para aquele país, e da qual a Seleção Brasileira de Futebol saiu vencedora pela segunda vez. Em 1961, houve intensa erupção do vulcão Calbuco, o mesmo da última semana.

Na erupção recente, pessoas eram obrigadas a deixar seus pertences e fugir imediatamente. As cidades próximas enfrentavam congestionamentos na fuga de seus lugares. Um casal declarou que teve que fugir ainda vestindo pijamas, diante da gravidade da erupção, que espalhou uma grande fumaça de cinzas que gerou relâmpagos e foi vista na Argentina e no Rio Grande do Sul, no Brasil.

Se for pela narração de Chico Xavier, sobre a fúria das catástrofes naturais que atingiriam o Hemisfério Norte, o que ele esqueceu é que o Chile faz parte do Círculo de Fogo do Pacífico, o que significa que, se uma catástrofe atinge a Califórnia e o Havaí, nos EUA, as Filipinas e o Japão, as chances de atingirem, da mesma forma, o Chile, são praticamente totais.

Isso quer dizer que, se levarmos a sério a "profecia" de Chico Xavier, teríamos que considerar, no entanto, que o Chile desapareceria completamente, tornando-se uma região tão inabitável quanto as áreas dos "irmãos do Norte". Seria improvável, no caso, que sobrasse alguma área do território chileno que pudesse acolher os possíveis imigrantes vindos de áreas destruídas.

terça-feira, 21 de abril de 2015

No Brasil, Doutrina Espírita foi rebaixada a um misto de Tábua Ouija com Catolicismo Medieval


Nada como andar para trás. O mais grave problema do Espiritismo feito no Brasil foi justamente investir em dois de seus maiores erros, como a influência do Catolicismo e o desconhecimento das técnicas de mediunidade. Tanto um quanto outro acabam gerando outros erros que corromperam a Doutrina Espírita em sua pretensa forma brasileira.

E por que ela andou para trás? Porque, originalmente, a Doutrina Espírita, sistematizada na França em 18 de abril de 1857 com O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, procurava avançar no estudo dos fenômenos da espiritualidade, indo em passos além do espetáculo das mesas giratórias, que faziam muito sucesso naquele país.

Eram conhecidos os espetáculos de mesas girantes e tábuas Ouija, nos quais as pessoas acreditavam poder sentir a presença de espíritos falecidos, e poder entrar em contato com eles através de um sistema de códigos.

Eram feitas sessões nas quais uma pessoa tida como dotada de "mediunidade" manipulava as mesas através da relação de perguntas e respostas. Nas tábuas Ouija, um ponteiro é manipulado apontando letras e números que indicariam uma mensagem "espiritual".

Nas mesas giratórias, há casos também de copos se movendo ou de barulhos de pancadas que serviriam de supostas respostas dos espíritos. Tudo isso se tornou um grande sucesso na Europa e nos EUA no século XIX. Um famoso caso foi o das irmãs Fox, estudado por Allan Kardec.

Todavia, esses processos acabaram se revelando fraudulentos. Kardec sabia muito bem disso, ele que era o homem de Ciência, famoso pedagogo e cientista, seguidor de Pestalozzi e apreciador de Mesmer. A partir daí ele passou a estudar minuciosamente os fenômenos da espiritualidade, alertando as pessoas da cautela que se deve ter com o tema.

E o que aconteceu no Brasil? Justamente o contrário. Apreciadores pouco aprofundados do pensamento de Kardec resolveram criar um "espiritismo" à moda da casa cujo primeiro esforço foi moldar a doutrina para agradar a Igreja Católica que era considerada a religião dominante no país.

Nessa época, os "espíritas" eram perseguidos e os "centros espíritas" eram reprimidos pela polícia. É certo, todavia, que os processos de mediunidade eram precários e duvidosos, movidos mais pelo transe do que por qualquer conhecimento científico e um estudo sério, ainda que cheio de dúvidas.

Para piorar, Kardec foi deixado de lado pelos delírios místicos e moralistas de Jean-Baptiste Roustaing. O resultado? Um "espiritismo" que desconhecia a Ciência Espírita e que era carregado de preconceitos religiosos próprios do Catolicismo vigente no Brasil, que era herdado de seu similar português e que, por conseguinte, mantivera práticas e valores medievais.

O que isso significa? Que o Espiritismo, como conhecemos no Brasil, não passa de uma atualização do Catolicismo Medieval, e seu completo desconhecimento de mediunidade o faz equiparar seus ritos  e crenças não a um avanço das pesquisas da Ciência Espírita, mas um retrocesso da mesma para os parâmetros das mesas girantes e da tábua Ouija.

A coisa parece diferente, com supostos médiuns com uma das mãos na testa escrevendo rapidamente uma mensagem que, depois, se vê claramente religiosa, da qual se mostra o mesmíssimo roteiro, com poucas variações fundamentais e independente de cada personagem, podendo ser uma freira ou um junkie:

"Querida mamãe, querida família, eu morri por causa de uma desgraça, quanto sofrimento eu tive, até ser socorrido por benfeitores que me colocaram na colônia espiritual e me mostraram o Evangelho de Jesus. Sinto melhor e hoje retorno para pedir que unamos na fraternidade em Cristo".

No entanto, tudo isso virou um espetáculo a atrair famílias e a formar muitas filas nos "centros espíritas" que ofereciam o "serviço" de "divulgar psicografias". Os "médiuns" usavam os nomes dos mortos, mas escreviam mensagens da própria mente, carregando nas "palavras de amor" para evitar suspeitas. As caligrafias quase sempre só mostravam a letra do "médium".

Isso virou um espetáculo que a grande mídia brasileira tentou explorar. Tudo virou uma indústria de exploração das tragédias juvenis, a pretexto de oferecer "consolo" às famílias. Só que tudo descambou para o sensacionalismo, com a exposição de parentes saudosos pelos jovens falecidos, que poderiam muito bem sofrer suas tristezas na sua privacidade.

Em vez disso, a tragédia vira espetáculo, as mensagens apócrifas viram falsos atestados de recados dos filhos mortos - que não escreveram uma vírgula nessas mensagens - , que não passam de propaganda religiosa e estimulante para o estrelismo dos supostos "médiuns". Os casos Chico Xavier e Divaldo Franco são ilustrativos nisso.

Por isso, tudo se rebaixou ao espetáculo sensacionalista de pessoas desinformadas e desprevenidas buscarem contatos com os mortos de maneira mórbida e invigilante. Kardec tentou avançar com seus questionamentos e pesquisas sérios. Mas o "espiritismo" brasileiro regrediu, reduzindo a prática mediúnica ao sensacionalismo equiparado às mesas girantes e tábuas Ouija de outrora.

sábado, 18 de abril de 2015

Mediunidade ou "Mentiunidade"?


Será que os espíritos, quando voltam à chamada "pátria espiritual", viram sempre igrejistas? A suposta mediunidade que se observa no "movimento espírita" mostra sempre mensagens igrejistas, quase sempre usando um mesmo roteiro de relatos, que é difícil não desconfiar da veracidade de tais mensagens, por mais que se usem até pesquisas universitárias para "legitimá-las".

O roteiro é sempre o mesmo: o falecido sentiu algum tipo de mal-estar quando voltou ao mundo espiritual, foi socorrido por uma equipe de auxiliadores, foi internado em algum tipo de hospital e depois, apresentado para o Evangelho de Jesus, se sentiu melhor e resolveu mandar a referida mensagem para pedir que todos se unam na "fraternidade em Cristo".

As palavras variam, alguns pormenores também, mas a mensagem é sempre a mesma. Parece que o morto só aparece para fazer propaganda da religião "espírita". Tudo é só apelo religioso, pouco importando se o falecido é uma antiga freira carmelita ou um roqueiro brasileiro, tudo é igual, tudo tem o mesmo apelo, parece que tudo veio da mente do respectivo médium que a difunde.

Ultimamente, denúncias de irregularidades envolvendo supostos processos mediúnicos estão tirando o sono de muitos líderes do "movimento espírita". Isso porque não se trata apenas de denúncias contra médiuns "menores", de "centros espíritas" de menor conceito escondidos em subúrbios ou cidades do interior.

As denúncias envolvem os "peixes-grandes", principalmente o já falecido Francisco Cândido Xavier, contra o qual se observam mensagens que só tem a caligrafia dele e cujas informações, mesmo as mais sutis, teriam sido colhidas de consultas formais ou mesmo informais de colaboradores dos "centros" em que Chico Xavier trabalhava para "psicografar".

O que muitos creem ser mediunidade é um processo que se mostra irregular, porque, como é de praxe no Brasil, as pessoas não querem estudar com profundidade uma coisa séria e ficam inventando as coisas do nada, quando muito a partir de uma noção bastante vaga.

Se isso ocorre até com as emissoras de rádio FM que se dizem "rádios rock", que no fundo não passam de emissoras pop chinfrins e tolas que tentam levar vantagem com "algo diferente" - um vitrolão "roqueiro" dos mais fajutos previamente montado pelas gravadoras - , feitas por gente que entende tanto de rock quanto Tiririca entende de engenharia espacial, a mediunidade "à moda da casa" segue o mesmo caminho.

As pessoas, em vez de estudar a sério o contato com o mundo espiritual, ficam inventando coisas e fazendo uma "mediunidade de fundo de quintal", inventando mensagens da própria mente e carregando demais nos apelos religiosos para não revoltar as pessoas.

Assim, quando alguém passa a se sentir lesado, é só o suposto médium dar um argumento dos mais "bondosos" dizendo que compreende a incompreensão do "caro irmão" mas o espírito é que acaba transmitindo a impressão de religiosidade porque o ambiente no mundo espiritual é "iluminado".

"Mas fulano era ateu! Eu conversava com ele, era ateu convicto!", reage, por exemplo, algum parente indignado. Aí o esperto "médium" vem com essa: "Sim, é verdade, mas o retorno à pátria espiritual o fez rever seus conceitos e encontrar a luminosidade em Cristo, conciliando-se com a fé em Deus que ele tanto recusou a admitir pelas paixões terrenas".

Fica muito fácil. Todos no além são atribuídos a uma reputação de garotos-propagandas da fé religiosa, todos vestindo roupas brancas que fazem a gente perguntar se eles na verdade não estariam fazendo propaganda de marca de sabão em pó.

O que ocorre é que nossos "médiuns" nunca tiveram concentração suficiente para se comunicarem com os espíritos. E ainda mais trabalhando em salas movimentadas, cheias de gente tagarela, como no caso de Chico Xavier.

Por outro lado, há também as cobranças e pressões que impedem a comunicação com os espíritos, eles também se sentindo pressionados pelas circunstâncias, pelo menos o que se supõe a respeito deles. Porque, em verdade, eles nem aparecem. É como um popstar que é bastante comentado e evocado numa cidade do interior, sem que essa celebridade seja sequer avisada disso.

Isso faz com que o processo mediúnico deixe de acontecer, e tudo fique no faz-de-conta. E isso se observa em diferentes atividades cujo aspecto comum é o total desconhecimento e despreparo da Ciência Espírita, ramo do conhecimento que os "espíritas" fingem seguir rigorosamente mas do qual não conseguem entender sequer o básico.

Na psicografia, o que se nota é a corrupção da atividade através de mensagens apócrifas, geralmente redigidas pelo suposto médium, das quais têm sempre o mesmo apelo religioso, a mesma narrativa do sofredor que "encontrou Jesus" (depois vão falar mal dos neopentecostais) que volta ao contato terrestre para "pedir fraternidade".

Na psicopictografia o pintor imita, ou tenta imitar, os estilos dos pintores históricos, em muitos casos com graves falhas estilísticas que apontam fraudes muito pouco sutis, o que nos faz imaginar que tais "médiuns" não servem sequer para serem falsificadores de quadros, de tão ruins imitadores que são.

Na psicofonia o que se observa é a atitude malandra de evocar quase sempre espíritos de pessoas que viveram no século XIX para trás, de preferência que não deixaram registros sonoros, já que é de 1877 a invenção do fonógrafo, o primeiro aparelho que registra a voz humana.

Assim, a suposta psicofonia consiste, na verdade, na criação de um falsete sobre o que se supõe ter sido a foz de um falecido de época longínqua, para que assim ninguém desconfie de que tal voz tenha sido uma imitação humorística.

Imagine alguém imitando, por exemplo, o Abelardo Barbosa, o Chacrinha? Ele dizendo "Alô Teresinha, quem não se comunica com os espíritos, se truuuumbica!! Vamos nos unir na fraternidade em Cristo!! Quem vai levar a peruca do Chico Xavier? Aíííí..."! Seria no mínimo uma paródia, né?

Daí a indagação que muitos fazem: mediunidade ou "mentiunidade"? Infelizmente, não são as calúnias que põem em xeque a veracidade de tais atividades, mas as irregularidades que os próprios supostos médiuns fazem, que o raciocínio investigativo não tem dificuldades de idenfiticar, embora teses acadêmicas cheguem a fazer vista grossa, com suas metodologias duvidosas.

É isso que anda causando muito escândalo e celeumas nos bastidores do "espiritismo" brasileiro, e que está causando medo nos seus líderes, apavorados diante de tantas denúncias e questionamentos, algo inédito em outros tempos, já que os escândalos haviam, e eram muitos e fortes, mas não com a amplitude e a força que aparecem ou reaparecem hoje.

Enquanto isso, as almas do além vivem alheias ao que os supostos médiuns fazem em seu nome e a toda a discussão que acontece nos bastidores e nos fóruns relacionados ao "movimento espírita" no Brasil.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

As falsas psicografias


Infelizmente, ninguém conhece o que é mediunidade no Brasil. Para piorar, as pessoas aceitam esse desconhecimento, achando que tudo é verídico porque é misterioso, uma coisa inversa e radicalmente oposta ao que se ocorre na vida cotidiana.

Isso é grave, porque, no "espiritismo" feito no Brasil, aceita-se tudo sem verificar. E quando se pede para verificar, há quem finja cumprir os mais rígidos procedimentos para garantir veracidade das supostas mensagens espirituais.

Não se exige Inmetro, nem qualquer outro recurso de controle e verificação, e um caso típico da credulidade das pessoas corresponde às chamadas cartas "psicografadas", verdadeiros embustes que só fazem explorar e expor ao público as tristezas que as famílias poderiam viver na privacidade e sob assistência de pessoas com menor interesse oportunista possível.

O que se observa é que são pessoas escrevendo, com velocidade "industrial", mensagens apócrifas que têm a mesma caligrafia. São mensagens padronizadas, conforme a mente de cada suposto médium, e apresentam o mesmo apelo religioso.

Esses pretensos médiuns tentam se autopromover se aproveitando da emotividade das pessoas, das lágrimas sofridas, de tanta dor, e criam mensagens que atribuem aos parentes falecidos, sempre com aquele mesmo apelo religioso enjoado de tão repetitivo e tendencioso.

E se essas mensagens apresentam informações pessoais dos falecidos, é porque houve alguma consulta prévia. Os "doutores" da Universidade Federal de Juiz de Fora, embora admitam isso ser possível, tentam fazer crer que isso é raro no "movimento espírita" e praticamente inexistente nas atividades de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco.

Sentimos muito desagradar chiquistas e divaldistas. mas nem eles são exceção. Tomados da mistificação que os protege na "impunidade astral", Chico e Divaldo não podem ser questionados em uma vírgula sequer, já que eles estão envoltos num estereótipo que envolve aspectos dóceis como velhice, humildade, obediência, polidez e outras coisas.

Pretensos sábios, eles não podem sequer ser desafiados. Há um faz-de-conta em torno de Chico Xavier, feito pelos referidos acadêmicos de Juiz de Fora, que finge questionar seus procedimentos e termina sempre com o parecer favorável a ele.

Os acadêmicos usam métodos duvidosos, geralmente genéricos, vagos e limitados, para verificar as tais "cartas psicográficas" que a gente até desconfia se o único propósito da pesquisa é proteger a reputação de Chico Xavier como líder religioso criando uma blindagem moldada em verniz científico.

As falsas psicografias são constatadas não porque odiamos o "espiritismo" e achamos as atividades em si ridículas e estúpidas. Podemos gostar e sentir simpatia de tudo isso, mas se tivéssemos a humildade da lógica e percebermos as falhas existentes, temos que seguir uma constatação que pode ser negativa, mas a realidade e a lógica têm que vir em primeiro lugar.

Muitas famílias são enganadas constantemente só porque alguém disse que a mensagem supostamente espiritual é verdadeira porque começa com "querida mamãe", ou por mensagens por demais emotivas e de profundo conteúdo religioso.

Claro, com o julgamento moralista de muitas famílias, geralmente conservadoras, todo mundo é induzido a acreditar que, lá no mundo espiritual, todo mundo ficou religioso, passou a acreditar mais em Deus e Jesus e fica só pedindo fraternidade para as pessoas, com um discuso panfletário e igrejista.

Podendo ser um punk ou uma noviça, é quase sempre o mesmo discurso, descontando as informações colhidas aqui e ali, não somente nas entrevistas formais - único meio aceito pelos acadêmicos da UFJF - , mas também em conversas informais, nas esperas por doutrinárias, ou após o fim das mesmas, em que até dados mais sutis são colhidos por diversos familiares.

Se Chico Xavier não entrevistou eles diretamente, seus colaboradores o fizeram. E muitas informações sutis são trazidas de maneira quase instintiva, há quem não se lembre de as ter colhido, mas assim o fez, naquelas conversas que se tem após as doutrinárias, em que todos estão à vontade para detalhar as coisas, meio "sem querer querendo".

Mas o moralismo religioso permite tudo isso, permite a falsidade ideológica desde que transmita "palavras de amor" e "mensagens fraternais". Tudo isso em cartas produzidas em "velocidade industrial", que só expressam a imaginação do suposto médium. E, se as famílias passam a acreditar que essas cartas são verídicas, isso se torna muito grave.

Isso porque, por trás de tudo isso, existe a promoção da seita "espírita", às custas do sofrimento das famílias, exposto ao público de maneira leviana, oportunista e sensacionalista, prolongando essa tristeza de maneira indefinida, uma vez que tais famílias acabam ficando para sempre expostas a essa humilhação marqueteira feita para lotar "centros espíritas" a pretexto da caridade.

Daí considerarmos todo esse ritual, principalmente diante do desconhecimento total que o "movimento espírita" tem da Ciência Espírita, uma tristeza tão grande quanto perder entes queridos. Nada mais triste do que explorar a tragédia e o sofrimento dos outros, mesmo que use o pretexto da caridade.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Rede Globo usa Profissão Repórter para promover falso espiritismo

 PARECE COLA DE PROVA, MAS DIZEM QUE É "PSICOGRAFIA".

Sabemos que o que se entende como Espiritismo no Brasil é falso, uma falsidade que vem desde 1884, quando a Federação "Espírita" Brasileira decidiu por ignorar Allan Kardec e suas ideias científicas. Isso continua valendo até hoje, embora de maneira mais sutil.

Sem conhecer coisa alguma da Ciência Espírita, o "movimento espírita" se limita a fazer de conta que segue rigorosamente os ensinamentos de Kardec, que realiza estudos sérios, faz pesquisas consistentes e exerce verdadeiro contato com o mundo dos espíritos. Tudo em vão.

Embora a maioria das pessoas acredite nesses simulacros todos, dando legitimidade plena a todos eles, tudo não passa de invencionice sob vários aspectos. E até a "filantropia" dos "espíritas", embora aparentemente correta, não traz transformações profundas nem beneficia tanta gente assim. São apenas uns gatos pingados que recebem as "graças" e olhe lá.

O "espiritismo" brasileiro encontra afinidade numa Rede Globo que defendeu a ditadura militar - como Chico Xavier, o "bom homem" que ainda acreditava nos milicos nos piores anos da repressão militar (devem ser os tais "reajustes espirituais" dos acusados de "subversão") - e ainda faz das suas para defender o status quo, e mais um exemplo se deu ontem.

APESAR DA POSE DE SÉRIOS E DO SEMBLANTE AUSTERO, ACADÊMICOS COMO ALEXANDER MOREIRA E JORGE DAHER OBTERAM FALHAS GROSSEIRAS EM PESQUISAS "ESPÍRITAS".

Embora o programa Profissão Repórter seja uma tentativa de inserir o jornalismo honesto na TV Globo, de vez em quando pautas estranhas mancham o programa comandado por Caco Barcellos, com a colaboração de sua equipe. O programa de 07 de abril de 2015, por exemplo, mostrou atividades "espíritas" em Goiás e várias cidades paulistas.

O pretexto é mostrar as qualidades atribuídas ao "espiritismo" brasileiro, exibindo clichês tão batidos mas ainda vistos como "novidades" por muitos. É a "cura espiritual" com os mesmos recursos de Dr. Fritz, agora com um "novo espírito" chamado Dr. Hans: uso de tesouras, facas e bisturis para cirurgias rápidas de métodos duvidosos, sem qualquer conceito de Ciência Espírita.

É a "filantropia" dos atendimentos "espíritas", a "psicografia" de supostos médiuns que em "quantidade industrial" divulgam mensagens de jovens mortos para famílias saudosas e triste. E isso com mensagens apócrifas só com a caligrafia de cada "médium" e com o mesmo apelo religioso, dando a impressão de que, após a morte, todos viram igrejistas, ativistas religiosos.

Não bastassem os métodos duvidosos de "psicografia", que escondem o fato de que as informações dos mortos, mesmo as mais complexas, são colhidas previamente por entrevistas e contatos informais aqui e ali nos "centros espíritas", há também o fato de que essa atividade explora levianamente as tragédias familiares.

Tudo vira sensacionalismo, e as famílias deixam de sentir suas tristezas na privacidade de suas vidas pessoais. Em vez disso, elas se expõem para o circo da "tristeza consolada", verdadeiro ritual marqueteiro dos "centros espíritas" que fazem famílias correrem para formar longas filas, tudo pela tendenciosa utopia de receber recados de seus entes no além.

Para piorar, acadêmicos como Alexander Moreira Almeida, e Jorge Cecílio Daher Jr. tentam confirmar, com teses científicas confusas e com sérias falhas metodológicas e de conteúdo, as "façanhas" de Francisco Cândido Xavier, o astro maior desse espetáculo todo.

Através desses acadêmicos, vários deles trabalhando na Universidade Federal de Juiz de Fora, Chico Xavier tem sua duvidosa "psicografia" - quase sempre contando só com a caligrafia do próprio, exceto quando algum colaborador escreve algo mais em cima, e sempre com o mesmo panfletarismo religioso - "autenticada" por monografias de valor científico e técnico bastante discutíveis.

Eles chegaram ao ponto de dizer que 98% da "psicografia" de Chico Xavier é "verdadeira" - então existem os 2% que são mentira - , através de critérios e procedimentos que ignoram aspectos como se há indício da caligrafia do falecido, ou se as diferentes mensagens apresentam o mesmo apelo religioso que corrobora convicções pessoais do "médium" mineiro.

A reportagem do Profissão Repórter acabou servindo ao tendenciosismo do "espiritismo" brasileiro, que não passa de uma atualização do antigo Catolicismo português, de tendência medieval, tirando apenas aspectos mais coercitivos. Fora isso, dá paraver por que há tantos jesuítas no "espiritismo" brasileiro. O "kardecismo" nada tem de Kardec, mas está abundante de valores católicos.

sábado, 4 de abril de 2015

Chico Xavier, o "dono da verdade"


Chico Xavier tornou-se o brasileiro mais privilegiado nos últimos tempos. Ele foi beneficiado por uma mordomia que mesmo os mais influentes políticos não conseguem ter, assim como os ministros do Poder Judiciário.

Ele é o único que, mesmo errando, é dispensado de ser responsabilizado pelos seus atos e é considerado "líder" e "mestre" mesmo adotando posturas hesitantes e abordagens confusas. Ele recebeu, de seus seguidores, a mais absoluta imunidade que vale 13 anos após seu falecimento.

Francisco Cândido Xavier, seu nome posteriormente adotado - o nome de batismo era Francisco de Paula Cândido - , tornou-se um problema para o Brasil, porque tornou-se, para seus seguidores e simpatizantes, uma figura de reputação totalitária, portadora de qualidades que ele nunca teve.

Sua imagem controversa e sua obra irregular, associadas à complacência que os diversos tipos de seguidores, adeptos e simpatizantes de Chico Xavier sentem por ele, faz com que haja um apego obsessivo à sua pessoa, tornada quase um "deus" e dotada de uma forma esquizofrênica de "perfeição".

Ele tornou-se o "dono da verdade", a "verdade personificada", independente do ponto de vista de cada seguidor, uns enxergando virtudes ocultas em suas mensagens, outros recusando-se a interpretá-lo fora do que ele pessoalmente disse ou escreveu. Mas todos mantendo Chico Xavier no alto de seu pedestal.

Chico, porém, não merecia esse endeusamento todo. Ele foi um católico recrutado pela Federação "Espírita" Brasileira para ser o garoto-propaganda de uma forma deturpada de Espiritismo. Errou mais do que acertou e, em muitos casos, errou de propósito, escrevendo mensagens apócrifas usando nomes de mortos.

Apropriação indébita de nomes de autores prestigiados - como Humberto de Campos, Olavo Bilac, Castro Alves e até a pouco conhecida Auta de Souza - fizeram Chico Xavier virar o "dono" de alguns desses autores, quando eles não se tornaram muito prestigiados em nossos dias.

Humberto de Campos e Auta de Souza, por exemplo, estão na mesma situação da anônima Irma de Castro, a Meimei, "sequestrados" por Chico Xavier e hoje nunca apreciados senão na condição de "propriedades" do anti-médium mineiro, nomes que deixaram de ter autonomia e que agora estão associados a Xavier como se tivessem sido seus personagens.

Chico passou a representar, com gosto dele próprio - apesar de muitos o descreverem sempre como um "homem puro" que "só errava" porque era "vítima de intrigas" - , os estereótipos referentes à velhice, caipirismo, humildade e filantropia, se valendo de jogos de valores contraditórios, criando dicotomias que fortaleciam o mito chiquista.

As pessoas que defendem Chico Xavier parecem até pouco se importarem com o país, com suas vidas, ou mesmo com os outros velhinhos. O que lhes importa, antes de mais nada, é manter esse estereótipo no pedestal, daí as dicotomias ignorante-sábio, pobre-rico, fraco-forte e silêncio-voz que alimentam o mito do anti-médium.

Além disso, uma corrente de seguidores de Chico Xavier tenta promovê-lo acima de suas limitadas atribuições. Não bastasse sua mediunidade, embora apoiada em quase unanimidade, seja irregular e duvidosa em muitas atividades, ele é promovido a "filósofo", "psicólogo", "sociólogo", "profeta", "cientista" e "estrategista político" por conta da interpretação sensacionalista de suas mensagens.

Ele tornou-se um totem perigoso, porque a ele é atribuída uma perfeição que nunca existe. Atribuindo ou não qualidades que lhe são surreais, os seguidores de Chico Xavier têm em comum o apego obsessivo ao seu estereótipo de "figura bondosa", sempre supondo uma "superioridade" inexistente, porque ele na verdade teve uma carreira irregular e cheia de pontos sombrios.

As pessoas ficam condescendentes com os erros de Chico Xavier, e a complacência o faz portador de uma "verdade" que ninguém entende mas todo mundo quer acreditar. Ele se torna "dono da verdade", sempre portador de uma "superioridade" devido a um estereótipo de "bondade" que nem foi assim tão transformador.

Como "dono da verdade", até mesmo absurdos e incoerências, quando ditos por Chico Xavier, são comodamente aceitas pelos seus submissos seguidores, pouco preparados para o raciocínio discernitivo, perdidos por entender como "ciência" um repertório de mistificações e misticismos que apenas deturpam o conhecimento humano e confundem mais do que esclarecem.

Afinal, como filantropo, Chico Xavier pouco fez e sua caridade nunca passou de atos paliativos que quase nada transformaram a humanidade e que tão somente diminuiu, mas não eliminou completamente o sofrimento dos mais humildes.

Em compensação, Chico Xavier acabou transformando em sensacionalismo o sofrimento das famílias que perderam entes queridos, já que acabou se aproveitando das suas angústias para escrever mensagens apócrifas atribuídas aos espíritos dos falecidos, que não passaram de cartas criadas pela própria imaginação do "médium", a partir de informações que seus colaboradores colhiam das famílias.

A glamourização do sofrimento também foi um dado bastante negativo de Chico, porque ele sempre defendia o silêncio da prece em detrimento da luta para melhorias. Ele queria que as pessoas se conformassem com o sofrimento e acreditassem que o "alto" iria salvá-las um dia, criando uma inércia nas pessoas e uma pouca vontade em intervir contra suas dificuldades e limitações.

Dessa maneira, Chico Xavier errou muito e os acertos que cometeu eram tão pouco expressivos que não dão mérito algum de liderança ou maestria à sua pessoa. As pessoas deveriam desistir de tentar "salvar" Chico Xavier de ser retirado de seu pedestal, feito um "velocino de ouro" que é objeto de idolatria, credulidade de fanatismo. Quanto mais os espíritas se esquecerem de Chico Xavier, melhor.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Chico Xavier causou prejuízos ao Brasil


Francisco Cândido Xavier prejudicou o país, deturpando a Doutrina Espírita e se valendo de seu prestígio para cometer fraudes e explorar a emotividade das famílias sofridas, alimentando impunemente seu mito que favorece o poderio de uma seita religiosa marcada por sua desonestidade.

Essa desonestidade se observa em tudo que a Federação "Espírita" Brasileira fez "em prol do Espiritismo", na verdade uma sucessão de fraudes grotescas e de traições cruéis à doutrina de Allan Kardec, que, diz uma piada bastante pesada, só aproveita, do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, as duas primeiras letras de sua sigla.

Sim, é uma piada bastante agressiva, mas é ilustrativa. Afinal, o "espiritismo" brasileiro aproveitava do lixo rejeitado por Allan Kardec, do que era despejado e estava de acordo com o Catolicismo medieval que os "espíritas" juram de joelhos sentirem severo repúdio, mas do qual aproveitam sua essência trazida pela herança jesuíta do Brasil colonial.

Chico Xavier foi um mito que fez crescer essa forma deturpada, grosseira, que dá pena dizer que é caricata porque a caricatura, pelo menos, guarda algum traço de sua fonte original, embora usada para fins de paródia. Porque o "espiritismo" brasileiro nem de longe soa como um arremedo da doutrina de Kardec, seu distanciamento é tão pleno que é impossível não pensar em ruptura.

É só observar o que a quase totalidade de atividades "espíritas" faz: pregações moralistas sobre a instituição Família e meras divagações sobre problemas emocionais. Nem se pode dizer problemas psicológicos, porque a Ciência não é o forte do "movimento espírita", e Psicologia nem de longe aparece na sua apreciação científica.

Tudo é apenas um religiosismo tosco, espécie de Catolicismo de fundo de quintal, que nada traz da Ciência Espírita nem de outros tipos de ciência. Daí soar risível que um documentário, mero desperdício cinematográfico chamado Data-Limite Segundo Chico Xavier, promova o anti-médium mineiro como "cientista", "sociólogo", "analista político" e até "estrategista geopolítico" (?!).

Chico Xavier era um católico praticante, fervoroso, rezador de terços, adorador de imagens, crente em dogmas medievais, que evocou um jesuíta, o padre Manuel da Nóbrega, que adotou o codinome Emmanuel com base no título "Ermano Manuel" usado em documentos.

Ideologicamente, Chico Xavier era um figurão ultraconservador, que preferia a oração em silêncio do que o ativismo social e que, conforme comprova sua entrevista no programa Pinga-Fogo em 1971, defendeu com entusiasmo a ditadura militar, que o anti-médium alegava estar construindo um "reino de amor e de luz" da humanidade futura. O tal "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho".

Isso é grave, em se tratando de um mito cujos seguidores definem equivocadamente como "progressista". Afinal, em 1971, época do AI-5 e de muitos mortos e desaparecidos, metade da direita que defendeu o golpe militar de 1964 passou para a oposição a um bom tempo (até antes do próprio AI-5), e o "progressista" Chico Xavier demonstrava uma fúria golpista assustadora.

Ingenuidade? Não. Chico Xavier era esperto, à sua maneira. Ele era o partidário das orações em silêncio, aconselhava as pessoas a "sofrer amando", e dá para imaginar o Chico Xavier dizendo para os torturados que tomavam choque elétrico com os pés nus num balde de água para terem amor e agradecerem pela "oportunidade" que tiveram na ocasião e se acharem "abençoados".

O grande problema é que muitas "bênçãos", na verdade, eram corpos jogados em lugares quaisquer, que só os torturadores sabiam onde era, apodrecendo os cadáveres com o passar do tempo, virando meras ossadas para a pesquisa posterior de investigadores.

Chico Xavier deturpou a Doutrina Espírita, atraiu fortunas para os chefões da FEB (principalmente o presidente e artífice do mito chiquista, Antônio Wantuil de Freitas, que teria co-escrito, com Xavier, vários livros atribuídos a Humberto de Campos) e explorou a emotividade de familiares de jovens mortos, que viraram atração do sensacionalismo religioso e midiático, tirados de sua sofrida privacidade.

Ele corrompeu a prática mediúnica, que virou um vale-tudo de mensagens apócrifas e tiradas da imaginação de supostos médiuns. O próprio Chico Xavier foi um deles, criando mensagens da própria mente, algo que pode ser verificado com as "cartas" que só têm a sua caligrafia ou, quando muito, com o acréscimo da caligrafia de algum colaborador seu.

E tudo isso é feito para promover um panfletarismo religioso, como reles propaganda igrejista, feita para criar um verniz de bondade e filantropia e acobertar as irregularidades relacionadas, sobretudo, à falsidade ideológica, mas também referentes à incompetência mediúnica dos que não têm concentração suficiente para absorver a presença de espíritos do além.

Infelizmente, o que se entende como "mediunidade" são supostos médiuns fechando levemente os olhos, mas mantendo-os bem abertos o suficiente para enxergar cavaletes para pastiches de pinturas, papéis para falsas psicografias ou microfones para expressar seus falsetes de vozes que os ditos "médiuns" supõem terem sido as personalidades de passado remoto e anterior à popularização do fonógrafo (primeiro aparelho a registrar a voz humana, surgido em 1877).

O verniz de caridade e amor se carregava nas mensagens "fraternais", no amor preso às palavras, no apelo incessante a sentimentos de fraternidade que o "espiritismo" não consegue exercer no silêncio dos atos. Um apelo hipócrita, cujas palavras persuasivas são de uma pieguice enjoativa que causa nojo a muitas pessoas e não resolve as tensões humanas neste mundo turbulento de hoje.

Chico Xavier, o homem das palavras bonitinhas, recheou seus "maravilhosos" livros de erros históricos grotescos, de lições moralistas severas, de misticismo barato, de fantasias surreais, tudo a título de uma falsidade ideológica, se aproveitando da falta de alguma legislação que regulasse o uso póstumo das personalidades do além-túmulo.

Daí que ele prejudicou o Brasil, em muitos e muitos aspectos. E seus seguidores não conseguem trazer argumentos consistentes a favor. Tomados de fanatismo, eles preferem a cegueira da fé que os mantém na zona de conforto da incompreensão de muitas coisas, do comodismo de não questionarem certas coisas e do conformismo de sofrerem o que lhes é imposto, sem queixumes.

Daí que Chico Xavier simbolizou uma doutrina que pregava o conformismo em vez da ação social, a crendice mais subserviente em vez do raciocínio questionador, e usurpava a reputação de Allan Kardec para legitimar coisas que o professor lionês nunca apoiaria.

Só pela exploração leviana das tristezas das famílias e pela usurpação dos nomes dos mortos, Chico Xavier não deveria ser visto como "espírito superior" e, sim, rebaixado a um espírito ordinário que terá que voltar à Terra para resolver suas pesadíssimas dívidas morais. Fora da ilusão das paixões terrenas, Chico voltou à pátria espiritual levando um choque e contraindo um peso na consciência.