sábado, 28 de janeiro de 2017

Marisa Letícia, "espíritas" e SUS


Existe um grande debate sobre internações em hospitais públicos, autocirurgias etc. Uma série de polêmicas pode complicar as coisas se não fizermos as devidas observações, sobretudo por causa de um episódio ocorrido há poucos dias.

Na última terça-feira, a ex-primeira-dama, Marisa Letícia, esposa do ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), Atualmente está internada em coma induzido no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o que causou violentos protestos na Internet.

Marisa já estava estressada por causa das pressões que o marido recebe na Internet. Se no "espiritismo" um deturpador da pior espécie como Francisco Cândido Xavier é "santificado" e transformado em "profeta", "filósofo", "cientista" etc por um lobby combinado de contas no YouTube e no Facebook, Lula é, sob as mesmas condições, tratado como "bandido" e levianamente acusado até de ser "mandante de assassinatos".

Lula é a pessoa mais odiada do país, por fazer um bem às pessoas. Seu governo valorizou o emprego, a educação e a qualidade de vida, com suas imperfeições, é verdade, mas com intenção de acertar. Muito diferente de um ultraconservador Chico Xavier, que defendeu a ditadura militar e a "doce censura" do silêncio no sofrimento, e ganhou, de graça e sem motivo lógico, a pecha de "progressista".

Com isso, Marisa também foi bombardeada de ataques, de gente querendo que ela morresse na fila do SUS, como se seu marido e sua sucessora Dilma Rousseff tivessem sucateado o sistema. Bem oportuna a observação trazida pelo jornalista Eduardo Guimarães:

"De alguns anos para cá, o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff tiveram cânceres e, agora, a esposa do ex-presidente, dona Marisa Letícia, foi vitimada pelo AVC. Nem Lula nem Dilma fundaram o SUS nem tampouco são responsáveis pelos problemas de atendimento que possa haver na rede pública de saúde brasileira, mas ao adoecerem com tanta gravidade receberam ataques que nenhum outro presidente recebeu ao adoecer e ter que se tratar em hospitais.

Por exemplo: ano passado, em julho, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso descobriu que tinha um problema cardíaco e teria que usar um marca-passo. Foi internado no Hospital do Coração, em São Paulo, para realizar o procedimento. Nenhum dos subumanos que atacaram Lula, Dilma e dona Marisa exigiram que ele se tratasse no SUS. Por quê?".

Na verdade, quando autoridades progressistas tentam fortalecer os serviços públicos de Educação e Saúde, eles sofrem pressões contrárias diversas. É navegar na maré contrária do mercado, pois existem empresários que exploram os dois setores que não aguentam ver a concorrência forte do setor público. Daí que eles pressionam para sabotar o SUS e impedir que ele atinja padrões de Primeiro Mundo. Sob Lula, o SUS deu seus avanços, mas essas pressões ainda assim criaram dificuldades.


O mais irônico disso, e que não é de conhecimento dos reaças digitais, é que o Hospital Sírio-Libanês, sob o governo Lula, estabeleceu parcerias com o Sistema Único de Saúde no atendimento de pacientes com câncer, o que aproxima o hospital onde Marisa está internada, em estado estável até o momento, do contexto do referido sistema.

É fácil cobrar de políticos como Lula e Marisa ou Dilma ou outro similar que se internem em hospitais públicos para ver a dificuldade. Mas difícil é cobrar quando o contexto não justifica que certas pessoas recorram a atendimentos hospitalares para tratar de doenças graves.

O "médium" João Teixeira de Faria, o João de Deus, que recentemente ganhou de presente da Rede Globo uma tendenciosa visita "de agradecimento" da atriz Camila Pitanga - que é ateia, ótimo recurso para propaganda da conversão dos ateus, "cobiçados" pelo "movimento espírita" - , é um desses exemplos.

Ele é festejado pela sua suposta habilidade em realizar operações "mediúnicas", muitas vezes diante de um público na sua "casa espírita" em Abadiânia, Goiás, aparentemente tratando de doenças complicadas como o câncer. É curioso que "médiuns" assim não estejam associados a curas de supostas paralisias corporais. Até agora não se viu um "médium" desses fazer um tetraplégico ou paraplégico "voltarem a andar". "Episódios" assim, se "há", parecem raros.

João de Deus havia tido um câncer e, em vez de recorrer à auto-cirurgia - ele nem deve ter conhecido o caso corajoso do dr. Leonid Rogozov, médico russo que se auto-operou numa base na Antártida, em processo arriscado de cirurgia de apendicite, em 1961 - , foi para um hospital de renome, vejam só, o mesmo Sírio-Libanês que acabamos de citar, em São Paulo.

"Barbeiro corta o próprio cabelo?" tentou se desculpar o "médium", quando decidiu recorrer a outro hospital para fazer cirurgia "ao modo da Terra". Isso em si já cria uma desconfiança do trabalho de João de Deus, que ao menos deveria ter evocado o espírito do dr. Rogozov, morto pelas doenças da velhice em 2000, para lhe ajudar na auto-cirurgia.

Isso revela uma grande irregularidade. Os "médiuns" do "movimento espírita", tão festejados pela grande mídia e tidos tendenciosamente como  "símbolos de caridade e amor ao próximo" - como se fosse preciso ser religioso para praticar bondade, o que é um absurdo - ,sempre apresentam um problema sério em seus trabalhos.

Daí que há motivo para Marisa Letícia recorrer não ao SUS, mas a um hospital de renome, para se tratar do AVC que sofreu (e do qual a Rede Globo tem parte de responsabilidade, pois dona Marisa se estressava com a campanha difamatória contra seu marido, comandada pela rede televisiva). O SUS não consegue atingir o padrão ideal porque os mercadores da Saúde privada - com seus médicos colecionando trajes de gala pagos por seus pacientes - não deixam.

Mas muitos aceitam quando João de Deus, por sinal apoiado por essa mesma mídia reacionária - recebeu cobertura da Rede Globo e virou capa de Veja - , recusa-se a fazer auto-cirurgia (com as condições bem menos dramáticas que as que o dr. Rogozov enfrentou). Ser "espírita" garante todo tipo de blindagem. Deturpar o legado de Allan Kardec no Brasil foi moleza.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Nomear Alexandre de Moraes ministro do STF será uma CATÁSTROFE


Diante do falecimento recente, em um acidente aéreo na sexta-feira chuvosa em Parati, litoral Sul fluminense, do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, criou-se uma situação delicada para a Operação Lava Jato, que teve seus trabalhos interrompidos com a morte repentina de seu relator.

É um incidente que cria um consenso entre esquerdistas e direitistas na constatação de que seus trabalhos foram comprometidos e tarefas como a homologação das delações premiadas da Odebrecht e a investigação das irregularidades da campanha eleitoral de 2014 da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer terão que ser adiadas.

Já se discute quem vai ser o sucessor de Teori Zavascki, seja como ministro do STF ou como relator da Lava Jato. As duas funções podem não ser desempenhadas pela mesma pessoa. Tomados de paixonite midiática crônica, os midiotas que veem Rede Globo e Globo News e leem Veja, Época e Isto É torciam para colocar o juiz Sérgio Moro em uma das duas funções vagas, a de ministro e relator.

Um dos nomes cotados, todavia, revela uma grande ameaça. Fala-se em escolher não um homem ligado ao ministro da Justiça do governo Michel Temer, Alexandre de Moraes, mas ele próprio. Isso é algo que nenhum cidadão, independente de ideologias, deveria aceitar. Promover Alexandre de Moraes ministro do STF é uma CATÁSTROFE que nem sequer poderia ser cogitada, pelo histórico sombrio de uma figura dessas.

Alexandre de Moraes já deveria até ter saído do Ministério da Justiça, substituído por José Mariano Beltrame, um nome mais ponderado dentro do contexto político do governo Temer. Moraes tem fama de falastrão e truculento, e não tem um mérito sequer para assumir o STF, em cargo que será vitalício e dotado de grandes privilégios.

Moraes é acusado de advogar para uma cooperativa de vans de São Paulo cujos membros têm relações com o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupo criminoso envolvido em várias rebeliões com chacinas, em presídios de quatro Estados brasileiros (Maranhão, Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte). Dizem que isso pesou na recusa de Moraes de mandar tropas federais para conter as rebeliões.

Outro aspecto sombrio é que Moraes tem atuação repressiva e autoritária. O semblante já mostra um homem extremamente duro, um brutamontes, como se vê na foto que ilustra esta postagem. Como Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, na gestão de seu padrinho político Geraldo Alckmin, Alexandre de Moraes mandou a polícia reprimir manifestações estudantis com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

Os estudantes haviam protestado contra a reforma educacional de Alckmin, que queria fechar várias escolas públicas. Era o que o governador paulista definiu como "reestruturação da educação pública", sutilmente favorecendo empresários como João Carlos di Gênio, dono do colégio Objetivo e da Universidade Paulista. Os alunos faziam ocupações em escolas e passeatas.

A situação se repetiu com o governo Temer e os estudantes também fizeram ocupações desde quando o Ministério da Cultura teve sua extinção anunciada, e depois revertida. E o que se viu foi o mesmo método truculento que Alexandre de Moraes adotou em São Paulo, reprimindo violentamente os protestos.

Em Brasília, na época da votação da PEC dos Gastos Públicos, também houve intenso protesto de movimentos estudantis e sindicais em frente à Câmara dos Deputados e a polícia de Moraes agiu com muita truculência, despejando bombas de efeito moral sobre os manifestantes, vários deles detidos pela ação policial.

Um sujeito como o ministro Alexandre de Moraes era para ser tirado do Ministério da Justiça, depois que foi revelado que ele se recusou a mandar tropas para controlar as rebeliões num presídio em Roraima. Poderia ter prevenido a onda de chacinas, mas se omitiu e ainda falou mentira ao alegar que "não recebeu" pedido da governadora de Roraima para envio de tropas em caráter de urgência.

Um sujeito como Alexandre de Moraes era para viver no ostracismo político, fora da equipe do governo Temer. A sua entrada no Supremo Tribunal Federal será um desastre para o país, com uma figura truculenta na alta elite do Poder Judiciário. O Brasil não merece mais um suplício destes.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Propagandista de Chico Xavier, família Marinho está na lista de mais ricos do país


Delícia promover a reputação supostamente inabalável de um deturpador da Doutrina Espírita como Francisco Cândido Xavier. As Organizações Globo (Rede Globo, O Globo, Época, Globo News) é propriedade dos irmãos Marinho, que estão no grupo seleto dos oito brasileiros mais ricos do mundo.

Numa lista que inclui nada menos do que três sócios da Ambev, uma das maiores empresas fabricantes de cerveja no Brasil, os irmãos João Roberto, José Roberto e Roberto Irineu, filhos do "lendário" Roberto Marinho, somam, juntos, cerca de R$ 41,8 bilhões, cerca de um sétimo da fortuna total dos oito maiores bilionários do Brasil: R$ 285,8 bilhões.

Sabe-se que a Rede Globo foi a maior propagandista de Chico Xavier e outros deturpadores da Doutrina Espírita no Brasil. As Organizações Globo superaram a antiga animosidade em relação ao anti-médium e resolveram reinventar seu mito religioso, baseado no que o inglês Malcolm Muggeridge fez com Madre Teresa de Calcutá.

Para entender esta história, vamos voltar ao tempo. As relações de Chico Xavier com as Organizações Globo tiveram três fases. A primeira, a de nível sensacionalista, quando o "médium" era visto como uma figura pitoresca, um católico paranormal que dizia falar com os mortos.

É desta fase a publicação, em 1935, de uma foto com Chico Xavier olhando de frente, que mostra um semblante bastante assustador e pesado. Dizem que ele estava "incorporando" alguém. A energia pesada e assustadora contradiz com a imagem "purificada" que muitos têm do "bondoso médium".

Mais tarde, veio a segunda fase, a fase da animosidade. Nela, pelo fato de católicos tradicionais e ortodoxos terem colunas no jornal O Globo, a empresa de Roberto Marinho passou a reagir de maneira hostil a Chico Xavier, chegando mesmo a revelar as denúncias do sobrinho Amauri Xavier, misteriosamente falecido, possivelmente por queima de arquivo.

Não que Chico Xavier fosse um reformista da Igreja Católica. Muito pelo contrário. Em relação às crenças e hábitos católicos, Chico Xavier era medieval de tão ortodoxo, e não é de surpreender que um dos colunistas de O Globo nos anos 1950, Alceu Amoroso Lima, católico do Centro Dom Vital, ter passado a fazer oposição à ditadura militar depois do golpe de 1964, enquanto o "moderno" Chico Xavier ainda a defendia.

Alceu, também conhecido como Tristão de Ataíde (ou Tristão de Athayde), defendeu o golpe de 1964 como todo conservador que se indignava com o governo João Goulart, mas reviu seus valores quando percebeu o império da arbitrariedade que representou o regime dos generais e passou a fazer oposição e defender a volta da democracia.

Já Chico Xavier, que chegou a deslumbrar setores das esquerdas brasileiras, iludidos com o verniz de "humildade" que cercava sua pessoa, defendeu aberta e convictamente a ditadura militar, com suas próprias palavras, esculhambando operários e camponeses (categorias de trabalhadores de origem pobre) e dizia que os generais estavam "construindo um reino de amor" para o futuro.

Aí vamos parar para pensar. O "homem mais puro do Brasil" pedindo para orarmos a generais e, por conseguinte, aos torturadores, que estavam promovendo a carnificina contra acusados de desobediência ao regime militar, num contexto de dedurismo que, se puder, pode jogar inocentes aos porões da morte (como aliás se fez muitas vezes) apenas por um capricho rancoroso de um desafeto?

E isso é tão grave se observarmos o que o moralismo "espírita" é capaz de fazer. Embora não tenha havido exemplos desse nível, o "espiritismo" poderia atribuir ao sofrimento da tortura e dos assassinatos a supostos "reajustes morais" ou "resgates espirituais", um juízo de valor severo muito comum entre os "espíritas".

Imagine atribuir às vítimas de torturas da ditadura militar a supostas encarnações passadas de senhores de engenho que maltratavam escravos, uma acusação feita sem provas mas com convicções - Deltan Dallagnol, o procurador dos gráficos de Power Point, é evangélico, mas até parece ser "espírita" - , que mais contribui para ofender as vítimas do que explicar certos sofrimentos extremos, prolongados ou fatais.

E chegamos a terceira fase das relações da Globo com Chico Xavier. Saindo de cena a TV Tupi, que antes fazia blindagem ao "bondoso médium", que foi "presenteada" com a falência ("boas energias" dos "mui amigos espíritas"), a FEB, também vendo morrer o "mentor" terreno e dublê de empresário de Chico Xavier, Antônio Wantuil de Freitas, ex-presidente da entidade, resolveu agir.

Tomando como referência o documentário de Malcolm Muggeridge sobre Madre Teresa de Calcutá, intitulado Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God), de 1969, a FEB realizou parceria com a Rede Globo, emissora em ascensão na ditadura militar, para reinventar o mito de Chico Xavier entre os brasileiros. Foi na década de 1970.

Para a Globo, foi ótimo, porque ela precisava se manter no poder usando um ídolo religioso supostamente de aceitação "ecumênica" e até "laica" (sem vínculos religiosos), para neutralizar o crescimento dos pastores eletrônicos Edir Macedo e R. R. Soares. Sabe-se que, mais tarde, Edir Macedo adquiriu a Rede Record de Rádio e Televisão.

A ideia era promover um ídolo religioso de apelo acima de crenças e ideologias. A Rede Globo tem essa habilidade. Chegou a expandir a gíria "balada", criada pelo apresentador Luciano Huck no circuito da noite paulistana e difundida pelo lobby Rede Globo / Jovem Pan, para além do público de frequentadores de casas noturnas e fãs de pop dançante comercial.

A Globo manipula até uma parcela daqueles que dizem odiar a emissora. E sua habilidade na manipulação dessas mentes supostamente esclarecidas e invulneráveis permitiu para fazer popularizar uma imagem idealizada de Chico Xavier, como um pretenso colecionador de virtudes humanas e um suposto símbolo máximo de "amor e caridade".

Essa imagem foi construída usando o mesmo roteiro de Muggeridge para Madre Teresa (mais tarde desmascarada como uma megera que deixava os pobres alojados em condições sub-humanas), criando um paradigma de "bondade" que serve mais para promover o "benfeitor" e criar comoção no público, como se fosse um espetáculo.

Não por acaso, Chico Xavier e Madre Teresa são muito comparados. As imagens feitas deles seguem o mesmo roteiro de suposta filantropia, até as frases moralistas são muitíssimo parecidas. Uma "bondade" espetacularizada, cheia de palavras e estórias bonitas, supostos "causos" que alimentam seus mitos e transformam a "bondade" num entretenimento a ser gozado na acomodação dos sofás das casas dos abastados.

A partir dos anos 1970, a Rede Globo reinventou Chico Xavier com o roteiro de Muggeridge, e isso se consolidou com noticiários (Jornal Nacional e Fantástico) e documentários (Globo Repórter) que serviram para ensinar (mal) a Doutrina Espírita ao grande público.

A partir dessa visão "descompromissada", o mito de Chico Xavier se agigantou e o deturpador da Doutrina Espírita ganhou a complacência de todos, até daqueles que tentam recuperar as bases doutrinárias originais e sentem a tentação de manter Chico, Divaldo Franco, João de Deus e outros deturpadores apenas como enfeites.

Tudo isso foi feito para que os beneficiários maiores se revelassem: os irmãos João Roberto, José Roberto e Roberto Irineu, os irmãos Marinho, donos da Globo, que, diferente da Rede Tupi, se comprometeram direta e explícitamente com o apoio a projetos políticos dominantes.

A Globo que cresceu apoiando a ditadura militar e reinventando Chico Xavier prosseguiu investindo em filmes "espíritas" através da Globo Filmes e sustentando a fase dúbia do "movimento espírita", a tendência que finge respeitar o legado de Allan Kardec e praticar o igrejismo roustanguista na surdina.

Diante desse serviço, vemos os irmãos Marinho acumulando fortunas, num país de considerável pobreza e muitos retrocessos sociais trazidos por esse cenário político confuso que hoje temos. E tudo isso graças ao "Velho Chico".

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Página anti-machismo é parcialmente censurada na Internet


Vítima de humilhações na Internet, vindas do público machista, a professora universitária Lola Aronovich agora é levianamente denunciada por "reprodução indevida" de imagens, num artifício movido por machistas que tentam desmoralizá-la de toda forma.

O blog Escreva, Lola, Escreva é especializado em analisar os problemas vividos pela mulher brasileira numa sociedade machista e conservadora como a brasileira, principalmente num período preocupante de surtos ultraconservadores que levam o Brasil a uma situação vulnerável, dentro de um contexto de Estado de exceção e convulsões sociais.

Consta-se que reacionários estão usando o nome de Lola Aronovich para criar falsas contas nas redes sociais inventando comentários intolerantes de toda espécie, criando uma falsa imagem desordeira da professora, para depois acionar os provedores para cancelar a conta da blogueira.

Em 2012, um desafeto havia criado um blog-paródia, Lola, Escreva, Lola, na qual imitava o estilo da blogueira para fazer pretensos textos de intolerância social extrema. O autor do blog ofensivo já tinha outros incidentes de truculência e confusões não só contra ela, e chegou a ser preso. Denunciado, o blog foi tirado do ar.

A conta de Lola foi suspensa e ela recebeu uma série de ameaças de reacionários machistas (que ela chama de "mascus") e até mesmo "independentes" - que cometem reacionarismo sem focalizar apenas na postura machista - , sobretudo de gente dizendo que o trabalho dela não irá para a frente, entre outros comentários grosseiros.

A situação dela mostra o caráter extremo da onda de ódio e ultrarreacionarismo que movimenta as redes sociais e mostra o problema do status quo no Brasil. Esse apreço da sociedade pelo status quo, em exemplos mais rudimentares, revela a adesão a valentões da Internet sob o pretexto deles parecerem "divertidos" e defenderem valores e padrões que "estão na moda".

E isso cria dois lados extremos: a censura na Internet contra páginas que trazem informação, conhecimento e defesa de direitos humanos, e a impunidade dos valentões da Internet. Embora o paródico site Lola, Escreva, Lola tenha sido extinto, nas redes sociais continua a truculência dos valentões digitais, também conhecidos como fascistas mirins, que não tem o que fazer na vida senão promover ofensas às pessoas e se autopromover através da humilhação de outros.

Em várias páginas na Internet, há denúncias de que até na busologia ou no comportamento houve casos de cyberbullying, que vão desde a defesa da pintura padronizada nos ônibus do Rio de Janeiro - medida que favorece a corrupção político-empresarial, além de causar confusão aos passageiros na hora de pegar um ônibus - até ataques raciais a mulheres negras apenas por elas serem bem sucedidas e transmitirem mensagens positivas nas redes sociais.

A situação é preocupante e o que se espera é que haja um freio a pessoas que estão abusando da retomada ultraconservadora. O mais grave é que vemos pessoas de reputação aparentemente alta e inabalável despejando comentários preconceituosos e elitistas, vindos de jornalistas, publicitários, diretores teatrais, músicos e políticos.

É chocante ver que as posturas ultraconservadoras das mais preconceituosas venham de pessoas que, à primeira vista, pareciam merecer os diplomas, o dinheiro e a fama que alcançaram. Pessoas que deixaram de medir escrúpulos para ofender os outros, fazer agressões e divulgar calúnias, expor preconceitos sociais mais absurdos e se achar imune a qualquer tipo de consequência. Vide o KKKKKK que os reaças digitais despejam nas redes sociais.

Até o "espiritismo" teve um exemplo desses, com uma pediatra se recusando a atender uma menina de sete anos vítima de estupro porque achava que ela tinha "problemas espirituais" e a criança era "culpada" por ter sido estuprada, devido aos "resgates espirituais de vidas passadas". Logo a "religião da bondade", que mostra um belo espetáculo de palavras lindas e uma suposta filantropia que mais arranca lágrimas da plateia do que elimina a miséria na sociedade.

Algum freio tem que ser feito e não é pelas pessoas de bem. Hoje quem é progressista, moderno, humanista e altruísta é que sofre limitações pesadas, em doses kafkianas. Quem defende direitos humanos e transmite conhecimentos é desprezado ou hostilizado, não vende livros, tem blogs bloqueados, é barrado nos cursos de pós-graduação das universidades, apenas pelo "crime" de não aceitar um rol de valores injustos pré-estabelecidos pela plutocracia em diversos níveis.

Daí a necessidade de haver um limite para as coisas. Mas esse limite tem que ser feito a quem abusa demais e comete desde concentração de renda - como as elites "responsáveis" que tiraram Dilma Rousseff do poder - até cyberbullying, e principalmente devem ser impostos limites e freios àqueles que querem forçar a volta ao passado e à avalanche de retrocessos. Alguma coisa tem que ser feita para o pesadelo social de 2016 terminar, virando o jogo contra a truculência e a ganância.

Espera-se que Lola resolva todos seus problemas, recupere as fotos em sua conta e que seus algozes sejam punidos à luz do que resta das leis (pois sabemos que Michel Temer não parece ser um bom amigo das leis cidadãs, só defendendo a lei quando favorece gente rica). Espera-se que o blog de Lola Aronovich volte à normalidade brindando o público com inteligência e bom senso, sem a ameaça da brutalidade dos "mascus" e similares.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"Felicidade" de parte dos brasileiros, tabagismo custa caro e matará milhões até 2030


Pessoas que, felizes, acendem seu cigarrinho, pedem isqueiro emprestado do amigo ou até do jornaleiro e vão tirar onda "fumando com os dedos", caprichando na pose ao andar nas ruas ou esbanjando arrogância jogando o cigarro gasto no chão na hora de entrar num ônibus ou num prédio, podem parar para pensar no prejuízo que estão causando para si e para outrem.

Um estudo da Organização Mundial de Saúde e do Instituto Nacional de Câncer dos EUA, sobre o tabagismo no mundo inteiro, mostra que o tabagismo custa para a economia do mundo inteiro um gasto anual de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 3,2 trilhões, no câmbio atual), referentes a problemas de saúde e perda de produtividade.

A quantia supera até mesmo a arrecadação global com os impostos sobre o fumo, que a OMS estimou em cerca de US$ 269 milhões no biênio 2013-2014. Se dividirmos em proporções iguais do valor estimado no biênio, teríamos R$ 134,5 milhões, um valor ínfimo.

O estudo aponta ainda para a tragédia que deve vir por aí. Segundo a pesquisa da OMS, o número de mortes associadas ao tabaco pode aumentar de 6 milhões para 8 milhões até 2030, não bastasse a estimativa atual ser altíssima e bastante preocupante.

O estudo é avaliado por mais de 70 especialistas. Não se tratam de internautas enfezados que fazem "mimimi" contra desafetos só porque eles fumam. São cientistas que avaliam os efeitos do fumo no organismo e ainda relacionam o tema a efeitos produzidos no cotidiano das pessoas e na economia de cada país.

No Brasil, o fumo é constante em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Embora sejam, em tese, cidades "modernas" e "desenvolvidas", elas sofrem profunda decadência social, em certos casos com um provincianismo que antes se imaginava exclusivos de cidades do Norte e Nordeste (regiões que, em contrapartida, começam a superar essa triste qualidade), elas se enquadram no perfil de cidades de baixa renda devido ao fato de ser esse país o Brasil.

Sabe-se que, desde 2013, o Brasil vive uma crise econômica em função dos efeitos da crise do capitalismo mundial. E que, desde maio de 2016, a crise se agravou mais ainda, principalmente pela ascensão ao poder de um grupo político que despreza completamente qualquer intenção de beneficiar a sociedade, adotando um projeto político e econômico que só favorece os mais ricos, inclusive banqueiros e rentistas em geral.

A maioria dos óbitos referentes ao fumo envolverão países como o Brasil. E muitos desses óbitos pelo efeito do cigarro ocorrem com maior intensidade entre os 40 e 60 anos de idade. No Rio de Janeiro, o hábito do tabagismo é mais preocupante pela alienação em que se encontram a maior parte dos fluminenses.

Antes considerado Estado referência para o país, o Rio de Janeiro sofre uma decadência vertiginosa e vergonhosa, pelos inúmeros retrocessos ocorridos pelos jogos de interesses diversos. Do crime organizado ao cyberbullying nas redes sociais, passando pelo fisiologismo político do PMDB local e por ser um reduto da mídia hegemônica e retrógrada - é sede da Rede Globo e do jornal O Globo - e por ter na cidade do Rio de Janeiro uma das capitais mais conservadoras do país.

Essa decadência sofre vista grossa pelos próprios fluminenses, que não aceitam o fim dos "anos dourados" que pensam ainda estarem vivendo nos dias de hoje. Alternando uma despreocupação bovina com os retrocessos, problemas que lhes causam mais risos do que aflição, e uma irritação diante dos alertas dados por outras pessoas, os fluminenses - sobretudo os cariocas, da capital - permitem que os retrocessos se avancem e, contraditoriamente, sejam ignorados ou apoiados.

Antes Estado associado à resistência cultural e política, o Rio de Janeiro aceita fenômenos como o falso feminismo das "siliconadas" (Solange Gomes e Mulher Melão vivem no Estado), a pintura padronizada nos ônibus (que prejudica o ir e vir dos cariocas, que precisam redobrar a atenção para não embarcar no ônibus errado), e já estão trocando a boa cultura musical associada ao Rio (sobretudo MPB e rock alternativo) pelo mais rasteiro popularesco brega, como "funk" e "sertanejo".

A decadência do Estado do Rio de Janeiro é algo que os noticiários, mesmo quando admitem alguma gravidade, subestimam. O que se chega à imprensa é apenas algo que está mais escancarado, que é a crise política, econômica e policial. Uma polícia despreparada ou irresponsável que mata inocentes e não consegue conter a ação dos verdadeiros criminosos é apenas um dos piores aspectos que se vê no Rio de Janeiro.

Nota-se a decadência de tudo. Nas redes sociais, a maioria dos manifestos de reacionarismo ideológico e segregações sociais está em internautas residentes no Grande Rio, Machistas, racistas, tarados (que acabam fazendo o sucesso das musas siliconadas), defensores da decadência cultural, puxa-sacos de autoridades e famosos da grande mídia, fanáticos religiosos (como neopentecostais e "espíritas") e fanáticos por futebol, além de elitistas e privatistas radicais.

É o Estado que elege gente do nível da família Bolsonaro, de extrema-direita. O Estado do Rio de Janeiro viu boa parte dos cariocas elegerem Jair Bolsonaro e Eduardo Cunha para a Câmara dos Deputados, em quantidade impressionante de votos. Os dois se envolveram em encrencas políticas da maior gravidade, mas só Cunha, por não estar completamente entrosado com as conveniências do jogo político, perdeu o cargo e está preso por corrupção.

É nesse contexto decadente que, nas ruas do Grande Rio, seja na Zona Sul, seja na Baixada Fluminense e seja nas ruas movimentadas de Niterói e São Gonçalo, há gente fumando como se fizesse uma das melhores coisas do mundo. Não se trata só de hábito, pois em muitos casos se observa a arrogância exibicionista dos fumantes, com sua pose de descaso, seu semblante um tanto agressivo e casmurro e seus passeios com cigarro na mão, como se "fumassem com os dedos".

Essas pessoas pensam que não sofrerão graves doenças. Mas a realidade mostra, a exemplo de vários famosos que viviam no Rio de Janeiro, como atores e jornalistas de TV, mortos, em muitos casos, no começo dos 60 anos, por causa de um "currículo" tabagista impressionante. Essas pessoas morrem - e não estamos citando os fumantes inveterados que morrem antes - e os fluminenses nem sabem por que morreram tão de repente. A desinformação também é outro aspecto do Rio decadente.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Governo do Estado do RJ vai aumentar imposto de cigarros! Tomara!!


O governo do Estado do Rio de Janeiro, no seu controverso e quase nunca agradável esforço de resolver o déficit financeiro, pelo menos tem uma promessa levemente positiva. A decisão de aumentar os impostos de cigarros, o que fará aumentar os preços desse terrível produto, espécie de "chupeta" de adulto.

Nunca se viu tantos fumantes na região metropolitana do Rio de Janeiro. Seja na Zona Norte ou Zona Sul ou Zona Oeste, seja na Baixada Fluminense, em São Gonçalo ou Niterói. Chega-se a ver pelo menos três fumantes num quarteirão, e todos se achando. Tinha moça conversando naturalmente para a amiga que foi comprar um cigarro na esquina e por aí vai a conversa.

É assustador ver quanta gente fuma no Grande Rio. A gente espera alguma evolução em nossa humanidade e o que se vê são retrocessos. Não é conversa de esquerdista frustrado, não, até porque é mais fácil ver esquerdista frustrado nos "coxinhas" que fizeram passeatas "contra a corrupção" mas hoje estão felizes porque o Ali Baba e os Quarenta, ou melhor, Michel Temer e sua "equipe de notáveis", está no poder.

De repente, as pessoas se tornaram sado-masoquistas. Viraram racistas, machistas, elitistas, homofóbicos e assumiram outras intolerâncias sociais como se achassem com o direito e a liberdade para tanto. São sádicos para ofender os outros, acreditando na impunidade. Mas ficam felizes quando os donos da Rede Globo acumulam fortunas estratosféricas e as riquezas brasileiras serão vendidas para empresas estrangeiras. São masoquistas na defesa dos privilégios dos ricos.

E o Rio de Janeiro, cidade considerada a mais poluída do Brasil, tem um verão insuportável e contrastante cujos dias começam com um calor insuportável que dá a impressão de ser uma sauna ao ar livre, e terminam com uma trovoada de assustar qualquer um que está no caminho de volta para casa.

E os cariocas, além do restante dos fluminenses, insistem em viver no paraíso. Observa-se as pessoas com uma felicidade além da conta, ao mesmo tempo uma felicidade arrogante e imprudente, mesmo quando o Estado do Rio de Janeiro mergulha numa decadência bastante trágica, que não é apenas financeira, política ou de segurança. É uma crise generalizada, de valores, já que o Estado do Rio de Janeiro mergulhou no provincianismo desde os anos 90 que lhe trouxe efeitos danosos.

Nesse Estado provinciano se observa pessoas fumando sem parar, sem perceber o quanto ingerem. Cigarros têm em sua composição substâncias venenosas, existentes em fumaças de automóveis e em venenos de ratos. A imprudência com que vivem os fluminenses é preocupante, e mais preocupante é sua despreocupação com tudo, porque o vício do pessoal do RJ é rir dos próprios problemas, como se eles fossem pequenos e fáceis de encarar.

Nos bate-papos cotidianos, poucos percebem o quanto as notícias de mortes de amigos são comuns. "Quê? O Fulano? Morreu aos 42 anos, de coração? Cara moço ainda, semana passada ele parecia firme e forte", "A Sicrana morreu? 38 anos? Ela ainda estava bem de aparência, não sabia que ela tinha câncer de mama", "O Beltrano morreu? 54 anos? Só? Parecia ter 80!", são os comentários que se ouvem por aí.

As pessoas até se esquecem, mas é o pessoal que saiu fumando muito, achando que a fonte da felicidade está nesse incômodo objeto de formato fálico e que solta uma fumaça desagradável. Mas a arrogância dos fumantes está no fato de que uma parcela deles gosta de "fumar com os dedos", andando quarteirões inteiros sem dar uma tragada.

Isso poderia ser um esforço danado para as pessoas parassem de fumar. Imagine alguém que caminha quatro quarteirões na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, ou vai do Arpoador ao Posto Seis na praia do mesmo bairro, sem tragar um cigarro. Se ele pode fazer isso, pode parar de fumar de uma vez.

Mas não. O que se vê é o pessoal se achando, pensando naquela ideia já obsoleta de que o cigarro é objeto de ascensão pessoal das pessoas. Como o pessoal do Rio de Janeiro anda muito retrógrado, parecendo viver em 1974 - até seus ídolos musicais são nomes pop de 40 anos atrás e até uma rede de supermercados faz uma campanha com gente com visual "anos 70" - , tanto faz consumir cigarros como se fosse "uma das melhores coisas da vida".

E para piorar a grande mídia, talvez pelo lobby publicitário das indústrias do fumo - será que também tem a "bancada do tabaco" no Congresso Nacional? - ,  tenta agora dizer que o "açúcar é o novo tabaco", como se a criminalização do açúcar pelas "patrulhas da boa saúde" atenuasse a má reputação do cigarro. Daqui a pouco vão dizer que o tabaco é o "novo açúcar".

Espera-se que as taxas de impostos para os cigarros sejam altas e haja também políticas de inibição ao comércio clandestino. Temos que fazer reduzir o número de fumantes no Rio de Janeiro porque boa parte da poluição que ocorre é por culpa deles. O Rio de Janeiro está decaindo pelo apego a tantas coisas ruins que faz os fluminenses se tornarem retrógrados, iludidos com um glamour local que não existe mais.