quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Lunáticos, "espíritas" insistem em "confirmar" falsa previsão de Chico Xavier

PERCIVAL LOWELL (D) "DÁ" UMA BRONCA EM CHICO XAVIER.

Os lunáticos "espíritas", vivendo na sua "caverna" de convicções pessoais, anda espalhando uma grande mentira da qual não só festejam com euforia exagerada como também tentam empurrar para fora de sua crença e, de preferência, para meios científicos sérios.

Essa grande mentira consiste em atribuir a Francisco Cândido Xavier o pioneirismo de até 80 anos nas supostas previsões de descoberta de água e de vida humana em Marte. As fontes alegadas são os livros Cartas de uma Morta, de 1935, atribuídos a Maria João de Deus, e Novas Mensagens, de 1939, creditada ao nome do suposto espírito de Humberto de Campos.

Uma mentira descarada, uma lorota sem vergonha que tenta ser empurrada como se fosse verdade indiscutível, como se as discussões sobre vida em Marte tivessem partido do católico paranormal de Pedro Leopoldo. E o meio "espírita" comemorando, como se Allan Kardec fosse aprovar tudo isso e assinar embaixo.

Estão enganados. Kardec seria o primeiro a reprovar tudo isso. Ele era um homem sério e, se ele tivesse vivido no Brasil e conhecido Chico Xavier, ele simplesmente o teria reprovado, como reprovou Jean-Baptiste Roustaing. E seria um dos que protestariam contra a irresponsável atribuição de pioneirismo ao anti-médium mineiro.

A fofoca foi plantada por Gerson Simões Monteiro, radialista carioca, e se espalhou feito epidemia nos círculos "espíritas". Já tem gente correndo para os "centros espíritas" e - por que não? - para as igrejas católicas mais próximas para se ajoelhar e agradecer a Deus pelo "milagre" de uma suposta confirmação de pretensas previsões de um "médium" brasileiro.

Isso é muito grave, porque o pretensiosismo e até mesmo aquela viciada retórica da "contradição" que cerca Chico Xavier são fortalecidos por essa mentiralhada toda. O caipira interiorano que "previu" vida em outro planeta, o frágil semi-letrado que "deu gigantesca contribuição" para a ciência etc. E mais uma vez o fraco que quis bancar o forte. Isso é muito perigoso.

O que se observa é que a vida em Marte já era uma hipótese bastante discutida no século XIX, ou seja, bem antes de Chico Xavier nascer. O que se atribui como "previsão" do suposto médium é, na verdade, uma coisa que já estava velha bem antes de Chico nascer.

William Whewell, historiador da ciência britânico, já havia afirmado em 1854 sobre a presença de mares e possibilidade de vida humana em Marte. Se essa afirmação se deu antes de Allan Kardec lançar O Livro dos Espíritos, que sabemos ter sido em 1857, imagine então em relação à data de nascimento do anti-médium mineiro, o ano de 1910?

Percival Lowell, cientista estadunidense que melhor analisou o assunto, publicou três livros entre 1895 e 1908, portanto antes de Chico Xavier nascer. E que falava em água, vida humana, possibilidade de vida inteligente etc.

Até um cético Herbert George Wells, ou H. G. Wells, escritor inglês, acreditava que haveria vida inteligente em Marte, embora duvidasse do caráter moral dos marcianos, daí a sua obra A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds), lançada em folhetim em 1897 e transformada em livro em 1898.

Temos que denunciar essa mentira descarada que os "espíritas" querem espalhar para o Brasil e para o mundo. Chico Xavier não previu coisa alguma. NADA! Simplesmente NADA! O assunto já era coisa velha no resto do mundo.

Temos que reagir para denunciar essa farsa, porque os "espíritas" querem levar como façanha científica algo que é tão mentiroso quanto a conversa de um pescador. E, no caso, envolvendo um esperto "pescador de almas" que agiu em Pedro Leopoldo e Uberaba...

domingo, 27 de setembro de 2015

Chico Xavier não previu coisa alguma. Na verdade, ele chegou atrasado!


Consta-se que Chico Xavier e seus dois amiguinhos imaginários - André Luiz, nome inspirado no seu irmão, e Humberto de Campos, paródia vaticanizada do escritor e acadêmico maranhense - previram em seis décadas avanços científicos de grande envergadura, algo defendido com entusiasmo eufórico pelos chamados "espíritas" brasileiros.

A primeira brincadeira foi no livro Novas Mensagens, de 1939, em que Chico, usando o nome de Humberto de Campos, foi falar na presença de água em Marte e, por conseguinte, na existência de vida inteligente. Reproduzimos alguns trechos do livro só para ilustrar o caso:

"Todos os grandes centros deste planeta (Marte), esclareceu o nosso amigo e mentor espiritual, sentem-se incomodados pelas influências nocivas da Terra, o único orbe de aura infeliz, nas suas vizinhanças mais próximas, e, desde muitos anos enviam mensagens ao globo terráqueo, através das ondas luminosas, as quais se confundem com os raios cósmicos cuja presença, no mundo, é registrada pela generalidade dos aparelhos radiofônicos.


Ainda há pouco tempo, o Instituto de Tecnologia da Califórnia inaugurou um vasto período de experiências, para averiguar a procedência dessas mensagens misteriosas para o homem da Terra, anotadas com mais violência pelos balões estratosféricos, conforme as demonstrações obtidas pelo Dr. Robert Millikan, nas suas experiências científicas".

"Tive, então, o ensejo de contemplar os habitantes do nosso vizinho, cuja organização física difere um tanto do arcabouço típico com que realizamos as nossas experiências terrestres. Notei, igualmente, que os homens de Marte não apresentam as expressões psicológicas da inquietação em que se mergulham os nossos irmãos das grandes metrópoles terrenas. Uma aura de profunda tranquilidade os envolve. É que, esclareceu o mentor que nos acompanhava, os marcianos já solucionaram os problemas do meio e já passaram pelas experimentações da vida animal, em suas fases mais grosseiras. Não conhecem os fenômenos da guerra e qualquer flagelo social seria, entre eles, um acontecimento inacreditável".

"Marte tem cidades fantásticas pela sua beleza inaudita: avenidas extensas e amplas, sendo as construções análogas às da Terra; a vegetação, de tonalidade vermelha, é muito mais exuberante do que a terrena. Marte é ‘um irmão mais velho e mais experimentado na vida; seus habitantes sempre oram ao Senhor do Universo, em benefício da humanidade terrena’; habitantes têm arcabouço físico algo diferente do terrestre; alimentação: através das forças atmosféricas".

Na ocasião, o caricato Humberto de Campos, que "fala" como se fosse um pároco católico do Triângulo Mineiro, e não como o escritor que fez parte da Academia Brasileira de Letras, teria viajado, em espírito, para Marte, para, vejam só, fazer uma "reportagem".

Vejam que barato. A mãe de Chico Xavier, Maria João de Deus, que havia falecido quando o filho era ainda criança, foi também fazer uma viagem à Marte e a dar seu relato no livro Cartas de uma Morta, de 1935:

"Vi-me à frente de um lago maravilhoso, junto de uma cidade, formada de edificações profundamente análogas às da Terra. (...) Vi homens mais ou menos semelhantes aos nossos irmãos terrícolas, mas os seus organismos possuíam diferenças apreciáveis. Além dos braços, tinham ao longo das espáduas ligeiras protuberâncias à guisa de asas, que lhes prodigalizavam interessantes faculdades volitivas. (...) O ar é muitíssimo mais leve: conhecem os enigmas profundos da eletricidade, que usam com maestria; as edificações são análogas às da Terra; a vida em Marte é mais aérea – poderosas máquinas; embora existam oceanos, há pouca água; sistemas de canalização; poucas montanhas.

Assegurou-me, ainda, o desvelado mentor espiritual, que a humanidade de Marte evoluiu mais rapidamente que a Terra e que desde os pródromos da formação dos seus núcleos sociais nunca precisou destruir para viver, longe das concepções dos homens terrenos cuja vida não prossegue sem a morte e cujos estômagos estão sempre cheios de vísceras e de virtualhas de outros seres da criação".

Nossa, e pensar que só a criançada costumava brincar de invasões marcianas e coisa parecida. Que imaginação fértil tinha Chico Xavier em supor que Marte tinha cidades avançadas, pessoas inteligentíssimas e tudo o mais, chegando antes das sondas espaciais, como Phoenix e Curiosity, ao chamado "planeta vermelho de habitantes verdes".

Consta-se que as previsões, segundo os "espíritas", tão conhecedores de ciência que se esquecem que levaram "pau" em Química e Física na escola, "só" foram diagnosticadas 75 ou quase 80 anos mais tarde, através de provas divulgadas pela NASA de vestígios de água em Marte, apresentadas em 2004, 2007 e 2008.

Para completar o carnaval, há também outro livro, Missionários da Luz, de 1945, em que o amiguinho da vez não é o "padre Humberto de Campos" da paróquia do faz-de-conta em Uberaba, mas o "médico André Luiz" que parecia um sósia pândego de Carlos Chagas mas não passa de um personagem ruim de ficção científica de quinta categoria.

Vamos observar um bom trecho de um capítulo do livro, intitulado "A Epífise" (cuja variação neural é chamada "glândula pineal"), em que há um diálogo entre o "André Luiz" e um tal de Alexandre, seu instrutor de Medicina na colônia de Nosso Lar.

"Enquanto o nosso companheiro se aproveitava da organização mediúnica, vali-me das forças magnéticas que o instrutor me fornecera, para fixar a máxima atenção no médium. Quanto mais lhe notava as singularidades do cérebro, mais admirava a luz crescente que a epífise deixava perceber. A glândula minúscula transformara-se em núcleo radiante e, em derredor, seus raios formavam um lótus de pétalas sublimes.
        Examinei atentamente os demais encarnados. Em todos eles, a glândula apresentava notas de luminosidade, mas em nenhum brilhava como no intermediário em serviço.
        Sobre o núcleo, semelhante agora a flor resplandecente, caía luzes suaves, de Mais Alto, reconhecendo eu que ali se encontravam em jogo de vibrações delicadíssimas, imperceptíveis para mim.
        Estudara a função da epífise nos meus apagados serviços de médico terrestre. 
Segundo os orientadores clássicos, circunscreviam-se suas atribuições ao controle sexual no período infantil. 
Não passava de velador dos instintos, até que as rodas da experiência sexual pudessem deslizar com regularidade, pelos caminhos da vida humana. 
Depois, decrescia em força, relaxava-se, quase desaparecia, para que as glândulas genitais a sucedessem no campo da energia plena.  
        Minhas observações, ali, entretanto, contrastavam com as definições dos círculos oficiais.
        Como o recurso de quem ignora é esperar pelo conhecimento alheio, aguardei Alexandre (o instrutor) para elucidar-me, findo o serviço ativo.
        — Conheço-lhe a perplexidade — falou o instrutor. — Também passei pela mesma surpresa, noutro tempo. A epífise é agora uma revelação para você.
        — Não se trata de órgão morto, segundo velhas suposições — prosseguiu ele. — É a glândula da vida mental. 
Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. 
O neurologista comum não a conhece bem. 
O psiquiatra devassar-lhe-á, mais tarde, os segredos.
Os psicólogos vulgares ignoram-na. 
Freud interpretou-lhe o desvio, quando exagerou a influenciação da “libido”, no estudo da indisciplina congênita da Humanidade. 
Enquanto no período do desenvolvimento infantil, fase de reajustamento desse centro importante do corpo perispiritual preexistente, a epífise parece constituir o freio às manifestações do sexo; entretanto, há que retificar observações.
        Aos quatorze anos, aproximadamente, de posição estacionária, quanto às suas atribuições essenciais, recomeça a funcionar no homem reencarnado. 
O que representava controle é fonte criadora e válvula de escapamento. 
A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. 
Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos. 
        A epífise preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Desata, de certo modo, os laços divinos da Natureza, os quais ligam as existências umas às outras, na seqüência de lutas, pelo aprimoramento da alma, e deixa entrever a grandeza das faculdades criadoras de que a criatura se acha investida.
        — Deus meu! — exclamei — e as glândulas genitais, onde ficam?
        O instrutor sorriu e esclareceu:
        — São demasiadamente mecânicas, para guardarem os princípios sutis e quase imponderáveis da geração. Acham-se absolutamente controladas pelo potencial magnético de que a epífise é a fonte fundamental. As glândulas genitais segregam os hormônios do sexo, mas a glândula pineal, se me posso exprimir assim, segrega "hormônios psíquicos” ou “unidades-força” que vão atuar, de maneira positiva, nas energias geradoras. Os cromossomos da bolsa seminal não lhe escapam à influenciação absoluta e determinada.
        Alexandre fez um gesto significativo e considerou:
        — No entanto, não estamos examinando problemas de embriologia. Limitemo-nos ao assunto inicial e analisemos a epífise, como glândula da vida espiritual do homem.
Segregando delicadas energias psíquicas, a glândula pineal conserva ascendência em todo o sistema endócrino.
Ligada à mente, através de princípios eletromagnéticos do campo vital, que a ciência comum ainda não pode identificar, comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade. 
As redes nervosas constituem-lhe os fios telegráficos para ordens imediatas a todos os departamentos celulares, e sob sua direção efetuam-se os suprimentos de energias psíquicas a todos os armazéns autônomos dos órgãos. 
Manancial criador dos mais importantes, suas atribuições são extensas e fundamentais. 
Na qualidade de controladora do mundo emotivo, sua posição na experiência sexual é básica e absoluta.
        De modo geral, todos nós, agora ou no pretérito, viciamos esse foco sagrado de forças criadoras, transformando-o num ímã relaxado, entre as sensações inferiores de natureza animal".

E aí veio um trabalho acadêmico interinstitucional (inclui a USP e a Universidade Federal de Juiz de Fora) dos autores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Jr., Decio Iandoli Jr., Juliane P. B. Gonçalves, e Alessandra L. G. Lucchetti, em inglês e intitulado Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence.

O trabalho foi publicado num periódico de pouca expressão no meio científico, um tal de Neuroendocrinology Letters, em 2013, e havia suposto que "André Luiz" teria antecipado em 13 e até 63 anos as descobertas científicas sobre a glândula pineal.

São 13, por conta do isolamento da melatonina, substância produzida por uma das células da glândula, pelo cientista estadunidense Aaron Lerner, em 1958, e 63, porque foram descobertos efeitos psicológicos da substância a partir de experiências de com ratos, por meio de pesquisas em vários países, sobretudo o Brasil, em 2008.

PERCIVAL LOWELL, DOS EUA, E WOLFGANG BARGMANN, DA ALEMANHA, ANALISARAM TEMAS CIENTÍFICOS SUPOSTAMENTE PREVISTOS POR CHICO XAVIER E SEUS "AMIGOS DO ALÉM".

ACABANDO COM A BRINCADEIRA

Falhas terríveis de abordagem mostram que Chico Xavier e seus "amigos do além" não conseguiram, do contrário que dizem os "espíritas" - certa vez, a falecida Marlene Nobre festejou a "entrada" de Chico Xavier numa Academia de ciências - , serem reconhecidos como cientistas, já que basta analisar os dois casos para vermos que a tese do "pioneirismo científico" não passou de um blefe.

Sobre a existência de água e vida em Marte, o assunto já era discutido no século XIX, sobretudo quando Allan Kardec ainda estava vivo, a partir do filósofo e historiador da ciência, o inglês William Whewell, em 1854 (época em que Kardec mal começava a conhecer o assunto da espiritualidade e ainda não estava preparado para escrever coisas a respeito).

Mas foi entre 1895 e 1908 que o cientista estadunidense Percival Lowell escreveu a respeito da possibilidade de haver água e vida humana em Marte, de maneira mais sistematizada, nos livros Mars (1895), Mars and its Canals (1906) e Mars as the Abode of Life (1908).

Pouco antes de Chico Xavier lançar seu Novas Mensagens e botar na conta do coitado do Humberto de Campos (que, em 1939, não estava mais aqui para reclamar), o ator e cineasta Orson Welles, também estadunidense e que visitaria o Brasil em 1941 e fazer um documentário nunca acabado, tinha narrado, em um programa de rádio, uma famosa obra sobre invasão de marcianos na Terra.

A obra é A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds), obra publicada primeiramente em folhetim num jornal britânico, em 1897, e transformado em livro no ano seguinte, do escritor Herbert George Wells, H. G. Wells, que estava vivo ainda em 1939, morrendo sete anos depois.

Em 1938, Orson Welles participou da adaptação radiofônica do livro e sua narrativa teve uma carga dramática impressionante que muitos ouvintes ficaram apavorados, reagindo em pânico acreditando na ameaça de suas cidades serem realmente invadidas por marcianos.

É ridículo Chico Xavier e seus "amigos do além" serem creditados como pioneiros científicos quando meio mundo já acreditava na possibilidade de haver água e vida humana em Marte. Até Orson Welles veio antes e a gente até imagina se Novas Mensagens não usou o episódio da radionovela dos EUA para forjar uma "previsão" que não faz o menor sentido. Isso para não dizer as séries de ficção científica da época...

Quanto à glândula pineal, o assunto era discutido de forma sistematizada como conhecemos a partir do cientista francês René Descartes (1596-1650), e estudos correspondentes à glândula e sua principal substância, a melatonina, já estavam sendo discutidos em 1917.

Os cientistas que analisaram o livro de Chico Xavier e "André Luiz" alegaram que quase não havia obras na década de 1940 que analisaram o tema da glândula pineal. Supõem os acadêmicos que os trabalhos eram "raros", menos de uma centena, a abordagem precária e as teses "conflituantes", usando esse adjetivo de forma lamentosa, como se não pudesse haver conflito no debate científico.

O que desmascara os tão sérios acadêmicos é que, no seu trabalho, eles se limitaram a pesquisar livros publicados de 1977 em diante, e somente o livro de "André Luiz" é o único da década de 1940 pesquisado. É pouco científico saber, em segunda ou terceira mão, se a bibliografia dos anos 1940 era "escassa e altamente conflituosa" se nenhum contato com estas fontes foi feito.

Enquanto isso, uma pesquisa mais atenta mostra que a glândula pineal era bem discutida, sim, na década de 1940. Se os autores eram "poucos", cabe uma verificação melhor dos cientistas e pesquisadores, não é nossa especialidade. Mas autores como Wolfgang Bargmann, cientista alemão, já faziam estudos profundos sobre o tema, já em 1943, dois anos antes de Missionários da Luz.

Portanto, Chico Xavier não foi pioneiro em coisa alguma. Nada preveu a respeito dessas "façanhas". Na verdade, ele chegou bem tarde, porque, na época de Novas Mensagens, o tema da vida em Marte não foi um adiantamento de 65 anos, mas um atraso de 39 anos.

Da mesma forma, o "pioneirismo" de Missionários da Luz em 13 ou 63 anos não foi mais do que um atraso de, pelo menos, dois ou 30 anos, porque a glândula pineal e a melatonina eram amplamente debatidos nos círculos científicos em toda a primeira metade do século XX.

Chico Xavier chegou atrasado como penetra na festa científica, e os "espíritas", tão tolamente, acharam que ele era o anfitrião que chegou antes da hora. Isso é que dá as pessoas não pesquisarem direito os assuntos científicos, ainda que de forma leiga. Kardec ficaria envergonhado.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A mobilidade urbana atropelada pelo "deus" Jaime Lerner


Grande mania os brasileiros, sobretudo os cariocas, verem religião em todas as coisas, panteisando qualquer arbitrariedade só porque ela é decidida por gente rica, letrada, poderosa ou com visibilidade. Ficam endeusando qualquer um que, "lá de cima" - leia-se escritórios ou colegiados acadêmicos - decide qualquer bobagem prejudicial e nas mídias sociais o pessoal apoia babando.

Claro, este é o país que endeusa Chico Xavier com todas as confusões que ele aprontou na vida, incluindo apoio a fraudes diversas, publicação de pastiches literários e até mesmo prática de falsidade ideológica - vá dizer que aquelas bobagens atribuídas a Humberto de Campos seriam realmente escritas por ele - e no entanto o anti-médium ainda é unanimidade ferrenha entre muitos brasileiros.

Funciona assim. Impõe-se uma medida que não é lá muito benéfica para o interesse público. "Não muito benéfica" é eufemismo para coisa que é nociva e poucos admitem que é. Mas aí, lançada essa medida, é publicado um linque no Facebook e todo mundo curte e, o que é pior, só tem gente elogiando a medida, de forma até muito entusiasmada.

"Gostei". "Demais". "Essa medida vai bombar!". "Não vejo a hora dela ser implantada". "Também não. Já estou olhando meu relógio". "Essa medida, com certeza, vai beneficiar (sic) a população", são alguns dos comentários mais comuns.

Claro, muitos desses internautas são como cães Rottweiler que pulam felizes quando o dono lhes oferece o almoço. Nesses momentos eles são cãezinhos fofos, alegres, animados, dá até para fazer carinho neles. Mas quando alguém contraria, eles viram uma fera e lhe "convidam" para uma festa (sem aspas) numa boate do Recreio dos Bandeirantes, antes da qual lhe lincharão na entrada.

Dá medo essa mania de religiosizar e divinizar as coisas, muito comum no Brasil, mais comum ainda no Rio de Janeiro. Gente tão intolerante que perde tempo criando blogues ofendendo quem não segue a "lógica do rebanho", o que dá o tom de seu reacionarismo doentio que faz Reinaldo Azevedo parecer o Dennis Pimentinha.

Isso dá tanto medo que, enquanto uns pitboys davam surra em jovens estudantes e trabalhadores vindos do Jacarezinho só porque eles queriam ir às praias de Copacabana e Ipanema, como faziam antes, sempre pacificamente, e uns milicianos arrancavam passageiros do ônibus 474 (prestes a ter fim de linha no Centro) para dar surra até em dona-de-casa, uns idiotas de Niterói espalharam panfletos de uma franquia local da Klu Klux Klan.

Daí para criarem uma sucursal do Estado Islâmico é um pequeno pulo. E já era assustador o reacionarismo de muitos "fascistas de web" naquela comunidade "Eu Odeio Acordar Cedo" que davam piti - no sentido que os Revoltados on Line e o deputado Jair Bolsonaro dão piti - quando criticavam até mesmo uma simples gíria (como aquela gíria idiota "balada", inventada por Luciano Huck, mais conhecido como Tucano Huck, e por seu amigo Tutinha da Jovem Pan).

E aí vemos a tal da mobilidade urbana, que no Rio de Janeiro implantou tardiamente um projeto de sistema de ônibus da ditadura militar. E isso mostra o quanto é divinizar as coisas, principalmente com o Estado do Rio nas mãos de uma elite autoritária, burocrata e tecnocrata (alguns simplificam dizendo "tecnoburocrata") que pensa ainda viver nos tempos do "milagre brasileiro" do general Médici.

Sim, estamos falando de Eduardo Paes, Luiz Fernando Pezão, Sérgio Cabral Filho e seus amiguinhos. Um tecnocrata que virou secretário municipal de Transportes e hoje é subsecretário de Planejamento, Alexandre Sansão, parece um Benito Mussolini de óculos. Um Carlos Roberto Osório que mais parece um sargento do Exército à paisana. Um José Mariano Beltrame que banca o xerife com pinta de paizão de sitcom sobre famílias atrapalhadas.

Esse pessoal parece estar governando como se não estivéssemos sob o governo da presidenta Dilma, mas sim durante uma transição entre o general Emílio Médici e o colega Ernesto Geisel. Fazem da cidade do Rio de Janeiro uma Disneylândia para ricos e turistas. Estimulam o consumismo das classes abastadas (da média alta para a mais alta) e deixam os pobres "na mão". Adotam medidas à revelia da consulta popular e das leis.

Nem parece que Eduardo Paes era bebezinho na Era Médici. Ele se afina muito com o "espírito da época". E seu tenebroso sistema de ônibus, cheio de medidas cruéis vendidas como "racionais", entra para mais uma trágica etapa de eliminar a ligação de ônibus entre Zona Norte e Zona Sul.

O atual titular da pasta municipal de Transportes, o boyzinho Rafael Picciani, jura de pés juntos que esse esquema não tem relação com os arrastões de Copacabana (puxados pelos valentões ricos, diga-se de passagem) e que ele só quer "otimizar" o sistema de ônibus. Otimizar obrigando as pessoas a pegarem mais de um ônibus? Fala sério!

O inspirador desse processo todo, o arquiteto Jaime Lerner, que foi prefeito de Curitiba e governador do Paraná, era um figurão da ditadura que impôs uma lógica para o sistema de ônibus que está caduca e, em muitos aspectos, obsoleta, mas que as autoridades insistem, até mesmo na marra, que se trata não só de uma "novidade", como é algo "futurista" e até "tendência mundial".

Muito desse sistema de ônibus apresenta medidas completamente caquéticas, dignas do tempo do carro de boi, mas são disfarçadas com o falso futurismo dos BRTs (trenzinhos sobre rodas que parecem foguetes), coisa que só existe no Brasil, porque lá fora é outra coisa, não é o BRT que faz sucesso no resto do mundo, é o BRT que é caricatura um tanto brutal do que se foi feito lá fora bem antes do primeiro "plano Lerner".

Não por acaso os maiores defensores desse "padrão Jaime Lerner" são busólogos patronais que ficam com raivinha quando colegas de hobby não concordam com estes pontos de vista. Têm chilique, fazem trolagem, achando que estão com a palavra final e depois, quando vão para a rua bancar os valentões, reclamam por que a "máfia das vans" andou "paquerando" eles.

E aí o que temos? Motoristas acumulando função de cobrador, sob a desculpa do bilhetamento eletrônico. O que está por trás dessa "modernidade"? Demissões em massa de rodoviários e trabalho escravo dos motoristas, tão oprimidos profissionalmente que adoecem em pleno volante e causam acidentes devido à sobrecarga cansativa de trabalho, causando mortos e feridos.

E o que temos mais? Redução de frotas de ônibus em circulação, sob a desculpa de maior rapidez e fluidez no tráfego e fim de sobreposição de itinerários. O que está por trás dessa "otimização" do sistema? Ônibus cada vez mais lotados, mesmo os BRTs, passageiros chegando atrasado ao trabalho, perdas de horas no ir e vir e alto risco de demissões devido aos atrasos constantes.

E mais ainda? Fim de linhas de ônibus diretas e longas, sob a desculpa de agilizar o esquema através da divisão de linhas em "alimentadoras", "troncais" e "interbairros". O que está por trás dessa "racionalização" de percursos? Gente estressada pegando mais de um ônibus e sendo obrigada a pagar mais de uma passagem (o que "devora" boa parte do salário), porque o Bilhete Único dura pouco e, em muitos casos, sua validade se esgota quando o primeiro ônibus ainda está em percurso.

E mais, mais? A tal pintura padronizada nos ônibus, que amarra diferentes empresas de ônibus na camisa-de-força de consórcios e tem a desculpa de evitar poluição visual e disciplinar o sistema com a adoção de uma mesma pintura para cada consórcio. E o que temos? Passageiros confusos na hora de pegar um ônibus e a corrupção político-empresarial correndo solta porque não dá mais para identificar com facilidade e imediatismo uma empresa de ônibus, já que tudo ficou igual.

Portanto, são medidas nefastas, que deveriam ser combatidas se o povo tivesse consciência de seu poder de mobilização, pelo menos mandando e-mails em massa para a imprensa, para ela tomar conhecimento de sua indignação. Reclamar pelas costas nos bares da vida não dá para influir em coisa alguma, porque os protestos se tornam natimortos depois de um copo de cerveja.

E assim o sistema de ônibus, como muita coisa que acontece na vida de cariocas e fluminenses, se torna uma decadência vertiginosa, que só os alienados que ainda pensam que o Rio de Janeiro vive uma belle èpoque - esses risonhos bobos-alegres que a gente vê muito nas ruas - e que acha piada até tiroteio em área da UPP, e que só dão conta da realidade quando se tornam vítimas dela.

E o endeusamento de Jaime Lerner, que tem um plano maligno contra as linhas de ônibus intermunicipais para o Rio de Janeiro, tem como preço caro a degradação do cotidiano das pessoas, a criação de complicadas situações que não há desculpas de "racionalidade" que possam justificar.

Pois, sob o reino do "deus Lerner", medidas erradas são criadas de propósito, transtornos previstos acontecem, e as autoridades ficam fazendo beicinho prometendo estudar e resolver os problemas e fazer "reajustes constantes".

Se "otimizar o sistema de ônibus" é assim, então o sentido de "otimizar" passou a ser outro: o de catástrofe e sofrimentos intensos. O carioca sofre por aceitar tudo, passivo, confiante nos "deuses" inventados pelo diploma, pelo poder político, pelo sucesso na mídia e pelos superávits de mercado.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Roll Over Roustaing


Hoje é dia de brincar de roqueiro e ir fantasiado de rebelde no Rock In Rio. Funciona mais ou menos como o Carnaval de Salvador, só que, em vez de você vestir um abadá com o bloco de sua escolha e ir atrás do trio elétrico pular e aparecer nas câmeras da TV Bahia para dar um alô para o papai e a mamãe, você usa uma camiseta preta, vai ver um roqueirão no palco e botar língua para fora para as câmeras da Rede Globo, e, claro, mandando um alô para o papai e a mamãe.

Hora de fazer o papel caricatural que a televisão faz ao público roqueiro. Um pouco de sinal de demônio aqui, uma língua para fora e um air guitar, tudo brincando de ser rebelde doidão. É a natureza do negócio, bancar o roqueiro idiota e amalucado que existe nas mentes dos grandes executivos que ditam o que deve ser o gosto do povo daqui e dali.

Tudo virou uma Disneylândia, e o Rock In Rio que pouco tem de rock vai espalhar para os quatro ventos a visão estereotipada do roqueiro, um roqueiro de fachada, sem estado de espírito, um roqueiro submisso que nem ovelhinha mimada cuja única mobilização social é feita empurrada por campanhas "sociais" impostas pelo poder político e midiático.

Querer ser um rebelde quando vai junto com o resto do rebanho para doar sangue para o Lar Dona Maricotinha, sem saber para que isso serve e só porque a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Rede Globo falaram, é dose para leão.

Mas os roqueiros são tão carneirinhos hoje em dia que o que se espera deles é que eles torrem o dinheiro que quase não têm - eles só tem o Bilhete Único para o itinerário de volta, mas ele perde a validade no meio do caminho (antes do ônibus "troncal" chegar ao terminal a tempo de alcançar um "alimentador" superlotado) - por um lanche caro espetacularmente vendido pela rede de fast food.

Só que o espetacular combo vendido pelas lanchonetes mediante uma ilustração tentadora no cartaz exibido nesses lugares, na verdade, não passa de enganação para atrair uma juventude sem senso crítico, que aceita até lanche qualquer nota, desde que "de grife".

O "hamburgão" é um pão murcho e dormido com um catchup com mais química que molho de tomate, carne sintética pior do que hambúrguer de cera e salada ressecada e cheia de agrotóxicos. A batata frita é um monte de gravetos de madeira com sal e sabor de óleo vencido. O refrigerante é um xarope de qualquer sabor artificial (geralmente cola, laranja ou guaraná) bastante aguado.

Se um lanche extremamente ruim como esse é servido para jovens que o devoram como se fosse o lanche oferecido no Paraíso, então o roqueiro pode ser rebelde na pose, nos gestos, nas gírias, na roupa, mas mentalmente pessoas assim mais parecem um bando de submissos infantilizados que fazem o jogo do "sistema".

O rock é trabalhado pela mídia como se fosse uma Disneylândia. Os roqueiros são uns patetas botando a língua para fora e brincando de serem guitarristas tocando vento. Tudo consumismo, espetáculo, pose, pessoas que não entendem o espírito da coisa - tínhamos que falar em "espírito", aqui - passam a fingir que "sempre foram roqueiros desde o nascimento".

Tem gente que, nas mídias sociais, passa o ano inteiro defendendo grupos horríveis de "forró eletrônico", duplas tenebrosas de "sertanejo universitário", astros asquerosos de "funk" e ídolos moribundos da axé-music mas que quando chega eventos como o Rock In Rio, ainda se ofende quando outros lhe dizem que ele não é roqueiro de carteirinha.

O festival começará no dia 18 e não há uma lembrança sequer de um dos roqueiros mais conhecidos, o guitarrista Jimi Hendrix - do qual os roqueiros de fachada fogem como se fosse um fantasma maligno, mas fingem que são seus fãs mais dedicados - , que faleceu nesta data há 45 anos.

O pessoal está ocupado com coisas "mais importantes", como o System of a Down (espécie de One Direction do metal), ou se alguém vai fazer um "tributo aos Mamonas Assassinas" em algum palco alternativo do festival.

E, evidentemente, eles têm até uma Rádio Disney para chamar de sua, uma tal de Rádio Cidade, rádio carioca que nunca foi com a cara do rock e dos roqueiros mas que, de uns vinte anos para cá, tenta nos convencer que é a "rádio do rock de verdade" sem ter um histórico nem uma equipe realmente ligada ao rock de verdade. Lá o pessoal entende tanto de rock quanto David Brazil entende de física nuclear.

Aquela rádio ali - descrevemos a frequência de 102,9 mhz e o endereço http://www.radiocidade.fm para os roqueiros de verdade evitarem qualquer tropeçada nessas sintonias - é 100% igual à Rádio Disney, pois roqueiro lá só existe o toca-CD. Tira o toca-CD das instalações da emissora e não vai sobrar sequer alguém chamado Roque para contar a história. E olha que não parece que exista algum Roque na equipe da Cidade. Roque mesmo está rolando no Programa Sílvio Santos.

Mas a Rádio Cidade disse que "veio para ficar" e, como aqui é um blogue kardeciano, ela já lançou o grande jogo Rock Staing, já que a Cidade traduz para o rock os ensinamentos de Jean-Baptiste Roustaing. Para a rádio, Elvis Presley não passou de um espectro materializado por Hollywood, enquanto os roqueiros que fizerem xixi na cama vão reencarnar como vermes "sertanejos" ou parasitas funkeiros.

Se Allan Kardec tentou ser simpático com Roustaing, mas deu as suas críticas diretas, o jornalista Luiz Antônio Mello, que com muito trabalho criou a Fluminense FM - que era rádio com perfil rock, não uma emissora pop com toca-CD roqueiro - , tentou ser simpático com a Cidade (até tentou trabalhar lá, mais para atender as gentilezas dos antigos patrões da antiga JB AM), mas depois fez críticas às rádios que tocam rock mas contratam animados "gostosões" para a locução.

Numa primeira ouvida, a Rádio Cidade parece agradar, como nas primeiras páginas de Os Quatro Evangelhos, embora a irritante fala dos locutores animadaços - membros de uma equipe sem qualquer especialização em rock que só produz o repertório musical previamente indicado pelas gravadoras - arranhe os ouvidos tal como os delírios devocionais de Roustaing.

Só que, no segundo dia, a programação começa a cansar e, no terceiro dia, os computadores, celulares e aparelhos de rádio já se tornaram bodes expiatórios da péssima programação dos 102,9 mhz, pois tem gente que atira seus celulares do alto de seus prédios achando que eles têm culpa por aquela programação "só de sucessos" e seus locutores engraçadinhos da Cidade.

A Rádio Cidade fala do "rock de verdade" como os chiquistas - que traduziram o pensamento de Roustaing com o tempero bem mineiro de Chico Xavier - falam em "espiritismo de verdade". A Cidade fala mal dos "emos" e do "rock colorido" tal como os "espíritas" falam mal dos "vaticanos espíritas". Mas a Cidade corteja um CPM 22 e exalta os Mamonas Assassinas, e o "espiritismo" exalta Divaldo Franco e Chico Xavier.

A Cidade é apenas um canal de todo esse maquinário imbecilizante que deturpa e degrada um gênero cultural. Como se faz com as periferias que há muito se tornaram escravas da idiotização do "funk". Ou o "sertanejo" que deturpou gravemente a música caipira. Ou tantas e tantas deturpações, a produzir estereótipos sem qualquer relação real com a realidade.

Os roqueiros vão bancar os Patetas ouvindo a Rádio Disney disfarçada de roqueira que é a Rádio Cidade. Posarão de fãs de Iron Maiden e AC/DC sem saber a diferença sonora entre um e outro. Se acharão roqueiros convictos sem saber distinguir um solo de guitarra e a risada de uma hiena. E assim mais estereótipos são produzidos para transformar pessoas em meros rebanhos consumistas.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Médium" curandeiro recorre à Medicina da Terra. Ahn?


Depois os "espíritas" vão na Internet e capricham na sua tão alardeada "fidelidade" a Allan Kardec. Semanas atrás, o "médium" curandeirista João Teixeira de Faria, o João de Deus, se internou no Hospital Sírio-Libanês, um dos mais sofisticados do Brasil, para fazer uma cirurgia.

O motivo não foi diagnosticado oficialmente e houve rumores de que ele foi se tratar de um câncer. Revelou-se que ele sofria de um sério problema digestivo. Ele havia feito um implante nas artérias há dois anos.

Meses atrás, ele foi citado em uma edição do Profissão Repórter sobre "mediunidade" (claro, feito sob o ponto de vista dos chiquistas, que ditam o que "deve ser" a Doutrina Espírita no Brasil). Ele realiza atividades em um "centro espírita", a Casa Dom Inácio de Loyola (observem o nome católico), no município de Abadiânia, em Goiás, de 15 mil habitantes e a 79 km de Goiânia.

O "centro" atende cerca de três mil pessoas por sessão. Ele supostamente realiza cirurgias espirituais com instrumentos cortantes rudimentares, e, como de praxe nas supostas atividades desse gênero (popularizadas por Zé Arigó, o primeiro a receber o "Dr. Fritz"), sem muito cuidado com a higiene. João alegou ter "ressuscitado" um homem que faleceu quatro horas antes.

Ele alcançou fama internacional, atendendo celebridades como a atriz Shirley MacLaine e sendo entrevistado certa vez pela hoje aposentada apresentadora de TV, Oprah Winfrey. Ele também atendeu o publicitário Nizan Guanaes, o ator Reinaldo Gianecchini e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No exterior, é apelidado de John of God.

No entanto, diversos aspectos estranhos rondam a vida de João de Deus. Ele, que oficialmente nunca cobra um tostão para seus clientes, chega a cobrar R$ 50 por um único remédio, uma caixa de 175 comprimidos de passiflora que lhe garante cerca de meio milhão de reais por mês.

Por outro lado, ele, quando visitou a Austrália, para realizar palestras e amostras de "curas" em um pavilhão do Parque Olímpico de Sidney, e cobrou R$ 711 para ver cada sessão de curas e R$ 795 para assistir a todo o evento com ele.

Investigações constataram que ele tem quatro fazendas e uma farmácia, que administra com a mulher e um caseiro. João de Deus é muito rico para uma figura que quer se passar por "humilde". Uma das fazendas tem a área de 18 vezes o Parque do Ibirapuera, cerca de 597 alqueires, e está avaliada em cerca de R$ 2 milhões.

É estarrecedor que João de Deus, um dos "mais conceituados" paranormais de curas ditas espirituais, tenha que recorrer à Medicina da Terra para uma cirurgia. Há tanta convicção dos "espíritas", tão perfeitos eles, em defender tudo que fazem, sobretudo as cirurgias "mediúnicas", que pela sua "simplicidade" são feitas com os métodos rudimentares que "conhecemos".

Por que João de Deus não se recolheu e foi fazer ele mesmo uma cirurgia espiritual? Por que ele não chamou um assistente e os dois fizessem a cirurgia apenas com a ajuda dos "médicos do além"? Ou então por que não buscou a auto-cura nos "santos" livros de Chico Xavier e Emmanuel, já que os "espíritas" tanto afirmam serem tais publicações "bálsamos de amor e renovação"?

Isso mostra o quanto o "espiritismo" se contradiz e, quando a situação pesa num momento, seus seguidores e líderes recuam. Tentam dizer que "não se deve abandonar os tratamentos médicos da Terra", porque admitem que suas habilidades "ilimitadas" têm limites.

E aí eles tentam nos fazer acreditar que são perfeitos com suas imperfeições, que depois que seus líderes desencarnam, eles vão para o céu ou se tornam nossos anjinhos na Terra (como o médico dr. Adolfo Bezerra de Menezes). Só que o "buraco" é mais embaixo e, para quem acredita na existência do umbral, os "espíritas" fazem seu umbral por trás de suas atividades e ideias.

sábado, 12 de setembro de 2015

Cadê Amarildo...ou melhor, cadê Amauri Xavier?


Cadê Amarildo, o pedreiro que sumiu misteriosamente e que vivia na Rocinha, acusado de ser criminoso quando muitos afirmam que ele era apenas um trabalhador que foi torturado por policiais?

Pois cadê o Amarildo dos "espíritas", o "Amaurildo", Amauri Xavier Pena, sobrinho de Francisco Cândido Xavier, que faleceu misteriosamente há 54 anos, lá pelo distante ano de 1961, com apenas 27 anos de idade, na verdade 28 incompletos?

Amauri é um enigma que revela o lado sombrio do "espiritismo" feito no Brasil. O "Amaurildo espírita" e sua tragédia repentina simbolizam o que o "movimento espírita" brasileiro, que costuma criminalizar as vítimas e indultar os culpados, é capaz de fazer.

Consta-se que Amauri Xavier Pena não tem uma foto divulgada na Internet. Seus dados são muito confusos e até o sobrenome foi trocado: Amauri Pena Xavier. Uns escreviam Amaury, mas pode ser Amauri por alguma questão de atualização ortográfica. Mas ele, sendo filho de uma irmã de Chico Xavier, não poderia ser "Pena Xavier", mas "Xavier Pena". Pena era o sobrenome do pai.

Amauri era tido como detentor de dons mediúnicos, conforme oficialmente se atribui ao famoso tio. Seu pai, que frequentava um centro "espírita" em Pedro Leopoldo, apresentou o menino a seus líderes A intenção era transformá-lo em "médium" para obter visibilidade e - sim, isso mesmo - dinheiro.

As práticas seriam as mesmas de Chico Xavier. Havia até mesmo o projeto, nunca lançado, de um livro chamado "Os Cruzíladas", pastiche de Os Luzíadas, do português Luís de Camões, mas com narrativa fabulosa e ufanista da linha de Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que Chico Xavier botou na conta de Humberto de Campos.

Mas como os líderes "espíritas" pressionavam muito o jovem Amauri, e ele estranhava tudo aquilo que ele via nos bastidores, ele resolveu denunciar, recorrendo a repórteres de um periódico mineiro, o Diário de Minas, de Belo Horizonte, em 1958.

Ele então falou que o que Chico Xavier fazia era fraude, que ele e o tio fingiam mediunidade e que o jovem era pressionado a participar das falsas psicografias que não passavam de pastiches. Amauri chegou a participar da preparação da última edição de Parnaso de Além-Túmulo, a "obra acabada da espiritualidade superior" que foi remendada cinco vezes em 23 anos (!).

Quando as denúncias foram divulgadas, não só no Diário de Minas como no carioca O Globo - a família Marinho ainda não havia feito as pazes com Chico Xavier - , os líderes "espíritas" resolveram promover uma campanha difamatória das mais pérfidas, das mais cruéis e das mais humilhantes contra o jovem.

Essa campanha desmascara o "movimento espírita" bem mais do que as denúncias que seus líderes tentaram abafar e que colocariam Chico Xavier novamente nos tribunais (ele havia sido réu do caso Humberto de Campos, tão confuso que os juízes não entenderam). A campanha impiedosa contra Amauri contradiz toda a reputação de compaixão e misericórdia atribuída aos "espíritas".

Amauri passou a ser visto como um bebedor irrecuperável, batedor de carteira, aprontador de confusão, entre tantas coisas que, em parte, foram inventadas, porque falaram que ele era até falsificador de dinheiro, arrombador de casas, ladrão de banco, só faltou dizer que ele havia jogado, com apenas 12 anos de idade, a bomba atômica que atingiu Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Aí ele foi "acolhido" por um sanatório "espírita" tido como "muito conceituado" - o sanatório existe até hoje - e ele não conseguiu se recuperar. Daí que não dá para entender esse "alto conceito". Mas dizem rumores que o rebelde teria sido espancado pelo pessoal do sanatório por ter se voltado contra o ídolo Chico Xavier, fonte de muitas riquezas para a propaganda sensacionalista da FEB, a Federação "Espírita" Brasileira, não a Força Expedicionária Brasileira.

De repente, ele, que havia sido "liberado" pelo sanatório, se sentiu mal, foi internado, e morreu. Atribuiu-se a ele uma hepatite grave em consequência do consumo de álcool. No entanto, é difícil que uma pessoa que apenas beba muito morra antes dos 30 anos, já que um alcoolista inveterado costuma morrer entre os 35 e os 50 anos. Se fosse usuário de cocaína, morrer aos 27 faria mais sentido.

Consta-se que ele teria sido envenenado. Ele foi alvo de muito ódio e rancor porque denunciou Chico Xavier e o "movimento espírita", temeroso de ver o anti-médium mineiro voltar aos tribunais, resolveu desmoralizar Amauri das piores formas possíveis, com um apetite vingativo descomunal até mesmo para os mais ordinários dos "espíritas".

É muito provável que Amauri tivesse sido abatido por essa campanha difamatória, sofrido violências num sanatório e tendo sido envenenado com algum remédio ou mesmo um veneno de rato, por exemplo. Ele morreu cedo demais para tanto drama.

O que se pode inferir é que Amauri pode ter sido assassinado por queima de arquivo, porque ele revelaria os "podres" que haviam por trás do "movimento espírita". Ainda que o caso tenha sido prescrito, cabe uma nova investigação para o caso, porque a morte do sobrinho de Chico Xavier foi estranha demais para ser considerada como um fato natural ou acidental.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Rio de Janeiro tem Rockstanguismo no rádio


Criptógamos Carnudos. Belo nome para banda de rock. Mas foi uma definição dada por Jean-Baptiste Roustaing para a reencarnação, em forma de vermes ou plantas, de espíritos considerados faltosos com a missão da encarnação humana.

Este é um dos pontos polêmicos do livro Os Quatro Evangelhos que Roustaing lançou em 1866, em contraposição ao pensamento de Allan Kardec e tido como psicografado por Emile Collignon, trazendo mensagens atribuídas aos quatro evangelistas (João, Lucas, Marcos e Mateus) e outros personagens bíblicos.

Todos que entendem de Doutrina Espírita com alguma profundidade conhecem a história. Roustaing lançou um livro "espírita" que veio com velhos dogmas religiosos, inclusive a tese do Docetismo (movimento religioso que existiu na Idade Média) de que Jesus de Nazaré não era encarnado, era somente um "fantasminha" que esteve entre nós na forma de um espectro fluídico.

O livro causou escândalo, Allan Kardec foi educado ao reconhecer qualidades e defeitos do livro, mas Roustaing ficou irritado ao saber, entre outras coisas, que o pedagogo sugeriu que o livro tivesse apenas um único volume, já que os três (quatro, na edição brasileira) tinham um conteúdo difícil de ser compreendido e chato de ser lido.

A obra causou polêmica na França, dividiu e enfraqueceu a doutrina de Kardec, e, ainda que o pensamento kardeciano tivesse sido fortemente abalado e caído no esquecimento pelos franceses, Roustaing também foi desqualificado por ter criado escândalos demais.

Aí o roustanguismo veio ao Brasil, influenciou o "movimento espírita" nascente, foi base para a fundação da Federação "Espírita" Brasileira e ainda ganhou uma adaptação com sabor bem brasileiro, através das obras do católico Francisco Cândido Xavier, o popular Chico Xavier.

Claro, num Brasil em que é fácil as pessoas dizerem uma coisa, fazerem outra e saírem ilesas de qualquer enrascada, o roustanguismo com o tempo tornou-se mais sutil pois aqui o advogado francês também causou escândalo e Roustaing passou a ser apenas apreciado pela alta cúpula da FEB, enquanto outros faziam roustanguismo enrustido usando o nome de Kardec.

E o que o roustanguismo tem a ver com o rock, já que acima foi feito o comentário sobre os Criptógamos Carnudos como nome típico de banda de rock? Muita coisa, afinal a cultura rock passou por um outro processo de deturpação comparável ao da Doutrina Espírita.

Pois as emissoras de rádio que se dedicam ao rock, intituladas por isso mesmo rádios de rock, também tiveram seu primeiro momento de integridade, coerência, criatividade e respeito e amor à causa, como teve Kardec com a Doutrina Espírita.

Em Niterói, a Rádio Fluminense FM foi desenvolvida dentro de uma personalidade sóbria, um repertório abrangente e uma atitude coerente e respeitosa aos valores culturais e à inteligência do público, através de Luiz Antônio Mello e outros radialistas.

Os locutores tinham voz sóbria, não falavam em cima das músicas nem diziam gírias, os produtores garimpavam músicas exclusivas e fora da mesmice do hit-parade e a qualidade musical tinha a maior prioridade possível.

Aí, com o passar do tempo, veio uma rádio paulista chamada 89 FM que caiu de pára-quedas no perfil rock, que até começou como emissora mediana de rock autêntico, mas isso durou pouco e a emissora criou seu Rockstanguismo, criando uma espécie de roustanguismo radialista e roqueiro.

E o que vieram? Locutores com vozes afetadas, como se dirigissem para crianças pequenas, e que falavam em cima das músicas, que por sua vez se limitavam aos hits - seleção parcial de músicas que são recorde de execuções em rádio - e, não raro, por bandas de qualidade duvidosa que faziam arremedos de rock.

Com o tempo, a programação se amarrou ainda mais aos "grandes sucessos", vieram programas de piadas, enquanto programas dedicados a variantes do rock como progressivo, som skatista e outros desapareciam em prol da superficialidade das rádios comerciais "de rock".

Essas autoproclamadas "rádios rock" eram na verdade emissoras pop das mais debiloides, só que com todo o aparato "roqueiro" feito para boi dormir e anunciantes faturarem horrores com essa publicidade enganosa.

E aí passa o tempo e uma rádio que sempre foi pop, como a Rádio Cidade, do Rio de Janeiro - que em 1977 ignorou sabiamente o punk rock e o metal que corriam lá fora (nem todo mundo pode compreender tais gêneros, né?) transformou o rádio FM fazendo um perfil pop que era sua habilidade - , se encanou que queria ser "rádio rock" na marra e aproveitou o fim da Fluminense para isso.

Como um Roustaing das rádios de rock, a Rádio Cidade colocava ninharia nas mentes dos roqueiros: ler livros era horrível, o jovem só podia jogar RPG e assistir a filmes de aventura e ação e o rock só devia ser curtido através dos sucessos das paradas e com a mesmice do "barulho puro", com guitarras distorcidas e vocais agressivos ou desleixados que dissimulavam a baixa qualidade musical.

Claro, se Roustaing apelava para Jesus Cristo, seus apóstolos e outros profestas bíblicos, alguns do Velho Testamento, a Rádio Cidade, como a 89 pouco antes, apelava para alguns roqueiros veteranos, como o "velho testamento" do metal e o "novo testamento" do punk, para seu roustanguismo radiofônico e roqueiro.

E hoje, tempos em que os roustanguistas enrustidos alegam "rigorosa fidelidade a Allan Kardec" para professar seu confuso "espiritismo" igrejista, muito mal travestido de ciência e filosofia, a Rádio Cidade mudou seu logotipo e agora fala em "defesa" do tal "rock de verdade".

Da mesma forma que os "espíritas" rompem com o pensamento original de Kardec, apesar de tantos juramentos de "rigorosa fidelidade", a Rádio Cidade fala em "rock de verdade", em estar "cada vez mais rock'n'roll" rasgando as lições da Fluminense FM ou só as aproveitando quando as conveniências permitem.

Com a Rádio Cidade, o roqueiro acabou ganhando imagem de débil-mental e a cultura rock se transformou numa Disneylândia de jovens pulando, botando língua pra fora e fazendo o sinal do diabo com os dedos das mãos. No lugar do jovem conscientizado e ativista da Fluminense, veio o jovem alienado e resignado com tudo da Rádio Cidade.

Talvez surja alguma bandinha alucinada chamada Criptógamos Carnudos prometendo a salvação do rock às custas de muita risada e muito barulho por nada. E o "rock de verdade" da Rádio Cidade é tão mentiroso, postiço e superficial quanto o "espiritismo autêntico" prometido pelos roustanguistas não-assumidos que se escondem sob o endeusamento a Chico Xavier e Divaldo Franco.