sábado, 21 de outubro de 2017

O silêncio da grande imprensa e das esquerdas quanto ao envolvimento de Divaldo Franco no caso da "farinata"


É muito preocupante o silêncio absoluto, não só da grande imprensa hegemônica, mas também das mídias de esquerda, quanto ao envolvimento do "médium espírita" Divaldo Pereira Franco no apoio ao engodo alimentar do decadente prefeito de São Paulo, João Dória Jr., que passou o tempo todo divulgando seu produto usando a camiseta do Você e a Paz.

O apoio de Divaldo Franco ao prefake se deu quando ele decidiu homenageá-lo logo num momento em que o político sofria uma vertiginosa decadência de reputação, o que indica uma afinidade de sintonia, um "médium" tido como "moderno e evoluído" apoiando um político tão retrógrado e de tão baixa categoria. Vai ver porque os dois se afinam pelas viagens que fazem para celebrar suas vaidades e obter prêmios das elites do Brasil afora e do exterior.

O que se deve considerar é que Divaldo Franco organizou o Você e a Paz, evento que lançou oficialmente aquele engodo que se chama de "farinata" ou "granulado nutricional", dentro do programa supostamente social "Alimento para Todos". Divaldo sabia do que estava fazendo e poderia ter evitado a homenagem, se fosse realmente um homem evoluído e de coragem.

Se acreditarmos na suposta imagem evoluída de Divaldo Franco, tido como "humanista", "ativista", "de elevadíssima moral" e outras qualidades celestiais, suporíamos que o "médium" baiano fosse advertido pelos benfeitores espirituais de que João Dória Jr. é uma farsa política e estava lançando um programa alimentar elitista de valor ética, sociológica e, sobretudo, nutricionalmente duvidoso, do qual há denúncias até de riscos de intoxicação alimentar e grave desnutrição.

As denúncias sobre os malefícios da "farinata", que seria fornecida pela Plataforma Sinergia, envolvem a entidade parceira, a Missão Belém, da Arquidiocese de São Paulo, acusada de usar 14 internos (ex-dependentes químicos ou ex-moradores de rua), mortos por intoxicação alimentar, desnutrição, desidratação e crises de vômito e diarreia, para serem alimentados pela "abençoada" refeição, cujos potes eram envoltos com a imagem de Nossa Senhora, mito católico da mãe de Jesus.


Divaldo Franco, se fosse realmente uma pessoa sábia, consciente e corajosa, teria evitado a homenagem e o vexaminoso lançamento, pedindo a compreensão de todos e expressando não sentir ódio do prefeito da capital paulista, mas antes sentindo tristeza e orando por misericórdia. Em vez disso, porém, Divaldo apoiou tudo, aceitou tudo de bandeja e não é por isso que ele deixará de ser responsabilizado pelo apoio a um político decadente e seu nefasto projeto alimentar.

Os "médiuns espíritas" não podem ser vistos como caloteiros morais, a fazerem o que quiserem, de maneira irrefletida, e não pagarem pelas consequências naturais de seus erros. Divaldo Franco, meses atrás, no final de 2016, havia feito um juízo de valor extremamente cruel contra os refugiados do Oriente Médio, acusando-os de terem sido, no passado, encarnações de antigos tiranos colonizadores que escravizaram povos latino-americanos.

O ARCEBISPO DE SÃO PAULO, DOM ODILO SCHERER, AO LADO DE JOÃO DÓRIA JR., É DESTINADO A PAGAR OS PECADOS NÃO SÓ SEUS, MAS DOS "ESPÍRITAS".

Imagine uma família pobre da Síria, com muito sacrifício e demora para se mudar de lá para a Europa, apenas para reconstruir a vida no trabalho e dando escola digna para as crianças, ouvir de um religioso que elas eram reencarnações de antigos tiranos e que as dificuldades extremas em que vivem, sob risco de roubos, tragédias e outras perdas dramáticas, seriam um "pagamento justo" dos antigos pecados cometidos.

Diante dessa alegação, Divaldo Franco poderia ser processado judicialmente por danos morais, tendo que indenizar os familiares diante de tal acusação. Esse juízo de valor já desmascarou o "iluminado médium", que, agora, comprova sua baixa sintonia vibratória ao se identificar com um político decadente, elitista, que nunca teve inclinação para ajudar os mais pobres.

SILÊNCIO DA GRANDE MÍDIA, VÁ LÁ, MAS DAS ESQUERDAS...

Faz muito sentido que a grande mídia hegemônica, como os veículos das Organizações Globo, Folha e Abril - que ultimamente tenta empurrar para as bancas o encalhado volume de Francisco Cândido Xavier da revista Superinteressante -  reaja em silêncio diante do apoio do "movimento espírita" ao engodo alimentar de João Dória Jr..

Só os três veículos midiáticos blindam os "espíritas" com dedicação extrema, a partir do próprio Chico Xavier. Os "médiuns espíritas" são conhecidos como "sacerdotes da Rede Globo" e usados pela corporação midiática para fazer frente aos pastores eletrônicos das seitas evangélicas sem que se desperte desconfiança de que a Globo entrou na corrida midiático-religiosa. A Globo até produziu novelas e filmes "espíritas", inclusive uma cinebiografia de Chico Xavier!!

Recentemente, em 2015, o Fantástico cometeu um grande papelão, uma séria gafe ao definir como "maior filantropo do Brasil" o "médium" Divaldo Franco só por ajudar, em mais de 60 anos de atividade, 163 mil pessoas. Isso equivale a bem menos que 1% da população de Salvador, índice que se torna mais vergonhoso se comparado ao âmbito nacional.

Até a "caridade" que todos conhecem dos "espíritas" é fruto de uma engenhosa "fábrica de consenso", uma campanha na qual se estabelece um padrão conservador de "bondade humana", que não rompe com a situação subordinada do povo pobre e apenas contribui para a promoção pessoal do "benfeitor", que faz pouca ajuda mas é comemorado efusivamente com isso.

O problema é que a mídia de esquerda também permanece em silêncio. Ninguém saiu questionando Divaldo Franco por conceder aquela homenagem e assinar embaixo no projeto da "farinata". Nem Carta Capital, nem Diário do Centro do Mundo, nem Brasil de Fato, nem Caros Amigos. Nem a blindagem da Globo aos "médiuns espíritas" fazem a chamada mídia alternativa se mexer.

A mídia esquerdista se limita apenas a questionar as defesas do produto feitas pelo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, que comanda a Arquidiocese. Irônico ver que um ícone católico, além de pagar pelos próprios pecados, vai pagar também pelos erros dos "espíritas", que fazem o que querem mas não querem ser responsáveis pelas consequências de seus próprios erros.

O episódio mostra que o "espiritismo" brasileiro não sofre intolerância religiosa. Esse papo de intolerância que os "espíritas" tanto se queixam não passa de "mimimi". Eles são blindados demais, e já são até mais blindados que o PSDB. São tão blindados que até seus piores erros se deixam passar, a partir da própria traição que os "médiuns espíritas" fizeram com o legado de Allan Kardec. Como é mole a vida de um "médium espírita", nunca poder pagar pelos próprios erros, por piores que sejam...

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O gravíssimo apoio de Divaldo Franco a uma iniciativa desumana


O "espiritismo" brasileiro pode estar envolvido em mais um episódio extremamente vergonhoso, deplorável e simplesmente constrangedor. É o apoio, através do "médium" Divaldo Franco, de um engodo alimentar lançado pelo prefeito de São Paulo, João Dória Jr., um político que demonstra estar em um sério processo de decadência.

Pode parecer chocante, porque aparentemente apenas católicos, como o arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, e setores das igrejas evangélicas são reconhecidos pela opinião pública dominante como apoiadores da "farinata" ou "granulado nutricional", também conhecido como "Allimento", produto da Plataforma Sinergia feito a partir de processamento industrial de restos de comida de procedências duvidosas e qualidade nutricional mais duvidosa ainda.

A Plataforma Sinergia é uma entidade "sem fins lucrativos" comandada por uma ex-empresária da Monsanto (fabricante de agrotóxicos e alimentos transgênicos), Rosana Perrotti, e o projeto faz parte do programa "Alimento para Todos" da Prefeitura de São Paulo. O "Allimento" já peca por não haver informação nutricional e nem como serão processados os restos de comida e de onde vêm esses restos.

No entanto, a iniciativa foi lançada por João Dória Jr. durante a terceira edição paulista do movimento "Você e a Paz", que, apesar de reunir católicos e evangélicos, é comandado pelo "médium espírita" Divaldo Franco. O evento ocorreu no último dia 08 e Divaldo resolveu dedicar o evento ao prefeito de São Paulo.

Sim, as pessoas ficam desapontadas com o apoio de um "médium" a esse projeto nutricional de valor duvidoso e feito sob o ponto de vista preconceituoso de um representante da elite. As elites chegam a dizer que os pobres "não têm hábito alimentar", como havia declarado Dória Jr. quando apresentava O Aprendiz na Record TV, e acham que os pobres "não têm acesso" aos alimentos comuns, uma falácia para quem acha que só se pega comida em supermercado.

Mas Divaldo Franco teve exata consciência de seus atos e decidiu homenagear Dória e sua ração - já comparada, por muitos, como um arremedo ruim de ração animal - depois que a tal "farinata" foi denunciada por diversas entidades nutricionistas e outras ligadas à saúde em geral, além dos movimentos sociais, que veem na iniciativa um tratamento humilhante e desumano ao povo pobre.

Divaldo, o homem que é tido como "o maior sábio do Brasil", classificado como "humanista", "filósofo", "cientista" e coisa e tal, deveria ter sido avisado, se seus atributos fossem verdadeiros, da farsa de João Dória Jr. e tivesse evitado essa dedicação. Mas não. Divaldo soube do que estava fazendo e neste caso nem sua idade, 90 anos, é desculpa para seus fãs dizerem que o "médium" errou sem saber, até porque ele demonstra uma grande lucidez para sua idade.

A "farinata" é condenada por diversas entidades ligadas à saúde, à nutrição e aos movimentos sociais por uma série de aspectos. Erroneamente, os defensores do "Allimento" acham que os opositores estão "politizando" a fome dos pobres, quando o problema não é de ordem político-ideológica, mas um problema sociológico e de saúde pública.

Sob o ponto de vista nutricional, o "Allimento" pode representar uma ameaça à saúde humana, pelos seus aspectos técnicos duvidosos, além do fato de seus restos poderem vir de comidas de hospitais, com o contato infectado de muitos doentes, e de redes de lanchonetes, como McDonald's, que produzem sanduíches e batatas sintéticos, já nutricionalmente duvidosos, e que são fritos com muita gordura (em boa parte saturada) em fornos enferrujados, o que contamina demais o lanche tão consumido pelos jovens e pelos cidadãos mais apressados.

Além disso, o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde recomenda que uma alimentação saudável não tenha como prioridade produtos industrializados, por mais que haja controle de qualidade. A ideia é que uma alimentação saudável se define pelo consumo de alimentos em condições próximas à da natureza, com as propriedades nutricionais próprias deles. São frutas, verduras, carnes, cereais e legumes que devem ser prioritários na mesa de qualquer cidadão.

O "Allimento" contraria isso, com a ênfase dada em produtos industrializados de procedência duvidosa e processamento idem e que não possuem a menor garantia de fornecer uma nutrição completa para as pessoas famintas, que correm o risco de ingerir apenas açúcar e gordura, em vez de vitaminas necessárias para a saúde orgânica. Sem garantia alguma de nutrição, o "Allimento" pode ameaçar a saúde de diabéticos, alérgicos à glúten e lactose e pessoas com problemas cardíacos, podendo até matá-los.

Sob o ponto de vista sociológico, a iniciativa é humilhante, porque não se dá outras condições para os pobres terem mais acesso à comida. Além disso, é falácia dizer que os pobres não têm acesso a legumes, verduras, cereais etc, porque, quando muitas famílias ainda viviam nas zonas rurais, elas poderiam plantar tais alimentos e obter, assim, uma alimentação digna a partir do que elas mesmas plantaram.

O pobre, com o "Allimento", é tratado de forma humilhante, com o paternalismo hipócrita das elites que acham que o povo pobre é igual animal doméstico, um dado sombrio que se esconde atrás do mito aparente unânime da "caridade" feita sob o rótulo de uma religião.

O pobre não quer ração, quer ter acesso a uma "comida com cara de comida". Além disso, há quem sinta nojo em ver aquelas bolas dentro de um frasco, parecendo um lanchinho ruim de marca de segunda categoria (ou talvez categorias mais baixas ainda). O pobre vai ver a "farinata" e vai pensar que é lanchinho para se comer enquanto vê futebol na televisão.

É chocante para muitos que Divaldo Franco apoie essa triste medida, acreditando, à maneira dele, que "tudo é válido para matar a fome dos necessitados". Não é assim. O povo pobre merece respeito e, francamente (olha o trocadilho), um verborrágico deturpador da Doutrina Espírita tinha que estar ao lado do prefeito paulistano que, de tão ruim, é apelidado pejorativamente de prefake.

As esquerdas é que andam complacentes com o "médium" baiano. Ficam criticando católicos e evangélicos que elogiaram a "farinata", mas se esquecem que o engodo foi oficialmente lançado no evento organizado por Divaldo Franco, portanto foi ele o anfitrião dessa farra que se pretende fazer com os estômagos sensíveis dos mais pobres.

Não há desculpa que possa tirar Divaldo Franco da responsabilidade de apoiar essa medida infeliz e uma figura como o prefeito João Dória Jr., associado a medidas lamentáveis como permitir o aumento da velocidade dos carros que causam acidentes fatais, acordar moradores de rua com o humilhante ato dos jatos d'água, reprimir uma cracolândia sem dar assistência social digna aos viciados e sair viajando Brasil afora enquanto São Paulo vive o caos da miséria e da violência.

Mas o próprio Divaldo Franco também fez turismo para falar para os mais ricos em troca de medalhinhas e outros tesouros terrenos. Ele, que deve ter se hospedado em bons hotéis, comido do bom e do melhor, cortejado pelos mais poderosos e ricos e talvez desviando dinheiro da caridade, só poderia apoiar uma iniciativa lamentável como a "ração humana", o que é da mais extrema e irrecuperável gravidade.

Divaldo Franco já cometeu uma atrocidade terrível quando declarou, na Espanha, no final do ano passado, que os refugiados do Oriente Médio eram antigos colonizadores sanguinários em supostas encarnações passadas. Uma declaração dessas poderia render um processo contra o "médium" por danos morais, porque só mesmo quem é refugiado para saber o sacrifício que é reconstruir uma vida e ainda é humilhado com uma acusação feita sem fundamento algum.

A própria "mediunidade" de Divaldo Franco, vale lembrar, é tão duvidosa quanto a procedência dos restos de comida a serem processados para a "farinata". Divaldo é um deturpador gravíssimo do Espiritismo, espalhando a deturpação para o exterior, inclusive a França de Allan Kardec, e isso nunca pode ser subestimado.

Afinal, ninguém menos que o jornalista espírita autêntico José Herculano Pires, certa vez, definiu Divaldo como um impostor e afirmou que ele era um adepto fervoroso de Jean-Baptiste Roustaing, o francês que primeiro desfigurou a Doutrina Espírita com seu livro Os Quatro Evangelhos.

Não tem que as pessoas acharem que Divaldo Franco foi enganado, a exemplo do que se acusou Francisco Cândido Xavier no caso da farsante Otília Diogo. Fotos de gente solidária a Chico Xavier mostram o "médium" mineiro acompanhando feliz os bastidores da farsa, estando atento e alegre conversando com todos os presentes, o que comprova que Chico tinha a mais exata consciência do que estava acontecendo.

No caso de Divaldo Franco, ele também teve exata consciência dos seus atos. Antes da edição do "Você e a Paz" no Parque do Ibirapuera, a "farinata" já era denunciada como uma iniciativa degradante do prefeito de São Paulo e Divaldo, que se julga um "sábio", deveria ter sido o primeiro a saber, ainda que por aviso de "benfeitores espirituais", que o grande homenageado iria lançar aquele engodo alimentar.

Mas Divaldo esteve lá feliz, organizando o evento, recebendo João Dória Jr. e apoiando a "ração humana". Os brasileiros precisam parar de achar que os "médiuns espíritas", quando erram, fazem sem querer, porque os "médiuns" agem com decisão própria, consciência exata dos atos e completa falta de escrúpulos, o que significa que eles devem ser responsabilizados e pagar pelos seus erros, queiram ou não queiram seus chorosos seguidores.

Se Divaldo Franco se notabiliza ao lado de um prefeito decadente que é João Dória Jr., com baixos índices de popularidade e rejeitado até por boa parte de seus antigos eleitores, é porque o próprio "espiritismo" está decadente e mantém essa sintonia vibratória com os piores políticos. Não há como dizer que isso é obra de "irmãozinhos endurecidos". Os "médiuns" têm que pagar pelos erros que cometem, e se o preço é caro, esse pagamento não pode ser sonegado em prol do prestígio religioso.

O "espiritismo" apoia Michel Temer, MBL, o PSDB, a Rede Globo e tudo que há de mais abjeto na sociedade conservadora e reacionária de nosso país. Cada vez mais medieval, o "espiritismo" revela sua face mais decadente, o que poderia chamar a atenção de nossas esquerdas que poderiam muito bem questionar os "espíritas" com a dedicação com que questionam os políticos do PSDB e a família Bolsonaro. De complacentes, já basta a sociedade conservadora que apoia os "espíritas".

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Em crise, "espiritismo" se promove dizendo-se "vítima de intolerância religiosa"

ESTÁTUA DE CHICO XAVIER ATINGIDA POR VANDALISMO EM UBERABA.

Em séria crise, o "espiritismo" agora embarca na carona dos fatos. Se aproveitando de atos de intolerância religiosa que vitimam religiões relacionadas a grupos étnicos ou pobres, como a umbanda, o candomblé e o islamismo, o "espiritismo" tenta atribuir o recente ataque de vândalos ao mausoléu de Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, como vindo também de intolerantes.

O "espiritismo", no entanto, não é vítima de intolerância religiosa. Pelo contrário, a religião é uma das mais toleradas, blindadas e socialmente protegidas do Brasil. Ela é protegida pela Rede Globo de Televisão. Seus "médiuns", por mais que possam ter recebido também doações de dinheiro da Odebrecht ou OAS - sobretudo os "médiuns" baianos - e nem por isso são sequer indiciados pela Operação Lava Jato.

Há indícios de quadros falsamente atribuídos a pintores mortos, que representam diferenças estilísticas aberrantes. O "São Francisco de Assis" de Cândido Portinari e seu suposto similar trazido pelo "médium" baiano José Medrado, exibido como troféu em seu programa Visão Social da TV Bandeirantes de Salvador, mostram diferenças extremas entre um e outro.

Há também indícios de diferenças de estilo aberrantes nas próprias obras trazidas por Chico Xavier, em que autores como Olavo Bilac, Auta de Souza e, principalmente, Humberto de Campos, praticamente fogem dos estilos originais que os consagraram em vida. Humberto, por exemplo, mais parece um padre católico do que um escritor que foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Apesar disso, não há, após o processo do caso Humberto de Campos em 1944, um único inquérito sequer para investigar as irregularidades dessas obras. Mas há muitos ingênuos, ou talvez alguém especializado que talvez tenha "recebido por fora" para inventar que as obras "mediúnicas" são autênticas e apontar semelhanças que não existem, dizendo apenas, de maneira vaga: "É, as obras lembram muito (sic) o estilo do falecido, surpreendem (sic) por serem autênticas (sic)".

Ninguém mexe nos "espíritas", que são uma espécie de tucanos da religião. Sim, o "espiritismo" brasileiro é o PSDB da religião. "Espíritas" e tucanos têm até uma mesma protetora, a Rede Globo de Televisão. Se um juiz chega a um suposto "médium", é só para abraçar ou, pasmem, para pedir conselhos.

Como agora os "espíritas" falam em "intolerância religiosa"? O vandalismo que houve no mausoléu de Chico Xavier teria sido o mesmo se a estátua fosse, por exemplo, de Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves ou Carlos Drummond de Andrade. Ou de algum tribuno mineiro menos conhecido. O ataque se deu a uma estátua de alguém famoso, podendo ter sido qualquer um.

Mas o filho adotivo de Chico Xavier, Eurípedes Higino, quis se jogar na plateia, ele que mantém maquetes de pessoas de ideias antagônicas, como seu pai e o pedagogo Allan Kardec. Não é preciso muito esforço para apontar diferenças aberrantes nos livros de Xavier e de Kardec, pois O Livro dos Médiuns mostra, como caraterísticas negativas, muitos dos procedimentos e ideias identificados nos livros publicados pelo "médium" mineiro.

Higino diz que o ato "pode ter sido de intolerância religiosa", fazendo uma suposição com um tom de certeza dissimulada, caprichando no vitimismo que tanto foi a marca do "médium", um charlatão e usurpador de mortos que sempre que contrariado e questionado fazia pose de vítima para forçar a comoção pública.

Mas isso não procede. Até porque as religiões que são vítimas de intolerância religiosa são relacionadas a expressões culturais do povo pobre ou de grupos étnicos minoritários. Umbanda, candomblé, islamismo e algum outro similar é que têm suas casas de oração e culto atacadas por vândalos movidos de indignação religiosa ou pertencentes a grupos religiosos dominantes, como os neopentecostais.

O "espiritismo" não podia sofrer intolerância religiosa porque é tolerado até nos seus piores erros e escândalos. Além disso, é uma religião aristocrática, apesar do aparato de humildade, modéstia e simplicidade que o cerca.

Seus "médiuns" e palestrantes são conhecidos por discursarem para gente rica, receberem prêmios de autoridades e instituições aristocráticas e a praticar Assistencialismo, fazendo uma caridade de resultados sociais pouco expressivos que servem para promoção pessoal dos "benfeitores".

É uma grande malandragem do "espiritismo" brasileiro pegar carona nos atos de intolerância religiosa como se estivesse entre as religiões atacadas pela fúria conservadora. É uma malandragem similar que a de definir Chico Xavier como "católico reformista" só porque havia sido paranormal. Foi excomungado pela Igreja Católica de Pedro Leopoldo por ter sido confundido com umbandista. Mas isso é um equívoco: Chico Xavier, como católico, era medieval de tão ortodoxo.

E isso cria um fato curioso. No passado, os "espíritas" queriam fugir da confusão com os cultos afro-brasileiros. Agora, os "espíritas" fazem o inverso, tentando se confundirem com a umbanda e o candomblé para promover seu vitimismo à custa do infortúnio alheio, porque o que vemos é que os "espíritas" voam em céu de brigadeiro.

Intolerantes são os próprios "espíritas", que nunca toleraram contestação, e nunca assumiram uma responsabilidade sequer pelos erros cometidos. Chegam mesmo a atribuir eventuais escândalos aos "espíritos inferiores". Eles nunca admitiram seus erros e o perigo é eles atribuírem as críticas que recebem como "atos de intolerância religiosa". Isso é que é ter falta de autocrítica!!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O fanatismo e o apego doentio a... ônibus padronizados!!!!

EM SÃO PAULO, OS ÔNIBUS IGUAIZINHOS QUE DESAFIAM A ATENÇÃO DOS PASSAGEIROS NA HORA DE IR E VIR.

O Brasil tem coisas bastante surreais, posturas atrasadas, obsoletas, decadentes, ultrapassadas, mas que prevalecem na marra por conta de ginásticas intelectuais vindas de gente tentando argumentar o ilógico e falando até em juridiquês para reforçar suas teses delirantes.

Uma delas é a insanidade que prefeituras ou governos estaduais fazem com os sistemas de ônibus, nos quais diferentes empresas de ônibus têm que apresentar uma mesma pintura, relativa a critérios que variam de consórcios, zonas de bairros, tipos de ônibus etc.

Essa loucura veio da ditadura militar e foi imposta na marra pelo prefeito Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, passando por cima das leis, atropelando até mesmo o Código de Defesa do Consumidor e promovendo um voto parlamentar às escuras para aprovar a medida. Resultado: a pintura padronizada virou uma lona para o circo da farra político-empresarial na qual um dos empresários envolvidos tem um sobrenome ilustrativo: Barata.

Hoje o grupo empresarial que impôs a pintura padronizada nos ônibus cariocas - que criou um modismo estadual no qual a mais recente adesão aos "ônibus iguaizinhos" é o município de Resende, inspirado nos "exemplos" das vizinhas Volta Redonda e Barra Mansa - , o de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, enfrenta um grande inferno astral, com o ex-governador fluminense preso e condenado a uma longa sentença (se ela vai ser totalmente cumprida, não se sabe, mas ela hoje lhe deprime).

O apego doentio, paranoico, psicótico, neurótico aos "ônibus iguaizinhos", através do qual houve até busólogo criando páginas de ofensas que, se possível, poderia esculhambar até Jesus de Nazaré, se caso ele manifestasse discordância com o valentão da busologia, faz com que muitas pessoas corram para o psiquiatra toda vez que imaginar que a pintura padronizada nos ônibus poderá um dia ser cancelada e as empresas de ônibus poderão apresentar suas respectivas identidades visuais.

Em muitos casos, só de imaginar isso, a turma do "pensamento padronizado" chega a ficar a uns poucos passos do hospício quando veem alguém lutando para barrar a pintura padronizada nos ônibus em uma cidade. Passam a empastelar até petições de abaixo-assinados virtuais, como se fosse aceitável fazer trolagem ou cyberbullying em espaços que servem apenas para assinaturas digitais.

Isso não é exagero. E, para evitar o acesso ao manicômio, vários beatos dos "ônibus iguaizinhos" tentam se conter nas redes sociais. Falaciosos, tentam isolar o discordante, atribuindo a ele pretensa anormalidade social. "Xi, lá vem fulano com aquele papo de despadronizar os ônibus", "Ih, é aquele chato de novo".

Essa manobra tenta dar a uma minoria de valentões digitais o status de "normalidade" e "naturalidade", porque o outro é que é "chato", quando vemos que os defensores da pintura padronizada nos ônibus são as pessoas mais chatas e intolerantes do Brasil, que fazem busologia de gabinete, justificando tudo com argumentos baseados em gráficos, esquemas toscos de PowerPoint e maquetes. O povo se reduz a um "gado" que tem que aceitar o que os "padronizetes" dizem.

Quem é mais tecnocrático é que mais busca essas fontes argumentícias. Criam um mundo de faz-de-conta de PowerPoint, maquetes e gráficos coloridos de WordArt. Como se miniaturas, desenhos e slides dissessem mais do que o cotidiano vivido pelas pessoas, o que é um absurdo.

Mas aí o status quo fala mais alto do que a vivência cotidiana. O homem que mais defende os "ônibus iguaizinhos" é o arquiteto paranaense Jaime Lerner, filhote da ditadura e hoje apoiando o presidente Michel Temer. Ele foi prefeito de Curitiba, uma cidade que recentemente se revelou reacionária e ultraconservadora, derrubando o mito de modernidade e progresso associado à capital paranaense, apelidada de "República de Curitiba" por causa do poder imperial da Operação Lava Jato.

A partir dele, pelo menos os "padronizetes", fãs enlouquecidos dos "ônibus iguaizinhos", podem se sustentar de argumentos "técnicos": usam falácias do tipo "a adoção de pintura padronizada obedece critérios de trajetos ou tipos de ônibus adotados, favorecendo (sic) a identificação através desses requisitos e facilitando (sic) o usuário na hora de pegar um ônibus numa cidade".

Mas isso é mais ou menos quando um burguesinho acusado de estuprar uma jovem argumentar que "ele apenas queria conversar e conhecer a garota, mas ela reagiu com gritos". Só vivendo o cotidiano para saber o trabalho que as pessoas, já com muita coisa para fazer, têm para diferir um ônibus de outro.

Em conversas com pessoas, houve gente de Niterói reclamando que os carros 2.2.124 e 2.4.124 têm a mesma pintura. O primeiro carro é de uma empresa, a Santo Antônio, e outro, da Viação Fortaleza. Para piorar, a Fortaleza andou emprestando carros para a Santo Antônio na linha 45 Cubango / Centro, e a Santo Antônio emprestou carros para a Fortaleza operar a 53 Santa Rosa / Centro. O passageiro pira de vez, no pior sentido.

Evidentemente, fazer voltar as identidades visuais diferentes de cada empresa de ônibus não vai combater a corrupção no setor nem melhorar, em si, o serviço. Mas criaria facilidades muito grandes, sobretudo para identificar, pelas cores, a empresa que presta um péssimo serviço à população.

No caso de uma empresa de ônibus deficitária, mas persistente, a Trans1000 de Mesquita, na Baixada Fluminense, se foi difícil pedir a cassação da empresa com a diversidade visual dos ônibus que operam linhas intermunicipais fluminenses, com a pintura padronizada a coisa seria mais grave ainda, porque a Trans1000 teria as mesmas cores de empresas com melhor qualidade de serviço e a burocracia política poderia fazer a Trans1000 apenas mudar de nome para enganar o povo.

Não há argumento técnico algum que comprove vantagens da pintura padronizada. Para complicar as coisas, se diferentes empresas de ônibus têm a mesma pintura, em certos casos, há casos de uma única empresa de ônibus que opera em diferentes esquemas e cidades, que chega a ter várias pinturas, gastando dinheiro com tinta ou plotagem, o que refere a mais custos para a passagem.

A pintura padronizada gera mais burocracia, mais custos, complica a vida do povo de uma cidade ou região metropolitana e estimula a corrupção político-empresarial, o que deveria fazer com que esta medida seja condenada e não estimulada pela sociedade.

Mas, infelizmente, temos o apego doentio à pintura padronizada nos ônibus, a ponto de dar insônia quando seus defensores imaginam que uma cidade de São Paulo poderia cancelar a "era dos ônibus iguaizinhos". Fala-se em mudar os critérios de licitação de consórcios para lotes de bairros, o que permitiria cada empresa retomar sua identidade visual. Mas os "padronizetes" rezam para São Carimbo, o padroeiro dos "padronizados", para que a pintura padronizada fosse mantida.

É lamentável isso e esta realidade demonstra o quanto medidas retrógradas tentam prevalecer na marra durante anos e anos. Ainda que sob o preço de busólogos valentões criando blogs ofensivos, caluniando tudo e todos. Atitudes assim revelam o quanto uma mera medida para transportes gera um fanatismo desesperado e um apego doentio digno de religiosos obsessivos.

domingo, 24 de setembro de 2017

"Espiritismo" é a religião da Rede Globo? Tudo indica que sim

O "MÉDIUM" JOÃO DE DEUS, DE ABADIÂNIA, GOIÁS - IDOLATRIA FEITA NOS PADRÕES DA REDE GLOBO.

Atores, celebridades e apresentadores de TV, sobretudo da Rede Globo de Televisão, recentemente frequentam o "centro espírita" de Abadiânia, Goiás, a Casa Dom Inácio de Loyola, para visitar o maior astro do lugar, o "médium" João Teixeira de Faria, o João de Deus.

O clima de devoção, mesclado a coberturas sensacionalistas de TV, dá o tom do igrejismo e da vaticanização que domina o lugar, a ponto de analistas sérios nunca identificarem um vestígio de Espiritismo autêntico em estabelecimentos religiosos desse tipo.

Nota-se um claro ranço católico que cerca os chamados "médiuns brasileiros". A Rede Globo, desde que Roberto Marinho passou a gostar de Francisco Cândido Xavier, encampou o "espiritismo" como sua religião oficial, algo que poderia ser um alerta, se nos basearmos nos conselhos de Leonel Brizola de que é preciso interpretar de forma oposta tudo que é defendido ferrenhamente pela Globo.

Mas não. Mesmo alguns esquerdistas aderem facilmente ao "espiritismo", iludidos com o verniz de "humildade" e "despretensão" que cerca a doutrina igrejeira brasileira. Se iludem também com o fato aparente de que emissoras concorrentes também cortejam a mesma religião e que os "médiuns" só são contratados para dar depoimentos ou fazer programas em emissoras regionais sem vínculo com a Globo e canais comunitários da TV paga.

Mas isso não nega que o poder mesmo está na Globo. A Globo blinda o "espiritismo" como ninguém e o serve para emissoras concorrentes. A Globo "exporta" gírias, costumes, hábitos e modos de vida até para quem diz odiar a emissora, porque a Globo tem capacidade de explorar o inconsciente coletivo e, como hábil hipnotizadora, manipula as mentes das pessoas dando-lhes a falsa impressão de que elas não estão sendo manipuladas, como num bom espetáculo de hipnose.

O que vemos é que os "médiuns" mais parecem personalidades de novelas da Globo, com seu paradigma de "amor e bondade" mais próximo de uma ficção de folhetim. Fazem mero Assistencialismo (caridade sem muitos resultados, mas com muita propaganda e ostentação para quem as promove), criam uma mística de aparatos amorosos (frases de efeito, rituais em "centros espíritas", idolatria religiosa) e viram sacerdotes sem batina.

O "espiritismo" parece ter um sotaque de Rede Globo bastante carregado. Chico Xavier, Divaldo Franco e João de Deus tornam-se ídolos religiosos sem a embalagem dos católicos oficiais. É uma forma sutil da Globo concorrer com a Record, sem despertar desconfiança de Edir Macedo, que costuma observar bem o que a Globo está fazendo para reagir conforme as circunstâncias.

Os "médiuns" já são uma aberrante ruptura do que deveria realmente ser um médium espírita, uma figura intermediária, quase anônima, que se limita apenas a intermediar a comunicação entre mortos e vivos. Só no Brasil mesmo é que o "médium" virou atração circense, centro das atenções e dublê de pensador e de conselheiro espiritual, e que vivem do mais escancarado culto à personalidade.

Mas como no Brasil a desinformação das pessoas é generalizada e a catarse humana se comporta como uma biruta que se move ao sabor do vento, os "médiuns" são aceitos sem um pingo de desconfiança. A desculpa do "trabalho do bem" é aceita por motivações emocionais que entorpecem a razão e a percepção das coisas, e o clima de hipnose e todo o aparato amoroso conseguem "desarmar" muita gente boa.

Não temos a vigilância das pessoas do Primeiro Mundo, que veem muitas armadilhas sócio-culturais e religiosas com desconfiança. Fenômenos como a overdose de informação (sobrecarga de notícias e acontecimentos difundidos na mídia) e a "sociedade do espetáculo" (redução da sociedade, sobretudo as classes pobres e minorias sociais, à exploração caricatural da indústria do entretenimento), vistas de forma negativa lá fora, aqui são aceitas como "fenômenos positivos".

Lá fora, tivemos um Christopher Hitchens denunciando Madre Teresa de Calcutá em seus aspectos sombrios, e estudos acadêmicos confirmaram tais denúncias. Mas aqui ninguém denuncia o lado sombrio de Chico Xavier e acadêmicos apenas criam simulacros de investigações para depois corroborar as irregularidades deixadas pelo "médium" mineiro, deturpador maior do Espiritismo.

Temos no Primeiro Mundo uma Leah Remini denunciando os abusos da Cientologia, enfrentando os defensores desta doutrina com coragem e muito questionamento coerente e conciso. Mas aqui a "cientologia caipira" do "espiritismo" brasileiro não recebe uma investigação sequer, e olha que o legado kardeciano foi empastelado de forma explícita e obras como as de Chico Xavier e Divaldo Franco mostram graves desvios doutrinários em relação ao Espiritismo original.

Para piorar, o cinismo dos "espíritas", que se dizem "independentes" midiáticos, afirmam ser "ótimo" que o "espiritismo" brasileiro esteja associado à Rede Globo, porque isso "ajuda, e muito, na divulgação da Doutrina Espírita (sic)".

Isso prova o quanto felizes estão os "espíritas" com o vínculo que exercem com o poder midiático que está associado a fatos sombrios da História do Brasil, como a ditadura militar e o golpe jurídico-parlamentar que colocou Michel Temer ao poder.

sábado, 9 de setembro de 2017

Mídia brasileira continua depreciando a mulher solteira


A mídia do entretenimento brasileira é famosa por glamourizar preconceitos sociais. Pobres, negros, mulheres, crianças, quem não representar o paradigma do macho, mais velho, branco, rico e poderoso acaba sendo manipulado pela mídia de forma que, em certos casos, abordagens pejorativas sejam promovidas como se fossem "qualidades positivas".

A mulher solteira é também vítima dessa manipulação midiática, comandada pela Rede Globo mas exercida também por suas concorrentes. E mais uma vez a apelação atinge as solteiras através da música "Tô Solteira de Novo", "continuação" do antigo sucesso da funkeira Valesca Popozuda, intitulado "Agora Eu Tô Solteira".

Alguém em sã consciência vai parar para pensar e constatar que uma solteira de verdade não se preocuparia em fazer "músicas de solteira". Isso não existe. No Primeiro Mundo, a mulher que se considera "solteira e feliz" não fica alardeando isso, ela fica falando de outros assuntos, sem ficar a todo momento falando em sensualidade ou sexo.

Valesca é das últimas "musas populares" que, após o fim do portal Ego - reduto do sensualismo obsessivo das "musas populares", que não raro beirava ao mau gosto gratuito - , vende uma imagem caricatural e forçada da "mulher solteira", se valendo sempre dos mesmos bordões que causam muita suspeita por serem sempre o mesmo texto.

São esses bordões: "Estou solteiríssima", "os homens fogem de medo de mim", "estou à procura de um príncipe encantado" e outras frases parecidas. Desde o sucesso do É O Tchan, ouvimos ou lemos diferentes mulheres dizendo a mesmíssima coisa, como se fosse um texto decorado.

Essas "musas" sempre estão a serviço de uma visão caricatural da mulher solteira no Brasil, voltada a uma sensualidade obsessiva, uma curtição compulsiva, um hedonismo extremamente forçado. É como se, sutilmente, a mídia trabalhasse a mulher solteira como uma desocupada que só fica preocupada em frequentar noitadas, ir à praia ou exibir suas "generosas formas corporais", geralmente com glúteos e bustos siliconados, piercing no umbigo e alguma tatuagem.

Valesca tenta, agora, promover uma imagem de "líder feminista" e está fazendo tratamento de redução de glúteos. Isso não adianta muito, porque ela sempre trabalhou uma "sensualidade" que está de acordo com os padrões machistas de mulher-objeto.

HIGIENISMO

Essa imagem extremamente caricata da mulher solteira tem dois propósitos, de caráter higienista e até mesmo eugenista. Um é desestimular, nas mulheres pobres, a busca de uma vida amorosa estável, evitando a união de homens e mulheres afins nas classes populares, impedindo a solidariedade conjugal e familiar que possa refletir na união comunitária e na ampliação dos movimentos populares.

Desta forma, crianças nascem sem a ideia da união conjugal do pai e da mãe. A figura paterna, associada a ações de enfrentamento e coragem - não que a figura da mãe não se associe também a ações deste nível, mas os contextos são outros - , é praticamente ausente ou, na melhor das hipóteses, distante e eventual, o que faz com que os meninos tenham dificuldade de aprender o que um homem adulto faz para vencer na vida.

Em comunidades ainda dominadas por valores retrógrados, como são as favelas e os subúrbios, herança da opressão coronelista de muitas pessoas vindas das zonas rurais para as cidades, novidades como a causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) são indigestas, ainda mais quando as religiões evangélicas, hostis a essa novidade, dominam o imaginário religioso do povo pobre.

A imagem "descontraída" e "livre" da "solteira que não tem medo de se divertir" e, a pretexto de expressar a "liberdade do corpo", exibe seu físico exagerado por uma demanda de machos, que lotam plateias, compram revistas e dão mais audiência à TV e à Internet por conta da "boazuda do momento", é feita para impedir que moças jovens pobres, que veem nas "musas" um ideal de ascensão social, se preocupem em se casarem e formarem famílias.

Isso faz com que a higienização social ocorra nos dois lados. Um, evitando que nasçam mais filhos nas classes populares, sobretudo negros, índios e mestiços. Outro é que, se caso as solteiras tiverem uma vida sexual descontrolada, a alta natividade de crianças é "compensada" pelos abusos da violência policial ou marginal, que dizimam tantos pobres inocentes, sem poupar crianças.

A ideia é estabelecer, a médio ou longo prazo, um "enxugamento" da população pobre, negra, índia ou mestiça, diminuindo a natividade. Através de uma "cultura" popularesca, difundida pelas redes de televisão, mostra mulheres de origem mestiça adotando uma postura caricatural da mulher hipersexualizada, e ídolos musicais com canções que falam de conflitos amorosos que soam como hipnoses para um público que também ouve tais músicas nas rádios FM regionais.

Por outro lado, nas classes mais abastadas, o processo é o inverso. Estimula-se o casamento à mulher de considerável instrução e que, embora dotada de beleza atrativa e formosura corporal, não se preocupa em vender a imagem de sexy o tempo inteiro. Ela pode até posar em fotos sensuais de vez em quando ou usar roupas sensuais, ainda que sem exageros, mas de vez em quando ela pode abrir mão da sensualidade e se ocupar em outras atividades.

Ainda que essa mulher, ao se casar, geralmente com um homem mais velho e que ocupa uma posição de comando ou liderança, leve uma vida de "solteira" - pelo menos comparecendo à maior parte dos eventos sem que o marido apareça ou tenha, ao menos, sua presença registrada em fotos - , o vínculo dela com seu cônjuge é um fator que o sistema de valores dominante no Brasil se empenha em manter estável e permanente.

Esta mulher se sente desencorajada a ficar solteira, ao ver que o paradigma da solteira vigente no Brasil é o da ociosa "sensual", a desocupada que só frequenta noitadas, usa tatuagem, exibe demais o corpo e não demonstra grandes qualidades intelectuais. No gosto musical, a "solteira" está associada às piores músicas que ouve através de rádios "populares" controladas por oligarquias empresariais locais.

Isso desestimula a mulher de perfil mais diferenciado de viver uma vida de solteira. A imagem de vulgaridade a constrange, fazendo com que a mulher diferenciada tenha que se apressar na vida amorosa, acolhendo o primeiro homem "mais influente" que aparece em seu caminho.

Essa tendência revela o quanto o feminismo, no Brasil, ainda tem que negociar com o machismo para ter algum espaço. Contraditoriamente, o machismo "aconselha" as mulheres emancipadas a se casarem, se vinculando à imagem masculina do "provedor", enquanto libera as mulheres que fazem o papel de "objetos sexuais" para ficarem sozinhas até não se sabe quando.

É como se o machismo tivesse que controlar os impulsos da mulher de se livrar do jugo machista. O machismo age para controlar a emancipação feminina, impondo a figura do marido poderoso, como se a mulher emancipada tivesse que ser domada pela figura machista do "provedor".

Por outro lado, as mulheres que fazem o papel de "brinquedos sexuais", mesmo quando se autoproclamam, tendenciosamente, "feministas" - algo feito, sobretudo, para agradar acadêmicos e ativistas culturais - , obedecem "por contra própria" as diretrizes machistas, sendo dispensadas da figura "reguladora" do marido.

No sentido da geração de filhos, nas classes abastadas se estimula a figura da família conjugal estável, do casamento que dura anos, mesmo que seja sem amor nem afinidades pessoais. A figura da mulher atraente por sua inteligência, charmosa e discreta, é associada ao marido poderoso (geralmente um empresário ou profissional liberal, tipo médico, economista e advogado), às vezes bem mais velho e mais sisudo, é feita também para permitir a formação social estável dos filhos.

Claro que também há problemas. Nas classes pobres, os filhos sentem uma forte tristeza ao verem outros casais de pais e mães com seus filhos, e, comparando com estes, se sentem "órfãos de pais vivos", a só ter o convívio paternal "de vez em quando" e, geralmente, com a companhia de outra mulher, não havendo o prazer das crianças pobres em ver seus pais biológicos unidos.

Já nas classes mais abastadas, os problemas são outros. Casais sem afinidade, mas forçadamente estáveis, transtornam os filhos de outra maneira. Embora eles estejam em situação confortável de viverem sob o casamento estável de seus genitores, eles percebem a falta de cumplicidade, não raro vendo a "solidão a dois" do casal, sobretudo quando a mãe se reúne com as amigas para falar mal do marido e este, com seus amigos, reclamar também da esposa.

Ser mãe solteira é mais complicado nas classes pobres do que nas classes abastadas, por razões óbvias. Mas há um elemento extra: a surreal situação de que casais afins, nas classes pobres, se dissolvem com muito mais facilidade que os casais abastados sem afinidade, que, quando se separam, enfrentam divórcios caríssimos e deixem perplexos amigos, sócios e colegas de trabalho.

Numa época em que os retrocessos sociais são retomados com toda a força, uma "saudável" abordagem da mulher solteira pela mídia do entretenimento esconde um processo muito perverso de higienização social, pois há a sutil preocupação de evitar que populações negras, índias e mestiças gerem mais descendentes, enquanto a população branca é estimulada a gerar filhos em relações estáveis e com formação social menos problemática.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Articulador do golpe político, Rio de Janeiro se perde em tantos (e graves) problemas


O Rio de Janeiro tem problemas cuja frequência e gravidade são preocupantes demais para serem considerados "normais para uma cidade moderna". Até porque o Estado do Rio de Janeiro e sua capital há muito deixaram de simbolizar alguma modernidade, vivendo agora um surto de provincianismo de assustar até matuto do Norte, e deixou de ser referência de progresso para o Brasil.

Enumeramos muitos e muitos problemas envolvendo não só a cidade do Rio de Janeiro, que vão além da violência ou da crise financeira, e incluem até mesmo a sua responsabilidade pelo golpe político já que, num surto de catarse moralista-administrativa, os cariocas puseram na Câmara dos Deputados reacionários como Eduardo Cunha (hoje cassado e preso) e Jair Bolsonaro (que segue impune depois de dar declarações claramente ofensivas a negros e mulheres).

Chega a soar estranho que o Rio de Janeiro não esteja incluído entre as cidades mais perigosas do país - na prática, é a capital brasileira mais perigosa para se viver - , num tendencioso levantamento estatístico que demonstrou claro preconceito contra os nordestinos, colocando em altas posições cidades consideradas tranquilas como Aracaju.

Este levantamento surreal, que colocou o Rio de Janeiro como a 23ª capital mais perigosa do país (algo equivalente como dizer, numa inversão de ranking, que a cidade é a 5ª capital mais tranquila do Brasil), mesmo com um bairro inteiro se "fortificando" contra a violência (o de Vila Kosmos, na região da Penha), é compreensível.

Explica-se: os dados do Rio foram colhidos entre 2014 e 2016, época de eventos turísticos de grande envergadura (Copa de 2014 e Olimpíadas Rio 2016) e auge do domínio político do grupo de Sérgio Cabral Filho, hoje preso por corrupção, e que também simbolizou o poder dos hoje denunciados Eduardo Paes e Luiz Fernando Pezão. Os dados "pacíficos" da ex-Cidade Maravilhosa foram uma maquiagem para não assustar os turistas nem os investidores.

Vamos enumerar os defeitos que contribuem, de uma maneira ou de outra, para a decadência do Estado do Rio de Janeiro e sua capital, e que contribuíram para a perda do status de "cidade-modelo" da cidade do Rio, que, mesmo com suas imperfeições, "ditava" o que poderia valer no país em termos de cultura, mercado, sociedade, mobilidade urbana etc.

1) VIOLÊNCIA - O crime organizado deixou-se crescer, pelo descaso político e outras falhas, desde os tempos da ditadura, quando perigosos assaltantes de banco foram alojados junto com presos políticos e, de conversa em conversa, os bandidos criaram organizações criminosas. O Rio de Janeiro vive o domínio do narcotráfico, da milícia e da contravenção que, juntos, apresentam práticas de violência que, em muitos momentos, lembram a pistolagem e o domínio coronelista dos latifúndios da região Norte.

2) ULTRACONSERVADORISMO - Os cariocas se revelaram, a partir dos anos 1990, algo que apenas estava latente neles depois do golpe de 1964: um certo ultraconservadorismo reacionário, que faz com que muitos indivíduos tenham um "pensamento único" para qualquer coisa, desprezando as diferenças do outro e criando uma perspectiva extremamente limitada, voltada à mesmice consumista das boates, praias e estádios de futebol. O Rio de Janeiro é famoso também por ser um reduto da direita ideológica, que prefere manter as desigualdades sociais entre pobres e ricos.

3) INTOLERÂNCIA - O Rio de Janeiro é um dos maiores redutos de bullying e cyberbullying no Brasil, por causa tanto da intolerância de muitos indivíduos à discordância alheia quanto à defesa do "estabelecido" por conta do status social de quem impõe certas medidas e valores retrógrados ou restritivos. A fúria em humilhar o outro, que produz ataques em massa nas redes sociais e blogues de conteúdo calunioso e difamatório, é tanta que os valentões são imprudentes. Suas páginas ofensivas são denunciadas para a Polícia Federal e suas visitas à cidade de residência de sua vítima são tão frequentes que chama a atenção de milicianos. Os valentões reagem com sua risada digital "KKKKK", até que sejam condenados, tenham seus computadores e celulares confiscados ou serem mortos por algum pistoleiro de ocasião.

4) MESMICE CULTURAL - O antigo vanguardismo e diversidade cultural dos cariocas está se dissolvendo, em razão da mentalidade consumista que predomina nos cariocas e nos fluminenses por associação. Enquanto a Bossa Nova é condenada ao esquecimento e a apreciação de MPB se restringe a eventos claramente saudosistas e o rock se limita a um gênero de one-hit wonders (artistas de um sucesso só), a mais recente gafe do momento (imagine um Deep Purple com longa trajetória, reduzido a um único sucesso, "Smoke on the Water"!), os cariocas estão mais receptivos ao canhestro "funk" e ao embuste chamado "sertanejo universitário". Chama a atenção também que, seja no pop dançante juvenil ou no pop adulto, os cariocas ficam ouvindo sempre um mesmo punhado de músicas. Fora do âmbito musical, a mesmice cultural revela apego à atrações da TV aberta, um cenário teatral reduzido a comédias americanizadas ou franquias de personagens infantis estrangeiros e a aberrações literárias como "livros para colorir" e diários de youtubers.

5) LAZER LIMITADO - Há uma piada que diz que é preciso apresentar o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e outros pontos turísticos para os cariocas. Os únicos pontos turísticos que os cariocas conhecem são as praias de Copacabana e Ipanema e o Maracanã. O lazer limitado ao consumo de celulares (Facebook e WhatsApp), à televisão, o apego à noitada e o fanatismo esportivo revelam que o carioca, para se divertir, está se tornando bastante repetitivo.

6) FANATISMO PELO FUTEBOL - O grande problema do Rio de Janeiro é que o fanatismo pelo futebol, que envolve quatro times (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco), torna-se moeda corrente nas relações sociais. Muitos cariocas, quando querem conhecer alguém, perguntam seu time antes de perguntar seu nome. Além disso, há denúncias de que não gostar de futebol é fator determinante para o assédio moral, pois uma simples postura desse tipo é motivo para demissões no trabalho, e, com a reforma trabalhista, que liberou os patrões da fazerem o que querem, isso se torna ainda mais grave. O fanatismo pelo futebol só é considerado "natural" pelos cariocas, mas para os demais brasileiros isso é sinônimo de chatice e falta de assunto.

7) DESUMANIDADE - Os cariocas, tomados de tanto consumismo, precisam se reencontrar. A vida carioca tornou-se desprovida de humanidade. As pessoas estão menos preocupadas em arrumar amigos do que parceiros de alguma diversão (mas sempre aquela: noitadas, vôlei na praia, ver futebol no "Maraca" etc). Não há lugares para paquera se não os redutos caros e perigosos das boates. E as pessoas ainda carecem de alguma afeição, a ponto de extrovertidos esperarem que introvertidos se tornem extrovertidos e pessoas deprimidas virem piadistas para se "entrosar" com os cariocas. As mulheres são muito insensíveis para paquera e se esquecem que os homens também adoram serem amados.

8) APEGO AO STATUS QUO - Alguns retrocessos cariocas recentes, como rádios de rock feitas por quem NÃO é do ramo (Rádio Cidade), o falso folclore do "funk" e a pintura padronizada dos ônibus cariocas (uma medida que confunde passageiros e favorece a corrupção político-empresarial; que o diga a Operação Lava Jato que prendeu empresários cariocas de ônibus), chegaram ou chegam a prevalecer porque quem decidiu por tudo isso era gente ligada a algum status quo: tecnocratas do transporte trabalhando na Prefeitura do Rio, empresários do ramo de shows que se associam com rádios, acadêmicos que julgam ter uma visão "ideal" de "cultura popular" etc. Mas foi essa visão divinizada do "alto da pirâmide" que faz os cariocas endeusarem a Rede Globo e elegerem figuras "moralistas" como Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. Os cariocas superestimam as pessoas pelo privilégio social que estas possuem.

9) CONTENTAMENTO COM POUCO - Existe uma piada em que o carioca, num restaurante, assim que chega um garçom, faz um único pedido: "Eu quero arroz, feijão, carne e alguma salada. O que todo mundo come. O que matar a fome, está bom demais". A ideia do carioca gostar do "básico" (que, em muitos casos, é abaixo do básico) faz com que limitações diversas como a falta de certos produtos nos mercados e a ausência de revistas e fotos raras nos sebos ou na Internet, além da repetição dos mesmos sucessos musicais em rádio FM - que envolve até os one-hit wonders forjados no segmento rock - revela o contentamento dos cariocas com pouco, o que mostra sua visão de mundo superficial e pragmática demais.

10) FALTA DE LOGÍSTICA - Os supermercados cariocas são ilustrativos. Há uma lentidão no reabastecimento de estoques, e a falta de percepção de que não se pode oferecer apenas "produtos básicos". Produtos mais baratos e diferenciados somem nos estoques e levam até um mês para serem repostos. Não há diversidade de produtos, e os mercados se concentram apenas em duas ou três marcas, complicando a concorrência e dificultando o barateamento dos preços. Além disso, o gerente parece se comportar como um boneco de corda que só age se houver pressão da freguesia, carecendo de visão estratégica para pressentir as necessidades da demanda.

11) PERDA DE SENTIDOS E SENTIMENTOS - O carioca deixou-se de emocionar, preferindo a catarse que favorece mais os instintos do que as emoções. Até a "emotividade religiosa", como vemos, por exemplo, no "espiritismo", são mais uma "masturbação com os olhos" nos quais pessoas se divertem às custas do sofrimento alheio, através do entretenimento das "estórias de dor e superação". Mas também deixou de sentir até mesmo o fedor do lixo em sua volta. Caminhões de lixo circulam fedorentos e mal-conservados pelas cidades do Grande Rio e as pessoas nem sentem mais o odor incômodo e asqueroso. Pessoas ficam na praia rindo e contando piadas com fezes de animais ao seu lado, sem que houvesse algum senso de repugnância. Isso gera até um trocadilho do Rio de Janeiro com a Síndrome de Riley Day (que faz a pessoa ser insensível à dor e outros sentidos), criando o apelido de "Riley Day Janeiro".

12) NITERÓI CONFORMADA EM SER QUINTAL DO RJ - Niterói era capital do Estado do Rio de Janeiro quando a cidade vizinha era capital do Brasil e, depois, da Guanabara. Quando veio a fusão, o antigo status de Niterói, que fazia o sonho de todo interiorano fluminense, ruiu aos poucos, mas o sinal mais evidente se deu nos anos 1990, quando a antiga Cidade Sorriso, fundada pelo valente Arariboia, passou a se comportar como uma cidade do interior, e, o que é pior, como uma cidade do interior que nem as cidades do interior querem mais ser. Uma mentalidade provinciana, matuta, indiferente e resignada a tudo, uma indigência cultural, coisa que não é diferente do que ocorre no município vizinho, mas em Niterói isso se torna ainda mais intenso. É preocupante essa sensação dos niteroienses em estarem felizes em serem província.

13) EXCESSO DE FUMANTES - É terrível como no Grande Rio as pessoas fumam cigarro, apesar de tantas campanhas de esclarecimento. E, mais grave, nem as mortes de pessoas que de alguma forma tiveram uma trajetória ligada ao fumo, como atores e jornalistas de TV mortos ainda na casa dos 60 anos e até menos, conseguem sensibilizar os fluminenses. E nem as notícias de amigos prematuramente falecidos por câncer ou infarto devido ao fumo. Há até mesmo o hábito de pessoas ficarem muito tempo com o cigarro na mão, quando poderiam abandonar o cigarro de vez.

14) ALTO CUSTO DE VIDA - Produtos e serviços, no Grande Rio, custam muito caro, o que justifica o aumento dos assaltos, porque muitos pobres não têm dinheiro sequer para comprar o mais barato dos almoços. Os fornecedores de serviços e os vendedores, assim como os empresários ligados, deveriam ter noção de que o dinheiro do povo não é capim e poderiam baixar serviços e produtos de forma a se tornarem mais acessíveis à população, garantindo movimentação de renda e impedindo o perecimento de produtos e a falência de empresas.

Esses catorze itens são apenas os principais. O Rio de Janeiro, Estado e capital, precisa de uma violenta mudança e reavaliação de sua realidade, de forma a, pelo menos, alcançar uma reputação mais respeitável. Do jeito que está, o Estado sucumbirá a uma decadência tão grande que até o Acre passará a se tornar mais moderno e cosmopolita. O Rio de Janeiro não pode mais "continuar sendo", tudo tem que mudar.