domingo, 14 de janeiro de 2018

URGENTE! Divaldo Franco NÃO psicografou coisa alguma em toda sua vida!


Estamos diante da grande farsa que se tornou o Espiritismo no Brasil, empastelado pelos deturpadores brasileiros que cometeram traições graves ao trabalhoso legado de Allan Kardec, que suou muito para trazer para o mundo novos conhecimentos que, manipulados por espertos usurpadores, se reduziram a uma bagunça, a um engodo que mistura valores místicos, moralismo conservador e muitas e muitas mentiras e safadezas.

É doloroso dizer isso, mas os fatos confirmam. Vemos um falso Humberto de Campos, suposto espírito que "voltou" pelos livros de Francisco Cândido Xavier de forma bem diferente do autor original, mais parecendo um sacerdote medieval metido a evangelista do que um membro da Academia Brasileira de Letras.

Poucos conseguem admitir que essa usurpação, que custou um processo judicial que a seletividade de nossa Justiça, que sempre absolve os privilegiados da grana, do poder ou da fé, encerrou na impunidade a Chico Xavier e à FEB, se deu porque o "médium" mineiro não havia gostado da resenha irônica que o autor maranhense fez sobre Parnaso de Além-Túmulo.

Morto Humberto, Chico Xavier então esperou repercutir a comoção nacional e inventou um sonho numa carta para a FEB para "justificar" a falsa parceria espiritual, iniciando assim uma série de grotescos pastiches literários sob o nome do ilustre escritor, hoje criminosamente esquecido. Atualmente, enquanto o Humberto original está fora de catálogo, o Humberto fake continua livre, leve e solto nas prateleiras das livrarias, mesmo as mais conceituadas, de nosso país.

E o que dizer de Divaldo Franco? Ele é mais verossímil que Chico Xavier, que era um tanto atrapalhado para esconder suas irregularidades, mas, por outro lado, parece menos ambicioso nas falsas mediunidades do que o amigo das Gerais. Apesar do verniz de "intelectual" e "professor", Divaldo não produziu livros pseudo-científicos como Chico Xavier, que chegou a lançar obras de supostas experiências de paranormalidade.

Ainda assim, a mediunidade dos dois é extremamente duvidosa e há fortes indícios de que eram fraudulentas. Ainda é polêmica a admissão de "mediunidade" no caso de Emmanuel, pois há quem acredite que, ao menos, ele ditou as obras. Os demais casos, relacionados a Chico Xavier, no entanto, se revelam claramente fraudulentas. Nem a Irma de Castro Rocha, a Meimei, está por trás das obras que usam seu nome, soando mais paródias de Chico da linguagem dos diários da moça divulgados pelo viúvo Arnaldo Rocha.

No caso de Divaldo Franco, todavia, se nota de antemão que ele NUNCA psicografou coisa alguma em toda sua vida. Ele não consegue sequer parodiar estilos, como Chico Xavier fazia com a ajuda do seu descobridor e tutor Antônio Wantuil de Freitas e a equipe de Reformador, periódico da FEB.

Todas as obras que levam o nome de Joana de Ângelis e várias outras sob diversos outros nomes seguem rigorosamente o estilo pessoal de Divaldo Franco. Não seremos idiotas de achar maravilhoso que diversos espíritos se manifestem com o estilo pessoal de Divaldo, sob a desculpa dele ser "iluminado" e sua linguagem ser "universal". A uniformidade de estilo sugere fraude.

JOANA DE ÂNGELIS NUNCA FOI JOANA ANGÉLICA. FOI O OBSESSOR DE DIVALDO

As obras que levam o nome de Joana de Ângelis e os artigos, palestras e depoimentos trazidos pelo próprio Divaldo seguem rigorosamente o mesmo estilo. Sem tirar nem pôr. A mesma linguagem de palavras enfeitadas, quase sempre prolixas, bastante rebuscadas, e com um apelo igrejeiro bastante monocórdico.

Vamos fazer duas amostras ligeiras. Vamos mostrar um trecho de um texto atribuído a Joana de Angelis que teria sido lançado numa reunião mediúnica (sic) de 29 de outubro de 2008, no Centro Espírita (sic) Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Outro é um trecho de uma entrevista dada em 06 de novembro de 2017 ao jornal gaúcho Zero Hora, em razão do 9º Congresso Espírita do Rio Grande do Sul, na PUCRS em Porto Alegre.

As semelhanças são gritantes, são rigorosamente um único estilo, e isso não se deve por comunhão de pensamento nem por universalidade da linguagem, mas, pura e simplesmente, de falsidade ideológica e uso de nome ilustre (a falsa atribuição a Joana Angélica sob o pseudônimo Joana de Ângelis) para causar impressão e sensacionalismo na opinião pública. Vamos conferir:

"A alucinação midiática, a serviço do mercantilismo de tudo, vem, a pouco e pouco, dessacralizando o ser humano, que perde o sentido existencial, tombando no vazio agônico de si mesmo. 

Numa cultura eminentemente utilitarista e imediatista, o tempo-sem-tempo favorece a fuga da autoconsciência do indivíduo para o consumismo tão arbitrário quão perverso, no qual o culto da personalidade tem primazia, desde a utilizaçào dos recursos de implantes e programas de aperfeiçoamento das formas, com tratamentos especializados e de alto custo, até os sacrifícios cirúrgicos modificando a estrutura da organização somática.

O belo, ou aquilo que se convencionou denominar como beleza, é um dos novos deuses do atual Olimpo, ao lado das arbitrariedades morais e emocionais em decantado culto à liberdade, cada vez mais libertina.

A ausência dos sentimentos de nobreza, particularmente do amor, impulsiona o comércio da futilidade e do ilusório, realizando-se a criatura enganosamente nos objetos e utensílios de marca, que lhe facultam o exibicionismo e a provocação da inveja dos menos favorecidos, disputando-se no campeonato da insensatez".

(ATRIBUÍDO A JOANA DE ÂNGELIS - 2008)

"Toda a vez em que a civilização atinge um ápice de progresso, há uma curva de afirmação de valores. E naturalmente, uma decadência. (Isso ocorre) Desde a antiga Babilônia até a Europa moderna, que atingiu um alto nível na civilização e, no entanto, não pode evitar duas guerras. É um fenômeno natural e histórico no processo da evolução. Apesar disso, nunca houve na humanidade tanto amor, tanta bondade e tanto sacrifício. A crise nos afeta muito. Mas é necessário descobrir os valores que estão ocultos e que os exaltemos. A crise é uma preparação de mudança - de natureza social ou tecnológica. É para a adaptação. 


Quando cada um de nós realizar uma mudança de valores. Em vez de nos preocuparmos tanto com os valores externos, com a posição social ou em atingir topo, (deveríamos) nos preocupar com a harmonia interna. Com essa modificação, haverá um contágio de sentimentos.

O grande desafio da criatura humana é a própria criatura humana. O indivíduo muda somente de nome e de endereço. Os conflitos psicológicos, as ânsias e as necessidades emocionais são as mesmas, porque falta às pessoas aquele conhecimento profundo de si para dar à sua vida um objetivo e uma natureza existenciais. Apesar das conquistas tecnológicas, o homem moderno não encontrou aquela paz que procurava. Ao possuir coisas, defrontou-se com o vazio interior. Esse vazio somente é preenchido, como diria Platão, através da observação daquela proposta de Sócrates: o autoconhecimento. No momento em que nos identificamos, sabemos qual é a finalidade da vida".

(TRECHOS DA ENTREVISTA AO JORNAL ZERO HORA, DE 2017).

Nos últimos anos, Divaldo Franco não usa mais o nome de Joana de Ângelis. Oficialmente, ela "reencarnou". Mas observando os textos da "sóror" e do "médium", os estilos são um só. Exercite e veja os textos de Divaldo e "sua mentora", faça um exercício de leitura, leia os textos em voz alta e verá que é o mesmo estilo, o mesmo conteúdo, a mesmíssima linguagem.

A verdade é que Joana de Ângelis não foi Joana Angélica e nem escreveu as obras que levam seu nome. Quem escreveu os livros foi tão somente Divaldo Franco, sob sugestão do obsessor, o Máscara de Ferro, que, como intuidor malicioso, teria adotado a identidade da "mentora" do suposto médium.

Joana Angélica, na verdade, não tinha o estilo autoritário e severo que se conhece oficialmente de seu suposto espírito, tendo sido enérgica, sim, porém muito mais sensível e humana que a "mentora" do suposto médium, que está longe de ser a mestra admirável por não suportar ver pessoas ficando tristes por mais de quinze minutos.

A respeito do autoritarismo de Joana de Ângelis, que certa vez impôs a Divaldo a "trabalhar" (ou seja, escrever textos) mesmo quando este estava cansado, sob a desculpa de que "ela estava morta e ele vivo e saudável", O Livro dos Médiuns, na tradução de José Herculano Pires, descreve o seguinte, através de mensagem do espírito São Luíz, no capítulo 24, Identidade dos Espíritos, item 266:

"Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição.

São exclusivistas e absolutos ns suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara".

Só no Brasil, onde uma parcela de brasileiros apoia um aspirante a ditador como Jair Bolsonaro e temos uma sociedade patriarcalista, impositiva e reacionária, é que espíritos autoritários são considerados "superiores". O próprio Emmanuel, "mentor" de Chico Xavier, também foi famoso pelo perfil autoritário, o que sugere que ele também foi espírito inferior, dos mais mesquinhos, da mesma forma que o Máscara de Ferro e sua identidade trans de Joana de Ângelis.

E já que falamos de Herculano Pires, este, um batalhador das bases doutrinárias espíritas originais, e o melhor tradutor da obra kardeciana hoje disponível no mercado literário, ele havia feito o seguinte comentário sobre o suposto médium baiano, que deixaria seus seguidores divididos entre a desilusão a um "médium" e o desprezo a um jornalista autenticamente espírita.

O comentário de Herculano sobre Divaldo, com palavras nada generosas, foi dado em carta ao jornalista Agnelo Moreto, e mostram o quanto o tão festejado "líder espírita" sempre foi um embusteiro, um comercializador das palavras com conduta negativa e condenável como "orador e filantropo":

"Do pouco que lhe revelei acima você deve notar que nada sobrou do médium que se possa aproveitar: conduta negativa como orador, com fingimento e comercialização da palavra, abrindo perigoso precedente em nosso movimento ingênuo e desprevenido; conduta mediúnica perigosa, reduzindo a psicografia a pastiche e plágio – e reduzindo a mediunidade a campo de fraudes e interferências (caso Nancy); conduta condenável no terreno da caridade, transformando-a em disfarce para a sustentação das posições anteriores, meio de defesa para a sua carreira sombria no meio espírita".

Diante de tudo isso, podemos garantir que Divaldo Franco NUNCA foi médium. Ele foi tão somente um palavreador, um deturpador do Espiritismo e fã de Jean-Baptiste Roustaing, um habilidoso e esperto manipulador das palavras que, de "caridade", fez apenas iniciativas medíocres de resultados pouco eficientes, feitas dentro do Assistencialismo (filantropia mediana que mais promove o "benfeitor" do que os benefícios aos necessitados) e fica colecionando prêmios por quase nada.

As pessoas têm que sair dos mundos dos sonhos, dos contos de fadas para adultos do "espiritismo" brasileiro e da atribuição dos "médiuns espíritas" como se fossem fadas-madrinhas da vida real. É se apegando a esses sonhos que, quando a realidade se apresenta fora das paixões religiosas, faz as pessoas sucumbirem às piores desilusões, mesmo quando teimam em ficar presas às suas fantasias da idolatria cega aos "médiuns".

domingo, 7 de janeiro de 2018

"Espiritismo" brasileiro pode até infectar computadores


Nós, críticos da deturpação do Espiritismo, recebemos várias queixas de pessoas que sofrem azar de todo tipo, depois que entraram em contato com uma atividade "espírita" ou uma obra do gênero. Pessoas que, de repente, passaram a ser visadas por assaltantes e até cyberbullies, perdem pessoas queridas em tragédias surgidas do nada e passam a ser atraídas por pessoas indesejáveis, que em condições naturais não sofreriam esse processo.

Mas outras queixas chamam a atenção, quando pessoas que visitam páginas "espíritas" para alguma consulta inocente. Dias depois, essas pessoas, por uma outra inocente consulta numa página da Internet, mesmo sem qualquer leviandade e, constantemente, para estudo e obtenção de informações, esbarra numa página infectada com vírus, malware ou spyware.

Outras pessoas acham um absurdo atribuir ao "espiritismo" brasileiro energias vibratórias bastante negativas, porque acreditam que ele é a "religião do amor e da fraternidade". Mas a baixa sintonia energética é certa, porque o "espiritismo" brasileiro lida com posturas desonestas desde que preferiu adotar os valores de J. B. Roustaing em detrimento dos ensinamentos de Allan Kardec.

Os "espíritas" brasileiros traem Kardec o tempo todo, difundindo conceitos anti-doutrinários, mas juram de joelhos que lhe são "absolutamente fiéis" e "respeitam rigorosamente" os postulados espíritas. Praticam igrejismo dos mais gosmentos e grudentos, mas juram com as mãos em posição de prece que são "científicos" e apenas "professam algumas lições de fraternidade cristã", um dos eufemismos para a catolicização do Espiritismo.

Diante dessa posição, supostamente bem intencionada mas bastante desonesta - trair Kardec e jurar "fidelidade" a ele, catolicizar o Espiritismo e dizer que isso é apenas "afinidade com os valores cristãos" - , o que é que se espera dos "espíritas"? Que eles atraiam espíritos superiores, que conhecem a face oculta do pensamento humano, mas são complacentes a uma parcela de religiosos que se julgam "os mais dedicados servidores do Alto"?

Não. Diante da posição dos traidores de Kardec que se posam de "fiéis seguidores", só se podia atrair espíritos inferiores de diversos tipos, traiçoeiros, zombeteiros, vingativos, dissimuladores etc. Eles se sentem atraídos a ambientes em que a mentira procura manter o tempo todo o disfarce de "verdade indiscutível" e está servida aos apelos emocionais mais atraentes.

Por isso é que as atividades e obras "espíritas" são fontes de azar. A idolatria a Francisco Cândido Xavier, que fetichizava os mortos prematuros, fazia tantos idosos perderem seus filhos, em tragédias surgidas do nada, quase sempre evitáveis. Era a mórbida sintonia com a figura sombria de Chico Xavier, um sujeito que virou ídolo religioso não por representar coisas boas, mas porque virou um mito muito bem construído pela FEB e, depois, pela Rede Globo de Televisão.

Não adianta os "espíritas" negarem que dão azar porque suas posturas contraditórias atraem espíritos inferiores que não vão sair desses meios. Enquanto houver desonestidade, falta de sinceridade ou mesmo falsa sinceridade, eles permanecerão, com suas zombarias, intrigas, ameaças, represálias e outras coisas ruins.

A sintonia espiritual é uma coisa séria. Não se pode brincar. Os "espíritas" brincam o tempo todo, cometem contradições a toda hora, se dissimulam com muita persistência a ponto de parecerem o que nunca são, com sua falsa simplicidade que esconde vaidades homéricas que faz os "médiuns" viverem do culto à personalidade.

Não é dizendo que "não está aí para más sintonias" nem forjando "boas energias", com aparente alegria e serenidade, que se atraem boas energias. Energias maléficas podem se alojar em pessoas que cometem desonestidade doutrinária na deturpação do Espiritismo, traindo e jurando falsa fidelidade, por mais que adotem um estilo zen, tenham mel na voz e tenham posturas aparentemente positivas.

Se brinca com as crenças, sem honestidade nem sinceridade, como vemos no "espiritismo" brasileiro que mais parece a religião da Tábua Ouija, os espíritos inferiores neles encontram um forte reduto, no qual eles permanecem até mesmo quando aparentemente os "espíritas" se encontram "em boas vibrações".

Isso é sintomático. E, diante de "espíritas" que traem Allan Kardec com conceitos roustanguistas mas se dizem "fiéis" ao pedagogo francês, as energias inferiores repousam até no aparato de serenidade, alegria e positividade. E isso contamina também aqueles que recorrem ao "espiritismo", que sofrem do mesmo mal, contraindo azar mesmo quando tentam contrair as melhores energias.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

"Espiritismo", "funk" e a glamourização da pobreza

O QUE VALESCA POPOZUDA E CHICO XAVIER TÊM EM COMUM? A ASSOCIAÇÃO COM A IMAGEM ADOCICADA DAS CLASSES POPULARES.

O que o "funk" e o "espiritismo" brasileiro têm em comum? Além de uma fachada falsamente progressista, que seduz setores das esquerdas político-culturais, apesar de ambos serem blindados pelas Organizações Globo, elas também apostam numa imagem glamourizada da pobreza, abordando as classes populares sob uma imagem adocicada e domesticada.

Ambos se servem de uma imagem aparentemente positiva das classes populares, e trabalham visões equivocadas relacionadas à cidadania e ao ativismo social. E tanto o "funk" quanto o "espiritismo" vendem uma imagem falsamente futurista, quando eles na verdade trabalham para regredir a sociedade brasileira para níveis sociais equiparados ao século XIX.

O "funk", por exemplo, luta para nivelar a sociedade do Estado do Rio de Janeiro e, daí, para o resto do Brasil, para os padrões de comunidades populares anteriores ao desenvolvimentismo que o prefeito da antiga capital do país, Pereira Passos, começou a fazer de forma significativa, ainda que desigual e elitista, mas, de certa forma, com alguma preocupação de progresso.

O "espiritismo" brasileiro luta para nivelar a sociedade brasileira aos padrões religiosos anteriores a 1808, recuperando os postulados originais não do Espiritismo francês, mas do Catolicismo medieval que prevaleceu durante o período colonial brasileiro.

O "espiritismo" seria uma forma de recuperar o legado da Companhia de Jesus, depois que o primeiro-ministro português Marquês do Pombal determinou o fim das atividades jesuítas na colônia, porque custavam caro aos cofres portugueses, mediante uma série de investimentos de recuperação de Portugal, após os trágicos terremoto e maremoto de 1755.

Diante disso, o que se observa é que o caráter ativista das classes populares, com revoltas históricas que ficaram na memória historiográfica de nosso país, tenta ser substituído pela imagem adocicada do povo pobre, um estereótipo considerado "alegre" e "divertido", mas que soa também inofensivo aos interesses da sociedade elitista e preconceituosa.

A visão adocicada das classes populares, que tanto podem rebolar ao som de Valesca Popozuda e Mr. Catra como podem apreciar as mensagens piegas de Chico Xavier e Divaldo Franco, garante o sono tranquilo das elites, que até apoiam as classes populares quando elas se encontram nessa situação submissa e resignada, receptivas à ação paternalista dos privilegiados da sorte.

Infelizmente, isso é uma pegadinha que pega desprevenida a sociedade progressista, que imagina que isso é uma imagem "naturalmente positiva" das classes populares. O que vemos é que mesmo entre as esquerdas brasileiras há uma educação elitista e conservadora muito forte, que faz com que mesmo os ativistas sociais autênticos consintam com essa abordagem caricatural e piegas do povo pobre.

A glamourização da pobreza tranquiliza a todos. Em tese, ela evita que as elites sejam assaltadas com mais frequência. Ela permite o paternalismo das elites e a anestesia social das classes populares por meio do entretenimento e da religião, criando uma alternância entre a permissividade do "funk" e a moderação religiosa que se observa no "espiritismo", religião que mais tipicamente trabalha a imagem glamourizada e dócil do povo pobre.

O que poucos imaginam é que isso também pode ser uma forma de controle social, porque ela nem de longe traz a verdadeira qualidade de vida. A imagem do povo pobre trazida pelo "funk" e pelos "espíritas" também não é diferente da imagem espetacularizada que eventos como o Caldeirão do Huck, apresentado pelo "potencial presidenciável" Luciano Huck, e o Criança Esperança, ambos da Rede Globo de Televisão, já trabalham.

O pano de fundo de tudo isso é a visão de que o povo pobre não tem autonomia - ou "tem", desde que subordinada ao aparato mercadológico do entretenimento comercial e religioso, no caso da caridade paliativa do Assistencialismo "espírita" - e não pode ter amplas conquistas no âmbito sócio-cultural. As "grandes conquistas" que o povo pobre pode ter estão sempre limitadas aos contextos de entretenimento e fé religiosa já pré-estabelecidos pelo poder midiático vigente.

Portanto, os dois fenômenos, "funk" e "espiritismo", podem parecer divergentes entre si, mas são muito mais afins do que se imagina, pela forma com que tratam o povo pobre, como um ente social que deve estar sempre à mercê de ações paternalistas, sujeito a uma aparente, porém limitada, emancipação social, nos limites que não representam ameaças aos privilégios abusivos das elites que lutaram para retomar o poder desde 2002 e o reconquistaram em 2016.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

No dia das passeatas do "Fora Dilma", blogueiro "espírita" de esquerda citou Chico Xavier e Ramatis


Ribamar Fonseca, colunista do Brasil 247, mordeu a isca ao ser complacente com o "espiritismo" brasileiro. Em seus artigos de 2016, citando Francisco Cândido Xavier, Ramatis, o falso Humberto de Campos e outros, defendeu uma religião que, mais tarde, se revelou apoiadora daquilo que o colunista e escritor rejeitava, que era o golpe político de 2016.

No texto que reproduziremos abaixo, Ribamar, na sua boa-fé, fala do "julgamento da humanidade" trazido por falsas profecias difundidas por obras tidas como "espíritas". O escritor ignora que o profetismo era condenado por Allan Kardec e que, no rol de confusões do "espiritismo" brasileiro, um dos "profetas" mencionados, o suposto espírito Ramatis, foi acolhido por Divaldo Franco que, porém, numa de suas hipócritas declarações, acusou-o de "deturpador do Espiritismo". Vá entender.

Ribamar parece expressar o otimismo típico dos "espíritas", que falam de um "novo despertar", de um "julgamento próximo" que seria uma tradução "espírita" do Apocalipse bíblico. Misturando citações filosóficas com outras esotéricas e igrejistas, Ribamar descreve, num artigo estranho para os propósitos do progressista Brasil 247 - mesmo para os níveis de diversidade de opiniões que o portal abriga - , que "todos prestarão contas por seus atos".

O colunista cita até mesmo o relato fake de um falso Humberto de Campos que "escreve" feito um padre e não como um escritor e acadêmico que realmente foi o auto maranhense. Caindo na armadilha da patriotada literária Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, Ribamar disse que o Brasil "não é um barco à deriva" e que seguiria guiado por Jesus.

Para completar o absurdo, Ribamar ainda corrobora o asneirol de Chico Xavier em falar de um suposto planeta "chupão", que seria uma espécie de "transporte" para levar para longe a escória da humanidade terrena. Esse "planeta" recebeu comentários jocosos do renomado cientista Neil DeGrasse Tyson, que definiu o planeta "chupão" (conhecido como Nibiru) como uma "bem construída ficção".

Certo. Mas, depois do "histórico" 13 de março de 2016, em que, para infelicidade de Ribamar Fonseca, o "espiritismo" brasileiro definiu as passeatas do "Fora Dilma", encharcadas de ódio e apelos fascistas, como "despertar da humanidade para a Regeneração", o que fez com que os "espíritas" demonstrassem, mais tarde, o apoio a Michel Temer e suas amargas reformas trabalhista e previdenciária e o acolhimento a nomes como Aécio Neves, João Dória Jr. e até Jair Bolsonaro.

FOTO MONTAGEM QUE ENFATIZA MANCHETE DO "CORREIO ESPÍRITA" DEFININDO AS PASSEATAS ODIOSAS DO "FORA DILMA" COMO "CAMINHO DA REGENERAÇÃO".

Juntando perspectivas messiânicas com bonapartismo, os "espíritas" passaram a apoiar tudo o que os progressistas que escrevem para o Brasil 247 rejeitam. Os "espíritas" trataram militantes como Kim Kataguiri e Fernando Holiday com as qualidades similares aos das "crianças-índigo" e afirmaram que Michel Temer foi o "guia escolhido por Deus para pacificar e unificar os brasileiros e enfrentar a crise financeira".

Ribamar Fonseca ignora que os "espíritas" passaram a apoiar abertamente, depois do golpe político, o próprio governo Temer e posar, em clima de muita camaradagem, ao lado dos astros desse período golpista: Sérgio Moro, o próprio Michel Temer, e mais Aécio Neves, ACM Neto e João Dória Jr. E se o "médium" Chico Xavier estivesse vivo, ele mesmo teria gritado "Fora Dilma" e "Fica Temer", defendendo, talvez, Luciano Huck ou Sérgio Moro para a Presidência da República.

Vamos ao texto:

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O julgamento está próximo

Ribamar Fonseca - Brasil 247 - 13 de março de 2017.

A descoberta de um novo planeta no nosso sistema solar acaba de ser anunciada, através de um artigo na revista especializada "The Astronomical Journal", pelo astrônomo Michael Brown. Na verdade o planeta ainda não foi visto, mas pelas perturbações causadas entre os corpos espaciais na zona de Plutão, foi possível ao astrônomo afirmar a sua existência. Seus cálculos foram compartilhados por seu colega Constantin Batygin e ambos chegaram à conclusão de que o novo planeta tem dez vezes a massa da Terra e sua distância do Sol é 200 vezes maior do que a distância do nosso globo para o astro-rei. E mais: sua órbita completa ao redor do Sol duraria cerca de 15 mil anos. O anúncio ganhou destaque no mundo porque o astrônomo Brown, que descobriu o planeta-anão Sedna e contribuiu para o rebaixamento de Plutão, tem grande prestígio nos meios científicos.

O que poucos sabem, no entanto, é que a existência desse planeta já era conhecida dos espíritas desde o início do século passado. No seu livro "Mensagens do Astral", editado na década de 30 daquele século, o espírito Ramatis, autor de inúmeras obras sobre o mundo espiritual, já falava sobre esse planeta, que neste milênio, em sua elipse, deve passar próximo da Terra, provocando cataclismos como parte do processo evolutivo do nosso planeta. Segundo mensagens espirituais recebidas em todo o mundo, a Terra será promovida a Planeta de Regeneração, quando a vida será infinitamente melhor do que atualmente e, para isso, precisa ser expurgada dos maus, que serão atraídos, em espírito, para o novo planeta. Chico Xavier chegou a denominá-lo de "Planeta Chupão", porque ele vai atrair para a sua superfície todos os espíritos com o mesmo padrão vibratório inferior.

O astrônomo Michael Brown, portanto, confirma o que os espíritas já sabiam e que deve servir de alerta para os céticos, especialmente para aqueles que acham que a vida termina com a morte do corpo físico e, por isso, se empenham em tirar vantagem nesta vida, convencidos de que depois é o nada. Muita gente sabe, desde os tempos mais recuados, que o espírito é imortal e que a vida, após a morte do corpo físico, continua, só que em outra dimensão. Muitos livros já foram publicados sobre o tema, inclusive de autores não espíritas, baseados em suas próprias experiências, além de reportagens e filmes. O grande filósofo grego Sócrates já dizia: "Se o espírito é imortal, por que não vivermos com vistas à eternidade?" Esse é o problema dos que pensam que a morte é o fim e, por isso, passam o tempo lutando apenas para se dar bem nesta vida.

Todos os seres vivos – homens, plantas e animais – um dia vão morrer, pois a morte faz parte da natureza. A propósito, lembrando ainda Sócrates, quando ele estava na prisão à espera do julgamento dos juízes, um dia sua mulher chegou aflita para lhe dar a notícia:

- Sócrates! Sócrates! Os juízes te condenaram à morte!

E o grande filósofo, sereno, respondeu:

- E daí? Eles também estão condenados pela natureza.

Precisamente pela consciência de que um dia morrerão é que as pessoas deveriam prestar mais atenção para o seu lado espiritual, procurando corrigir seus defeitos através de uma reforma interior, pois do outro lado vão ter de prestar contas de suas ações. Quando chegarem lá não lhes perguntarão sobre seus títulos, patrimônio, o volume de dinheiro nos bancos, sua posição social, etc, mas o que fizeram de bem aos semelhantes, quantas lagrimas enxugaram, etc. Esta é a riqueza que os ladrões não roubam e a ferrugem não come, conforme alertou Jesus. Ao contrário da justiça dos homens, que é falha e muitas vezes injusta, a justiça divina é perfeita e ninguém escapa dela. Do outro lado não existe impunidade. E todos os tipos de criminosos, incluindo os de colarinho branco, corruptos, tiranos e todos os que usam o seu poder para fazer o mal, empregando mal o livre-arbítrio, receberão as penas correspondentes.

Tudo isso pode parecer fantasia para os céticos, para os ateus, mas é bom lembrar que Noé escapou do dilúvio por ter acreditado nos avisos de Deus. E o principal preposto de Deus na Terra, Jesus, fez o alerta em seu Evangelho: "A cada um segundo as suas obras". Ele também disse que chegaria o tempo em que o joio seria separado do trigo e é exatamente o que já está acontecendo a nível espiritual. Os espíritos dos infratores que morrem não voltarão mais para a Terra: eles estão sendo separados para reencarnarem nesse planeta anunciado por Brown, para onde serão atraídos quando ele passar próximo do nosso globo. Será uma nova oportunidade que Deus lhes dará para a busca da evolução, começando tudo de novo, tal como os exilados de Capela, da constelação do Cocheiro, que foram trazidos para a Terra nos primórdios da Humanidade e aqui deram continuidade ao seu processo evolutivo.

Vale a pena lembrar aos que fazem o mal a outras pessoas, seja física ou moralmente, especialmente aos que vivem pregando a violência, o ódio, que o espírito é imortal e que existe outra vida além desta, onde todos prestarão contas dos seus atos. E que poderão ser atraídos, em virtude do seu baixo padrão vibratório causado por suas maldades, pelo planeta "Chupão" que vem aí, onde terão bastante tempo para refletir sobre suas ações e tentar modificar-se. Afinal, se não existisse punição para os que fazem o mal o crime compensaria. E toda a pregação do Cristo, tendo como fundamento o amor, seria uma farsa. Felizmente, porém, sabemos que Ele nos legou o mais perfeito manual de vida de que se tem conhecimento: o Evangelho. Basta segui-lo.

É bom lembrar, também, que o Brasil é o "coração do mundo e pátria do Evangelho", conforme revelou em espírito o escritor Humberto de Campos. Para estas terras do Cruzeiro do Sul o Cristo transplantou o seu Evangelho, antes mesmo da sua descoberta por Pedro Álvares Cabral e após o uso do seu nome para alimentar as guerras fratricidas no Velho Mundo. O Brasil, portanto, não é um barco à deriva, ao sabor do mar revolto de paixões que parece ameaçar o nosso futuro. Jesus está no leme. Tolo quem não acreditar nisso.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Blogueiro de esquerda sutilmente procurou quebrar o silêncio sobre o caso Divaldo-farinata


É claro que houve silêncio absoluto no que se diz ao envolvimento de Divaldo Pereira Franco no lançamento oficial da "ração humana" do prefeito de São Paulo, João Dória Jr., um ato deplorável envolvendo um "médium espírita".

O escândalo da "farinata" é  talvez o maior envolvendo um"médium" desde o caso Otília Diogo (1963-1970), no qual o "médium" mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, parecendo um Aécio Neves da religião, foi inocentado de acusações de cumplicidade, apesar de haver registros com ele acompanhando atento toda a fraude.

No entanto, a mídia tentou abafar o escândalo, e, infelizmente, a imprensa de esquerda seguiu atrás, seduzida pela imagem adocicada de Divaldo Franco, que saiu pela porta dos fundos depois de oferecer seu evento Você e a Paz para o lançamento do estranho composto alimentar. Divaldo nada fez para impedir o lançamento do produto e também não reagiu diante da exibição do seu nome e da marca do evento na camiseta do prefeito paulistano. Logo, tem responsabilidade, sim, pelo caso.

Aí pesquisamos o fórum de mensagens do Blog da Cidadania, uma das poucas páginas de esquerda que se permitiu falar sobre o caso. Um deslumbrado por Divaldo Franco, então, escreveu um comentário bastante ingênuo e complacente sobre isso. Seu nome é Maurício Santos:

"Foi triste ver Divaldo Franco, o maior representante da Doutrina Espírita (sic), premiar Dória, como "Pessoa que se Doa", em seu evento, de caráter internacional, Você e a Paz. Chego a questionar a responsabilidade de uma figura tão formadora de opinião nesse meio praticar esse ato".

O sujeito, certamente, só expressou dúvida, mas, mesmo assim, demonstrou implicitamente que sentia uma esperança de Divaldo ser "inocentado" por ter sido "manipulado por irmãos pouco esclarecidos ou espíritos de má intenção" a apoiar esse estranho alimento. É aquela coisa: "médium", quando erra, é absolvido mesmo tendo culpa. É o inverso do PT, partido de "criminosos sem crime". O "espiritismo" é a religião do "crime sem criminosos".

Eduardo Guimarães, o responsável pelo Blog da Cidadania e filiado ao citado Partido dos Trabalhadores, deu uma resposta sensata ao internauta: "Talvez essa pessoa não mereça a confiança que depositam nela". A pessoa em questão é Divaldo Franco.

Eduardo, também colaborador do Brasil 247 - cujo outro colunista, Ribamar Fonseca, escreveu um texto apoiando Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier - , foi vítima, meses atrás, de condução coercitiva ordenada por Sérgio Moro, através da Operação Lava Jato. Os "espíritas" apoiam o juiz da "República de Curitiba", vendo nele "símbolo de honestidade e combate à corrupção que fere os princípios da fraternidade cristã".

Quanto ao ato de Divaldo Franco, ele deve responder por responsabilidade, sim, por estar lúcido aos 90 anos, aparentemente sem doenças graves e consciente de seus atos e decisões pessoais. Ele permitiu que um estranho alimento fosse lançado, sem agir com firmeza para exigir documentos de exames higiênicos, sanitários, nutricionais e outros critérios técnicos, e ainda por cima homenageou um político retrógrado acusado de maltratar gente pobre e permitir mortes no trânsito através do programa "Acelera São Paulo".

Divaldo Franco é visto como pretensa unanimidade, pelo discurso melífluo que agrada muitas pessoas. A exemplo de Chico Xavier, é visto como "símbolo máximo de amor ao próximo" e tido erroneamente como "progressista", graças ao trabalho de suposto ativismo social na Mansão do Caminho - cujo projeto pedagógico é feito dentro de padrões similares à Escola Sem Partido - e ao pretenso ativismo pacifista através do culto à sua personalidade no Você e a Paz.

Décadas atrás, o insuspeito jornalista José Herculano Pires, o mais fiel tradutor brasileiro da obra espírita original, advertiu sobre a figura do "médium" Divaldo Franco, afirmando ter zelo, prudência e "necessidade de por-me em guarda e evitar que os outros se entreguem de olhos fechados às manobras que infelizmente se desenvolvem através da palavra ilusória desse rapaz". E acrescentou, na carta divulgada a um jornalista, Agnelo Morato:

"Do pouco que lhe revelei acima você deve notar que nada sobrou do médium que se possa aproveitar: conduta negativa como orador, com fingimento e comercialização da palavra, abrindo perigoso precedente em nosso movimento ingênuo e desprevenido; conduta mediúnica perigosa, reduzindo a psicografia a pastiche e plágio – e reduzindo a mediunidade a campo de fraudes e interferências (...); conduta condenável no terreno da caridade, transformando-a em disfarce para a sustentação das posições anteriores, meio de defesa para a sua carreira sombria no meio espírita".

Infelizmente, pela complacência fácil com que sentem os brasileiros, Divaldo Franco cresceu como mito, assim como Chico Xavier. Ambos têm passados sombrios, de fraudes pretensamente mediúnicas e pregações moralistas conservadoras. Apoiados por apelos emotivos muito fortes, como paisagens floridas e crianças sorridentes, e pelas supostas "mensagens de amor e esperança", os dois grandes deturpadores do Espiritismo cresceram e se tornaram semi-deuses.

Isso é terrível e esse crescimento foi dado durante a ditadura militar, para que ativistas sócio-políticos verdadeiros, como o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, se ascendessem. Daí que a ditadura militar e a mídia hegemônica se empenharam em investir muito dinheiro para a fabricação de consenso para promover os estranhos "médiuns" que deturparam fútil e levianamente o Espiritismo e depois passaram a ser vistos como supostos símbolos de caridade.

Nessa época, não se podia questionar. Ainda na época do AI-5, Chico e Divaldo foram beneficiados pelo silêncio da sociedade, um atingindo o auge de sua popularidade e outro se ascendendo vertiginosamente, como os ídolos religiosos feitos ao sabor da Rede Globo, que pegou emprestado o discurso demagógico de Malcolm Muggeridge para Madre Teresa de Calcutá para ser usado em favor desses dois deturpadores.

Não é à toa que Madre Teresa foi adotada pelos "espíritas". O discurso conservador dela, acusada de usar a Teologia do Sofrimento para maltratar aqueles que ela dizia ajudar, jogando-os em situações sub-humanas, encaixa muito bem no repertório ultraconservador dos "espíritas", que nada estranham ao ver "médiuns" posando ao lado de Aécio Neves, Michel Temer e João Dória Jr. em clima de cumplicidade.

Mas isso só revela a baixa sintonia que os "espíritas" têm ao cenário sócio-político instaurado em 2016, derrubando a imagem de progressista dessa doutrina que traiu o professor Allan Kardec, ele uma figura progressista em seu tempo e identificado com as energias mentais do Iluminismo. Daí a grande divergência do Espiritismo original e seu "filho bastardo" brasileiro: o primeiro se identifica com o Iluminismo, o segundo, com a Idade Média.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Por que as forças progressistas mantém o "espiritismo" brasileiro intocável?

DOM ODILO SCHERER, SILAS MALAFAIA E DIVALDO FRANCO - O último é mais blindado que político do PSDB. Nem as esquerdas mexem nele.

A mídia progressista, que tem a missão de servir de contraponto à mídia hegemônica e patronal, até tem muitos avanços na investigação e na garimpagem de informações. Apontam os lados sombrios do chamado mainstream da política, da mídia e da imprensa, além dos meios empresariais e tecnocratas associados e de pessoas comuns ou quase isso também solidárias ao meio.

No ramo da religião, capricham nos questionamentos aprofundados em relação às chamadas igrejas evangélicas, de seitas conhecidas como "neopentecostais", como a Igreja Universal do Reino de Deus, a Assembleia de Deus e Igreja Internacional da Graça de Deus. Figuras como Edir Macedo, Silas Malafaia, Marco Feliciano e outros são alvos de investigação ou questionamentos. Em certos momentos, católicos também são alvo de questionamentos e investigações.

Mas quando o caso são os "espíritas", reina um silêncio sepulcral. Por que será? Medo dos mortos assombrarem as redações esquerdistas? Ou seria uma certa complacência com os chamados "médiuns", que adotam um discurso adocicado e têm a boca encharcada de mel, e cuja imagem de propaganda é associada a cenários maravilhosos como paisagens floridas, céu azul e crianças sorrindo e brincando.

O "espiritismo" brasileiro é uma religião ultraconservadora. Abandonou as lições de Allan Kardec em prol de uma recuperação de dogmas e princípios que vigoraram no Brasil colonial através dos católicos jesuítas, e isso é tão certo que um antigo padre jesuíta, Manuel da Nóbrega, foi evocado por um devoto católico adotado pelos "espíritas".

Atualmente os "espíritas" estão fazendo apologia ao sofrimento. Defenderam um golpe político em 2016, apoiam a Operação Lava Jato, o Movimento Brasil Livre, e as reformas trabalhista e previdenciária. Fazem mil pregações pedindo aos sofredores aguentarem tudo calados, sem queixumes, conformados e orando em silêncio.

O "espiritismo" brasileiro tornou-se uma versão mais modesta da Cientologia. Lá fora, a Cientologia - que tem os mesmos devaneios esotéricos dos "espíritas" e só diferem destes pelo excesso de ritos e outras frescuras - é investigada pela imprensa e existem documentários mostrando irregularidades e denúncias, mesmo sob o risco de causar polêmicas e escândalos.

E o "espiritismo"? As únicas reportagens "investigativas" são meramente descritivas: se limitam a mostrar a realidade aparente dos "centros espíritas" e como as famílias se comportam diante de mensagens "mediúnicas" atribuídas a entes queridos mortos. Nenhum questionamento, somente descrição.

O que está por trás desses espetáculos? E as psicografias são realmente autênticas? Como ver autenticidade em psicografias cujas caligrafias e outros aspectos pessoais destoam do legado que os mortos deixaram enquanto estavam vivos? E a caridade? É pretexto para a promoção pessoal dos "médiuns"? Ocorrem lavagem de dinheiro? As crianças sofrem maus tratos? Não há outra forma de captação de dinheiro, diante da aparente gratuidade das atividades "espíritas"?

No caso da "farinata", um grande problema serviria de uma boa pauta para a imprensa progressista. Divaldo Franco decidiu, com a edição paulista do Você e a Paz, homenagear o prefeito de São Paulo, figura já considerada decadente, em queda de popularidade, envolvido em incidentes como as mortes no trânsito após o programa Acelera São Paulo, acordar moradores de rua com jatos de água, e reprimir com truculência usuários de crack.

Em seguida, Divaldo permitiu que Dória Jr. lançasse um composto alimentar que, já na época desse evento, era previamente condenado por nutricionistas, entidades de saúde pública e movimentos sociais. Com a ironia de Divaldo ser considerado "humanista", a "farinata" foi considerada por ativistas sociais como um "acinte à dignidade humana".

A participação de Divaldo produziu problemas sérios. Sua falta de firmeza permitiu que a "farinata" fosse lançada, com Dória mostrando a camiseta com o logotipo do evento e o nome do "médium", um recurso que a Publicidade e Propaganda define como "vínculo de imagem". Como um atleta mostrando o logotipo de uma marca que patrocina um time. A camiseta de Dória não deve ser vista como as camisas de bandas de rock exibidas pelos fãs.

E a imprensa progressista, com essa pauta toda, o que fez? Nada. Quando muito, as páginas de fóruns mostram internautas manifestando "muita tristeza" ao ver Divaldo associado a essa farsa. Como se tivessem sido pegos de surpresa. Dória exibindo a camiseta e a imprensa progressista não observou coisa alguma. O único religioso alvo de questionamentos foi o arcebispo de São Paulo, o católico Dom Odilo Scherer.

Divaldo apareceu até na página de Dória no Twitter, posou para fotos e tudo, apareceu até olhando de frente e tudo o mais. Algumas fotos destacaram a camiseta com o nome de Divaldo e o logotipo do Você e a Paz impressos, e, mesmo assim, nada.

Que a Globo, Folha, Estadão ou Veja não investiguem, tudo bem. São veículos que blindam os "médiuns espíritas", que servem a interesses sociais estratégicos para os grandes empresários de mídia. Mas ver a imprensa progressista calada, talvez seduzida pelo jeito melífluo de Divaldo Franco, resignada porque ele "pelo menos" não investe em discurso de ódio, é constrangedor.

Por que isso acontece? Porque o "espiritismo", talvez por seu aparato "pacifista", "modesto" e "amoroso", desestimula os outros a investigar seus aspectos sombrios. Esquecem os esquerdistas que os próprios neopentecostais - apesar de mais antiga, a Assembleia de Deus se insere neste contexto por adotar os apelos midiáticos atuais - também tiveram sua fase melíflua, embora já mostrassem atos duvidosos como a cobrança de doações em dinheiro nos cultos.

E os "espíritas", será que tudo o que eles oferecem é realmente de graça? Só falta oferecerem injeção fluidificada na testa. Mas a realidade não é assim. Não existe almoço grátis e, se vemos senhoras de idade, em "centros espíritas", eufóricas demais porque aumentaram os donativos em dinheiro, mantimentos e outras doações, não é porque tudo vai para os necessitados. Há brechós e mercadinhos que servem a certos palestrantes "espíritas" e que vão revender tudo isso.

Cabe as forças progressistas começarem a questionar os "espíritas", que também vão contra as pautas típicas das forças de esquerda, como a condenação total ao aborto, mesmo em casos de risco à saúde e estupro. Para os "espíritas", melhor a vítima de estupro negociar a paternidade com o estuprador e talvez até decidir se casar com ele, conforme a "Lei de Causa e Efeito". E vale lembrar que, neste item, "espíritas" e neopentecostais andam de mãos bem dadas.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Recibos de Lula são "falsos". Ah, mas as "psicografias" do pseudo-Humberto de Campos são "verdadeiras", né?


Sendo uma espécie de versão invertida de Francisco Cândido Xavier - que até hoje é inocentado mesmo nos piores e comprovados erros - , o ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, que serve de "vidraça" para determinados setores da sociedade brasileira, é pressionado de todas as formas para ter seu caminho para a campanha eleitoral de 2018 ser interrompido de vez.

Condenado sem provas e quase sem direito de defesa, o ex-presidente Lula, que realmente promoveu altruísmo e consideração com o próximo num programa de inclusão social que permitiu que pobres entrassem nas universidades, os salários fossem mais valorizados, as leis de alguma forma respeitadas e as classes trabalhadoras tivessem um mínimo de dignidade, é alvo de profundo ódio que nos faz ficar apreensivos até se ele puder concorrer às eleições e sair vencedor e, depois, empossado.

O caso de Getúlio Vargas é um exemplo. Ele foi pressionado de tal forma que, diante do episódio do atentado ao opositor Carlos Lacerda, em 05 de agosto de 1954, criou-se uma comissão militar que, à maneira dos juízes da Lava Jato, passou a confundir investigação jurídica com investigação policial, criando a "República do Galeão" (onde se situava o comando da Aeronáutica, pois a vítima fatal do atentado foi um segurança de Lacerda, major daquela divisão, Rubens Vaz).

Hoje temos a "República de Curitiba", em alusão ao "quartel-general" da Operação Lava Jato, através do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol, aquele dos esquemas constrangedores de Microsoft Power Point. A Operação Lava Jato, embora aparentemente "acerte" na punição de alguns suspeitos (como os do PMDB carioca), age quase sempre ao arrepio das leis e dos princípios do Direito, mais parecendo os juízes, procuradores e policiais "valentões de toga ou farda policial".

Lula teve a "façanha" de ter seu processo movido pela 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (a sigla é TRF-4) - os desembargadores João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no tribunal, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus - , em tempo recorde, rápido demais para uma Justiça normalmente muito lerda, e tem seu julgamento marcado para o dia 24 de janeiro de 2018, o que muitos conservadores esperam ser o fim definitivo da Era Lula.

Junta-se isso com outros episódios, como os recibos de aluguel do apartamento de São Bernardo do Campo - que a esposa de Lula, hoje falecida, a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, pagou ao proprietário do imóvel, Glaucos da Costamarques - , que o Ministério Público Federal, na base do "achismo", definiu precipitadamente como "ideologicamente falsos" depois que recusou a fazer a perícia que, dois meses antes, julgou "imperativa", ou seja, "obrigatória".

Para complicar as coisas, o advogado de defesa de Lula, Cristiano Zanin Martins, solicitou uma perícia dos documentos que se constataram autênticos. Se a Lava Jato quisesse dar uma lição de moral, haveria ao menos que pedir nova perícia, e não se recusar a isso. O que mostra o medo que o MPF tem de admitir alguma vantagem a Lula, porque nenhum indício de fraude foi provado, neste caso.

E O "ESPIRITISMO"?

O contrário está com o "espiritismo" brasileiro. O que se faz contra Lula se faz em favor de Chico Xavier. É o mesmo processo, mas em direções contrárias: põe-se a lógica, a ética, o bom senso e a coerência para as favas, em nome da criminalização de um altruísta político e do endeusamento de um ídolo religioso.

Isso vem desde a ditadura militar. Os movimentos sociais vieram com Lula, como um ativista político e símbolo das forças progressistas. A mídia patronal e as elites conservadoras vieram com Chico Xavier, como um símbolo conservador de "bondade humana" e um ídolo religioso retrógrado para fazer frente aos pastores eletrônicos Edir Macedo e R. R. Soares.

Tudo o que Lula faz de verdadeiro é "falso" e tudo o que ele faz de bom é "ruim". Se ele investe mais em educação pública, é "corrupto". Se ele valoriza as riquezas nacionais, é "usurpador" e "monopolizador". Se ele valoriza os salários, "causa" déficit público e estoura o Orçamento. Se ele estimula o acesso de pobres, sobretudo negros, índios e mestiços, ele "promove desordem".

No caso do "médium" Chico Xavier, é o contrário. Tudo o que ele faz de falso é "verdadeiro" e tudo o que faz de ruim é "bom". Ele defendeu a Teologia do Sofrimento, que faz apologia das desgraças humanas. Se ascendeu de maneira suja, criando um suposto livro de poemas atribuído a escritores falecidos que apresenta sérios problemas de estilo e linguagem, e estranhamente sofreu cinco reparações, das quais se revelou que o livro foi concebido pela equipe editorial da FEB.

O caso de Humberto de Campos é ainda mais grotesco. Provavelmente para se vingar de um artigo irônico que o escritor maranhense fez do tal suposto livro de poemas, Parnaso de Além-Túmulo - soa risível o nome "parnaso" numa época, 1932, em que o Parnasianismo era coisa do passado e o Modernismo já se consolidara - , Chico, aproveitando da morte prematura de Humberto, resolveu inventar um sonho e se apropriar de seu nome, mudando totalmente de estilo.

Ninguém consegue entender por que os livros originais que Humberto de Campos escreveu em vida, mesmo algumas publicações póstumas, estão fora de catálogo no mercado literário. Mas essa incompreensão é fruto de desinformação: como as obras "psicografadas" que levam o seu nome e o do improvisado "pseudônimo" de "Irmão X" são fake, as obras originais foram deixadas para trás porque uma leitura comparativa poderia identificar fraudes.

Paciência, a FEB, que depois de seu surgimento buscou soar como um pastiche da Academia Brasileira de Letras, possui um forte lobby no mercado literário. Tem um grande estande em toda edição da Bienal do Livro e o poder descomunal da federação e de outros grupos do "movimento espírita", mesmo divergentes à FEB mas igualmente igrejeiros, tem ainda o apoio da Rede Globo de Televisão.

A leitura comparativa do Humberto de Campos original e do fake "mediúnico" identificariam facilmente as diferenças: o Humberto original tinha narrativa ágil, temática laica, texto culto mas acessível, linguagem descontraída e informal, e garantia leitura prazerosa. Já o "espírito Humberto de Campos" tinha um estilo muitíssimo diferente e uma qualidade literária estranhamente inferior.

O "espírito Humberto" ou o tal "Irmão X" tinha narrativa pesada, temática religiosa ou moralista, texto rebuscado e prolixo, linguagem melancólica e deprimente e sua leitura exigia o apego às paixões religiosas para soar próximo da "agradável". Porque, para ler essas obras tão cansativas, só mesmo tendo olhos de beato, até porque o "espírito Humberto" mais parecia um padre do que um acadêmico de letras.

Em muitos casos, essa obra mais parece pastiche do Novo Testamento do que do próprio Humberto. Identifica-se em muitos livros do "espírito Humberto de Campos" narrativas e passagens que mais parecem terem sido escritas por Marcos, Lucas, João ou Mateus, com temáticas bíblicas que, com toda segurança, o verdadeiro Humberto não se interessaria em escrever.

O caso foi tão aberrante, causando indignação nos meios literários, que Chico Xavier e a FEB foram condenados num processo judicial que, por sorte, era tímido. O advogado da família de Humberto de Campos, Milton Barbosa, como um Cristiano Zanin de seu tempo, entendia de leis e conhecia as irregularidades da obra "espiritual", nas quais se identificavam claramente cacófatos que o próprio Humberto não faria.

Mas a Justiça seletiva, que hoje inocenta tucanos e condena petistas por um único capricho de juízo de valor e manipulação ou burla das leis, deixou Chico Xavier na impunidade e seu mito cresceu como bola de neve. Hoje muitos insistem, num doentio e obsessivo apego emocional, manter a imagem de "santidade" de Chico Xavier, mas, pelo menos em 1944, ele era visto como um precedente religioso de Aécio Neves.

Não é por acaso que, num breve encontro no final da vida, Chico Xavier e Aécio Neves demonstraram admiração mútua e profunda (outro que possui afinidades com Xavier é o amigo de Aécio, Luciano Huck, que seguiu as lições do "médium" quanto à "caridade paliativa" que glorifica o "benfeitor" às custas de mero Assistencialismo). Em 1952, Chico Xavier, usando o nome de André Luiz, descreveu um herói político com as caraterísticas depois vistas em Aécio Neves, sobretudo o fato de ser nascido em Minas Gerais.

Dá pena os esquerdistas terem alguma consideração com Chico Xavier. O "médium" sempre foi conservador, era um moralista dos mais ranzinzas, defendeu a ditadura militar até o fim e, na disputa entre Collor e Lula, preferiu o "caçador de marajás". Defendia a Teologia do Sofrimento, corrente medieval do Catolicismo, a ponto de rejeitar debates e questionamentos, fazendo com que Chico defendesse que o sofredor aguentasse desgraças em silêncio.

Não se entende o que dá na cabeça de muita gente, mesmo de esquerda, considerarem Chico Xavier "progressista". Não existe uma razão coerente e objetiva para isso, pois as alegações são meramente emocionais e sem pé nem cabeça. Isso é o que dá sofrer fascinação obsessiva por "médiuns", um perigo que Allan Kardec já havia alertado no seu tempo, mas que os brasileiros ignoraram por completo.

O "espiritismo" apoiou o golpe político que levou Michel Temer ao poder. Apoia as amargas e injustas reformas, trabalhista e previdenciária, defendidas pelo presidente. Os "espíritas" também expressaram admiração por Sérgio Moro e pelo Movimento Brasil Livre, além de defenderem também a condenação total do aborto, até em caso de estupro (a vítima que se case com o estuprador!) e princípios pedagógicos da Escola Sem Partido.

Se as pessoas abrissem mão das sensações narcotizantes e anestésicas das paixões religiosas e da fascinação obsessiva ou mesmo a subjugação aos "médiuns", verá o quanto o "espiritismo" brasileiro possui aspectos bastante sombrios. E se o ódio a Lula nada tem a ver com isso, se enganam: os mesmos que glorificam Chico Xavier querem condenar e crucificar Lula. As redes sociais provam isso. Vivemos numa sociedade ultraconservadora cheia de mitologia e vazia de realismo.