segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Mercado de trabalho e meio acadêmico exigem o impossível


É fácil os moralistas dizerem: "faça o impossível". Sobretudo no moralismo religioso do "espiritismo" que não enxerga individualidades, não reconhece condições para certos problemas nem limitações ou necessidades de pessoas que enfrentam dificuldades acima dos limites suportáveis.

Vendo como o Brasil se tornou hoje, quando a incompetência atinge os altos escalões profissionais e acadêmicos enquanto na miséria das ruas pessoas inteligentíssimas se escondem em trajes fedorentos e na vida improvisada do lixo e da falta de moradia, dá para pensar que a crise que vivemos é muito menos econômica e muito mais de princípios e valores humanos.

Temos, na verdade, um dos mercados profissionais e acadêmicos mais preconceituosos do mundo. Mercados que fazem exigências descomunais e que, por sorte, até conseguem obter "especialistas" que, aparentemente, ultrapassam a "bola de fogo" das monografias empoladas, com muito discurso e pouco conteúdo, e das especializações profissionais engenhosas que não têm efeito prático.

A "crise" que faz uma empresa ou instituição não empregarem certos candidatos dotados de talento e competência simplesmente desaparece quando surgem candidatos que, não necessariamente talentosos, fazem jus a critérios de aparência e status: descontração, extroversão, beleza física, inglês fluente, pouca idade.

E aí, o que vemos é um desempenho medíocre, em diversos aspectos. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, palco de avassaladora decadência social em todos os aspectos, observa-se um surreal declínio nos trabalhos de logística, quando produtos demoram para terem reposição de estoque, já que o Estado está dentro dos grandes centros de fabricação e distribuição de produtos do país.

É um quadro que poucos questionam, já que as pessoas com maior status quo vivem a ilusão da segurança e da consciência limpa que não possuem. Hoje temos um país em apreensão, com desgaste de antigos paradigmas, apesar da tentativa hercúlea em manter esses paradigmas em rápido processo de perecimento, através do cenário político, jurídico e midiático representado pelo governo de Michel Temer.

É como alguém que não está satisfeito em embalsamar um cadáver em acelerada decomposição, e quer mantê-lo vivo. Valores que caem, que perecem de forma acelerada, como madeira devorada em poucos minutos por um cupinzeiro voraz, tentam ser mantidos na marra, no desespero cego e paranoico de sobreviverem aos tempos.

O mercado de trabalho discrimina de forma até menos simplória do que se pensa. Não se trata apenas de discriminar por raça ou deficiência física, por exemplo, mas pela aparência supostamente pouco atrativa de certos candidatos, e pela formação aparentemente precária e pelo suposto baixo status social.

Os profissionais de recursos humanos, perdidos entre a insegurança e a arrogância, rejeitam muitas vezes os candidatos que fariam uma empresa ou instituição crescer. É como o rapaz que recusa o pedido de namoro de uma colega de escola e, depois que se torna adulto, percebe que ela poderia ter sido o grande amor de sua vida.

Ilusões aparentemente tão caras como a experiência cronológica, o status econômico, os diplomas acadêmicos, o prestígio religioso, estão caindo de podres, numa decadência que deixa os privilegiados sociais, que apostam num derradeiro "remédio" político, financeiro, jurídico e midiático que cercam o governo de Michel Temer, de cabelo em pé.

São as posições de comando, de prestígio, de fortuna e de experiência cronológica que mais sofrem a insegurança e declínio, e por isso tentam salvar todo um acervo de velhos paradigmas, dos mais diversos tipos, como se, paranoicos, tivessem que montar uma máquina do tempo e forçar todo o Brasil a voltar aos tempos coloniais ou, quando muito, à República Velha ou, ao menos, à Era Geisel.

E isso faz com que mesmo o mercado de trabalho e o meio acadêmico sejam movidos pela aparência. É assustador ver que o império dos diplomas sem saber esteja em sério declínio, quando tais documentos sofrem não o perecimento físico da deterioração do papel ou da ação de possíveis fungos ou cupins, mas o perecimento social que os tempos não podem resolver.

Exigir o impossível para quem não tem privilégios nem contatos influentes pode garantir a boa aparência do cotidiano de trabalho ou estudo, de empresas "limpas" no seu visual e no seu aparato discursivo, e universidades publicando textos enfeitados do mais correto vocabulário técnico, mas cujos temas de pesquisa escondem verdadeiras asneiras fenomenológicas meramente descritivas.

Exige-se demais para quem não tem, e isso faz com que os que têm demais, até mesmo sem necessidade, experimentem hoje a insegurança que tanto se esforçaram em evitar, enfrentando prejuízos que se mostram incapazes de contornar e, quando muito, escondem no armário ou sob os tapetes, envergonhados das responsabilidades que nunca imaginaram que teriam.

É isso que o Brasil que torce para que Michel Temer se torne presidente efetivo ignora haver. É um grave risco de declínio, dos mais graves, descontrolados e irresolúveis, de antigos paradigmas e totens sociais, uma série de visões dominantes e de mitos de sucesso e competência que se reduziram à ruína, sem que alguém pudesse dar uma explicação plausível.

Esse agravamento da crise, praticamente tão certo quanto o alagamento de ruas em uma violenta tempestade, revelará as contradições e impasses que uma sociedade desigual, extremamente tecnicista, moralista e burocratizada, tanto esconderam para manter sua supremacia. E mostram um país cada vez mais inseguro e vulnerável que está sendo o Brasil nos últimos meses.

sábado, 13 de agosto de 2016

"Espiritismo" deixou a máscara cair ao defender restrição do raciocínio


O "espiritismo" brasileiro deixou a máscara cair. A postura "dúbia", de palestrantes pseudo-sábios que num dia bajulam até Erasto, em outro exaltam o igrejismo medieval de Emmanuel, não se sustenta diante de argumentos consistentes.

Sabendo disso, eles tentam se esforçar para ficarem com a palavra final, diante de contradições que são incapazes de explicar. Eles tentam argumentar que "ninguém é dono da verdade" ou "a verdade final ainda é desconhecida", desde que a eles se mantenha o privilégio da palavra final ou da opinião mais influente e definitiva.

Eles não vão dizer na palavra crua, "a verdade está comigo", mas é como se estivessem dizendo isso. É uma argumentação bastante habilidosa na qual o status religioso acaba se beneficiando com uma espécie de carteirada. Vejamos:

1) O "espírita" alega que ninguém é possuidor da verdade, que a verdade ainda não atingiu o grau ideal para ser compreendido por todos e que por isso tal presunção só serve para alimentar vaidades pessoais e a imposição de determinados pontos de vista nem sempre coerentes ou benéficos a todos.

2) O "espírita", no entanto, se beneficia pelo status que possui. Se julga seguidor de Jesus, diz somente pregar a "bondade" e a "caridade", trabalha em instituição religiosa que aparentemente ajuda as pessoas necessitadas e, sendo um "servo de Deus", se considera um dos "mais adiantados" colaboradores da "paz entre os povos".

3) Diante desse status religioso, ele pode dizer qualquer coisa que o status lhe garante a prevalência de seu ponto de vista. Ele pode cometer sérias contradições, mas como suas atividades estão ligadas à "bondade", tudo o que ele disser, por mais questionamentos severos que receba, se resultará sempre na palavra final do religioso "espírita".

Aí vemos "espíritas" acendendo velas para forças antagônicas. De um lado, o cientificismo de Allan Kardec e alertas de espíritos como Erasto. De outro, o igrejismo de Francisco Cândido Xavier e seu mentor (ou obsessor?), o autoritário e medieval Emmanuel.

Embora com dóceis palavras, um trecho do livro que leva o nome do traiçoeiro espírito que se envolveu com Chico Xavier (um esperto plagiador e pastichador de livros e usurpador de mortos), Emmanuel tenta argumentar que a Ciência é "falha" e que a Religião é que é a "verdade", tentando discernir o sentido geral de "religião" e o sentido particular de "religiões".

Vejamos a reprodução dos respectivos tópicos, seguida de nossa réplica correspondente:

O TÓXICO DO INTELECTUALISMO

Nos tempos modernos, mentalidades existem que pugnam pelo desaparecimento das noções religiosas do coração dos humanos, saturadas do cientificismo do século e trabalhadas por ideias excêntricas, sem perceberem as graves responsabilidades dos seus labores intelectuais, porquanto hão de colher o fruto amargo das sementes que plantaram nos humanos jovens e indecisos. Pedese uma educação sem Deus, o aniquilamento da fé, o afastamento das esperanças numa outra vida, a morte da crença nos poderes de uma providência estranha aos humanos. Essa tarefa é inútil. Os que se abalançam a sugerir semelhantes empresas podem ser dignos de respeito e admiração,
quando se destacam por seus méritos científicos, mas assemelham-se a alguém que tivesse a fortuna de obter um oásis entre imensos desertos. Confortados e satisfeitos na sua felicidade ocasional, não veem as caravanas inumeráveis de infelizes, cheias de sede e fome, transitando sobre as areias ardentes.

RESPOSTA NOSSA: Há uma mitificação do "mau cientista", no qual se misturam defeitos esparsos, como não acreditar na vida espiritual ou no trabalho de "ideias excêntricas". Emmanuel tenta imitar a narrativa de Allan Kardec, talvez por pura paródia, ou evidentemente um pastiche, que é a especialidade que une o jesuíta ao pastichador Chico Xavier.

O problema é que Emmanuel, que fala do argueiro do olho do outro mas não da trave de seu próprio, não cita que, dentro dos ambientes religiosos, mesmo aqueles que se julgam "desprovidos de paixões terrenas", também se constroem oásis privativos sob imensos desertos, enquanto, através da Teologia do Sofrimento, deixavam os infelizes à própria sorte. Para piorar, defendia-se o sofrimento sob o pretexto de "esperanças futuras", e isso se dava sob a roupagem de uma religião supostamente unificadora de povos, como o Catolicismo medieval, cuja experiência os "espíritas" almejam repetir, com as devidas adaptações de contexto.

EXPERIÊNCIA QUE FRACASSARIA

O sentimento religioso é a base de todas as civilizações. Preconiza-se uma educação pela cultura, concedendo-se liberdade aos impulsos naturais do humano. A experiência fracassaria. É ocioso acrescentar que me refiro aqui à moral cristã, que deverá inspirar a formação do caráter e do instituto da família e não ao sectarismo do círculo estreito das Igrejas terrestres, que costumam envenenar, aí no mundo, o ambiente das escolas públicas, onde deverá prevalecer sempre o mais
largo critério de liberdade de pensamento. Falo do lar e do mundo íntimo dos corações. No dia em que a evolução dispensar o concurso religioso para a solução dos grandes problemas educativos do Espírito do humano, a Humanidade inteira estará integrada na religião, que é a própria verdade, encontrando-se unida a Deus, pela Fé e pela Ciência então irmanadas.

RESPOSTA NOSSA: Escrito em 1938, isso parece uma apresentação da Escola Sem Partido, sobretudo quando à "liberdade aos impulsos naturais do humano", que soam como um eufemismo para "pensamento questionador e cético". Antecipação de tempos futuros? Lógico que não. A ideia é retroceder mesmo, tanto que os "sábios espíritas" vão longo recuperando esse embolorado livro de Emmanuel, o que leva o seu nome, para resgatar um igrejismo obsoleto que muitos pensam estar "acima dos tempos".

O discurso de que se deve discernir "religiões" da "Religião", na verdade, é bem falacioso. A ideia deu uma "religião unificadora", descrita como a "verdade", já foi posta em prática através do Catolicismo medieval, de infeliz lembrança. Os "espíritas" fingem oposição a essa fase religiosa, mas concebem o "Espiritismo" como uma seita futura, na qual a Ciência pode até ser bem vinda, mas dentro dos limites que não interfiram no dogmatismo religioso.

A FALIBILIDADE HUMANA

Em cada século o progresso científico renova a sua concepção acerca dos mais importantes problemas da vida. Raramente os verdadeiros sábios são compreendidos por seus contemporâneos. Se as contradições dos estudiosos são o sinal de que a Ciência evolve sempre, elas atestam, igualmente, a fraqueza e inconsistência dos seus conhecimentos e a falibilidade humana.

RESPOSTA NOSSA: Invistamos no popular "olhe só quem fala". Emmanuel fala em contradição, quando contradição é o que esse "espiritismo" popularizado por Chico Xavier tem, dizendo uma coisa e fazendo outra, fingindo defender o cientificismo kardeciano só para dizer que não faz igrejismo medieval.

O que se observa hoje é o contrário, com os "espíritas" não conseguindo mais explicar a inconsistência de suas ideias confusas, já que a postura "dúbia" cria mais confusões do que o roustanguismo assumido de outrora, e a falibilidade humana se observa sobretudo nas falsas psicografias que Chico Xavier, Divaldo Franco e companhia fazem, que fogem dos aspectos pessoais dos autores falecidos alegados, já que apresentam irregularidades que desfazem qualquer similaridade ou verossimilhança.

O SUBLIME LEGADO

Diz-se que o pensamento religioso é uma ilusão. Tal afirmativa carece de fundamento. Nenhuma teoria científica, nenhum sistema político, nenhum programa de reeducação pode roubar do mundo a ideias de Deus e da imortalidade do ser, inatas no coração dos humanos. As ideologias novas também não conseguirão eliminá-la. A religião viverá entre as criaturas, instruindo e consolando, como um sublime legado.

RESPOSTA NOSSA: Com muita arrogância, Emmanuel descreve, neste texto, a sua intenção medieval de colocar a religião acima de tudo. O que carece de fundamento é essa pregação igrejista de supor que, só porque uma teoria científica falha, a Ciência deixa de cumprir seu papel. É como se dissesse: "como a Ciência errou, não pode ir adiante. Raciocinar é um ato falho. Fiquemos com a Religião, com o simples ato de crer e louvar, o cérebro que se aposente porque pensar é um pecado".

RELIGIÃO E RELIGIÕES

O que se faz preciso, em vossa época, é estabelecer a diferença entre religião e religiões. A religião é o sentimento divino que prende o humano ao Criador. As religiões são organizações dos humanos, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir, são como gotas de orvalho celeste, misturadas com os elementos da terra em que caíram. Muitas delas, porém, estão desviadas do bom caminho pelo interesse criminoso e pela ambição lamentável dos seus expositores; mas a verdade um dia brilhará para todos, sem necessitar da cooperação de nenhum humano. 

RESPOSTA NOSSA: Nossa diferença entre "religião" e "religiões" é essa. Religião é um sistema de crenças místico-moralistas com um repertório ideológico mais genérico. Religiões são um conjunto de seitas que particularizam esse repertório ideológico em variações específicas. Não há como desvincular "religiões" da "religião", estas agem em função daquela, pois, independente de haver uma ou mais "torres de Babel" a arranhar o céu com diferentes formas de religiosidade, ela sempre segue um sistema de dogmas e ritos.

Além disso, a Religião sempre toma o certo como incerto. Estabelece como "autoridade máxima" uma figura, Deus, em si já uma concepção católica e ocidental, dotada de muitas controvérsias. Depositar a ideia de Verdade a alguém que não conhecemos é o mesmo que entregar os cuidados de uma casa a alguém absolutamente desconhecido.

Outro dado que chama a atenção é essa contraditória ideia de "libertação" pela religião. Afinal, como o homem pode ser "livre" se está preso ao "Criador"? Que "liberdade" é essa que se baseia em prisão a algo, que "emancipação" se espera de um processo de subordinação? Isso mostra o tom medieval do discurso emmanuelino.

Dito assim, vamos mostrar então um trecho de um livro que os "espíritas" fingem gostar bastante, mas que acham bastante perigoso para seus interesses. É O Livro dos Médiuns de Allan Kardec, que os "espíritas" vão correndo para traduções mais igrejeiras, mais pasteurizadas, como as de Guillón Ribeiro e Salvador Gentile. No entanto, a tradução mais coerente é a de José Herculano Pires, que preserva o cientificismo da fonte original.

Neste livro há vários pontos que podem ser identificados como potenciais broncas a Chico Xavier, Divaldo Franco, Emmanuel, Robson Pinheiro e tantos outros colaboradores da deturpação da Doutrina Espírita e o rebaixamento do Espiritismo a uma seita igrejeira medieval.

Só a reprodução de relatos do espírito identificado como São Luís, trazido por um obscuro médium a serviço de Kardec, revelam que os "sábios conselhos" de Emmanuel, acima reproduzidos, não passam de mistificação barata, de igrejismo mofado travestido de pretenso profetismo. Emmanuel é alguém que se comprova preso ao passado medieval, mas que queria ser dono do futuro da humanidade.

Os trechos que serão expostos abaixo correspondem ao capítulo 24, Identidade dos Espíritos, e mostram, com uma linguagem mais concisa do que o discurso empolado do jesuíta do além-túmulo, no item 267, os aspectos dos espíritos levianos. Selecionamos alguns desses itens para citar aqueles que se encaixam no espírito austero de Emmanuel:

"A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares é sempre algum reflexo das paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza, auto-suficiência, arrogância, fanfarronice, mordacidade é sinal característico de inferioridade. E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado". (item 4)

"Os maus falam de tudo com segurança, sem se importar com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom senso revela a fraude, se o Espírito se apresenta como esclarecido". (item 7)

"Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. Todo anúncio de acontecimento para uma época certa é indício de mistificação". (item 8)

"Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empoladas o vazio das idéias. Sua linguagem é freqüentemente pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a pretexto de parecer profunda". (item 9)

"Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição.

São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara." (item 10).

A verdade é que Emmanuel condenava o pensamento questionador porque sabe que isso desmascararia toda a deturpação "espírita". Como Chico Xavier se envolveu com pastiches e plágios literários, levar adiante o pensamento questionador sempre é visto pelos "espíritas" como "tarefa maligna", até porque Chico Xavier era um vendedor de best sellers garantindo todo o faturamento da FEB e outras editoras similares, questioná-lo seria causar prejuízo econômico a elas.

Devemos nos lembrar que o "movimento espírita" construiu fortunas e fortunas pessoais com o faturamento desses livros e de publicações similares ou derivadas. Não nos iludamos, se esse lucro todo tivesse se voltado para a caridade e o auxílio aos mais necessitados, o Brasil teria extinto a pobreza havia muito, muito tempo, seríamos um país escandinavo da América do Sul.

Como isso não ocorreu, vemos a farsa que se fez e continua fazendo. Dá pena ver palestrantes "espíritas" falarem em "coerência" porque é justamente isso que eles não fazem, já que é muito fácil bajular Allan Kardec, Erasto, São Luís e o pensamento científico, quando tudo está dentro dos limites aceitos pelo pragmatismo religioso.

Quando a Ciência começa a interferir e questionar as ações da Religião, os "espíritas" reagem feito feras, e voltam ao seu juízo de valor de moldes medievais para condenar o livre pensamento e a capacidade de contestar. Diante disso, concluímos que o "espiritismo" defende, isso sim, as restrições ao aproveitamento do raciocínio humano. Pensar, só dentro dos limites.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Rio de Janeiro contribui para ter imagem preconceituosa

CAMINHÕES DE LIXO CIRCULAM FEDORENTOS NO GRANDE RIO E O POVO NÃO CONSEGUE PERCEBER ISSO.

Como surgem as imagens preconceituosas? Elas surgem de vários momentos, em que jogos de interesses ou omissões podem influir nas imagens pejorativas de alguém, que dão margem a generalizações injustas mas movidas por circunstâncias um tanto incômodas ou viciadas.

Alguns contextos revelam que a origem dos preconceitos vêm justamente de vícios das elites. Na Bahia, a ideia do "baiano preguiçoso" vem, segundo historiadores, da aristocracia e não do povo pobre, já que os baianos sempre trabalham duro e, se eles descansam na rede, é porque trabalharam (com dignidade, diga-se de passagem) na véspera.

Já o Rio de Janeiro, reduto do neocoronelismo político de Eduardo Paes, da monocultura do "funk", do terrorismo fascista do cyberbullying nas mídias sociais e principal arena midiática da Rede Globo de Televisão, se comporta como se tivesse que "entregar" para o país uma imagem preconceituosa de seu povo.

As pessoas estão no ápice do conformismo que não mais protestam contra coisa alguma. Só protestam quando o jornal O Dia diz para protestar. Parece até votação de cúpula. O Jornal Nacional dá o primeiro voto, O Dia dá o segundo, e os cariocas então aderem a uma causa. Senão, continua o mesmo comportamento bovino de sempre.

Não se resiste a coisa alguma, com exceção das "patrulhas" que fazem bullying nas redes sociais contra quem discorda do "estabelecido". e o Grande Rio virou um "paraíso" dos conformistas que parecem ainda viver no Brasil do AI-5, com uma "felicidade" viciada nos telefones celulares, vendo bobagens no WhatsApp até quando andam pelas ruas.

É um conformismo que envergonha o país. As pessoas aceitam retrocessos diversos, sem saber que, de retrocesso em retrocesso, poderão parar em algum campo de concentração ou coisa parecida. As pessoas leem textos questionadores deste ou daquele problema, deixam para lá e ficam na sua, quando muitos problemas descritos oferecem graves consequências para a população.

O Rio de Janeiro que era referência para o país sucumbiu a uma queda vertiginosa, a um tombo existencial tão grande que o Estado tornou-se o mais atrasado do país. E isso não se deve apenas pelos nossos governantes, pela dívida pública ou pela falta de segurança ou pela corrupção política, mas por um conjunto de fatores.

TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO

Se nos âmbitos do cotidiano mais simples, as pessoas aceitam o triste combo imposto para o sistema de ônibus - pintura padronizada (que confunde os passageiros e favorece a corrupção político-empresarial, dupla função motorista-cobrador (que provoca desemprego dos rodoviários e traz insegurança para os passageiros diante de motoristas sobrecarregados) e redução de itinerários (que faz perder tempo com baldeação e não raro obriga o povo a pagar mais passagem), sem questionar.

Quantas manchetes e artigos de O Dia são necessários para estimular as pessoas a lutar contra esse indigesto combo para o sistema de ônibus do Grande Rio, com seu trágico exemplo já imitado por Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes e Nova Iguaçu e "renovado" em cidades como Barra Mansa e Volta Redonda? Quantas matérias do Jornal Nacional e do RJ-TV são necessárias para despertar a indignação popular contra esse trágico pacote para a "mobilidade urbana"?

Será preciso um Arnaldo Jabor, um Ancelmo Góis, um William Bonner, um Merval Pereira, uma Miriam Leitão dizerem, por exemplo, que não vale a pena pintura padronizada nos ônibus porque, com diferentes empresas tendo o mesmo visual, a população tem dificuldades para diferir uma empresa de outra, correndo o risco de pegar ônibus errado e sendo enganada pela corrupção político-empresarial que ocorre às suas costas, com empresas mudando de nome como quem troca de roupa?

Mas o conformismo não para por aí. É certo que fracassou o projeto "rock de verdade" da Rádio Cidade, mas a emissora era tolerada e aceita até por roqueiros autênticos, que deveriam ser os primeiros a protestar contra aquela programação sub-Mix FM, com locutores sem especialização em rock e com repertório que se limitava somente aos sucessos, uma média de duas músicas por banda.

Era uma tolerância insólita se o histórico das rádios de rock tinham emissoras de primeira qualidade para seu público, a Eldo Pop e Fluminense FM, que não eram meras veiculadoras dos chamados top hits e não operavam com locutores animadinhos nem tinham programas sobre futebol.

Mas a Rádio Cidade, nem com esse apoio todo, deu certo, porque é como apostar num jumento para ser o pangaré favorito numa corrida de turfe. A emissora não aglutinou uma nova cena de rock brasileiro, não tinha sequer programa de metal e tinha a covardia de resumir a divulgação de artistas de longo repertório como Deep Purple, Led Zeppelin e Jimi Hendrix com uma música cada.

A programação musical sempre foi repetitiva e os programas desvinculados de espírito roqueiro afugentaram até seus adeptos mais generosos. Além disso, o rock já estava fraco nos últimos anos, pois sua rebeldia parece ter sucumbido ao cansaço e muitos roqueiros viraram militantes de direita.

E isso num Rio de Janeiro que se esqueceu de sua cultura carioca de verdade, do samba, da Bossa Nova, do sambalanço e do soul carioca, preferindo a indigência do "funk" e seu pseudo-ativismo para turista ver, enquanto toda uma degeneração musical, moral e sócio-cultural faz a fortuna de espertos DJs e MCs.

MAIS POLUÍDO QUE SÃO PAULO

O Rio de Janeiro é a região metropolitana com maior índice de poluição no Brasil. Superou São Paulo e, nas reportagens recentes, técnicos afirmaram que a poluição atinge níveis mortais. A fumaça da poluição pode ser vista nas ruas - parece nevoeiro, mas tem cor mais acinzentada - e os cariocas ficam felizes sem saber que respiram fumaça de carro e outros tóxicos que podem abreviar a vida de qualquer um por câncer.

As pessoas fumam muito e o engraçado é que os fumantes ficam andando quarteirões inteiros só segurando o cigarro na mão. Ou seja, se são capazes de esperar tempo para fumar, por que não param de vez? Ou será que os fumantes querem mesmo azucrinar com os não-fumantes?

Os caminhões de lixo são fedorentos. Até a "preguiçosa" Salvador já resolveu o problema e os caminhões de lá circulam sem exalar fedor. Aqui, os caminhões de lixo chegam a estacionar em frente a restaurantes e padarias, "dormindo" uns minutos nesses lugares e o povo alegremente indo para esses lugares sem saber que, com o lixo exalando sobre os alimentos, eles podem se tornar ameaça de intoxicação alimentar e virose, se ingeridos, devido ao contato com a fumaça do odor.

Mas para um Rio em que muitas pessoas fumam tanto que se esquecem de fumar, por causa do clima bovino da ex-Cidade Maravilhosa, aceitar comer alimentos contaminados pela contaminação do lixo descuidado, faz sentido. Pessoas vão felizes ao McDonald's comer aquele lanche explosivo enquanto os funcionários da empresa norte-americana são explorados no seu humilhante cotidiano de trabalho.

Os cariocas estão perto do inferno mas se acham no paraíso. Estão aceitando todo tipo de retrocesso e não dão bola quando algum problema é comunicado. Fingem que concordam, esquecem o problema e ficam na sua. Não sentem o fedor de cigarro, de caminhão de lixo, de fezes de cachorro, e pessoas ficam conversando alegremente sem dar conta de um lixo jogado no chão.

Aceitam que estoques demorem a ser repostos, faltando mercadorias nos supermercados, num claro desleixo de logística dos supermercados e lojas diversas, isso num Rio de Janeiro que está no centro dos grandes distribuidores e fabricantes de produtos. E aceitam que operadores de supermercados trabalhem de forma muito lenta, fazendo filas crescerem diante de tanta vagareza.

E ainda há o fanatismo pelo futebol carioca que faz com que o esporte seja a medida obrigatória das relações sociais. Muitas pessoas perguntam primeiro o time e depois o nome de alguém. Mas o pior nem é isso, é quando, de noite, durante os jogos com algum time carioca, geralmente às quartas-feiras mas podendo ser em qualquer dia, as pessoas gritam quando há um gol, incomodando a vizinhança com uma barulheira digna de arquibancada de estádio.

Isso tudo é terrível. E o pior é que os cariocas foram os últimos a saber que seu Estado sofre uma decadência avassaladora. Quando as informações só haviam na Internet, as pessoas esnobaram, ridicularizaram as criticas e, arrogantemente, achavam que o Rio de Janeiro estava vivendo uma de suas melhores fases.

Teve que haver a notícia dos veículos de comunicação e até do exterior para convencer os cariocas de que alguma coisa estava errada. E a imprensa não fala tudo, porque ela filtra e só divulga aquilo que está de acordo com seus interesses.

Daí que isso preocupa. Já estão associando o Rio de Janeiro à Síndrome de Riley-Day (Riley-Day Janeiro?), doença que faz a pessoa ser incapaz de sentir qualquer tipo de dor, perdendo a sensibilidade. Já falam que carioca tem sangue de barata, que aceita tudo numa boa, que vive feliz demais para ver o problema em sua volta, que só percebe o problema depois que morre.

São visões que nós não gostaríamos que os cariocas tivessem, porque eles deveriam merecer admiração e respeito. Mas nesse contexto em que os cariocas, sim, estão aceitando qualquer coisa e aguentando todo tipo de retrocesso, isso é muito vergonhoso e acaba dando margem a visões preconceituosas piores do que as que os baianos e paraibanos sofreram num passado recente.

É bom que os cariocas despertem e retomem o espírito de resistência e auto-estima. Porque, se o conformismo lhes leva até a aceitar fedor de caminhão de lixo, o que poderia fazer o carioca ter fama de "porcalhão", isso pode trazer consequências funestas justamente para aqueles que parecem "felizes demais". Fora das fantasias animadas das redes sociais e do WhatsApp, uma tragédia assombra o Rio de Janeiro.

domingo, 7 de agosto de 2016

A grande mídia está decadente, não percebem?


Sabem aqueles telejornais da televisão aberta que as pessoas estão acostumadas a ver, principalmente à noite? E aquelas revistas de informação que chegam às bancas nos fins de semana? E os jornais impressos diários? E os canais noticiosos de rádio FM e TV por assinatura? Se eles forem ligados aos grandes grupos de Comunicação, podem garantir, eles estão em processo de decadência.

Essa decadência é avassaladora. Em nome de convicções políticas, esses meios de Comunicação passaram a transmitir descaradas mentiras, principalmente no noticiário político. Seus comentaristas se tornam cada vez mais truculentos e emocionalmente desequilibrados. No noticiário em geral, interesses comerciais fazem alternar tanto o baixo astral de notícias policiais quanto a alegria debiloide de fatos banais como compras em shopping centers para alguma data comemorativa.

No decadente Estado do Rio de Janeiro, as pessoas bovinamente vão ver os jornais como se estivessem procurando pela realidade que não percebem à sua volta. Numa época em que pessoas se apegam ao entretenimento analgésico do WhatsApp nos telefones celulares, pessoas resignadamente apreciam, sem questionar, as notícias trazidas pela grande imprensa comercial.

Em âmbito local, os fluminenses são influenciados, em níveis hipnóticos, por três veículos midiáticos: o Jornal Nacional, da Rede Globo, o jornal impresso O Dia e, no caso dos evangélicos, o Jornal da Record. Há o Jornal da Band, genérico mais "informativo" do Jornal Nacional, e, para o público popularesco, o tabloide Meia Hora, para completar o indigente cenário da imprensa no Rio de Janeiro.

Fala-se no Rio de Janeiro porque o Estado, foco de atenções mundiais através da Rio 2016, apesar de sua avassaladora decadência em doses estratosféricas e trágicas, ainda se impõe como "modelo a ser seguido" em todo o país e é dotado por pessoas submissas, hoje viciadas em smartphones - vão para praias e parques com seus celulares se esquecendo de viver o ambiente em volta - e tão conformadas com tudo que não sentem até o fedor dos caminhões de lixo que circulam pelas ruas.

O Rio de Janeiro, assim como São Paulo, todo o Estado (afinal, podemos falar da capital paulista assim como falamos de Campinas, Santos ou Guarujá), são os maiores redutos dos chamados "midiotas", os idiotas midiáticos que acreditam em tudo, de maneira a mais submissa possível, por mais mentirosa seja uma notícia ou por mais hipócrita que seja um comentário.

A mídia se encontra em uma crise tão séria mas as pessoas adiam a decadência dos próprios veículos de Comunicação por causa de um modismo de anti-petismo - vindo de antigos tietes de Collor e FHC convertidos depois em pretensos "esquerdistas convictos" só para puxar o saco de Lula e, depois, virar reaças doentios a pedir prisão para o mesmo Lula - , que dá uma breve sobrevida e relativa popularidade a esses meios.

Mesmo assim, a revista Veja acumula, por banca, uma média de 12 exemplares encalhados, o que é um prejuízo astronômico para a Editora Abril, que em 2015 realizou um número dramático de demissões. E a Rede Globo perde 20% de audiência em cada região de cidades, o que traz um sério prejuízo para a empresa, que só não afeta seus donos, os três filhos de Roberto Marinho, porque eles estão ricos demais, abocanhando tudo de dinheiro possível, da Lei Rouanet ao Criança Esperança.

E OS "ESPÍRITAS"?

Os "espíritas" vivem em outra órbita. Eles até admitem que a grande mídia está decadente, que só veicula más notícias para vender e chamar atenção do público, e imaginam que o mundo "está melhor" porque "há mais bondade e generosidade" entre as pessoas.

Primeiro, os níveis de bondade e generosidade que existem hoje estão no mesmo patamar médio de uns 30 anos atrás. Nem pouco, mas nem tanto assim. Segundo, porque a realidade não está assim tão bela quanto os lunáticos "espíritas" tanto tentam afirmar.

Eles acusam os meios de comunicação de investir em notícias negativas para alimentar interesses comerciais. E as notícias positivas superestimadas pelos "espíritas", também não é propaganda para lotar seminários "espíritas" e vender livros e filmes do gênero, com os mesmos interesses comerciais em jogo?

E além disso, os mitos de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco são alimentados por essa mesma mídia comercial. Não nos esqueçamos que os filmes da "saga" Chico Xavier que volta e meia passam até nos canais de TV por assinatura são co-produções da Globo Filmes.

Recentemente, o Fantástico realizou uma reportagem festejando o assistencialismo de Divaldo Franco, o "maior filantropo do Brasil" que mal consegue beneficiar 0,1% do povo de Salvador. É o mesmo programa televisivo que, na Rede Globo, faz longas reportagens sobre crimes violentos preparando os estômagos dos telespectadores para mais uma rotina semanal neste "mundo cão".

Sabemos que os "espíritas" são conservadores, e é esse conservadorismo que reúne tanto violências impunes que causam tragédias com a frieza de quem quebra um copo em um bar da esquina quanto caridades paliativas que apenas diminuem parcialmente a miséria do povo, sem no entanto enfrentar o sistema de injustiças sociais cruel dos nossos dias.

Portanto, mais parece uma queixa tola sobre o "sangue" que escorre nos noticiários. Os "espíritas" são apenas uma parte desse sistema cruel de valores violentos, na verdade movidos pelo mesmo sistema de valores baseado na supremacia dos egoístas e na complacência dos desprivilegiados. Um igrejismo que é apenas o outro lado da moeda medieval que permite o comércio de notícias violentas nos telejornais.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

As piores ilusões vêm de gente "de cima"

ENQUANTO A JOVEM OLHA PARA LONGE, A VELHA OLHA PARA BAIXO.

Quem é que mais erra, que mais se ilude, que mais tem fantasias, que mais comete equívocos? É o pessoal de baixo? São os mais jovens, os menos endinheirados, os subordinados, os aprendizes? São aqueles que não atingiram o ápice da pirâmide social?

Não. Ultimamente, através desse processo corrupto de ascensão do presidente interino Michel Temer, de uma revolta de uma classe política com os tantos anos de governo do Partido dos Trabalhadores, derruba-se o mito de que os "do alto da pirâmide" são dotados de plena responsabilidade social.

Quem está no alto do status quo social é que justamente está cometendo erros, gafes, crimes, ilusões, fantasias, teimosias etc. Quem tem mais dinheiro, mais idade, coleciona diplomas, está no âmbito do poder político, se cerca de prestígio da fama, da hierarquia familiar, do comando do mercado do trabalho, dos cargos administrativos, das chefias em geral, do luxo, do requinte, etc.

Mesmo aqueles que possuem prestígio religioso, como os "espíritas", movidos pela falsa modéstia do seu simulacro de humildade plena, são os que mais se entorpecem nas ilusões e fantasias que põem em xeque sua tão alegada superioridade moral.

Pessoas idosas incapazes de ensinar alguma coisa relevante na vida. Pais de família que, vendo telejornais ou lendo jornais e revistas impressos, se acham dotados da "visão mais objetiva da vida". Mães de família com mania de saúde física e limpeza. Avôs e avós sem histórias relevantes para contar para seus netos.

Empresários, executivos e profissionais recorrendo aos filhos como ghost writers de suas tão festejadas palestras. Pessoas mais velhas com mania de filosofia, envergonhadas de seu baixo intelectualismo. Péssimos cientistas e péssimos dramaturgos mergulhando fundo nos livros de auto-ajuda ou na literatura religiosa, sobretudo "espírita".

E mesmo quando jovens, os ricos, diplomados e famosos cometem erros terríveis, gafes preocupantes, mas aparentemente saem ilesos por conta do status quo. De Luciano Huck a Alexandre Sansão, de Sérgio Moro à Mulher Melão, os jovens que se apoiam no status quo também mostram o quanto sua superioridade de aparência esconde aspectos tão mesquinhos.

Isso é um reflexo de um país em que vivemos, sobretudo numa ditadura militar que formou péssimos jovens, que hoje são péssimos idosos. Ou de vícios que vêm desde a República Velha, até hoje nunca devidamente superados, como os vícios jurídicos que permitem que a famosa fraude mediúnica de Francisco Cândido Xavier em torno de Humberto de Campos fosse consentida e depois impunemente aceita.

Se você é "espírita" ou tucano, as leis não lhe tocam. São dois terrenos em que cometer abusos são atividades socialmente aceitáveis ou, quando muito, erros tolerados com devota misericórdia. O fato de Chico Xavier e Aécio Neves terem nascido em Minas Gerais não diz muito, mas o carisma que construíram artificialmente às custas do coração mole de seus seguidores os faz estarem acima de qualquer tipo de lei e contestação.

A crise que vive o Brasil é a crise que traz o risco de reputação antes inabalável à hierarquia como até hoje adotamos. As pessoas que estão no "alto da pirâmide" sentem um grande medo da queda, diante da vertigem dos tempos atuais. Tentam se vingar da pressão dos tempos querendo implodir a base da pirâmide e dizer que os velhos e obsoletos padrões não só "continuam valendo" como "tendem a se tornar mais fortes e atuais".

Só que essa é a revolta dos retrógrados à mudança dos tempos, que só piora as coisas. É tanto assassinato de reputações que faz com que seus assassinos é que tenham a reputação morta. O diretor teatral Cláudio Botelho e o jornalista Guilherme Fiúza quiseram derrubar Lula e Dilma em comentários odiosos, acabaram sendo "queimados" com as gafes reacionárias que cometeram.

Tecnocratas, aristocratas, celebridades, políticos, religiosos etc estão sofrendo diante da repercussão dos erros que cometem. Tentam minimizar as coisas, dizendo que "todo mundo erra", mas isso é uma desculpa para salvar os antigos paradigmas de superioridade que lhe protegem.

Tentam forçar a barra até politicamente, quando tudo se conspira para o governo retrógrado de Michel Temer seguir em frente. Ignoram seus riscos, seus pontos fracos e acham que nem um furacão irá derrubar suas imagens totêmicas.

Os "espíritas", que ultimamente dão um show de reacionarismo com a Teologia do Sofrimento e com a condenação ao pensamento contestador, também acham que sobreviverão a uma tempestade de críticas, eles, que escondem Jean-Baptiste Roustaing para dentro do armário, e professam seu igrejismo enrustido com bajulação gosmenta ao professor Allan Kardec cujas ideias desprezam.

E assim é um velho Brasil, podre e obsoleto, que tenta resistir na marra, a todo custo, pela promiscuidade das leis, pela arrogância dos cyberbullies nas redes sociais, pelos investimentos multimilionários do empresariado, pela propaganda agressiva pela mídia. Todos esses meios, dotados de muitas ilusões, já que proteger o status quo também tem suas fantasias. O problema é que toda essa ilusão está se dissolvendo de maneira dramática e por vezes trágica.