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A grande mídia está decadente, não percebem?


Sabem aqueles telejornais da televisão aberta que as pessoas estão acostumadas a ver, principalmente à noite? E aquelas revistas de informação que chegam às bancas nos fins de semana? E os jornais impressos diários? E os canais noticiosos de rádio FM e TV por assinatura? Se eles forem ligados aos grandes grupos de Comunicação, podem garantir, eles estão em processo de decadência.

Essa decadência é avassaladora. Em nome de convicções políticas, esses meios de Comunicação passaram a transmitir descaradas mentiras, principalmente no noticiário político. Seus comentaristas se tornam cada vez mais truculentos e emocionalmente desequilibrados. No noticiário em geral, interesses comerciais fazem alternar tanto o baixo astral de notícias policiais quanto a alegria debiloide de fatos banais como compras em shopping centers para alguma data comemorativa.

No decadente Estado do Rio de Janeiro, as pessoas bovinamente vão ver os jornais como se estivessem procurando pela realidade que não percebem à sua volta. Numa época em que pessoas se apegam ao entretenimento analgésico do WhatsApp nos telefones celulares, pessoas resignadamente apreciam, sem questionar, as notícias trazidas pela grande imprensa comercial.

Em âmbito local, os fluminenses são influenciados, em níveis hipnóticos, por três veículos midiáticos: o Jornal Nacional, da Rede Globo, o jornal impresso O Dia e, no caso dos evangélicos, o Jornal da Record. Há o Jornal da Band, genérico mais "informativo" do Jornal Nacional, e, para o público popularesco, o tabloide Meia Hora, para completar o indigente cenário da imprensa no Rio de Janeiro.

Fala-se no Rio de Janeiro porque o Estado, foco de atenções mundiais através da Rio 2016, apesar de sua avassaladora decadência em doses estratosféricas e trágicas, ainda se impõe como "modelo a ser seguido" em todo o país e é dotado por pessoas submissas, hoje viciadas em smartphones - vão para praias e parques com seus celulares se esquecendo de viver o ambiente em volta - e tão conformadas com tudo que não sentem até o fedor dos caminhões de lixo que circulam pelas ruas.

O Rio de Janeiro, assim como São Paulo, todo o Estado (afinal, podemos falar da capital paulista assim como falamos de Campinas, Santos ou Guarujá), são os maiores redutos dos chamados "midiotas", os idiotas midiáticos que acreditam em tudo, de maneira a mais submissa possível, por mais mentirosa seja uma notícia ou por mais hipócrita que seja um comentário.

A mídia se encontra em uma crise tão séria mas as pessoas adiam a decadência dos próprios veículos de Comunicação por causa de um modismo de anti-petismo - vindo de antigos tietes de Collor e FHC convertidos depois em pretensos "esquerdistas convictos" só para puxar o saco de Lula e, depois, virar reaças doentios a pedir prisão para o mesmo Lula - , que dá uma breve sobrevida e relativa popularidade a esses meios.

Mesmo assim, a revista Veja acumula, por banca, uma média de 12 exemplares encalhados, o que é um prejuízo astronômico para a Editora Abril, que em 2015 realizou um número dramático de demissões. E a Rede Globo perde 20% de audiência em cada região de cidades, o que traz um sério prejuízo para a empresa, que só não afeta seus donos, os três filhos de Roberto Marinho, porque eles estão ricos demais, abocanhando tudo de dinheiro possível, da Lei Rouanet ao Criança Esperança.

E OS "ESPÍRITAS"?

Os "espíritas" vivem em outra órbita. Eles até admitem que a grande mídia está decadente, que só veicula más notícias para vender e chamar atenção do público, e imaginam que o mundo "está melhor" porque "há mais bondade e generosidade" entre as pessoas.

Primeiro, os níveis de bondade e generosidade que existem hoje estão no mesmo patamar médio de uns 30 anos atrás. Nem pouco, mas nem tanto assim. Segundo, porque a realidade não está assim tão bela quanto os lunáticos "espíritas" tanto tentam afirmar.

Eles acusam os meios de comunicação de investir em notícias negativas para alimentar interesses comerciais. E as notícias positivas superestimadas pelos "espíritas", também não é propaganda para lotar seminários "espíritas" e vender livros e filmes do gênero, com os mesmos interesses comerciais em jogo?

E além disso, os mitos de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco são alimentados por essa mesma mídia comercial. Não nos esqueçamos que os filmes da "saga" Chico Xavier que volta e meia passam até nos canais de TV por assinatura são co-produções da Globo Filmes.

Recentemente, o Fantástico realizou uma reportagem festejando o assistencialismo de Divaldo Franco, o "maior filantropo do Brasil" que mal consegue beneficiar 0,1% do povo de Salvador. É o mesmo programa televisivo que, na Rede Globo, faz longas reportagens sobre crimes violentos preparando os estômagos dos telespectadores para mais uma rotina semanal neste "mundo cão".

Sabemos que os "espíritas" são conservadores, e é esse conservadorismo que reúne tanto violências impunes que causam tragédias com a frieza de quem quebra um copo em um bar da esquina quanto caridades paliativas que apenas diminuem parcialmente a miséria do povo, sem no entanto enfrentar o sistema de injustiças sociais cruel dos nossos dias.

Portanto, mais parece uma queixa tola sobre o "sangue" que escorre nos noticiários. Os "espíritas" são apenas uma parte desse sistema cruel de valores violentos, na verdade movidos pelo mesmo sistema de valores baseado na supremacia dos egoístas e na complacência dos desprivilegiados. Um igrejismo que é apenas o outro lado da moeda medieval que permite o comércio de notícias violentas nos telejornais.

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