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"Espiritismo" deixou a máscara cair ao defender restrição do raciocínio


O "espiritismo" brasileiro deixou a máscara cair. A postura "dúbia", de palestrantes pseudo-sábios que num dia bajulam até Erasto, em outro exaltam o igrejismo medieval de Emmanuel, não se sustenta diante de argumentos consistentes.

Sabendo disso, eles tentam se esforçar para ficarem com a palavra final, diante de contradições que são incapazes de explicar. Eles tentam argumentar que "ninguém é dono da verdade" ou "a verdade final ainda é desconhecida", desde que a eles se mantenha o privilégio da palavra final ou da opinião mais influente e definitiva.

Eles não vão dizer na palavra crua, "a verdade está comigo", mas é como se estivessem dizendo isso. É uma argumentação bastante habilidosa na qual o status religioso acaba se beneficiando com uma espécie de carteirada. Vejamos:

1) O "espírita" alega que ninguém é possuidor da verdade, que a verdade ainda não atingiu o grau ideal para ser compreendido por todos e que por isso tal presunção só serve para alimentar vaidades pessoais e a imposição de determinados pontos de vista nem sempre coerentes ou benéficos a todos.

2) O "espírita", no entanto, se beneficia pelo status que possui. Se julga seguidor de Jesus, diz somente pregar a "bondade" e a "caridade", trabalha em instituição religiosa que aparentemente ajuda as pessoas necessitadas e, sendo um "servo de Deus", se considera um dos "mais adiantados" colaboradores da "paz entre os povos".

3) Diante desse status religioso, ele pode dizer qualquer coisa que o status lhe garante a prevalência de seu ponto de vista. Ele pode cometer sérias contradições, mas como suas atividades estão ligadas à "bondade", tudo o que ele disser, por mais questionamentos severos que receba, se resultará sempre na palavra final do religioso "espírita".

Aí vemos "espíritas" acendendo velas para forças antagônicas. De um lado, o cientificismo de Allan Kardec e alertas de espíritos como Erasto. De outro, o igrejismo de Francisco Cândido Xavier e seu mentor (ou obsessor?), o autoritário e medieval Emmanuel.

Embora com dóceis palavras, um trecho do livro que leva o nome do traiçoeiro espírito que se envolveu com Chico Xavier (um esperto plagiador e pastichador de livros e usurpador de mortos), Emmanuel tenta argumentar que a Ciência é "falha" e que a Religião é que é a "verdade", tentando discernir o sentido geral de "religião" e o sentido particular de "religiões".

Vejamos a reprodução dos respectivos tópicos, seguida de nossa réplica correspondente:

O TÓXICO DO INTELECTUALISMO

Nos tempos modernos, mentalidades existem que pugnam pelo desaparecimento das noções religiosas do coração dos humanos, saturadas do cientificismo do século e trabalhadas por ideias excêntricas, sem perceberem as graves responsabilidades dos seus labores intelectuais, porquanto hão de colher o fruto amargo das sementes que plantaram nos humanos jovens e indecisos. Pedese uma educação sem Deus, o aniquilamento da fé, o afastamento das esperanças numa outra vida, a morte da crença nos poderes de uma providência estranha aos humanos. Essa tarefa é inútil. Os que se abalançam a sugerir semelhantes empresas podem ser dignos de respeito e admiração,
quando se destacam por seus méritos científicos, mas assemelham-se a alguém que tivesse a fortuna de obter um oásis entre imensos desertos. Confortados e satisfeitos na sua felicidade ocasional, não veem as caravanas inumeráveis de infelizes, cheias de sede e fome, transitando sobre as areias ardentes.

RESPOSTA NOSSA: Há uma mitificação do "mau cientista", no qual se misturam defeitos esparsos, como não acreditar na vida espiritual ou no trabalho de "ideias excêntricas". Emmanuel tenta imitar a narrativa de Allan Kardec, talvez por pura paródia, ou evidentemente um pastiche, que é a especialidade que une o jesuíta ao pastichador Chico Xavier.

O problema é que Emmanuel, que fala do argueiro do olho do outro mas não da trave de seu próprio, não cita que, dentro dos ambientes religiosos, mesmo aqueles que se julgam "desprovidos de paixões terrenas", também se constroem oásis privativos sob imensos desertos, enquanto, através da Teologia do Sofrimento, deixavam os infelizes à própria sorte. Para piorar, defendia-se o sofrimento sob o pretexto de "esperanças futuras", e isso se dava sob a roupagem de uma religião supostamente unificadora de povos, como o Catolicismo medieval, cuja experiência os "espíritas" almejam repetir, com as devidas adaptações de contexto.

EXPERIÊNCIA QUE FRACASSARIA

O sentimento religioso é a base de todas as civilizações. Preconiza-se uma educação pela cultura, concedendo-se liberdade aos impulsos naturais do humano. A experiência fracassaria. É ocioso acrescentar que me refiro aqui à moral cristã, que deverá inspirar a formação do caráter e do instituto da família e não ao sectarismo do círculo estreito das Igrejas terrestres, que costumam envenenar, aí no mundo, o ambiente das escolas públicas, onde deverá prevalecer sempre o mais
largo critério de liberdade de pensamento. Falo do lar e do mundo íntimo dos corações. No dia em que a evolução dispensar o concurso religioso para a solução dos grandes problemas educativos do Espírito do humano, a Humanidade inteira estará integrada na religião, que é a própria verdade, encontrando-se unida a Deus, pela Fé e pela Ciência então irmanadas.

RESPOSTA NOSSA: Escrito em 1938, isso parece uma apresentação da Escola Sem Partido, sobretudo quando à "liberdade aos impulsos naturais do humano", que soam como um eufemismo para "pensamento questionador e cético". Antecipação de tempos futuros? Lógico que não. A ideia é retroceder mesmo, tanto que os "sábios espíritas" vão longo recuperando esse embolorado livro de Emmanuel, o que leva o seu nome, para resgatar um igrejismo obsoleto que muitos pensam estar "acima dos tempos".

O discurso de que se deve discernir "religiões" da "Religião", na verdade, é bem falacioso. A ideia deu uma "religião unificadora", descrita como a "verdade", já foi posta em prática através do Catolicismo medieval, de infeliz lembrança. Os "espíritas" fingem oposição a essa fase religiosa, mas concebem o "Espiritismo" como uma seita futura, na qual a Ciência pode até ser bem vinda, mas dentro dos limites que não interfiram no dogmatismo religioso.

A FALIBILIDADE HUMANA

Em cada século o progresso científico renova a sua concepção acerca dos mais importantes problemas da vida. Raramente os verdadeiros sábios são compreendidos por seus contemporâneos. Se as contradições dos estudiosos são o sinal de que a Ciência evolve sempre, elas atestam, igualmente, a fraqueza e inconsistência dos seus conhecimentos e a falibilidade humana.

RESPOSTA NOSSA: Invistamos no popular "olhe só quem fala". Emmanuel fala em contradição, quando contradição é o que esse "espiritismo" popularizado por Chico Xavier tem, dizendo uma coisa e fazendo outra, fingindo defender o cientificismo kardeciano só para dizer que não faz igrejismo medieval.

O que se observa hoje é o contrário, com os "espíritas" não conseguindo mais explicar a inconsistência de suas ideias confusas, já que a postura "dúbia" cria mais confusões do que o roustanguismo assumido de outrora, e a falibilidade humana se observa sobretudo nas falsas psicografias que Chico Xavier, Divaldo Franco e companhia fazem, que fogem dos aspectos pessoais dos autores falecidos alegados, já que apresentam irregularidades que desfazem qualquer similaridade ou verossimilhança.

O SUBLIME LEGADO

Diz-se que o pensamento religioso é uma ilusão. Tal afirmativa carece de fundamento. Nenhuma teoria científica, nenhum sistema político, nenhum programa de reeducação pode roubar do mundo a ideias de Deus e da imortalidade do ser, inatas no coração dos humanos. As ideologias novas também não conseguirão eliminá-la. A religião viverá entre as criaturas, instruindo e consolando, como um sublime legado.

RESPOSTA NOSSA: Com muita arrogância, Emmanuel descreve, neste texto, a sua intenção medieval de colocar a religião acima de tudo. O que carece de fundamento é essa pregação igrejista de supor que, só porque uma teoria científica falha, a Ciência deixa de cumprir seu papel. É como se dissesse: "como a Ciência errou, não pode ir adiante. Raciocinar é um ato falho. Fiquemos com a Religião, com o simples ato de crer e louvar, o cérebro que se aposente porque pensar é um pecado".

RELIGIÃO E RELIGIÕES

O que se faz preciso, em vossa época, é estabelecer a diferença entre religião e religiões. A religião é o sentimento divino que prende o humano ao Criador. As religiões são organizações dos humanos, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir, são como gotas de orvalho celeste, misturadas com os elementos da terra em que caíram. Muitas delas, porém, estão desviadas do bom caminho pelo interesse criminoso e pela ambição lamentável dos seus expositores; mas a verdade um dia brilhará para todos, sem necessitar da cooperação de nenhum humano. 

RESPOSTA NOSSA: Nossa diferença entre "religião" e "religiões" é essa. Religião é um sistema de crenças místico-moralistas com um repertório ideológico mais genérico. Religiões são um conjunto de seitas que particularizam esse repertório ideológico em variações específicas. Não há como desvincular "religiões" da "religião", estas agem em função daquela, pois, independente de haver uma ou mais "torres de Babel" a arranhar o céu com diferentes formas de religiosidade, ela sempre segue um sistema de dogmas e ritos.

Além disso, a Religião sempre toma o certo como incerto. Estabelece como "autoridade máxima" uma figura, Deus, em si já uma concepção católica e ocidental, dotada de muitas controvérsias. Depositar a ideia de Verdade a alguém que não conhecemos é o mesmo que entregar os cuidados de uma casa a alguém absolutamente desconhecido.

Outro dado que chama a atenção é essa contraditória ideia de "libertação" pela religião. Afinal, como o homem pode ser "livre" se está preso ao "Criador"? Que "liberdade" é essa que se baseia em prisão a algo, que "emancipação" se espera de um processo de subordinação? Isso mostra o tom medieval do discurso emmanuelino.

Dito assim, vamos mostrar então um trecho de um livro que os "espíritas" fingem gostar bastante, mas que acham bastante perigoso para seus interesses. É O Livro dos Médiuns de Allan Kardec, que os "espíritas" vão correndo para traduções mais igrejeiras, mais pasteurizadas, como as de Guillón Ribeiro e Salvador Gentile. No entanto, a tradução mais coerente é a de José Herculano Pires, que preserva o cientificismo da fonte original.

Neste livro há vários pontos que podem ser identificados como potenciais broncas a Chico Xavier, Divaldo Franco, Emmanuel, Robson Pinheiro e tantos outros colaboradores da deturpação da Doutrina Espírita e o rebaixamento do Espiritismo a uma seita igrejeira medieval.

Só a reprodução de relatos do espírito identificado como São Luís, trazido por um obscuro médium a serviço de Kardec, revelam que os "sábios conselhos" de Emmanuel, acima reproduzidos, não passam de mistificação barata, de igrejismo mofado travestido de pretenso profetismo. Emmanuel é alguém que se comprova preso ao passado medieval, mas que queria ser dono do futuro da humanidade.

Os trechos que serão expostos abaixo correspondem ao capítulo 24, Identidade dos Espíritos, e mostram, com uma linguagem mais concisa do que o discurso empolado do jesuíta do além-túmulo, no item 267, os aspectos dos espíritos levianos. Selecionamos alguns desses itens para citar aqueles que se encaixam no espírito austero de Emmanuel:

"A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares é sempre algum reflexo das paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza, auto-suficiência, arrogância, fanfarronice, mordacidade é sinal característico de inferioridade. E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado". (item 4)

"Os maus falam de tudo com segurança, sem se importar com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom senso revela a fraude, se o Espírito se apresenta como esclarecido". (item 7)

"Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. Todo anúncio de acontecimento para uma época certa é indício de mistificação". (item 8)

"Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empoladas o vazio das idéias. Sua linguagem é freqüentemente pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a pretexto de parecer profunda". (item 9)

"Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição.

São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara." (item 10).

A verdade é que Emmanuel condenava o pensamento questionador porque sabe que isso desmascararia toda a deturpação "espírita". Como Chico Xavier se envolveu com pastiches e plágios literários, levar adiante o pensamento questionador sempre é visto pelos "espíritas" como "tarefa maligna", até porque Chico Xavier era um vendedor de best sellers garantindo todo o faturamento da FEB e outras editoras similares, questioná-lo seria causar prejuízo econômico a elas.

Devemos nos lembrar que o "movimento espírita" construiu fortunas e fortunas pessoais com o faturamento desses livros e de publicações similares ou derivadas. Não nos iludamos, se esse lucro todo tivesse se voltado para a caridade e o auxílio aos mais necessitados, o Brasil teria extinto a pobreza havia muito, muito tempo, seríamos um país escandinavo da América do Sul.

Como isso não ocorreu, vemos a farsa que se fez e continua fazendo. Dá pena ver palestrantes "espíritas" falarem em "coerência" porque é justamente isso que eles não fazem, já que é muito fácil bajular Allan Kardec, Erasto, São Luís e o pensamento científico, quando tudo está dentro dos limites aceitos pelo pragmatismo religioso.

Quando a Ciência começa a interferir e questionar as ações da Religião, os "espíritas" reagem feito feras, e voltam ao seu juízo de valor de moldes medievais para condenar o livre pensamento e a capacidade de contestar. Diante disso, concluímos que o "espiritismo" defende, isso sim, as restrições ao aproveitamento do raciocínio humano. Pensar, só dentro dos limites.

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