segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O moralismo cruel dos "espíritas"

"ESPÍRITAS" COSTUMAM VER NESSES COITADOS ANTIGOS TIRANOS "PAGANDO PELO QUE FIZERAM".

O "movimento espírita" tem uma moral estranha. Ele defende a Teologia do Sofrimento, que defende os infortúnios pesados como forma de "evolução social" dos indivíduos, e no seu juízo de valor, supõe encarnações anteriores das quais consideram as vítimas de hoje "culpadas" de supostas faltas passadas.

É um moralismo que corresponde à maior herança que Jean-Baptiste Roustaing, o advogado que produziu o duvidoso livro Os Quatro Evangelhos - que ele jura ter sido obtido de espíritos dos antigos evangelistas - , deixou no "movimento espírita", que hoje renega qualquer associação ao roustanguismo em prol de uma pretensa e hipócrita "fidelidade a Allan Kardec".

A "moral espírita" consiste em dizer que, se a pessoa sofre demais, ela "responde" por faltas passadas. Só que essa visão, de um descarado juízo de valor, é hipócrita, ante o desconhecimento que os próprios "espíritas" têm da Ciência Espírita, já que eles no fundo nunca se identificaram de verdade com o cientificismo e o rigor metodológico de Allan Kardec.

Que desonestidade doutrinária é esta que tem a autoridade de dizer que fulano sofre as desgraças de hoje porque teria sido um tirano no Império Romano, ou que era um senhor de engenho, um corrupto, um sanguinário, um fútil, um fanfarrão? Que certezas têm os "espíritas" para garantir que fulano foi alguma pessoa cruel no passado?

Quanto à Teologia do Sofrimento, para os "espíritas" o ideal é sofrer em silêncio, passar o tempo todo orando, não se preocupar em resolver o problema etc. Até quando busca um tratamento espiritual, em vez dos problemas serem resolvidos, outros, mais graves, são contraídos.

E pouco importa se a pessoa é castrada e acuada em infortúnios e barreiras intransponíveis. Parecemos minhocas que não podem pular uma roda de fogo, mas que isso é nossa obrigação e cabe fazê-la com perseverança e esforço descomunal, de preferência acima de nossas capacidades.

Tudo isso é feito visando as premiações da vida futura. As "graças" e "bênçãos" que o além-túmulo promete nos oferecer, nessa competição desigual em que as derrotas de uma encarnação seriam compensadas pelos "prêmios de consolação" após a morte, compensações estas que não sabemos o que é, mas os "espíritas" garantem serem "lindos presentes de Deus" para os bons sofredores.

Vamos, assim, obedecendo aos "desígnios do Alto", a sofrer infortúnios vindos do nada, a "vivermos como pudermos", a desperdiçarmos nossos potenciais com atividades à toa ou enfrentando barreiras insuperáveis, a perdermos pessoas valiosas que nos ajudariam muito, a termos que aturar pessoas sem valor cujo convívio traz prejuízos severos, tudo por conta de um prêmio de nada.

É muito fácil os "espíritas" defenderem tudo isso. Não são eles que perdem entes queridos, sofrem infortúnios, enfrentam limitações severas. Quando são duramente criticados, eles ainda vêm com choradeira, atribuindo os erros do "movimento espírita" a alguns "peixes pequenos" de "centros espíritas desorganizados". Eles, os "peixes-grandes", é que estão "sempre certos" até nos erros que cometem.

O moralismo "espírita" descreve o sofredor ou o desafortunado social como um "desgraçado que merece nosso carinho e misericórdia". Esse discurso revela uma crueldade sutil, porque contrapõe os "infelizes" e os "bonzinhos", num maniqueísmo bastante hipócrita e oportunista.

Afinal, os "espíritas" é que são "bons". Eles é que são "piedosos", agem por "compaixão", são de uma "misericórdia infinita". Já os que sofrem alguma desgraça ou limitação na vida e não conseguem controlar seus infortúnios, eles são os "desgraçados", os que "pagam caro pelo que fizeram", os que "sofrem por merecer".

Vejam só. De um lado, o paternalismo "bondoso" dos "espíritas", que apelam para o morde-e-assopra do juízo de valor severo, da presunção de que todo sofredor "responde por faltas de outras vidas" e que por isso "teve razões" para tanto sofrimento sem controle.

De outro, é a "assistência" um tanto tendenciosa, depois do juízo de valor cruel, em que primeiro se acusa para depois socorrer, em que primeiro vem a maledicência e depois a misericórdia, o que mostra que essa "compaixão" não é tão piedosa assim.

Na "moral espírita", a pessoa é como um peixinho de rio que é obrigado a escalar uma montanha. A ele se exigem esforços descomunais, acima de suas capacidades, buscando alternativas surreais e agindo com fé e perseverança. Mas o peixinho não tem condições para escalar a montanha, e, se sair da água, morreria.

Pouco importa isso para os "espíritas". Se o peixinho não tem condições, "falta-lhe a fé". Se ele deixa de tomar iniciativa, é por "falta de perseverança". Adeptos da Teologia do Sofrimento, os "espíritas" simplesmente dizem para quem está acuado pelos infortúnios e barreiras insuperáveis: "saiam já daí, se virem!".

Isso é crueldade. Primeiro se faz um julgamento sem fundamento, mas baseado em falsas noções de vida espiritual, numa doutrina que demonstrou não ter qualquer apreço com o verdadeiro pensamento de Allan Kardec. Segundo, se presta assistência paliativa só para dar a impressão de que os "espíritas" são "bonzinhos", que "ajudam" o "desgraçado" com sua "misericórdia infinita".

Em contradição, a religião "espírita" empurra o sofredor para continuar aguentando suas limitações e barreiras, com dificuldades criadas para sua superação, sempre desafiando as condições e capacidades que o desafortunado tem limitadas, e que mesmo o esforço mais hercúleo não consegue dar em compensações e superações reais.

Diante desse moralismo, como é que o "espiritismo" brasileiro fala em querer que as pessoas vivam felizes? Depois de tudo isso, eles ainda falam, sorridentemente: "viva cada momento". Como se é o momento presente que se encontram sérias barreiras para uma vida melhor? Como sonhar coisas bonitas num momento de intenso pesadelo?

Isso se torna muito fácil quando aqueles que dizem tudo isso vivem em situação confortável de astros da religiosidade, que se beneficiam às custas do sofrimento alheio, protegidos por uma falsa roupagem de superioridade que lhes enche de vaidade e orgulho extremo.

No entanto, aqueles que dizem que o sofrimento "é lindo" e que tenhamos que sofrer as piores coisas visando as "bênçãos da vida futura" são os mesmos que, iludidos com as recompensas terrenas que recebem pelo fato de serem "bonzinhos", como os "prêmios humanitários" recebidos, mal sabem o que esperará por eles.

Pois serão eles que, no além-túmulo, em vez de receberem também as "bênçãos futuras" que tanto rogam aos desafortunados, receberão as desilusões do mundo espiritual que se mostrará diferente do que suas lindas fantasias insistiram tanto em supor.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"Espíritas" brasileiros se tornam vítimas dos próprios erros

O "ESPIRITISMO" É DOUTRINARIAMENTE MAIS PRÓXIMO DO CATOLICISMO FUNDADO PELO IMPERADOR ROMANO CONSTANTINO.

A crise na qual passa o "espiritismo" brasileiro é de conhecimento de seus líderes e palestrantes, que, agora, reagem como se eles fossem o exemplo de coerência e de bom senso, mesmo quando são eles mesmos que apresentam as mais aberrantes contradições em relação à doutrina de Allan Kardec.

Vemos muitos "cavaleiros da esperança", como são conhecidos os líderes "espíritas" que prometem consolar os infelizes com suas palestras sempre cheias de belas palavras. Divaldo Franco, José Medrado, Richard Simonetti, Orson Peter Carrara, Geraldo Lemos Neto, e, in memoriam, Lino Curti e o próprio Francisco Cândido Xavier, aparecem todos jurando fidelidade total ao professor francês.

No entanto, eles são os que mais contribuem para manter a deturpação da Doutrina Espírita. Eles é que tudo fazem para manter a doutrina mais próxima do Catolicismo medieval inaugurado pelo imperador romano Constantino, que foi introduzido no Brasil colonial através de sua forma portuguesa - paciência, Portugal fez parte do Império Romano - do que do pensamento kardeciano.

É até risível que esses mesmos "espíritas" denunciem a deturpação da Doutrina Espírita, como se isso não fosse da parte deles. Os "cavaleiros da esperança" chegam a usar, em causa própria, as palavras de Erasto, os princípios do Controle Universal do Ensino dos Espíritos e as recomendações mais preciosas de Allan Kardec.

Tudo em vão. Afinal não se pode evocar Erasto, Kardec e o CUEE se, por outro lado, tempera seus textos embelezados de palavras e recados alegrinhos com epígrafes tiradas de livros de Emmanuel, que claramente contrariam o pensamento sistematizado pelo pedagogo francês.

Não adianta cobrar dos outros coerência se é o primeiro a cometer incoerências. Não é possível se proteger pelo verniz da bondade, se comete desonestidades intelectuais severas. A ideia de que o amor tudo permite, até mesmo erros grosseiros, é ridícula e não tem o menor sentido lógico, mas no "espiritismo" brasileiro ele é usado para acobertar aberrantes fraudes doutrinárias.

Sabemos que Chico Xavier cometeu erros gravíssimos, e foi ele quem bem personificou o "perigo espírita" prenunciado por Erasto. Daí ser impossível e inconcebível recorrer a Erasto quando se defende Chico Xavier, como usar a verdade para proteger a mentira.

Chico Xavier causou muita confusão com seus trabalhos. Se observarmos bem, ele criou problemas, muitas vezes pelo propósito de seus atos, a partir dos pastiches literários trazidos pelo embuste chamado Parnaso de Além-Túmulo, em 1932.

O livro é tão ridículo que, feito sob a pretensão de ser uma obra acabada de espíritos benfeitores, sofreu reparos muito grandes por cinco vezes e em mais de duas décadas. Poemas eram incluídos e excluídos, mediante motivos tendenciosos ou oportunistas, ou pela má repercussão de alguns poemas. A mais longa reparação foi entre a quinta e a sexta edições, considerada "definitiva", que durou dez anos, de 1945 a 1955.

Só esse detalhe é uma aberrante irregularidade. Imagine, um livro considerado de "alto grau de elevação", que é remendado cinco vezes em duas décadas, contrariando sua pretensão de "mensagem pronta" e acabada. E, numa observação cuidadosa, percebe-se que é uma coleção de pastiches literários, com várias evidências de plágios, sem falar que o conteúdo destoa dos estilos dos autores originais.

Descobriu-se que o livro foi feito por Chico Xavier, Antônio Wantuil de Freitas, alguns editores da Federação "Espírita" Brasileira e um serviço de consultores literários de fora da instituição. Provavelmente uma dezena de escritores, com Chico incluído, fazendo um trabalho sujo, que já demonstrava a que veio esse anti-médium que as pessoas cultuam com certo fanatismo.

Vieram outros atos, como plágios literários em prosa, livros pseudo-científicos que claramente contrariam a obra de Allan Kardec, participação evidente em fraudes de materialização - Chico assinava atestados de "autenticidade" e apoiou até a farsante Otília Diogo - e escreveu cartas de sua própria imaginação, se servindo de dados que colhia daqui e dali sobre um morto de ocasião.

Como é que o pessoal vai jurar fidelidade absoluta a Allan Kardec, se apoia de todo esse processo de fraudes e deturpações doutrinárias seriíssimas? Eles querem brincar com a fé de seus seguidores? Eles vão tentar nos fazer crer que as crises que o "movimento espírita" sofrem parte da "campanha de perseguição" dos inimigos?

Eles chegam ao ponto de dizer que não se deve investir "demais" na lógica. Eles veem o ceticismo de Allan Kardec como um pecado, como um mal. Eles incriminam o ato de raciocinar, contrapondo-o ao do coração, acham que a fé tem mais razão que a própria razão e investem na mesma credulidade que, na Idade Média, tanto marcou a ideologia católica.

Daí que os "espíritas" só evocam a Ciência quando ela se submete a ajoelhar no altar da Fé. Reagem incômodos à ideia da utilização rigorosa do pensamento questionador, e falam de um tal "Império da Dúvida" como forma, que eles consideram desesperada e maldosa, de buscar certezas ou comprovar teses.

Eles remetem aos medievais que dizem criticar, quando condenam o pensamento questionador, quando a lógica ultrapassa os limites determinados pela Fé, que havia imposto um terreno limitado para a "livre expressão" da Ciência, única e pequena concessão que o "espiritismo" representou para o rigor rigoroso e punitivo dos antigos católicos.

Se os católicos mandavam os cientistas para serem queimados em fogueira, exposta em praças públicas ou em estádios lotados, ou para serem enforcados, decapitados ou devorados por leões, os "espíritas" apenas aceitam a Ciência desde que ela não ameace a supremacia da Fé. Em outras palavras, abriram espaço para a Ciência, desde que com limites.

O religiosismo dos "espíritas" trava e compromete o desenvolvimento do Brasil. E, o que é pior, faz o "espiritismo" ser uma verdadeira fogueira das vaidades, escondida num forno coberto pelo verniz da humildade e da bondade.

Muito se faz contra a doutrina de Allan Kardec, através de deturpações severas e graves. Criam-se distorções doutrinárias, pela falta de estudo sério do pensamento kardeciano. Criam-se falsas mediunidades, pela falta de estudo sério da Ciência Espírita. Enquanto isso, reina a demagogia, quando os que juram fidelidade doutrinária absoluta são justamente os piores deturpadores.

E é por isso que a crise acontece. A postura dúbia de jurar fidelidade a Allan Kardec e a seguir a deturpação de Chico Xavier revela que os "espíritas" se contradizem e não conseguem sequer dar argumentos sérios. Eles se tornam vítimas dos próprios erros, pagam hoje o preço caríssimo da deturpação doutrinária.

Daí que é muito difícil eles convencerem quando falam em "conduta", "coerência" e "respeito à doutrina". Eles são os que menos respeitam o pensamento de Kardec. Bajulá-lo é muito fácil, como fácil é fazer montagens de Photoshop em que Allan Kardec aparece ao lado de Chico Xavier, Bezerra de Menezes e Emmanuel.

Só que isso não convence em coisa alguma. A deturpação doutrinária torna-se mais evidente quando as antigas crises vividas pelo "movimento espírita" estão sendo publicadas na Internet, ao lado da atual crise que o movimento sofre. E isso é que deixa os "espíritas" transtornados, já que agora eles têm que aceitar hoje os efeitos drásticos que suas más escolhas causaram. Essa é a realidade.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

"Espiritismo" vê a vida futura de forma materialista


O "espiritismo" brasileiro é espiritualista? Não. Ele é materialista. Pode parecer estranho para muita gente, mas se fizermos um exame bastante cuidadoso e atento, livrando-nos do fardo da complacência e da submissão a mitos, totens e dogmas, veremos que essa "estranha" e "inconcebível" constatação é de uma verdade contundente.

A influência do moralismo do Catolicismo medieval português, das práticas ocultistas e esotéricas que dissimulam todo o desconhecimento de mediunidade rigorosamente analisado por Allan Kardec faz os "espíritas" se apoiarem em visões materialistas, como a forma como supõem ser a "vida futura" no além-túmulo.

Daí a desculpa que eles fazem quanto aos sofrimentos humanos. O "espiritismo" não tem ideia de como a vida material é complexa e que as pessoas têm projetos de vida diferenciados, nem todo mundo aceita viver qualquer coisa, qualquer infortúnio, qualquer experiência medíocre, a título de "deixar o tempo correr" para a volta à "verdadeira vida".

As pessoas querem viver de forma diferenciada. Ter desejos e interesses próprios não pode ser visto como uma busca fútil de satisfação pessoal. Há critérios específicos de aproveitamento de talentos, de expressão do desejo humano que expressa a consciência de que determinadas experiências de vida é que permitem a evolução espiritual, bem mais do que "viver como se pode".

Aceita-se a namorada que a vida impuser, o emprego que estiver no caminho, a moradia que tem que se hospedar, sem verificar a questão de afinidades nem mesmo a do aprendizado. A única regra é abrir mão do que se gosta, até passar a aceitar o abominável, o aberrante, o surreal, até que o retorno ao mundo espiritual seja visto como uma esperança de "algo melhor".

Só que sabemos que o mundo espiritual ainda é um mistério. Existe vida espiritual, existe reencarnação, existe contatos com os espíritos. Mas o atrapalhado "movimento espírita" deturpa tudo isso e envolve essas ideias num processo em que envolve burrice, desonestidade e fantasia, criando concepções fictícias que são tidas como "realistas", "verídicas" e "fidedignas"... porque sim!

Note-se, por exemplo, a forma como é vista o Nosso Lar. Uma ficção copiada de outra ficção. Se o livro original, A Vida Além do Véu (Life Beyond the Veil), que o reverendo protestante de dons paranormais, o inglês George Vale Owen, produziu em cinco volumes, criava muita fantasia da espiritualidade, o clone brasileiro de Francisco Cândido Xavier e seu André Luiz foi muito mais fundo do que a fonte de inspiração.


Nosso Lar, o livro, é uma ficção científica ruim. Há rumores de que mesmo pré-adolescente na época (1943), o menino-prodígio do "movimento espírita" Waldo Vieira, fã de quadrinhos de sci-fi, teria dado sugestões. Ele também era de família de médicos, que também teriam encaminhado sugestões de narrativa e abordagem "científica".

A obra narra uma suposta colônia espiritual cuja localização é tida como no céu da cidade do Rio de Janeiro. Não é preciso dizer que isso influiu nos retrocessos que tomam conta da ex-Cidade Maravilhosa, reduzida a uma mistura de Disneylândia com "terra de ninguém", eu que os políticos e tecnocratas fazem o que querem e o povo é obrigado a aceitar e até a endeusá-los.

Nosso Lar, a colônia, é narrado como um complexo arquitetônico que envolve um misto de hospital com internato, o núcleo central desta "cidade do além", e é cercado de prédios imponentes e praças e parques muito atraentes.

A analogia que fizemos nas imagens desta postagem, com shopping centers, condomínios de luxo e outras construções é evidente. Só faltou dizer qual é a empreiteira que construiu Nosso Lar. As ilustrações mostram o caráter publicitário, puramente marqueteiro, desse mundo "espiritual" que muito tem de material.

Lá as pessoas comem, bebem, dormem, vão ao cinema, andam de BRT (Aeróbus), usam Bilhete Único (Bônus-Hora) não só para o transporte, mas também para o cinema, teatro, lanchonete, etc, e há uma concha acústica que, em tese, tocava música clássica. Isso em tese.

Afinal, do jeito que é o "espiritismo" brasileiro, o que se poderia observar são apenas arremedos de boa música, provavelmente um polido Mr. Catra acompanhado de orquestra sinfônica, um É O Tchan com dançarinas usando camisolas brancas, um Chitãozinho & Xororó tão pedantes quanto os da Terra, pretensamente sinfônicos e preciosistas com seu caipirismo de araque.

O livro Nosso Lar já é um pastiche de relatos futuristas e abordagens científicas que serve para dissimular todo o religiosismo blasé, retrógrado e viscoso, do moralismo mais canhestro, da fé mais apegada e fanática, que fez do livro um dos best sellers do charlatão Chico Xavier.

Sem estudos que nos façam sequer supor como seria a vida espiritual - longe das abordagens materialistas que o "movimento espírita" tão convictamente afirma em suas teses especulativas - , achamos que, quando morrermos, terá parentes nos esperando como que no desembarque do aeroporto e seremos transportados para pousadas que funcionam também como hospitais psiquiátricos.

Veremos o "bom da vida material" no além-túmulo? Haverá a separação correta entre o que é bom e mau, sendo o "lixo" depositado no chamado "umbral"? Cairemos na ilusão de irmos para lindos parques para ouvir passarinhos cantando em árvores ou a assistir a corais de anjos em cantos harmoniosos?

Tudo é muito complexo. Não sabemos o que é o mundo espiritual, simplesmente porque não estudamos, não pesquisamos, não questionamos. E os "espíritas" pioram as coisas quando nos aconselham a não questionar e a apenas "crer". Eles impõem a credulidade que dizem ser "fé raciocinada". Mas que fé raciocinada é essa em que a coisa que não se pode fazer é raciocinar?

Diante dessa falta de estudo, de raciocínio, de pesquisa, a vida espiritual é feita por especulação, a partir das paixões materialistas dos "espíritas", que desprezam a vida material que aqui temos, para sonhar com a vida material no além-túmulo, querendo assim que tenhamos que viver nossos pesadelos diários na esperança de alcançarmos os sonhos bonitos do amanhã.

E acreditamos em tudo isso até que um dia retornamos ao mundo espiritual e as ilusões "espíritas" são drasticamente desfeitas...