quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

"Protegido" pelos "espíritas", Rio de Janeiro se revela reduto de ódio e reacionarismo


Há algo muito errado no pessoal do Rio de Janeiro. Desde a década de 1990, os cariocas - e, por associação, os fluminenses em geral - , antes voltados à vanguarda sócio-cultural, à resistência contra arbitrariedades e à diversidade e amplitude nas referências culturais, passaram a se tornar conformistas, conservadores, culturalmente superficiais e muito, muito reacionários.

O Rio trocou a Bossa Nova pelo "funk", uma aberração sonora que, originária da Miami anti-castrista, não dá para entender por que é acolhido, com submissão bovina, pelos esquerdistas. No rock, as pessoas deixaram a "garimpagem" de lado e passaram a ouvir "só os hits", a ponto de haver gente que é fã de uma banda por apenas um único sucesso.

Mas isso é fichinha diante da aberração que é o reacionarismo e o ódio. O Rio de Janeiro é local de residência ou de naturalidade de muitos dos valentões da Internet, os chamados cyberbullies, que sem ter o que fazer combinam com outros colegas desocupados, mas também com muita gente boa que embarca na brincadeira iludida com o carisma do agressor, uma campanha simultânea de desmoralização de alguma vítima escolhida numa ocasião.

Foi o Rio de Janeiro que elegeu o reacionário Eduardo Cunha para deputado federal, mostrando que os cariocas nos últimos dez anos andavam com a urna podre. Foi Cunha que armou a cilada que resultou no fim do governo Dilma Rousseff (paciência, ela foi eleita com maioria de votos legalmente conquistados), na ascensão do terrível Michel Temer e na imposição de uma agenda de mudanças econômicas nefastas que incluem a perda de direitos trabalhistas pela tal "reforma trabalhista".

Pois o Rio de Janeiro que ofereceu o pesadelo vivido por todo o país, mas também pelos próprios cariocas que comem o pão que o "irmãozinho pouco esclarecido" amassou, experimentou mais um episódio de muito rancor e violência só porque uma parcela de cariocas ficou contrariada com um desfecho bobo de um jogo de futebol.

Sabe-se que o Rio de Janeiro é reduto do mais rasteiro fanatismo esportivo, no qual só existe concorrência com o Rio Grande do Sul. Há controvérsias se os gaúchos, que torcem pelo Grêmio ou Internacional - quando os dois times jogam juntos, o jogo é apelidado de "Gre-Nal" - , ou os cariocas, que torcem pelo Flamengo, Fluminense, Botafogo ou Vasco, são os mais fanáticos.

O que se sabe é que o fanatismo do futebol carioca é doentio e faz com que os niteroienses, se esquecendo que sua Niterói já foi um dia capital do Estado do Rio de Janeiro, prefiram torcer por time de fora do que da própria cidade (existem clubes como Canto do Rio e Tio Sam, mas ninguém dá a bola - olha o trocadilho), chega ao ponto de ser regulador das relações sociais.

O futebol é o assunto único para a maioria dos homens no Grande Rio e para uma parcela de mulheres que preferem, todo domingo, irem a um estádio do que fazer um passeio romântico com um namorado. Para piorar, os cariocas são tão fanáticos por futebol que, na hora de conhecer alguém, primeiro perguntam o time antes de perguntar o nome.

Chegam a puxar assuntos sobre futebol para estranhos, sem saber se eles se interessam por isso ou não. E, no caso da pergunta do time, nem ligam para o cacófato, pois uns apelam para o cacófato "Que time é teu?" ("quem te meteu?"). Mas os cariocas às vezes apostam num cacófato, como, no caso da terrível gíria "balada", a primeira realização do quase presidenciável Luciano Huck, quando falam "tou na balada c'a galera" ("caga-lera").

Pois o futebol mostra o caráter provinciano dos cariocas, um provincianismo antes inimaginável - pelo menos antes de Pereira Passos, há mais de cem anos - , mas que hoje assusta até quem vive isolado sob as matas da Amazônia. Afinal, é sintoma do provincianismo a pouca variação no lazer, a baixa visão de mundo e uma teimosia de caipira metido a valentão, a "rei da colina".

Ontem, o Flamengo (cujo nome completo é Clube de Regatas Flamengo, daí o CRF de seu logotipo) jogou com o Independientes da Argentina, na final da Copa Sul-Americana, e terminou em empate por um a um. O clube argentino tornou-se campeão e o time carioca, vice. Apesar da boa colocação, os torcedores saíram furiosos.

Atos de vandalismo e agressões contra torcedores argentinos marcaram o fim do jogo e um pára-quedista torcedor do Flamengo chegou a cair no campo do Maracanã. Ele foi detido. A polícia teve que conter a violência das torcidas, com bombas de efeito moral. Dias antes, jogadores do Independientes quase foram vítimas de uma tentativa de agressão por parte dos flamenguistas, num hotel na Barra da Tijuca.

É irônico que o Rio de Janeiro é oficialmente protegido pelo "espiritismo". Diz-se que a suposta cidade de Nosso Lar (comprovadamente fictícia e plágio do mundo astral do reverendo inglês George Vale Owen) fica no céu sobre a cidade do Rio de Janeiro. O Grande Rio também tem uma rádio "espírita", a Rádio Rio de Janeiro, e um periódico, o "Correio Espírita", produzido em Niterói.

Por que, com tudo isso, o Rio de Janeiro é palco de ódio? Um ódio que contagia até radiófilos - vide os roqueirinhos de mentira que defendiam a canastrona Rádio Cidade - e busólogos - vide os "padronizetes" que ficam umas araras quando alguém reclama da pintura padronizada nos ônibus (medida considerada nociva em vários sentidos), além de ser o Estado em que o patético Jair Bolsonaro tem maior apoio eleitoral.

Isso é porque o "espiritismo" brasileiro é deturpado, seus membros brasileiros desfiguraram e bagunçaram com o legado original de Allan Kardec e, com isso, criaram uma série de desordens e confusões que só fazem esta "doutrina do amor" atrair as mais maléficas vibrações energéticas. Sabemos que os "espíritas" caem na choradeira quando são avisados disso, mas quem é que mandou bagunçar com uma doutrina reduzindo-a a um vale-tudo igrejeiro e ocultirsta? Quem faz errado, paga pelas consequências.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Escritor de esquerda comete erros ao evocar Chico Xavier


A vida é complexa e não dá para ser uma coisa e ser outra ao mesmo tempo. Ser de esquerda e ser adepto do "espiritismo" brasileiro, uma doutrina que se revela cada vez mais conservadora, embora, sinceramente, ela nem de longe foi progressista e mandou para longe os ventos iluministas de Allan Kardec em prol das tradições religiosas jesuítas do Brasil colonial, é muito, muito complicado.

Paciência. Mesmo a mais descolada mulher intelectual, simpatizante da causa LGBT, não escapa das raízes conservadoras da sociedade brasileira. Se tem feminista que acha o máximo a mulher bancar o objeto sexual e brincar com o imaginário dos homens (uma bandeira do machismo) , claro que teremos pessoas com algum esquerdismo que, no entanto, possuem uma postura religiosa bastante conservadora, acenando para o igrejismo do "espiritismo".

Ribamar Fonseca, escritor do livro O Amor Além da Vida - Uma História Real, é um deles. Colunista do Brasil 247, talvez pela sua boa-fé ele não tenha acompanhado os ventos fortes do questionamento de tudo. Seu nível de questionamento para no âmbito político, dentro de abordagens corretas que mostram, por exemplo, reprovação ao governo Michel Temer e ao império de oligarquias midiáticas. É como no caso daqueles que também param nesse âmbito para elogiarem o hipermidiático "funk".

Em páginas como Brasil 247, Blog da Cidadania, Diário do Centro do Mundo, O Cafezinho e outras, algumas veiculadas pelo YouTube, se questionam as mais intrincadas entranhas da sociedade conservadora que propiciou o golpe político. Apesar do silêncio da imprensa quanto ao envolvimento de Divaldo Franco na indigesta "farinata" (hoje descartada) do prefeito de São Paulo, João Dória Jr., internautas tentam chamar atenção para isso nos fóruns da mídia alternativa.

Ribamar escreveu até um texto bem intencionado, "Em Busca da Paz", que no entanto comete a falha de apelar para um conceito igrejista e piegas de "paz" e "fraternidade". Se fosse um articulista dos EUA falando sobre o mesmo assunto - a onda de ódio na sociedade brasileira - , ele não faria tais apelos de evocar o pacifismo como uma bandeira religiosa, apenas pregando o entendimento, o respeito e a solidariedade dentro das situações laicas e normais.

O maior erro dele foi apelar para uma obra fake, o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que tão falsamente se atribui ao espírito de Humberto de Campos, pois NADA do estilo original do autor maranhense se encontra em supostas psicografias como estas, que lembram mais o estilo pessoal de Francisco Cândido Xavier e Antônio Wantuil de Freitas, então presidente da FEB.

Isso não é invenção. Basta ler com atenção o livro, que conta até com um plágio, um tanto grosseiro, de um livro cômico de Humberto de Campos, O Brasil Anedótico, só para forçar o vínculo com o autor maranhense. Ver que o livro supostamente espiritualista plagiou o capítulo de um livro satírico é dose.

Em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, é fácil identificar os estilos pessoais de Chico Xavier (tome por base os depoimentos que ele mesmo deixou para a posteridade) e Wantuil, neste caso valendo como fonte o livro Síntese de O Novo Testamento, que o chefão da FEB havia escrito sob o pseudônimo de Minimus.

Ribamar Fonseca, apesar de estar informado de que Humberto de Campos havia sido o mais jovem membro a ingressar na Academia Brasileira de Letras (a mesma que abriga o canastrão literário Merval Pereira), parece muito ingênuo nesse trecho a ser aqui reproduzido, que tem o agravante de evocar, também, o velho jesuíta Manuel da Nóbrega, que os "espíritas" conhecem pelo apelido Emmanuel:

"'Peçamos a Deus que inspire os homens públicos, atualmente no leme da Pátria do Cruzeiro, e que, nesta hora amarga em que se verifica a inversão de quase todos os valores morais, no seio das oficinas humanas, saibam eles colocar muito alto a magnitude dos seus precípuos deveres. E a vós, meus filhos, que Deus vos fortaleça e abençoe, sustentando-vos nas lutas depuradoras da vida material'. Esse texto, muito atual, do espírito Emmanuel, consta do prefácio do livro "Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho", ditado há 78 anos, mais precisamente em 1938, pelo espírito do escritor Humberto de Campos, o mais jovem intelectual a ingressar na Academia Brasileira de Letras, e psicografado pelo médium Chico Xavier. Esse livro fortalece as esperanças de que o Brasil conseguirá mais uma vez superar suas dificuldades, sem maiores traumas, porque lá do alto a espiritualidade superior está atenta aos acontecimentos e também trabalhando em favor da paz em nosso país.

Ainda no mencionado livro, de 1938, Humberto de Campos faz uma exortação aos brasileiros, exortação essa válida para os dias atuais, nos seguintes termos: "Brasileiros, ensarilhemos para sempre as armas homicidas das revoluções! Consideremos o valor espiritual do nosso grande destino! Engrandeçamos a Pátria no cumprimento do dever pela ordem, e traduzamos a nossa dedicação mediante o trabalho honesto pela sua grandeza! Consideremos, acima de tudo, que todas as suas realizações hão de merecer a luminosa sanção de Jesus, antes de se fixarem nos bastidores do poder transitório e precário dos homens! Nos dias de provações, como nas horas de venturas, estejamos irmanados numa doce aliança de fraternidade e paz indestrutível, dentro da qual deveremos esperar as claridades do futuro. Não nos compete estacionar, em nenhuma circunstância, e sim marchar sempre, com a educação e com a fé realizadora, ao encontro do Brasil, na sua admirável espiritualidade e na sua grandeza imperecível!"

Vale a pena refletir sobre as palavras de Emmanuel e Humberto de Campos, psicografadas por Chico Xavier, porque elas traduzem o sentimento de todos os brasileiros que amam o seu país e querem vê-lo num clima de paz. Afinal, somos todos irmãos!

MUITOS EQUÍVOCOS

Este livro mostra muitos e muitos equívocos, não bastasse a farsa da atribuição ao espírito Humberto de Campos, pois não dá para ver o estilo de sua obra original - ágil, com narrativa quase cinematográfica, culta mas acessível, coloquial mas bem escrita - na suposta psicografia. Em lugar desse estilo original, o que se vê é uma linguagem cansada e deprimente de um padre católico falando em "esperanças igrejeiras de paz e fraternidade".

A apropriação do nome de Humberto de Campos por Chico Xavier, que traz indícios de revanchismo - Chico não teria gostado das resenhas que ele fez de Parnaso de Além-Túmulo e, assim que o cronista morreu, resolveu se "vingar" transformando ele em "padre" - , causou revolta, com muita razão, de conceituados nomes da literatura brasileira, embora alguns outros tenham abstido em relação ao assunto.

Nomes como Monteiro Lobato, de O Sítio do Picapau Amarelo, e Apparicio Torelly, o Barão de Itararé - patrono da mídia alternativa para a qual Ribamar Fonseca colabora - , apenas estiveram neutros quanto ao assunto, não tendo condições em dizer se a "psicografia" de Xavier era autêntica ou não. Mas o cinismo de Wantuil fez com que abstenção fosse vista como confirmação, investindo na falácia de que, só porque fulano não disse "não", ele tivesse necessariamente dito "sim".

Outro equívoco é que Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, na verdade, é uma patriotada literária de valor duvidoso. Patriotada significa um arremedo de patriotismo, tão exagerado quanto patético, semelhante ao que os "coxinhas" fizeram nas manifestações contra Dilma Rousseff, Lula e o PT em geral, e ao que os adeptos de Jair Bolsonaro continuam fazendo.

Outro dado a considerar é que Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho é um livro fortemente inspirado em Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing, o deturpador pioneiro do Espiritismo. É como se Chico Xavier tivesse investido numa resposta brasileira a este livro, e uma leitura atenta - a tradução brasileira da obra roustanguista foi feita por Guillón Ribeiro, o mesmo que "podou" Kardec nas edições da FEB - verá que isso é a mais pura verdade.

Mas o mais grave equívoco que Ribamar Fonseca não sabe é que o livro de Chico e Wantuil atribuído, levianamente (para produzir sensacionalismo e fanatismo religioso), apela para um lado sombrio do Brasil: a ideia de "coração do mundo" e "pátria do Evangelho" seria, na verdade, um projeto de recuperação, em solo brasileiro, do antigo Império Bizantino, combinando a herança da tirania do Império Romano com a teocracia do Catolicismo medieval.

Outro dado que Ribamar esquece é que seu ídolo Chico Xavier defendeu abertamente a ditadura militar. O espírito Emmanuel é associado a ideias retrógradas ligadas ao machismo, moralismo, servidão humana, racismo e não aprovaria iniciativas como o Brasil 247, que apostam no que o "mentor" de Chico define como "tóxico do intelectualismo", uma forma pejorativa de definir um debate, quando este se torna aprofundado e ameaça certos dogmas "sagrados".

Outro aspecto esquecido por Ribamar é que o "espiritismo" brasileiro, assim como defendeu o golpe de 1964 - Ribamar levará um choque se ver que Chico Xavier esculhambou proletários e camponeses na entrevista do Pinga Fogo, na TV Tupi, em 1971 - , defendeu, também, o golpe político de 2016, ou seja, se Ribamar anda reclamando do governo Michel Temer e seus retrocessos, é bom ele saber que o presidente e essas medidas amargas (como a "reforma" trabalhista) são apoiadas pelos "espíritas".

O "Correio Espírita" já disse, claramente, que as manifestações do "Fora Dilma", de março de 2016, eram um "despertar político da juventude", numa sutil alusão a grupos reacionários como Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua, Revoltados On Line (prestem atenção neste nome) e Acorda Brasil (comandado por um descendente de Dom Pedro II, imperador que financiou a fundação da FEB).

Além disso, muitas pessoas falavam que o líder político sonhado por Chico Xavier, como se observa numa mensagem publicada em 1952, se encaixa em caraterísticas que, décadas depois, foram associadas ao político tucano Aécio Neves, outro mineiro maroto como o "médium", já que ambos faziam suas "traquinagens" (um desviando dinheiro público, outro usurpando a memória dos mortos por sensacionalismo religioso) e saíam ilesos de qualquer enrascada.

"PAZ SEM VOZ"

E o relato aparentemente pacifista de que tanto fala Ribamar Fonseca? Uma "paz" que depende de uma grife religiosa, uma "fraternidade" que apela para o lema piegas "todos somos irmãos" que, além de não resolver os conflitos humanos, mais parece condenar a diversidade social do que promover a união das pessoas?

É muito duvidoso fazer apelos nesse sentido, porque, além desses relatos sobre "paz e fraternidade" não resolverem os mais complexos conflitos humanos, podendo haver uma falsa paz com a manutenção das desigualdades humanas, muitos abusadores podem se aproveitar disso e pedir a misericórdia da vítima aos benefícios desmedidos de um algoz.

Além disso, a ideia de "somos todos irmãos", herança do Catolicismo, soa mais como um eufemismo para o "gado humano" das crenças medievais, uma visão romantizada da padronização humana, que nas obras de ficção científica se traduzem numa multidão escravizada, submissa e sem individualidade. "Somos todos irmãos" seria uma forma apenas mais simpática de dizer "somos todos submissos" e de rejeitar a individualidade humana.

Se observarmos os apelos que os "espíritas" fazem, eles revelam um direitismo sutil, subliminar, quase imperceptível porque os "espíritas" não costumam abrir o jogo ideologicamente, embora em muitos momentos atuem em defesa do golpe militar de 1964, da repressão ditatorial, do bullying jurídico da Operação Lava Jato, do golpe político que derrubou Dilma Rousseff.

O "espiritismo" defende as "reformas" trabalhista e previdenciária e seus palestrantes até defendem retrocessos como a queda de salários (para eles, uma oportunidade de "reeducação financeira" e "desapego material"), a flexibilização de acordos entre patrões e empregados (que "estimulará" o "acordo entre irmãos") e o aumento da carga horária de trabalho (oportunidade de "exercer com fé" a vida "no trabalho e na dedicação ao próximo").

Ultimamente, "médiuns espíritas" apareceram ao lado de políticos retrógrados, em clima de evidente sintonia espiritual. Divaldo Franco homenageou o prefeito de São Paulo, João Dória Jr., e permitiu que ele lançasse um engodo alimentar. João Teixeira de Faria, o João de Deus, apareceu em clima de grande cumplicidade com o presidente Michel Temer.

Os "espíritas" vão dizer que isso é "coincidência", que até João Pedro Stédile, do MST, teria o mesmo tratamento. Não teria. Existe uma grande diferença entre "consideração" e "cumplicidade", e o latifundiário João de Deus foi tão "amigo" do petista Lula quanto Paulo Maluf e José Sarney haviam sido com o ex-presidente.Fernando Henrique Cardoso também se diz "amigo de Lula" e ninguém vê essa cumplicidade. Por que vê-la no "coronel" João de Deus?

Há muito o que aprender nessas coisas. A submissão ao "espiritismo" que desfigurou o legado kardeciano original não pode ser mantida sem o menor questionamento. Enquanto esquerdistas ficam louvando os "espíritas", como cordeiros se simpatizando com um filhote de lobo, estes apoiam políticos conservadores e vão apoiando a construção de um Brasil menos justo, pois os "espíritas" vivem dessa "indústria do sofrimento" para se promoverem com sua pretensa caridade.

É aquela coisa: forjar sofrimento e desgraça para os outros e depois promover bom mocismo para socorrer as pessoas depois do desastre ocorrido. E isso às custas de valores moralistas trazidos do velho Catolicismo jesuíta e medieval. Depois ficam dizendo que o "espiritismo" é um movimento progressista. Vão entender certos esquerdistas...

domingo, 26 de novembro de 2017

Ator de TV mostra o humanismo que os "médiuns espíritas" não têm


Ser humanista é alojar meia-dúzia de pobres e doentes em alguma residência - pode ser sobrado, mansão etc - , sob o pretexto da caridade, e sair fazendo turismo ao redor do planeta para receber medalhas e prêmios por uma oratória rebuscada de palavrinhas bonitinhas? Não.

A grande lição de humanismo que tivemos na semana passada partiu de um ator de TV, que desistiu de divulgar um livro seu para se solidarizar a outras pessoas. E ainda foi um ato de solidariedade dupla, manifesto com serenidade e humildade.

Pedro Cardoso, conhecido pelo seriado A Grande Família, da Rede Globo, iria divulgar um romance que ele estava lançando, O Livro dos Títulos, no programa Sem Censura, da TV Brasil, ligada à Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), de propriedade do Governo Federal (atualmente sob responsabilidade de Michel Temer). Foi na última quinta-feira, 23.

Quando a apresentadora do programa, Katy Navarro, fez a primeira pergunta, Pedro Cardoso foi enfático. Disse que não iria responder esta nem qualquer outra pergunta, pois havia encontrado a EBC em greve. Ele não estava a par dos motivos da greve dos funcionários da EBC, a não ser o fato de terem sido contra as arbitrariedades do governo Temer, que congelou os salários dos trabalhadores da empresa midiática.

Pedro afirmou que os funcionários estão com a razão ao entrarem em greve, e acrescentou também a sua decisão de abandonar o programa por estar indignado com a atitude do presidente da EBC, o jornalista Laerte Rímoli, de ter compartilhado mensagens ofensivas à atriz Taís Araújo, que em uma palestra afirmou que a cor do filho dela "faz com que as pessoas mudem de calçada".

Rímoli compartilhou postagens alheias que debocharam da declaração de Taís Araújo, também vítima de um comentário grosseiro de um secretário da Prefeitura do Rio de Janeiro, que xingou o comentário da atriz de "idiotice".

Duas postagens foram difundidas na Internet, uma com uma fotomontagem mostrando uma menina branca correndo e, ao fundo, Taís Araújo com um de seus filhos, com a legenda "Quando você percebe que é o filho de Taís Araújo na calçada". Em outro meme, um executivo saltando de pára-quedas ilustra a mensagem ao constatar que Taís Araújo estava a bordo".

Taís é casada com o ator baiano Lázaro Ramos. Ambos são colegas de elenco do seriado Mister Brau, da Rede Globo de Televisão. Os dois têm um casal de filhos, sendo o menino descrito pela atriz no seu comentário sobre seu cotidiano.

Pedro abandonou o programa, manifestando profundo respeito pelos funcionários da EBC e pela equipe do Sem Censura. Fez um longo discurso afirmando que todos os brasileiros têm sangue africano e, ao se levantar, abraçou a apresentadora, que compreendeu a atitude do ator e o apoiou. Em seguida, Pedro Cardoso se juntou aos funcionários em greve e postou um vídeo ao lado deles.

Muitas pessoas chamam a atenção pelo fato de Pedro Cardoso ter interpretado o jornalista Fernando Gabeira no cinema, em O Que é Isso, Companheiro?, de 1997. Infelizmente, porém, o próprio Gabeira abandonou sua antiga reputação de símbolo histórico das esquerdas brasileiras e tornou-se um conservador de centro-direita, embora tivesse aparecido, recentemente, ao lado de dois membros do grupo fascista Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri e Fernando Holiday.

"MÉDIUNS" NADA HUMANISTAS, APOIANDO POLÍTICOS DECADENTES

Compare a atitude improvisada de Pedro Cardoso com a dos tão festejados "médiuns espíritas", que carregam, de graça, a imagem de "humanistas", apenas pelo prestígio religioso que possuem e os faz serem badalados até nas colunas sociais.

Um bom exemplo foi a atitude até agora nunca devidamente explicada do "médium" Divaldo Franco deixar seu Você e a Paz não somente homenagear uma figura política decadente como o prefeito de São Paulo, João Dória Jr., uma figurinha que só é querida entre os mais ricos, como deixar que ele lançasse um estranho composto alimentar, que pela sua má reputação foi depois descartado.

Só com essas atitudes Divaldo se "queimou". E nem a velhice serve de desculpa, até porque ele parecia lúcido e ainda fez suas verborrágicas e teatrais oratórias. Ele derrubou a sua antiga (embora discutível) reputação de "sábio", "ativista" e "humanista", e ainda mostrou que nunca foi seguidor de Allan Kardec por faltar, no "médium" baiano, a firmeza própria do pedagogo francês, que nunca abriria um evento seu para divulgar um alimento de origem, valor e procedimento duvidosos.

Outro "médium" também deixou a máscara cair, que foi o goiano João Teixeira de Faria, do qual se vendeu a falsa reputação de "amigo do ex-presidente Lula" só porque realizou uma cirurgia espiritual. O "curandeiro" goiano, tão "amigo" de Lula quanto, por exemplo, José Sarney, é também um latifundiário e possui terrenos que equivalem a 18 Parques do Ibirapuera, área muito grande para um Estado "magrinho" como Goiás e que havia perdido parte do território para o Estado do Tocantins.

João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, apareceu para saudar o presidente Michel Temer quando ele fazia cirurgias para retirada de nódulos. Embora tivesse sido um encontro rápido, notou-se uma cumplicidade muito grande entre os dois, enquanto a tão "sincera amizade" do "médium" com Lula nunca passou de uma simpática cordialidade mútua.

O próprio fato de João de Deus cumprimentar Temer, a exemplo de Divaldo homenagear Dória, remete à baixa sintonia que os chamados "médiuns espíritas" têm em relação a cenários políticos e governamentais. A identificação com políticos decadentes encontrou precedente quando o "médium" Francisco Cândido Xavier havia declarado defesa convicta da ditadura militar, em uma entrevista ao programa Pinga Fogo, da TV Tupi, em julho de 1971, hoje disponível na Internet.

Nessa época, a ditadura militar já não tinha o apoio de parte daqueles que clamaram pelo golpe militar, sete anos antes. Carlos Lacerda já havia tentado um movimento de redemocratização, a Frente Ampla, com seu ex-desafeto Juscelino Kubitschek, cancelada por imposição dos militares. Alceu Amoroso Lima, que denunciou que Parnaso de Além-Túmulo era uma armação de editores da FEB, também se opunha ao regime militar em 1971.

Já Chico Xavier - que muitos, de forma inexplicada, acreditam ser "progressista" - pediu para que os brasileiros "orassem pelos generais" porque eles estavam "construindo um reino de amor" do futuro. A baixa sintonia a esse momento remete ao fato do "médium" (que no mesmo Pinga Fogo disparou ataques a camponeses e operários) apoiar a ditadura militar justamente no momento em que esta se tornava cada vez mais cruel e desumana.

Os "espíritas" também apoiaram iniciativas de grupos direitistas como Movimento Brasil Livre, Revoltados On Line e Acorda Brasil sob a desculpa de ver neles "um despertar político da juventude". Chegou-se até mesmo a atribuir os movimentos do "Fora Dilma" em 2015-2016 como "início do processo de regeneração da humanidade" e aos jovens como "crianças-índigos", mesmo quando até suásticas eram mostradas nessas manifestações dotadas de muito reacionarismo.

A sintonia com quadros políticos decadentes contrasta com atitudes como a de Pedro Cardoso, que não teve medo de criticar o presidente da EBC pela atitude infeliz de compartilhar comentários racistas. A desistência de participar do programa, renunciando à divulgação do próprio livro, foi um enfrentamento a um contexto político que ainda faz iludir muita gente e é apoiado, mesmo de forma não-assumida, pelos "espíritas".

É notório, aliás, que desde o início do governo Temer, ainda na fase interina, multiplicaram-se textos de páginas e autores "espíritas" pedindo aos brasileiros para "amar o sofrimento" e "abrir mão de suas necessidades". Embora não mostrassem preferências políticas, os "espíritas" deixaram vazar, com tais mensagens, apoio às ditas reformas do governo Temer, como trabalhista e previdenciária, e medidas como a terceirização total e a flexibilização dos acordos entre patrões e empregados.

É uma vergonha que o "espiritismo" brasileiro não mostra hoje o "humanismo" que diz ter. Aliás, ele nunca foi humanista de verdade, pois seu igrejismo conservador e medieval nunca foi além de um pálido aparato de "caridade paliativa", mais preocupada em expor os "benfeitores" do que em ajudar os necessitados.

sábado, 18 de novembro de 2017

DPOC, doença ligada ao fumo, obstrui o pulmão. Mas pode afetar a vaidade humana


Nas ruas do Rio de Janeiro, a cena é comum. Idosos e até alguns pobres fumando porque estão acostumados com o gosto de fuligem que engolem enquanto soltam uma fumacinha tóxica após tragar um estranho objetinho com tamanho de um cotonete.

Mas há também os rapazes sarados e as moças descoladas que estufam o peito - isto é, se ainda têm força para tanto - segurando um cigarrinho. Há até aqueles neo-mauricinhos barbudos, com jeitão de "dono da verdade", que segue "fumando com os dedos", com tragadas de três em três minutos, aspirando substâncias tóxicas e expelindo vaidade.

No Rio de Janeiro e em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, há hum grande número de fumantes. Gente jovem que acha que um cigarro é uma forma de autoafirmação social. São pessoas que ignoram o grave perigo do tabagismo e ficam indiferentes diante dos muitos óbitos que acontecem, em boa parte prematuros, por causa de doenças como o infarto e o câncer.

Atores, músicos e jornalistas de televisão aparecem constantemente nos obituários, vários deles no começo de seus 60 anos de idade, outros ainda na casa dos 50 ou bem menos. Pessoas que nunca imaginávamos que eram tabagistas e que causaram comoção pela morte repentina, interrompendo suas vidas justamente no auge de suas atividades pessoais.

Muitas pessoas que não fumam reclamam de terem que percorrer as ruas de Copacabana, Ipanema, do entorno do comércio da SAARA e Saens Peña e, em Niterói, pelas ruas internas de Icaraí, e ter que aguentar tanta gente fumando, tanto garotão sarado fazendo pose - estamos falando do neo-mauricinho, barbudo, com alguma barriguinha e metido a "nerd" - e tanto fedor de nicotina angustiando muitos transeuntes.

Pois a "novidade" lançada na imprensa nos últimos dias é a DPOC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, que dá um grave alerta para a "galera" que adora uma tragadinha e acha que fumar cigarro é "ter atitude". Pois a doença é um mal terrível e que pode matar com menos demora do que se imagina.

A doença se carateriza pela gradual perda da respiração. Com o pulmão danificado, as funções respiratórias se reduzem gradualmente, piorando a situação com o tempo. Chegando ao ponto limite, seu enfermo simplesmente morre. A doença não tem cura e pode ser um pesadelo para a vaidade de muitos cariocas, paulistas, gaúchos e outros que "se acham" quando estão com um cigarro na mão.

INDÚSTRIA TABAGISTA TENTOU ABAFAR

A indústria do fumo tentou abafar qualquer denúncia sobre os males à saúde resultantes do fumo. Dois mitos tentaram ser lançados para tentar minimizar a gravidade do fumo, garantindo as vendas de cigarros no comércio e manter a riqueza estratosférica de seus empresários.

Um é alegar que o açúcar é "tão perigoso" quanto o cigarro. Embora o uso excessivo de açúcar pode causar diabetes, não há como comparar a gravidade dessa doença com a do tabagismo, pois, na escala de males, o tabagismo é sempre insuperável.

Outro é alegar que os fumantes passivos são mais frágeis que os fumantes ativos. Claro que não. Embora sabemos que os fumantes passivos, por inalarem a fumaça do cigarro de outra pessoa, têm os mesmos riscos de sofrer doenças que os ativos, não há como discutir que os fumantes ativos é que sempre vivem em situação de risco maior. Não há esse negócio de dizer que o fumante ativo é mais resistente do que o fumante passivo. Isso é lorota.

Há também casos como o machismo que não admite que os homens também adoecem. O caso do feminicida Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, que matou sua esposa Ângela Diniz por um misto de ciúme doentio com homofobia - Ângela o havia traído com uma mulher - , em 30 de dezembro de 1976, é típico desse medo da sociedade em dizer que machistas, inclusive feminicidas, também podem morrer doentes um dia.

O tabagismo de Doca Street causava aflição nos seus amigos poucos dias após ele ter matado a esposa, numa pousada em Búzios. Há também o agravante do passado de cocaína, que fragilizou ainda mais o organismo. O assassino de Ângela Diniz tinha tudo para falecer antes dos 50 anos de idade, diante desse coquetel bombástico que massacrou seu organismo.

Doca, por muita sorte, sobreviveu até os 80 anos, pois, aparentemente, não há qualquer informação de que ele tenha morrido. Mas tudo indica que ele já carrega um câncer - fala-se em câncer, não em tumor benigno - há mais de 30 anos, mas divulgar isso para a sociedade é um tabu, a sociedade patriarcalista, moralista e machista não gosta que divulguem que Doca está doente e perto de morrer.

Se fosse um músico de rock, essa mesma sociedade pularia de alegria em dizer que fulano estava moribundo de tanto cigarro e cocaína no organismo. Se fosse um petista, então, a torcida seria maior e havia até ensaios de gritos de "já vai tarde" ou cartazes irônicos de "R. I. P.". Mas, como tudo é surreal no Brasil, se tem medo de ver um feminicida morrer doente ou acidentado, mesmo tendo ele contribuído para isso.

Feminicidas não são deuses, e fumantes em geral também não. Um hábito sem serventia que é o de fumar um cigarro é prejudicial à saúde, e até a juventude so far down (entendam pelo cacófato) que fica "se achando" pode apressar seu retorno à "pátria espiritual" com umas tragadas de cigarro e uns bons passeios "fumando pelos dedos", que é quando se passa tempo segurando um cigarro acesso.

Quanto ao fumo, o que se vê, infelizmente, é que um maço de cigarro é mais barato do que comprar alimentos como sucos, bebida láctea, leite em pó, que custam uma fortuna. Comprar um pacote de manteiga é mais caro do que comprar um maço de cigarro, e, no Grande Rio, as pessoas compram cigarro como quem compra bala.

São pessoas que dizem não ter dinheiro para comprar um livro, uma cesta básica ou um passeio para ver exposições de arte ou eventos culturais de qualidade. Mas vão para a banca comprar um cigarrinho, que chega a custar R$ 7 ou até menos. Já bebidas lácteas, em sua maioria, chegam a custar até R$ 16!!

As pessoas do Rio de Janeiro, que, pelo jeito, sofrem de autismo social, porque andam se conformando com tudo na vida - ônibus com visual padronizado, rádio rock chinfrim, música popularesca, literatura meia-boca, programação ruim na TV aberta e paga e lazer praticamente restrito ao péssimo futebol carioca, entre outras frivolidades - , deveriam prestar atenção quando seus ídolos da televisão morrem de repente.

Essas mortes, que tanto causam dor e saudade nos admiradores, no caso os cariocas (e, por associação, os fluminenses restantes), poderiam ter sido adiadas apenas para a velhice tardia se fosse evitado o trágico consumo de cigarro, um hábito infeliz que só serve para a vaidade de alguns descolados, mas nenhuma contribuição traz para a saúde e o prazer humanos. Pelo contrário, o fumo adoece e serve apenas para esconder as frustrações e preguiças de certos indivíduos.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

"Espiritismo" é o novo PSDB?


"Solta o cano que não cai". "Pois só espirre, tá, que não cai". As duas inocentes frases nada significam, a não ser o cacófato que se sugere nos contextos mais recentes, que as transformam em "só tucano é que não cai" e "pois só espírita é que não cai".

O "espiritismo" brasileiro tornou-se uma religião aberrante. Começou fugindo dos ensinamentos de Allan Kardec mas depois fez o possível de, sem abandonar a herança de J. B. Roustaing, dar a falsa impressão de que é "rigorosa e absolutamente fiel a Kardec". De dissimulação em dissimulação, o "espiritismo" que aqui temos tornou-se uma religião tão retrógrada quanto as "neopentecostais" e, em certo sentido, pior do que estas, pois essas seitas pelo menos não fazem desonestidade doutrinária.

Se na política vemos que o PSDB nunca é punido na Justiça e recebe uma proteção relativamente inabalável por parte da mídia hegemônica, o que faz com que seus políticos, definidos como "tucanos", sejam socialmente blindados, na religião temos uma realidade ainda maior, com uma blindagem que é feita até pela imprensa de esquerda.

O caso recente de Divaldo Franco é ilustrativo. Ele ofereceu, por decisão própria, consciente de seus atos apesar dos 90 anos (afinal, ele demonstra ter bastante lucidez e ainda faz palestras), a edição paulista do evento Você e a Paz - uma turnê de pregações religiosas mistas ("espiritismo", catolicismo e protestantismo) que culmina em todo dia 19 de dezembro no Campo Grande, em Salvador - para homenagear João Dória Jr. e permitir que ele lance um estranho complexo alimentar.

Divaldo provou, com sua atitude, ser anti-kardeciano, pois nem de longe adotou o espírito de firmeza que marcou o pedagogo francês que o "médium" diz ser seu "mestre". Divaldo, sem sequer exigir alguma comprovação de exames técnicos sobre a "farinata", aceitou tudo de bandeja e deixou Dória ostentar a camiseta do evento e do nome do "médium".

Isso poderia ter se tornado um dos maiores escândalos em torno do "movimento espírita", mas o silêncio da imprensa evitou e deixou Divaldo Franco escapar de tudo pela porta dos fundos, enquanto o único religioso a pagar pela má reputação da "farinata" foi o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer.

Mas tudo bem que esse silêncio parta da Rede Globo, de O Globo, da Veja, da Folha de São Paulo, do Estadão. O que não dá para entender é que esse silêncio se estende para Carta Capital, Jornal GGN, Diário do Centro do Mundo, Conversa Afiada (de Paulo Henrique Amorim, filho do espírita autêntico Deolindo Amorim), Caros Amigos e Brasil 247.

Quando falaram de algum religioso envolvido, só citaram dom Odilo. Se esqueceram do vínculo de imagem que representou a camiseta usada por João Dória Jr., que podia muito bem não ter usado essa blusa, e comparecido ao evento usando um terno e uma camisa de colarinho comum. Mas Dória usou a camiseta do Você e a Paz, citando o nome de Divaldo Franco, e isso não foi atitude de moleque usando camiseta de banda, aquilo foi um compromisso de vínculo de imagem.


Ficamos com dificuldade de explicar o que levou a chamada mídia alternativa, que geralmente faz contraponto à mídia hegemônica e não receia derrubar "vacas sagradas" da chamada "sociedade civil", se elas cometem algum erro grave ou possuem algum ponto sombrio em suas vidas, a se silenciar em torno de Divaldo Franco.

O silêncio que a mídia de esquerda dá aos "médiuns" é surreal, porque o "espiritismo" é religião protegida pela Rede Globo de Televisão, seu conteúdo moralista é bastante severo, apostando na criminalização da vítima perante infortúnios por ela sofridos, e os "espíritas" são abertamente contra o aborto em todo tipo de hipótese, até estupro e risco à saúde da gestante, o que mostra o quanto essa religião adota pautas bastante contrárias ao esquerdismo.

"FICA, TEMER"

Em vez disso, os esquerdistas fazem coro à blindagem que a mídia hegemônica faz dos "médiuns" e embarca em tolices como dizer que é "coincidência" o "médium" goiano João Teixeira de Faria, o João de Deus, aparecer ao lado de Michel Temer, porque aparentemente o curandeiro também é "amigo" do ex-presidente Lula.

Amigos, amigos, negócios à parte. Se bem que as pessoas superestimam essa "amizade". João de Deus sempre se promoveu às custas de famosos de qualquer ideologia, embora manifestasse maior identificação pessoal com personalidades conservadoras. Aparentemente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se declara amigo de Lula e nem por isso FHC é considerado uma figura realmente progressista, ele que é um membro eminente do PSDB e um dos fundadores deste partido.

O que deve chamar a atenção é ver João de Deus acolhendo Michel Temer mesmo quando este se encontra numa posição decadente e sem representatividade popular. Temer é aprovado somente por 3% dos brasileiros. O presidente é associado a pautas retrógradas, como a recém-implantada reforma trabalhista, que na prática aposta na deterioração do mercado de trabalho.

Mas ninguém dá bola. Por mais que os "espíritas" estejam alinhados a políticos de direita decadentes, eles são aceitos pelos esquerdistas sem qualquer motivo. Nem o homofóbico Carlos Vereza, direitista de carteirinha, quando foi se encontrar com Michel Temer, chamou a atenção no que se refere à sua opção religiosa. Ele até foi questionado, mas o "crachá" de "espírita" foi jogado para debaixo do tapete.

Os "espíritas" estão associados a práticas conservadoras. Seu modelo de "caridade" é o Assistencialismo, embora oficialmente se fala em Assistência Social. Isso porque é uma "caridade" que, na prática, ajuda muito pouco e só traz realizações pontuais ou provisórias, servindo mais para a propaganda pessoal dos "médiuns".

O maior "médium" da doutrina igrejeira é Francisco Cândido Xavier, falecido há 15 anos no dia em que os brasileiros (não são quaisquer uns, mas Ricardo Teixeira, João Havelange e aliados) estavam felizes. Chico Xavier era uma espécie de Aécio Neves da religião, aprontando muito na vida, mas saindo impune de qualquer enrascada.

Descoberto pelo presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, Chico Xavier começou fazendo pastiches literários, criando uma armação sensacionalista chamada Parnaso de Além-Túmulo. Os poemas claramente fogem dos estilos originais dos autores mortos creditados, e até uma carta de Xavier a Wantuil, divulgada por uma "médium" chiquista, Suely Caldas Schubert, revelou por acidente a farsa: o livro era realmente um pastiche literário.

Observações mostram que Chico Xavier, a partir de Parnaso e depois ao longo de várias obras, teria feito os pastiches literários com a colaboração de terceiros. A maior parte era em colaboração com Wantuil e a equipe de redatores de Reformador, periódico da FEB, com a consultoria de especialistas em Literatura brasileira.

Há rumores de que Chico Xavier, depois de 1981, mais ou menos, não escrevia mais os livros, sendo eles escritos pela equipe editorial da FEB. A essas alturas, Wantuil já havia falecido há um bom tempo, e o "médium", doente mas sobrecarregado com os compromissos de um popstar religioso, já não tinha mais condições sequer de colaborar com textos, apenas deixando que seu nome fosse creditado, desde que os textos se aproximassem do estilo de mensagens que ele divulgava antes.

Chico Xavier se livrou de qualquer enrascada, causava confusões, cometia irregularidades graves, mas driblava como um Aécio da religião. Ninguém pegava Chico Xavier. Ele saiu impune da acusação de pastiches literários, e, no caso de Humberto de Campos, quando o "médium" foi para o banco dos réus, ele saiu-se impune por conta da famosa seletividade da Justiça.

Chico Xavier ainda conseguiu seduzir o filho de Humberto, de mesmo nome, num embuste religioso, um evento "filantrópico" em 1957, no qual se usou uma famosa técnica de manipulação mental das pessoas, o "bombardeio de amor" (simulação de profunda afetividade que forja um ambiente de pretensa intimidade e confraternização) e depois foram apresentadas práticas de Assistencialismo, como a ostensiva caravana na qual se doavam mantimentos que se esgotavam em poucos dias nas mãos dos pobres.

Humberto saiu seduzido pelo clima de "emotividade intensa" e chorou copiosamente, capturado pelo "médium" que lhe sussurrou em falsete, confundindo o rapaz, que, filho do eminente escritor maranhense, trabalhava como produtor de televisão. Humberto chegou a escrever um deslumbrado livro, Irmão X, Meu Pai, desfazendo do antigo ceticismo em relação às supostas psicografias atribuídas ao pai dele.

Foi moleza. Afinal, as obras que levam o nome do "espírito Humberto de Campos" nem de longe lembram a obra original do alegado autor. A obra de Humberto de Campos era culta, bem escrita, descontraída, laica e com narrativa bastante ágil. A do "espírito Humberto" é deprimente, pesada, prolixa, cansativa, deprimente e com um conteúdo igrejeiro de causar crises de vômito, cheirando a medievalismo mofado.

O pastiche é tão grosseiro que nem chega a ter como alvo Humberto de Campos. O pastiche lembra mais o Novo Testamento, como se Chico Xavier tivesse plagiado não Humberto, mas os evangelistas  Marcos, João, Mateus e Lucas. O conteúdo católico é tão carregado que nem lembra Humberto, que, até num conto sobre Jesus, presente no livro O Monstro e Outros Contos, de 1932 (mesma época de Parnaso), ele escreveu falando de infância e não de religião.

Mas nisso Chico Xavier passou impune e o prejuízo caiu na obra original de Humberto, que hoje está fora de catálogo, enquanto os livros fake "mediúnicos" continuam livremente nas livrarias. Além disso, Chico Xavier passou imune por muitas enrascadas, seja a ameaça de denúncia pelo sobrinho Amauri (morto em possível "queima de arquivo"), seja a farsa desmascarada de Otília Diogo, na qual o "médium" foi fotografado acompanhando atento os bastidores da armação, mas foi oficialmente creditado como "enganado pela farsante".

Chico Xavier era adorado por Aécio Neves, que na ocasião do falecimento do "médium", escreveu frases de profundo entusiasmo e afinidade de sintonia, que expressam muito mais do que uma formalidade de um político em relação a um famoso falecido:

"Chico Xavier é uma referência única de trabalho e solidariedade não só para os mineiros, mas para todos os brasileiros. Mesmo estando em estágio avançado de sua doença, ele continuava recebendo peregrinos que viajavam para encontrá-lo. Ele será sempre um exemplo de vida e humanidade muito importante. Ele era uma figura muito confortadora para todos, independente da religião de cada um".

E mais:

"Em sua grandiosa simplicidade, ele será sempre uma referência para todos que, de alguma forma, têm responsabilidade pública. Minas, o Brasil, o mundo ficou menor com a morte de Chico Xavier".

Aécio chegou a criar a Comenda Chico Xavier para homenagear personalidades "filantrópicas" e, quando foi encontrada uma mensagem, na casa do senador mineiro, então investigado por corrupção, no qual havia a expressão "CX 2", que depois teria se revelado não "caixa dois", mas pedido de verbas para um "segundo filme" sobre Chico Xavier. Teria sido As Mães de Chico Xavier, por sinal produção da Globo Filmes?

É até gozado que o PSDB, aparentemente, pretende desembarcar do governo Michel Temer num momento em que os "espíritas" se aproximam dele. E Aécio Neves, prepotente no partido, anda desagradando os demais tucanos, ligados ao principal grupo, o paulista (Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra), fundador da sigla. Aécio, ao que tudo indica, permanece fiel a Temer, cujo governo instaurado à força em 2016 o senador mineiro idealizou.

Aécio parece tão blindado pelas energias de Chico Xavier que a gente pergunta se o senador mineiro não teve o avô errado. Afinal, a afinidade de Aécio Neves, símbolo maior das traquinagens do PSDB, com o "espiritismo" brasileiro diz muito às forças retrógradas que recebem muita blindagem, criando a situação surreal no Brasil de que uma parcela da sociedade pode fazer o que quer que está dispensada de sofrer os efeitos drásticos de suas más decisões. Triste, isso.

sábado, 21 de outubro de 2017

O silêncio da grande imprensa e das esquerdas quanto ao envolvimento de Divaldo Franco no caso da "farinata"


É muito preocupante o silêncio absoluto, não só da grande imprensa hegemônica, mas também das mídias de esquerda, quanto ao envolvimento do "médium espírita" Divaldo Pereira Franco no apoio ao engodo alimentar do decadente prefeito de São Paulo, João Dória Jr., que passou o tempo todo divulgando seu produto usando a camiseta do Você e a Paz.

O apoio de Divaldo Franco ao prefake se deu quando ele decidiu homenageá-lo logo num momento em que o político sofria uma vertiginosa decadência de reputação, o que indica uma afinidade de sintonia, um "médium" tido como "moderno e evoluído" apoiando um político tão retrógrado e de tão baixa categoria. Vai ver porque os dois se afinam pelas viagens que fazem para celebrar suas vaidades e obter prêmios das elites do Brasil afora e do exterior.

O que se deve considerar é que Divaldo Franco organizou o Você e a Paz, evento que lançou oficialmente aquele engodo que se chama de "farinata" ou "granulado nutricional", dentro do programa supostamente social "Alimento para Todos". Divaldo sabia do que estava fazendo e poderia ter evitado a homenagem, se fosse realmente um homem evoluído e de coragem.

Se acreditarmos na suposta imagem evoluída de Divaldo Franco, tido como "humanista", "ativista", "de elevadíssima moral" e outras qualidades celestiais, suporíamos que o "médium" baiano fosse advertido pelos benfeitores espirituais de que João Dória Jr. é uma farsa política e estava lançando um programa alimentar elitista de valor ética, sociológica e, sobretudo, nutricionalmente duvidoso, do qual há denúncias até de riscos de intoxicação alimentar e grave desnutrição.

As denúncias sobre os malefícios da "farinata", que seria fornecida pela Plataforma Sinergia, envolvem a entidade parceira, a Missão Belém, da Arquidiocese de São Paulo, acusada de usar 14 internos (ex-dependentes químicos ou ex-moradores de rua), mortos por intoxicação alimentar, desnutrição, desidratação e crises de vômito e diarreia, para serem alimentados pela "abençoada" refeição, cujos potes eram envoltos com a imagem de Nossa Senhora, mito católico da mãe de Jesus.


Divaldo Franco, se fosse realmente uma pessoa sábia, consciente e corajosa, teria evitado a homenagem e o vexaminoso lançamento, pedindo a compreensão de todos e expressando não sentir ódio do prefeito da capital paulista, mas antes sentindo tristeza e orando por misericórdia. Em vez disso, porém, Divaldo apoiou tudo, aceitou tudo de bandeja e não é por isso que ele deixará de ser responsabilizado pelo apoio a um político decadente e seu nefasto projeto alimentar.

Os "médiuns espíritas" não podem ser vistos como caloteiros morais, a fazerem o que quiserem, de maneira irrefletida, e não pagarem pelas consequências naturais de seus erros. Divaldo Franco, meses atrás, no final de 2016, havia feito um juízo de valor extremamente cruel contra os refugiados do Oriente Médio, acusando-os de terem sido, no passado, encarnações de antigos tiranos colonizadores que escravizaram povos latino-americanos.

O ARCEBISPO DE SÃO PAULO, DOM ODILO SCHERER, AO LADO DE JOÃO DÓRIA JR., É DESTINADO A PAGAR OS PECADOS NÃO SÓ SEUS, MAS DOS "ESPÍRITAS".

Imagine uma família pobre da Síria, com muito sacrifício e demora para se mudar de lá para a Europa, apenas para reconstruir a vida no trabalho e dando escola digna para as crianças, ouvir de um religioso que elas eram reencarnações de antigos tiranos e que as dificuldades extremas em que vivem, sob risco de roubos, tragédias e outras perdas dramáticas, seriam um "pagamento justo" dos antigos pecados cometidos.

Diante dessa alegação, Divaldo Franco poderia ser processado judicialmente por danos morais, tendo que indenizar os familiares diante de tal acusação. Esse juízo de valor já desmascarou o "iluminado médium", que, agora, comprova sua baixa sintonia vibratória ao se identificar com um político decadente, elitista, que nunca teve inclinação para ajudar os mais pobres.

SILÊNCIO DA GRANDE MÍDIA, VÁ LÁ, MAS DAS ESQUERDAS...

Faz muito sentido que a grande mídia hegemônica, como os veículos das Organizações Globo, Folha e Abril - que ultimamente tenta empurrar para as bancas o encalhado volume de Francisco Cândido Xavier da revista Superinteressante -  reaja em silêncio diante do apoio do "movimento espírita" ao engodo alimentar de João Dória Jr..

Só os três veículos midiáticos blindam os "espíritas" com dedicação extrema, a partir do próprio Chico Xavier. Os "médiuns espíritas" são conhecidos como "sacerdotes da Rede Globo" e usados pela corporação midiática para fazer frente aos pastores eletrônicos das seitas evangélicas sem que se desperte desconfiança de que a Globo entrou na corrida midiático-religiosa. A Globo até produziu novelas e filmes "espíritas", inclusive uma cinebiografia de Chico Xavier!!

Recentemente, em 2015, o Fantástico cometeu um grande papelão, uma séria gafe ao definir como "maior filantropo do Brasil" o "médium" Divaldo Franco só por ajudar, em mais de 60 anos de atividade, 163 mil pessoas. Isso equivale a bem menos que 1% da população de Salvador, índice que se torna mais vergonhoso se comparado ao âmbito nacional.

Até a "caridade" que todos conhecem dos "espíritas" é fruto de uma engenhosa "fábrica de consenso", uma campanha na qual se estabelece um padrão conservador de "bondade humana", que não rompe com a situação subordinada do povo pobre e apenas contribui para a promoção pessoal do "benfeitor", que faz pouca ajuda mas é comemorado efusivamente com isso.

O problema é que a mídia de esquerda também permanece em silêncio. Ninguém saiu questionando Divaldo Franco por conceder aquela homenagem e assinar embaixo no projeto da "farinata". Nem Carta Capital, nem Diário do Centro do Mundo, nem Brasil de Fato, nem Caros Amigos. Nem a blindagem da Globo aos "médiuns espíritas" fazem a chamada mídia alternativa se mexer.

A mídia esquerdista se limita apenas a questionar as defesas do produto feitas pelo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, que comanda a Arquidiocese. Irônico ver que um ícone católico, além de pagar pelos próprios pecados, vai pagar também pelos erros dos "espíritas", que fazem o que querem mas não querem ser responsáveis pelas consequências de seus próprios erros.

O episódio mostra que o "espiritismo" brasileiro não sofre intolerância religiosa. Esse papo de intolerância que os "espíritas" tanto se queixam não passa de "mimimi". Eles são blindados demais, e já são até mais blindados que o PSDB. São tão blindados que até seus piores erros se deixam passar, a partir da própria traição que os "médiuns espíritas" fizeram com o legado de Allan Kardec. Como é mole a vida de um "médium espírita", nunca poder pagar pelos próprios erros, por piores que sejam...

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O gravíssimo apoio de Divaldo Franco a uma iniciativa desumana


O "espiritismo" brasileiro pode estar envolvido em mais um episódio extremamente vergonhoso, deplorável e simplesmente constrangedor. É o apoio, através do "médium" Divaldo Franco, de um engodo alimentar lançado pelo prefeito de São Paulo, João Dória Jr., um político que demonstra estar em um sério processo de decadência.

Pode parecer chocante, porque aparentemente apenas católicos, como o arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, e setores das igrejas evangélicas são reconhecidos pela opinião pública dominante como apoiadores da "farinata" ou "granulado nutricional", também conhecido como "Allimento", produto da Plataforma Sinergia feito a partir de processamento industrial de restos de comida de procedências duvidosas e qualidade nutricional mais duvidosa ainda.

A Plataforma Sinergia é uma entidade "sem fins lucrativos" comandada por uma ex-empresária da Monsanto (fabricante de agrotóxicos e alimentos transgênicos), Rosana Perrotti, e o projeto faz parte do programa "Alimento para Todos" da Prefeitura de São Paulo. O "Allimento" já peca por não haver informação nutricional e nem como serão processados os restos de comida e de onde vêm esses restos.

No entanto, a iniciativa foi lançada por João Dória Jr. durante a terceira edição paulista do movimento "Você e a Paz", que, apesar de reunir católicos e evangélicos, é comandado pelo "médium espírita" Divaldo Franco. O evento ocorreu no último dia 08 e Divaldo resolveu dedicar o evento ao prefeito de São Paulo.

Sim, as pessoas ficam desapontadas com o apoio de um "médium" a esse projeto nutricional de valor duvidoso e feito sob o ponto de vista preconceituoso de um representante da elite. As elites chegam a dizer que os pobres "não têm hábito alimentar", como havia declarado Dória Jr. quando apresentava O Aprendiz na Record TV, e acham que os pobres "não têm acesso" aos alimentos comuns, uma falácia para quem acha que só se pega comida em supermercado.

Mas Divaldo Franco teve exata consciência de seus atos e decidiu homenagear Dória e sua ração - já comparada, por muitos, como um arremedo ruim de ração animal - depois que a tal "farinata" foi denunciada por diversas entidades nutricionistas e outras ligadas à saúde em geral, além dos movimentos sociais, que veem na iniciativa um tratamento humilhante e desumano ao povo pobre.

Divaldo, o homem que é tido como "o maior sábio do Brasil", classificado como "humanista", "filósofo", "cientista" e coisa e tal, deveria ter sido avisado, se seus atributos fossem verdadeiros, da farsa de João Dória Jr. e tivesse evitado essa dedicação. Mas não. Divaldo soube do que estava fazendo e neste caso nem sua idade, 90 anos, é desculpa para seus fãs dizerem que o "médium" errou sem saber, até porque ele demonstra uma grande lucidez para sua idade.

A "farinata" é condenada por diversas entidades ligadas à saúde, à nutrição e aos movimentos sociais por uma série de aspectos. Erroneamente, os defensores do "Allimento" acham que os opositores estão "politizando" a fome dos pobres, quando o problema não é de ordem político-ideológica, mas um problema sociológico e de saúde pública.

Sob o ponto de vista nutricional, o "Allimento" pode representar uma ameaça à saúde humana, pelos seus aspectos técnicos duvidosos, além do fato de seus restos poderem vir de comidas de hospitais, com o contato infectado de muitos doentes, e de redes de lanchonetes, como McDonald's, que produzem sanduíches e batatas sintéticos, já nutricionalmente duvidosos, e que são fritos com muita gordura (em boa parte saturada) em fornos enferrujados, o que contamina demais o lanche tão consumido pelos jovens e pelos cidadãos mais apressados.

Além disso, o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde recomenda que uma alimentação saudável não tenha como prioridade produtos industrializados, por mais que haja controle de qualidade. A ideia é que uma alimentação saudável se define pelo consumo de alimentos em condições próximas à da natureza, com as propriedades nutricionais próprias deles. São frutas, verduras, carnes, cereais e legumes que devem ser prioritários na mesa de qualquer cidadão.

O "Allimento" contraria isso, com a ênfase dada em produtos industrializados de procedência duvidosa e processamento idem e que não possuem a menor garantia de fornecer uma nutrição completa para as pessoas famintas, que correm o risco de ingerir apenas açúcar e gordura, em vez de vitaminas necessárias para a saúde orgânica. Sem garantia alguma de nutrição, o "Allimento" pode ameaçar a saúde de diabéticos, alérgicos à glúten e lactose e pessoas com problemas cardíacos, podendo até matá-los.

Sob o ponto de vista sociológico, a iniciativa é humilhante, porque não se dá outras condições para os pobres terem mais acesso à comida. Além disso, é falácia dizer que os pobres não têm acesso a legumes, verduras, cereais etc, porque, quando muitas famílias ainda viviam nas zonas rurais, elas poderiam plantar tais alimentos e obter, assim, uma alimentação digna a partir do que elas mesmas plantaram.

O pobre, com o "Allimento", é tratado de forma humilhante, com o paternalismo hipócrita das elites que acham que o povo pobre é igual animal doméstico, um dado sombrio que se esconde atrás do mito aparente unânime da "caridade" feita sob o rótulo de uma religião.

O pobre não quer ração, quer ter acesso a uma "comida com cara de comida". Além disso, há quem sinta nojo em ver aquelas bolas dentro de um frasco, parecendo um lanchinho ruim de marca de segunda categoria (ou talvez categorias mais baixas ainda). O pobre vai ver a "farinata" e vai pensar que é lanchinho para se comer enquanto vê futebol na televisão.

É chocante para muitos que Divaldo Franco apoie essa triste medida, acreditando, à maneira dele, que "tudo é válido para matar a fome dos necessitados". Não é assim. O povo pobre merece respeito e, francamente (olha o trocadilho), um verborrágico deturpador da Doutrina Espírita tinha que estar ao lado do prefeito paulistano que, de tão ruim, é apelidado pejorativamente de prefake.

As esquerdas é que andam complacentes com o "médium" baiano. Ficam criticando católicos e evangélicos que elogiaram a "farinata", mas se esquecem que o engodo foi oficialmente lançado no evento organizado por Divaldo Franco, portanto foi ele o anfitrião dessa farra que se pretende fazer com os estômagos sensíveis dos mais pobres.

Não há desculpa que possa tirar Divaldo Franco da responsabilidade de apoiar essa medida infeliz e uma figura como o prefeito João Dória Jr., associado a medidas lamentáveis como permitir o aumento da velocidade dos carros que causam acidentes fatais, acordar moradores de rua com o humilhante ato dos jatos d'água, reprimir uma cracolândia sem dar assistência social digna aos viciados e sair viajando Brasil afora enquanto São Paulo vive o caos da miséria e da violência.

Mas o próprio Divaldo Franco também fez turismo para falar para os mais ricos em troca de medalhinhas e outros tesouros terrenos. Ele, que deve ter se hospedado em bons hotéis, comido do bom e do melhor, cortejado pelos mais poderosos e ricos e talvez desviando dinheiro da caridade, só poderia apoiar uma iniciativa lamentável como a "ração humana", o que é da mais extrema e irrecuperável gravidade.

Divaldo Franco já cometeu uma atrocidade terrível quando declarou, na Espanha, no final do ano passado, que os refugiados do Oriente Médio eram antigos colonizadores sanguinários em supostas encarnações passadas. Uma declaração dessas poderia render um processo contra o "médium" por danos morais, porque só mesmo quem é refugiado para saber o sacrifício que é reconstruir uma vida e ainda é humilhado com uma acusação feita sem fundamento algum.

A própria "mediunidade" de Divaldo Franco, vale lembrar, é tão duvidosa quanto a procedência dos restos de comida a serem processados para a "farinata". Divaldo é um deturpador gravíssimo do Espiritismo, espalhando a deturpação para o exterior, inclusive a França de Allan Kardec, e isso nunca pode ser subestimado.

Afinal, ninguém menos que o jornalista espírita autêntico José Herculano Pires, certa vez, definiu Divaldo como um impostor e afirmou que ele era um adepto fervoroso de Jean-Baptiste Roustaing, o francês que primeiro desfigurou a Doutrina Espírita com seu livro Os Quatro Evangelhos.

Não tem que as pessoas acharem que Divaldo Franco foi enganado, a exemplo do que se acusou Francisco Cândido Xavier no caso da farsante Otília Diogo. Fotos de gente solidária a Chico Xavier mostram o "médium" mineiro acompanhando feliz os bastidores da farsa, estando atento e alegre conversando com todos os presentes, o que comprova que Chico tinha a mais exata consciência do que estava acontecendo.

No caso de Divaldo Franco, ele também teve exata consciência dos seus atos. Antes da edição do "Você e a Paz" no Parque do Ibirapuera, a "farinata" já era denunciada como uma iniciativa degradante do prefeito de São Paulo e Divaldo, que se julga um "sábio", deveria ter sido o primeiro a saber, ainda que por aviso de "benfeitores espirituais", que o grande homenageado iria lançar aquele engodo alimentar.

Mas Divaldo esteve lá feliz, organizando o evento, recebendo João Dória Jr. e apoiando a "ração humana". Os brasileiros precisam parar de achar que os "médiuns espíritas", quando erram, fazem sem querer, porque os "médiuns" agem com decisão própria, consciência exata dos atos e completa falta de escrúpulos, o que significa que eles devem ser responsabilizados e pagar pelos seus erros, queiram ou não queiram seus chorosos seguidores.

Se Divaldo Franco se notabiliza ao lado de um prefeito decadente que é João Dória Jr., com baixos índices de popularidade e rejeitado até por boa parte de seus antigos eleitores, é porque o próprio "espiritismo" está decadente e mantém essa sintonia vibratória com os piores políticos. Não há como dizer que isso é obra de "irmãozinhos endurecidos". Os "médiuns" têm que pagar pelos erros que cometem, e se o preço é caro, esse pagamento não pode ser sonegado em prol do prestígio religioso.

O "espiritismo" apoia Michel Temer, MBL, o PSDB, a Rede Globo e tudo que há de mais abjeto na sociedade conservadora e reacionária de nosso país. Cada vez mais medieval, o "espiritismo" revela sua face mais decadente, o que poderia chamar a atenção de nossas esquerdas que poderiam muito bem questionar os "espíritas" com a dedicação com que questionam os políticos do PSDB e a família Bolsonaro. De complacentes, já basta a sociedade conservadora que apoia os "espíritas".

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Em crise, "espiritismo" se promove dizendo-se "vítima de intolerância religiosa"

ESTÁTUA DE CHICO XAVIER ATINGIDA POR VANDALISMO EM UBERABA.

Em séria crise, o "espiritismo" agora embarca na carona dos fatos. Se aproveitando de atos de intolerância religiosa que vitimam religiões relacionadas a grupos étnicos ou pobres, como a umbanda, o candomblé e o islamismo, o "espiritismo" tenta atribuir o recente ataque de vândalos ao mausoléu de Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, como vindo também de intolerantes.

O "espiritismo", no entanto, não é vítima de intolerância religiosa. Pelo contrário, a religião é uma das mais toleradas, blindadas e socialmente protegidas do Brasil. Ela é protegida pela Rede Globo de Televisão. Seus "médiuns", por mais que possam ter recebido também doações de dinheiro da Odebrecht ou OAS - sobretudo os "médiuns" baianos - e nem por isso são sequer indiciados pela Operação Lava Jato.

Há indícios de quadros falsamente atribuídos a pintores mortos, que representam diferenças estilísticas aberrantes. O "São Francisco de Assis" de Cândido Portinari e seu suposto similar trazido pelo "médium" baiano José Medrado, exibido como troféu em seu programa Visão Social da TV Bandeirantes de Salvador, mostram diferenças extremas entre um e outro.

Há também indícios de diferenças de estilo aberrantes nas próprias obras trazidas por Chico Xavier, em que autores como Olavo Bilac, Auta de Souza e, principalmente, Humberto de Campos, praticamente fogem dos estilos originais que os consagraram em vida. Humberto, por exemplo, mais parece um padre católico do que um escritor que foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Apesar disso, não há, após o processo do caso Humberto de Campos em 1944, um único inquérito sequer para investigar as irregularidades dessas obras. Mas há muitos ingênuos, ou talvez alguém especializado que talvez tenha "recebido por fora" para inventar que as obras "mediúnicas" são autênticas e apontar semelhanças que não existem, dizendo apenas, de maneira vaga: "É, as obras lembram muito (sic) o estilo do falecido, surpreendem (sic) por serem autênticas (sic)".

Ninguém mexe nos "espíritas", que são uma espécie de tucanos da religião. Sim, o "espiritismo" brasileiro é o PSDB da religião. "Espíritas" e tucanos têm até uma mesma protetora, a Rede Globo de Televisão. Se um juiz chega a um suposto "médium", é só para abraçar ou, pasmem, para pedir conselhos.

Como agora os "espíritas" falam em "intolerância religiosa"? O vandalismo que houve no mausoléu de Chico Xavier teria sido o mesmo se a estátua fosse, por exemplo, de Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves ou Carlos Drummond de Andrade. Ou de algum tribuno mineiro menos conhecido. O ataque se deu a uma estátua de alguém famoso, podendo ter sido qualquer um.

Mas o filho adotivo de Chico Xavier, Eurípedes Higino, quis se jogar na plateia, ele que mantém maquetes de pessoas de ideias antagônicas, como seu pai e o pedagogo Allan Kardec. Não é preciso muito esforço para apontar diferenças aberrantes nos livros de Xavier e de Kardec, pois O Livro dos Médiuns mostra, como caraterísticas negativas, muitos dos procedimentos e ideias identificados nos livros publicados pelo "médium" mineiro.

Higino diz que o ato "pode ter sido de intolerância religiosa", fazendo uma suposição com um tom de certeza dissimulada, caprichando no vitimismo que tanto foi a marca do "médium", um charlatão e usurpador de mortos que sempre que contrariado e questionado fazia pose de vítima para forçar a comoção pública.

Mas isso não procede. Até porque as religiões que são vítimas de intolerância religiosa são relacionadas a expressões culturais do povo pobre ou de grupos étnicos minoritários. Umbanda, candomblé, islamismo e algum outro similar é que têm suas casas de oração e culto atacadas por vândalos movidos de indignação religiosa ou pertencentes a grupos religiosos dominantes, como os neopentecostais.

O "espiritismo" não podia sofrer intolerância religiosa porque é tolerado até nos seus piores erros e escândalos. Além disso, é uma religião aristocrática, apesar do aparato de humildade, modéstia e simplicidade que o cerca.

Seus "médiuns" e palestrantes são conhecidos por discursarem para gente rica, receberem prêmios de autoridades e instituições aristocráticas e a praticar Assistencialismo, fazendo uma caridade de resultados sociais pouco expressivos que servem para promoção pessoal dos "benfeitores".

É uma grande malandragem do "espiritismo" brasileiro pegar carona nos atos de intolerância religiosa como se estivesse entre as religiões atacadas pela fúria conservadora. É uma malandragem similar que a de definir Chico Xavier como "católico reformista" só porque havia sido paranormal. Foi excomungado pela Igreja Católica de Pedro Leopoldo por ter sido confundido com umbandista. Mas isso é um equívoco: Chico Xavier, como católico, era medieval de tão ortodoxo.

E isso cria um fato curioso. No passado, os "espíritas" queriam fugir da confusão com os cultos afro-brasileiros. Agora, os "espíritas" fazem o inverso, tentando se confundirem com a umbanda e o candomblé para promover seu vitimismo à custa do infortúnio alheio, porque o que vemos é que os "espíritas" voam em céu de brigadeiro.

Intolerantes são os próprios "espíritas", que nunca toleraram contestação, e nunca assumiram uma responsabilidade sequer pelos erros cometidos. Chegam mesmo a atribuir eventuais escândalos aos "espíritos inferiores". Eles nunca admitiram seus erros e o perigo é eles atribuírem as críticas que recebem como "atos de intolerância religiosa". Isso é que é ter falta de autocrítica!!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O fanatismo e o apego doentio a... ônibus padronizados!!!!

EM SÃO PAULO, OS ÔNIBUS IGUAIZINHOS QUE DESAFIAM A ATENÇÃO DOS PASSAGEIROS NA HORA DE IR E VIR.

O Brasil tem coisas bastante surreais, posturas atrasadas, obsoletas, decadentes, ultrapassadas, mas que prevalecem na marra por conta de ginásticas intelectuais vindas de gente tentando argumentar o ilógico e falando até em juridiquês para reforçar suas teses delirantes.

Uma delas é a insanidade que prefeituras ou governos estaduais fazem com os sistemas de ônibus, nos quais diferentes empresas de ônibus têm que apresentar uma mesma pintura, relativa a critérios que variam de consórcios, zonas de bairros, tipos de ônibus etc.

Essa loucura veio da ditadura militar e foi imposta na marra pelo prefeito Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, passando por cima das leis, atropelando até mesmo o Código de Defesa do Consumidor e promovendo um voto parlamentar às escuras para aprovar a medida. Resultado: a pintura padronizada virou uma lona para o circo da farra político-empresarial na qual um dos empresários envolvidos tem um sobrenome ilustrativo: Barata.

Hoje o grupo empresarial que impôs a pintura padronizada nos ônibus cariocas - que criou um modismo estadual no qual a mais recente adesão aos "ônibus iguaizinhos" é o município de Resende, inspirado nos "exemplos" das vizinhas Volta Redonda e Barra Mansa - , o de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, enfrenta um grande inferno astral, com o ex-governador fluminense preso e condenado a uma longa sentença (se ela vai ser totalmente cumprida, não se sabe, mas ela hoje lhe deprime).

O apego doentio, paranoico, psicótico, neurótico aos "ônibus iguaizinhos", através do qual houve até busólogo criando páginas de ofensas que, se possível, poderia esculhambar até Jesus de Nazaré, se caso ele manifestasse discordância com o valentão da busologia, faz com que muitas pessoas corram para o psiquiatra toda vez que imaginar que a pintura padronizada nos ônibus poderá um dia ser cancelada e as empresas de ônibus poderão apresentar suas respectivas identidades visuais.

Em muitos casos, só de imaginar isso, a turma do "pensamento padronizado" chega a ficar a uns poucos passos do hospício quando veem alguém lutando para barrar a pintura padronizada nos ônibus em uma cidade. Passam a empastelar até petições de abaixo-assinados virtuais, como se fosse aceitável fazer trolagem ou cyberbullying em espaços que servem apenas para assinaturas digitais.

Isso não é exagero. E, para evitar o acesso ao manicômio, vários beatos dos "ônibus iguaizinhos" tentam se conter nas redes sociais. Falaciosos, tentam isolar o discordante, atribuindo a ele pretensa anormalidade social. "Xi, lá vem fulano com aquele papo de despadronizar os ônibus", "Ih, é aquele chato de novo".

Essa manobra tenta dar a uma minoria de valentões digitais o status de "normalidade" e "naturalidade", porque o outro é que é "chato", quando vemos que os defensores da pintura padronizada nos ônibus são as pessoas mais chatas e intolerantes do Brasil, que fazem busologia de gabinete, justificando tudo com argumentos baseados em gráficos, esquemas toscos de PowerPoint e maquetes. O povo se reduz a um "gado" que tem que aceitar o que os "padronizetes" dizem.

Quem é mais tecnocrático é que mais busca essas fontes argumentícias. Criam um mundo de faz-de-conta de PowerPoint, maquetes e gráficos coloridos de WordArt. Como se miniaturas, desenhos e slides dissessem mais do que o cotidiano vivido pelas pessoas, o que é um absurdo.

Mas aí o status quo fala mais alto do que a vivência cotidiana. O homem que mais defende os "ônibus iguaizinhos" é o arquiteto paranaense Jaime Lerner, filhote da ditadura e hoje apoiando o presidente Michel Temer. Ele foi prefeito de Curitiba, uma cidade que recentemente se revelou reacionária e ultraconservadora, derrubando o mito de modernidade e progresso associado à capital paranaense, apelidada de "República de Curitiba" por causa do poder imperial da Operação Lava Jato.

A partir dele, pelo menos os "padronizetes", fãs enlouquecidos dos "ônibus iguaizinhos", podem se sustentar de argumentos "técnicos": usam falácias do tipo "a adoção de pintura padronizada obedece critérios de trajetos ou tipos de ônibus adotados, favorecendo (sic) a identificação através desses requisitos e facilitando (sic) o usuário na hora de pegar um ônibus numa cidade".

Mas isso é mais ou menos quando um burguesinho acusado de estuprar uma jovem argumentar que "ele apenas queria conversar e conhecer a garota, mas ela reagiu com gritos". Só vivendo o cotidiano para saber o trabalho que as pessoas, já com muita coisa para fazer, têm para diferir um ônibus de outro.

Em conversas com pessoas, houve gente de Niterói reclamando que os carros 2.2.124 e 2.4.124 têm a mesma pintura. O primeiro carro é de uma empresa, a Santo Antônio, e outro, da Viação Fortaleza. Para piorar, a Fortaleza andou emprestando carros para a Santo Antônio na linha 45 Cubango / Centro, e a Santo Antônio emprestou carros para a Fortaleza operar a 53 Santa Rosa / Centro. O passageiro pira de vez, no pior sentido.

Evidentemente, fazer voltar as identidades visuais diferentes de cada empresa de ônibus não vai combater a corrupção no setor nem melhorar, em si, o serviço. Mas criaria facilidades muito grandes, sobretudo para identificar, pelas cores, a empresa que presta um péssimo serviço à população.

No caso de uma empresa de ônibus deficitária, mas persistente, a Trans1000 de Mesquita, na Baixada Fluminense, se foi difícil pedir a cassação da empresa com a diversidade visual dos ônibus que operam linhas intermunicipais fluminenses, com a pintura padronizada a coisa seria mais grave ainda, porque a Trans1000 teria as mesmas cores de empresas com melhor qualidade de serviço e a burocracia política poderia fazer a Trans1000 apenas mudar de nome para enganar o povo.

Não há argumento técnico algum que comprove vantagens da pintura padronizada. Para complicar as coisas, se diferentes empresas de ônibus têm a mesma pintura, em certos casos, há casos de uma única empresa de ônibus que opera em diferentes esquemas e cidades, que chega a ter várias pinturas, gastando dinheiro com tinta ou plotagem, o que refere a mais custos para a passagem.

A pintura padronizada gera mais burocracia, mais custos, complica a vida do povo de uma cidade ou região metropolitana e estimula a corrupção político-empresarial, o que deveria fazer com que esta medida seja condenada e não estimulada pela sociedade.

Mas, infelizmente, temos o apego doentio à pintura padronizada nos ônibus, a ponto de dar insônia quando seus defensores imaginam que uma cidade de São Paulo poderia cancelar a "era dos ônibus iguaizinhos". Fala-se em mudar os critérios de licitação de consórcios para lotes de bairros, o que permitiria cada empresa retomar sua identidade visual. Mas os "padronizetes" rezam para São Carimbo, o padroeiro dos "padronizados", para que a pintura padronizada fosse mantida.

É lamentável isso e esta realidade demonstra o quanto medidas retrógradas tentam prevalecer na marra durante anos e anos. Ainda que sob o preço de busólogos valentões criando blogs ofensivos, caluniando tudo e todos. Atitudes assim revelam o quanto uma mera medida para transportes gera um fanatismo desesperado e um apego doentio digno de religiosos obsessivos.

domingo, 24 de setembro de 2017

"Espiritismo" é a religião da Rede Globo? Tudo indica que sim

O "MÉDIUM" JOÃO DE DEUS, DE ABADIÂNIA, GOIÁS - IDOLATRIA FEITA NOS PADRÕES DA REDE GLOBO.

Atores, celebridades e apresentadores de TV, sobretudo da Rede Globo de Televisão, recentemente frequentam o "centro espírita" de Abadiânia, Goiás, a Casa Dom Inácio de Loyola, para visitar o maior astro do lugar, o "médium" João Teixeira de Faria, o João de Deus.

O clima de devoção, mesclado a coberturas sensacionalistas de TV, dá o tom do igrejismo e da vaticanização que domina o lugar, a ponto de analistas sérios nunca identificarem um vestígio de Espiritismo autêntico em estabelecimentos religiosos desse tipo.

Nota-se um claro ranço católico que cerca os chamados "médiuns brasileiros". A Rede Globo, desde que Roberto Marinho passou a gostar de Francisco Cândido Xavier, encampou o "espiritismo" como sua religião oficial, algo que poderia ser um alerta, se nos basearmos nos conselhos de Leonel Brizola de que é preciso interpretar de forma oposta tudo que é defendido ferrenhamente pela Globo.

Mas não. Mesmo alguns esquerdistas aderem facilmente ao "espiritismo", iludidos com o verniz de "humildade" e "despretensão" que cerca a doutrina igrejeira brasileira. Se iludem também com o fato aparente de que emissoras concorrentes também cortejam a mesma religião e que os "médiuns" só são contratados para dar depoimentos ou fazer programas em emissoras regionais sem vínculo com a Globo e canais comunitários da TV paga.

Mas isso não nega que o poder mesmo está na Globo. A Globo blinda o "espiritismo" como ninguém e o serve para emissoras concorrentes. A Globo "exporta" gírias, costumes, hábitos e modos de vida até para quem diz odiar a emissora, porque a Globo tem capacidade de explorar o inconsciente coletivo e, como hábil hipnotizadora, manipula as mentes das pessoas dando-lhes a falsa impressão de que elas não estão sendo manipuladas, como num bom espetáculo de hipnose.

O que vemos é que os "médiuns" mais parecem personalidades de novelas da Globo, com seu paradigma de "amor e bondade" mais próximo de uma ficção de folhetim. Fazem mero Assistencialismo (caridade sem muitos resultados, mas com muita propaganda e ostentação para quem as promove), criam uma mística de aparatos amorosos (frases de efeito, rituais em "centros espíritas", idolatria religiosa) e viram sacerdotes sem batina.

O "espiritismo" parece ter um sotaque de Rede Globo bastante carregado. Chico Xavier, Divaldo Franco e João de Deus tornam-se ídolos religiosos sem a embalagem dos católicos oficiais. É uma forma sutil da Globo concorrer com a Record, sem despertar desconfiança de Edir Macedo, que costuma observar bem o que a Globo está fazendo para reagir conforme as circunstâncias.

Os "médiuns" já são uma aberrante ruptura do que deveria realmente ser um médium espírita, uma figura intermediária, quase anônima, que se limita apenas a intermediar a comunicação entre mortos e vivos. Só no Brasil mesmo é que o "médium" virou atração circense, centro das atenções e dublê de pensador e de conselheiro espiritual, e que vivem do mais escancarado culto à personalidade.

Mas como no Brasil a desinformação das pessoas é generalizada e a catarse humana se comporta como uma biruta que se move ao sabor do vento, os "médiuns" são aceitos sem um pingo de desconfiança. A desculpa do "trabalho do bem" é aceita por motivações emocionais que entorpecem a razão e a percepção das coisas, e o clima de hipnose e todo o aparato amoroso conseguem "desarmar" muita gente boa.

Não temos a vigilância das pessoas do Primeiro Mundo, que veem muitas armadilhas sócio-culturais e religiosas com desconfiança. Fenômenos como a overdose de informação (sobrecarga de notícias e acontecimentos difundidos na mídia) e a "sociedade do espetáculo" (redução da sociedade, sobretudo as classes pobres e minorias sociais, à exploração caricatural da indústria do entretenimento), vistas de forma negativa lá fora, aqui são aceitas como "fenômenos positivos".

Lá fora, tivemos um Christopher Hitchens denunciando Madre Teresa de Calcutá em seus aspectos sombrios, e estudos acadêmicos confirmaram tais denúncias. Mas aqui ninguém denuncia o lado sombrio de Chico Xavier e acadêmicos apenas criam simulacros de investigações para depois corroborar as irregularidades deixadas pelo "médium" mineiro, deturpador maior do Espiritismo.

Temos no Primeiro Mundo uma Leah Remini denunciando os abusos da Cientologia, enfrentando os defensores desta doutrina com coragem e muito questionamento coerente e conciso. Mas aqui a "cientologia caipira" do "espiritismo" brasileiro não recebe uma investigação sequer, e olha que o legado kardeciano foi empastelado de forma explícita e obras como as de Chico Xavier e Divaldo Franco mostram graves desvios doutrinários em relação ao Espiritismo original.

Para piorar, o cinismo dos "espíritas", que se dizem "independentes" midiáticos, afirmam ser "ótimo" que o "espiritismo" brasileiro esteja associado à Rede Globo, porque isso "ajuda, e muito, na divulgação da Doutrina Espírita (sic)".

Isso prova o quanto felizes estão os "espíritas" com o vínculo que exercem com o poder midiático que está associado a fatos sombrios da História do Brasil, como a ditadura militar e o golpe jurídico-parlamentar que colocou Michel Temer ao poder.

sábado, 9 de setembro de 2017

Mídia brasileira continua depreciando a mulher solteira


A mídia do entretenimento brasileira é famosa por glamourizar preconceitos sociais. Pobres, negros, mulheres, crianças, quem não representar o paradigma do macho, mais velho, branco, rico e poderoso acaba sendo manipulado pela mídia de forma que, em certos casos, abordagens pejorativas sejam promovidas como se fossem "qualidades positivas".

A mulher solteira é também vítima dessa manipulação midiática, comandada pela Rede Globo mas exercida também por suas concorrentes. E mais uma vez a apelação atinge as solteiras através da música "Tô Solteira de Novo", "continuação" do antigo sucesso da funkeira Valesca Popozuda, intitulado "Agora Eu Tô Solteira".

Alguém em sã consciência vai parar para pensar e constatar que uma solteira de verdade não se preocuparia em fazer "músicas de solteira". Isso não existe. No Primeiro Mundo, a mulher que se considera "solteira e feliz" não fica alardeando isso, ela fica falando de outros assuntos, sem ficar a todo momento falando em sensualidade ou sexo.

Valesca é das últimas "musas populares" que, após o fim do portal Ego - reduto do sensualismo obsessivo das "musas populares", que não raro beirava ao mau gosto gratuito - , vende uma imagem caricatural e forçada da "mulher solteira", se valendo sempre dos mesmos bordões que causam muita suspeita por serem sempre o mesmo texto.

São esses bordões: "Estou solteiríssima", "os homens fogem de medo de mim", "estou à procura de um príncipe encantado" e outras frases parecidas. Desde o sucesso do É O Tchan, ouvimos ou lemos diferentes mulheres dizendo a mesmíssima coisa, como se fosse um texto decorado.

Essas "musas" sempre estão a serviço de uma visão caricatural da mulher solteira no Brasil, voltada a uma sensualidade obsessiva, uma curtição compulsiva, um hedonismo extremamente forçado. É como se, sutilmente, a mídia trabalhasse a mulher solteira como uma desocupada que só fica preocupada em frequentar noitadas, ir à praia ou exibir suas "generosas formas corporais", geralmente com glúteos e bustos siliconados, piercing no umbigo e alguma tatuagem.

Valesca tenta, agora, promover uma imagem de "líder feminista" e está fazendo tratamento de redução de glúteos. Isso não adianta muito, porque ela sempre trabalhou uma "sensualidade" que está de acordo com os padrões machistas de mulher-objeto.

HIGIENISMO

Essa imagem extremamente caricata da mulher solteira tem dois propósitos, de caráter higienista e até mesmo eugenista. Um é desestimular, nas mulheres pobres, a busca de uma vida amorosa estável, evitando a união de homens e mulheres afins nas classes populares, impedindo a solidariedade conjugal e familiar que possa refletir na união comunitária e na ampliação dos movimentos populares.

Desta forma, crianças nascem sem a ideia da união conjugal do pai e da mãe. A figura paterna, associada a ações de enfrentamento e coragem - não que a figura da mãe não se associe também a ações deste nível, mas os contextos são outros - , é praticamente ausente ou, na melhor das hipóteses, distante e eventual, o que faz com que os meninos tenham dificuldade de aprender o que um homem adulto faz para vencer na vida.

Em comunidades ainda dominadas por valores retrógrados, como são as favelas e os subúrbios, herança da opressão coronelista de muitas pessoas vindas das zonas rurais para as cidades, novidades como a causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) são indigestas, ainda mais quando as religiões evangélicas, hostis a essa novidade, dominam o imaginário religioso do povo pobre.

A imagem "descontraída" e "livre" da "solteira que não tem medo de se divertir" e, a pretexto de expressar a "liberdade do corpo", exibe seu físico exagerado por uma demanda de machos, que lotam plateias, compram revistas e dão mais audiência à TV e à Internet por conta da "boazuda do momento", é feita para impedir que moças jovens pobres, que veem nas "musas" um ideal de ascensão social, se preocupem em se casarem e formarem famílias.

Isso faz com que a higienização social ocorra nos dois lados. Um, evitando que nasçam mais filhos nas classes populares, sobretudo negros, índios e mestiços. Outro é que, se caso as solteiras tiverem uma vida sexual descontrolada, a alta natividade de crianças é "compensada" pelos abusos da violência policial ou marginal, que dizimam tantos pobres inocentes, sem poupar crianças.

A ideia é estabelecer, a médio ou longo prazo, um "enxugamento" da população pobre, negra, índia ou mestiça, diminuindo a natividade. Através de uma "cultura" popularesca, difundida pelas redes de televisão, mostra mulheres de origem mestiça adotando uma postura caricatural da mulher hipersexualizada, e ídolos musicais com canções que falam de conflitos amorosos que soam como hipnoses para um público que também ouve tais músicas nas rádios FM regionais.

Por outro lado, nas classes mais abastadas, o processo é o inverso. Estimula-se o casamento à mulher de considerável instrução e que, embora dotada de beleza atrativa e formosura corporal, não se preocupa em vender a imagem de sexy o tempo inteiro. Ela pode até posar em fotos sensuais de vez em quando ou usar roupas sensuais, ainda que sem exageros, mas de vez em quando ela pode abrir mão da sensualidade e se ocupar em outras atividades.

Ainda que essa mulher, ao se casar, geralmente com um homem mais velho e que ocupa uma posição de comando ou liderança, leve uma vida de "solteira" - pelo menos comparecendo à maior parte dos eventos sem que o marido apareça ou tenha, ao menos, sua presença registrada em fotos - , o vínculo dela com seu cônjuge é um fator que o sistema de valores dominante no Brasil se empenha em manter estável e permanente.

Esta mulher se sente desencorajada a ficar solteira, ao ver que o paradigma da solteira vigente no Brasil é o da ociosa "sensual", a desocupada que só frequenta noitadas, usa tatuagem, exibe demais o corpo e não demonstra grandes qualidades intelectuais. No gosto musical, a "solteira" está associada às piores músicas que ouve através de rádios "populares" controladas por oligarquias empresariais locais.

Isso desestimula a mulher de perfil mais diferenciado de viver uma vida de solteira. A imagem de vulgaridade a constrange, fazendo com que a mulher diferenciada tenha que se apressar na vida amorosa, acolhendo o primeiro homem "mais influente" que aparece em seu caminho.

Essa tendência revela o quanto o feminismo, no Brasil, ainda tem que negociar com o machismo para ter algum espaço. Contraditoriamente, o machismo "aconselha" as mulheres emancipadas a se casarem, se vinculando à imagem masculina do "provedor", enquanto libera as mulheres que fazem o papel de "objetos sexuais" para ficarem sozinhas até não se sabe quando.

É como se o machismo tivesse que controlar os impulsos da mulher de se livrar do jugo machista. O machismo age para controlar a emancipação feminina, impondo a figura do marido poderoso, como se a mulher emancipada tivesse que ser domada pela figura machista do "provedor".

Por outro lado, as mulheres que fazem o papel de "brinquedos sexuais", mesmo quando se autoproclamam, tendenciosamente, "feministas" - algo feito, sobretudo, para agradar acadêmicos e ativistas culturais - , obedecem "por contra própria" as diretrizes machistas, sendo dispensadas da figura "reguladora" do marido.

No sentido da geração de filhos, nas classes abastadas se estimula a figura da família conjugal estável, do casamento que dura anos, mesmo que seja sem amor nem afinidades pessoais. A figura da mulher atraente por sua inteligência, charmosa e discreta, é associada ao marido poderoso (geralmente um empresário ou profissional liberal, tipo médico, economista e advogado), às vezes bem mais velho e mais sisudo, é feita também para permitir a formação social estável dos filhos.

Claro que também há problemas. Nas classes pobres, os filhos sentem uma forte tristeza ao verem outros casais de pais e mães com seus filhos, e, comparando com estes, se sentem "órfãos de pais vivos", a só ter o convívio paternal "de vez em quando" e, geralmente, com a companhia de outra mulher, não havendo o prazer das crianças pobres em ver seus pais biológicos unidos.

Já nas classes mais abastadas, os problemas são outros. Casais sem afinidade, mas forçadamente estáveis, transtornam os filhos de outra maneira. Embora eles estejam em situação confortável de viverem sob o casamento estável de seus genitores, eles percebem a falta de cumplicidade, não raro vendo a "solidão a dois" do casal, sobretudo quando a mãe se reúne com as amigas para falar mal do marido e este, com seus amigos, reclamar também da esposa.

Ser mãe solteira é mais complicado nas classes pobres do que nas classes abastadas, por razões óbvias. Mas há um elemento extra: a surreal situação de que casais afins, nas classes pobres, se dissolvem com muito mais facilidade que os casais abastados sem afinidade, que, quando se separam, enfrentam divórcios caríssimos e deixem perplexos amigos, sócios e colegas de trabalho.

Numa época em que os retrocessos sociais são retomados com toda a força, uma "saudável" abordagem da mulher solteira pela mídia do entretenimento esconde um processo muito perverso de higienização social, pois há a sutil preocupação de evitar que populações negras, índias e mestiças gerem mais descendentes, enquanto a população branca é estimulada a gerar filhos em relações estáveis e com formação social menos problemática.