quinta-feira, 30 de julho de 2015

Para Chico Xavier, "quanto pior, melhor"

A ÁGUA DESSE BALDE TAMBÉM ERA FLUIDIFICADA?

Teologia do Sofrimento. Nome bonitinho para uma ideologia de Francisco Cândido Xavier que não difere muito do chamado holocausto, já que corresponde a uma defesa do pior sofrimento em troca das chamadas "recompensas futuras".

Parece Frederick Taylor misturado com Henry Ford. A ideia é se sobrecarregar de infortúnios, sofrimentos, angústias, encrencas, viver boa parte do tempo assim, para depois, na velhice ou mesmo na morte física, contrair os prometidos "benefícios", que Chico Xavier definia como "bênçãos".

Como no taylorismo e no fordismo, a ideia é trabalhar de forma opressiva, sobrecarregada e sem qualquer proteção legal, apenas uma proteção precária, para que depois, se a pessoa sair ilesa, ou quase, poderá obter lucros e outras gratificações. Mas só depois de "se lenhar".

Quanto pior, melhor. É isso que se resume a ideologia de Chico Xavier. Ele queria que as pessoas sofressem sem queixumes, mas "amando", e não se podia questionar bulhufas. apenas aceitando a dor e fazendo preces para manter as forças de aguentar qualquer barra pesada. Nem que a pessoa se transforme em personagem de Franz Kafka e seja condenada pelo crime que não cometeu.

Ah, isso é "espiritismo"! Pode ser que o desgraçado tenha esquecido de que cometeu um crime nos tempos do Império Romano. O Brasil de Chico Xavier é uma sucursal tardia do Império Romano, os brasileiros que se dão mal hoje é porque foram romanos no passado, e aí vemos como funciona o pensamento maniqueísta e linearizado do anti-médium mineiro.

Aí, arruma-se desculpa para pagamentos de dívidas. Se Kafka fosse chiquista, talvez tivesse colocado no livro O Processo que o personagem Josef K, um europeu, mas que poderia ser muito bem um brasileiro (Kafka parecia falar de nosso país em suas obras), teria vivido no Império Romano, provavelmente na área entre a Panônia, Ilíria, Dácia e Macedônia, e teria feito "das suas".

Na Teologia do Sofrimento, usa-se o passado para explicar a barra-pesada vivida no presente e usa-se o futuro como pretexto para aguentar esse sofrimento sem reclamar nem questionar. A vida é um castigo, o encarnado é um condenado, mas, "coitadinho", tem a chance de se redimir e pode obter suas recompensas futuras... daqui a cerca de cem anos.

Daí não ser estranho que o "espiritismo" brasileiro ser uma doutrina amaldiçoada. As famílias felizes que buscam a doutrina são ceifadas pela tragédia. Geralmente são as melhores pessoas que morrem, ou, na "melhor" das hipóteses, são obrigadas a aguentar os mais pesados sofrimentos.

Mesmo os devotos mais entusiasmados sofrem das suas. Até Juscelino Kubitschek, que quis ser amigo de Chico Xavier e declarou a Federação "Espírita" Brasileira como "instituição de utilidade pública", depois de tanta generosidade, viu o azar bater à sua porta em vários momentos, até ser vítima de um atentado nunca devidamente investigado, ele que foi um político moderado.

E muitas mães, que não se envergonham em exibir para os flashes do mundo suas caras de matronas chorosas nos "centros espíritas", estendendo as mãos com os olhos fechados cantando hinos igrejistas - sim, muitos cânticos católicos são feitos nesses "centros" - , perdem filhos em acidentes de moto, perdem maridos vítimas de assaltos, e ainda se acham "abençoadas".

Ser "espírita" é até pior do que cruzar com um gato preto na rua. Coitado do bichano! Ele poderia ser um animalzinho adorável, não tem culpa disso tudo. Como também passar debaixo da escada pode ser um meio de evitar, por exemplo, levar um banho de lama de um carro em disparada numa rua.

Pegue um livro de Emmanuel para ler e, aí sim, o azar bate à sua porta, ou talvez até a arrombe com tanta fúria querendo entrar em sua vida. Se você está estudando para um concurso público, pode ter certeza que perderá, por mais que você enfie sua cara nos livros indicados pelo programa.

Mas, não se preocupe, o aspirante a servidor público pode ter um emprego mal-remunerado numa empresa em crise, com um patrão mais estúpido que o possível empregado, sem horário fixo, ganhando mal e trabalhando mais. É a Teologia do Sofrimento, o amiguinho de Chico Xavier, Divaldo Franco, disse até que não há mal que um "Pai Nosso" não resolva.

"Não há mal que um 'Pai Nosso' não resolva" é um eufemismo para dizer "Está sentindo mal? Tome uma água com açúcar e tudo fica bem". Você sofre e basta apenas ficar orando, para ter algum "alívio". O problema não resolve, a "tempestade custa para passar". Mas, "não" tem problema, as graças futuras virão quando você morrer. Sua encarnação é só um castigo, mesmo.

Para quem não sabe, a Teologia do Sofrimento é uma herança do "espiritismo" brasileiro da ideologia sombria de Jean-Baptiste Roustaing e seu delirante livro Os Quatro Evangelhos. Sabemos que o "movimento espírita" hoje está mais enrustido, separando teoria e prática, se dizendo "fiéis a Allan Kardec", mas na verdade age como se estivesse sido rigorosamente fiel a Roustaing.

Roustaing definia a encarnação como um castigo. A Terra é uma grande penitenciária. O encarnado, um sentenciado cruel. Só os maus acabam sendo beneficiados, porque são os "carcereiros", "jagunços" e "justiceiros" das leis "espíritas".

Não é preciso dizer que Fernando Collor, depois que recebeu o voto de Chico Xavier para a campanha presidencial de 1989, foi agraciado pelas circunstâncias políticas, apesar de um breve "infortúnio" de oito anos, e viu seus piores rivais morrerem um a um e alguns outros rivais e desafetos se converterem em seus aliados.

Se depender das "boas energias" dos chiquistas, Fernando Collor prepararia sua volta à Presidência da República, já que ele parece ter os critérios necessários para ser o "líder maior" que conduzirá o Brasil para a condição de "coração do mundo e pátria do Evangelho". Ele tem a mesma embalagem "progressista" de conteúdo conservador de Chico Xavier.

Enquanto isso, o Brasil mergulha em retrocessos sem fim, porque preferiu se apegar em Chico Xavier. Logo a religião "espírita" que só fala em desapego. Tá, nos desapegamos naquilo que realmente precisamos, mas ficamos apegados em tudo que não precisamos nem nos serve para coisa alguma e.

Pior: mais apegados ainda ficamos, ou somos obrigados a ficar, naquilo que com tanto trabalho tentamos nos livrar, ou evitar obter ou contrair, por causa dessa doutrina chiquista. A vida na Terra não serve para coisa alguma. Só para sofrermos. É a Teologia do Sofrimento, que tanto impede o progresso do país.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Dr. Bezerra de Menezes parece personagem de conto-de-fadas


Onde está uma biografia realista sobre o dr. Adolfo Bezerra de Menezes? Indo para a busca do Google, o que se observa são textos piegas e melosos que glorificam o médico, militar e político que viveu nos tempos do Segundo Império e que tornou-se um dos fundadores e presidente da Federação "Espírita" Brasileira.

Tudo são flores, a não ser os espinhos dos outros. O coitado do Afonso Angeli Torteroli, que chamava a atenção para o estudo correto do pensamento de Allan Kardec, foi tratado como vilão e quase jogado ao esquecimento absoluto, jogado, junto aos colegas do Espiritismo Científico, no lodo do mais abjeto revisionismo histórico.

Apesar de Adolfo Bezerra de Menezes ter sido contemporâneo de Machado de Assis, Rui Barbosa, Artur Azevedo, Olavo Bilac, Joaquim Nabuco e tantos outros ilustres que chegam a ter livros bibliográficos realistas de centenas e centenas de páginas, Bezerra se limita a ter biografias breves e bastante adocicadas.

Não há um relato na Internet do Bezerra temperamental e tendencioso, conservador e oportunista, que se perdeu nos documentos hoje esquecidos (mas acredita-se ainda disponíveis). E isso apesar dos esforços de Carlos Imbassahy de ter divulgado aspectos sombrios da trajetória do médico cearense.

Quando muito, Bezerra foi apenas um entusiasmado roustanguista que "se arrependeu no além-túmulo" e agora quer ser bonzinho com o Allan Kardec que tanto desprezou. Bezerra, "Kardec brasileiro"? Faça-nos rir!

Os anti-médiuns Chico Xavier e Divaldo Franco, com mais algumas de suas molecagens "mentiúnicas", divulgaram, o primeiro com "psicografia" tirada de sua própria mente, o segundo com "psicofonia" feita com seu próprio falsete, em claros estilos respectivamente chiquista e divaldista, supostas mensagens espirituais de Bezerra pedindo para "kardequizar".

Fala-se muito que esse termo "kardequizar" não passa de uma corruptela do termo "catequizar", o que significa que a suposta "fidelidade a Allan Kardec" não passava de conversa para boi dormir, já que "catequizar" é justamente a prática que os antigos jesuítas fizeram no país, de manipular mentes dos índios e hereges.

Hoje esses jesuítas, a partir do padre (Em)manuel da Nóbrega, se tornaram, do além-túmulo, "protetores" dos chamados "centros espíritas". E, quanto à mensagem do "espírito Bezerra", ninguém sequer averiguou se o médico cearense teria reencarnado anos depois de 1900, o que teria sido bastante provável, queiram ou não queiram seus "bezerrinhos" mimados que o adoram.

Não se analisa sequer possibilidades de parentesco entre o Adolfo Bezerra de Menezes que alegra os "espíritas" e o jornalista e advogado católico Geraldo Bezerra de Menezes que fez história no Estado do Rio de Janeiro.

O clã Bezerra de Menezes é muito grande, mas parece ser visto pelos "espíritas" como uma venenosa árvore genealógica. Dela foi extraído o "bom galho", o do dr. Adolfo Bezerra de Menezes, que aparece lá sem sua família, apenas cercado de anjos e ninfas pregando, provavelmente com sua voz de Zé Colmeia com gripe, a "fraternidade dos irmãos".

Não há análise, não há pesquisa, não há estudos, não há revelações. Enquanto faltam dados verídicos sobre Bezerra de Menezes, independente deles terem sido sombrios ou não, criam-se enredos fantásticos e fantasiosos que transformam o "dr. Bezerra" num super-herói.

Antes de irmos a esse ponto, nota-se que Bezerra é trabalhado pelos burocratas da FEB como se fosse o equivalente brasileiro do Papai Noel, o Santa Claus que poucos imaginam não passar de uma invenção da Coca-Cola para que, provavelmente, o refrigerante seja consumido no inverno do Hemisfério Norte.


Só que, insatisfeitos em transformar Bezerra de Menezes no "Papai Noel brasileiro", querem promovê-lo a um equivalente nacional do Super-Homem, aquele super-herói de revistas em quadrinhos que se expandiu para o cinema e a televisão e dominou o imaginário pop do mundo.

Pois as estórias fantásticas mostram Bezerra, "materializado", se transformando em caminhoneiro, a pedido de Chico Xavier, para levar um caminhão de mantimentos para uma comunidade pobre ou Bezerra, nas mesmas "condições", avisando à polícia para prender um grupo de arruaceiros que queriam estuprar uma jovem.

Vai que eles gostam e aí veremos também Bezerra de Menezes enfrentando grupos mafiosos abrindo seu paletó e sendo metralhado sem se ferir, resistindo firmemente como se tivesse peito de aço. Ou, para socorrer uma criancinha andando num trilho ferroviário, Bezerra enfrentasse um trem veloz e o parasse com o simples esforço de suas mãos.

Contraditoriamente, é o mesmo Bezerra que, perfeito e desapegado de impressões materiais, é obrigado a aparecer "agonizante" nos falsetes trazidos pelo dublador frustrado Divaldo Franco ("Por que não virei um Orlando Drummond?", resmungaria este) ou nas patéticas cenas do "velhinho corcunda andando com dificuldades" da encenação de José Medrado na Cidade da Luz, em Salvador.

Um Super-Homem que, para aparecer em público, precisa parecer fraco e agonizante. Um sujeito que se livrou da matéria, perfeito, lúcido e altivo, falando como se ainda estivesse no leito de morte. Um personagem de conto-de-fadas, às vezes convertido em super-herói, tudo para alegrar as mentes infantilizadas de "espíritas" com suas "lindas histórias de ajuda ao próximo".

Biografia verdadeira, que deveria haver, não tem. É preciso enfrentar os tubarões da FEB e pesquisar Bezerra de Menezes como ele realmente foi, sem fantasias. Se ele teve qualidades positivas, ótimo, mas não vale superestimá-las e exagerá-las. Se existe um lado sombrio, ele tem que ser mostrado de forma ampla e abrangente, sem medo.

Bezerra foi um político de seu tempo e sua conduta lembrava a dos peemedebistas de hoje (descontados os fascistas do PMDB carioca), um conservador moderado com trejeitos populistas, oportunista quando lhe era conveniente ser, tendencioso e temperamental. Bezerra tem que sair das ficções fabulosas que tanto confortam os "espíritas" do Brasil. É urgente agir nesse sentido.

domingo, 26 de julho de 2015

Seja mau médium, pior moralista, mas banque o "bonzinho"


O que faz o "espiritismo" brasileiro ser uma das piores religiões do país é trair seus propósitos originais e investir num moralismo e num misticismo que deturpam e descaraterizam completamente a doutrina.

O "espiritismo" bajula Allan Kardec com a mesma intensidade com que desobedece e rompe com suas ideias originais. Hipócritas, os "espíritas" usam o próprio Kardec, ou mesmo Erasto e o Controle Universal dos Ensinos Espíritas para justificarem as práticas fraudulentas e pedantes que o movimento brasileiro faz no seu cotidiano.

Pregações de moralismo religioso bastante carregado marcam as palestras e eventos dessa doutrina, que parece competir com a Igreja Católica com a pronúncia de tantos jargões como "Jesus", "bênçãos", "cristão", "luz" e "seara". Nem os neo-pentecostais chegam a tanto.

Por outro lado, existem práticas "mediúnicas" do tipo "eu nada sei mas finjo que tudo sei". Ninguém estuda sobre atividades mediúnicas. Ninguém lê os livros de Franz Anton Mesmer, o teórico do Magnetismo. Ninguém observa as pesquisas sobre comunicação com espíritos do além e sobre a vida espiritual.

Em compensação, o pessoal cria um mundo fictício onde cabem o que somente eles acham que é mediunidade, mundo espiritual, comunicação de espíritos etc. Um mundo do faz-de-conta, pois ninguém tem concentração alguma para estabelecer comunicação com o além e fica inventando coisas e fingindo que é médium.

E isso se refere não só aos médiuns de fundo-de-quintal, mas a Chico Xavier e Divaldo Franco, os mais "conceituados", mas que fizeram fraudes e fingimentos terríveis, e eles fizeram isso da forma mais deplorável e condenável que os erros deles viraram regras para seus seguidores. Simplesmente preocupante.

Chico Xavier fazendo pastiches literários de extremo mau gosto, usando o nome de Humberto de Campos para criar uma obra literária que nada tem a ver com o falecido escritor maranhense. Divaldo Franco, com seus falsetes, fingindo receber espíritos do além para fazer mensagens supostamente fraternais, de sutil proselitismo religioso.

E as pessoas ainda choram quando eles são chamados de charlatães. "Não, não é assim, você está exagerando", "Que eles erraram, tudo bem, mas chamar de charlatães é demais", "Charlatanismo é uma acusação violenta demais contra esses homens de bem", é o que costumam reagir seus seguidores.

Isso mostra um grande problema do "espiritismo". A má mediunidade, o moralismo ultraconservador - com Chico Xavier fazendo apologia ao sofrimento humano, prometendo recompensas só depois de morrer - e a deturpação da doutrina de Allan Kardec são "compensados" pela ilusão de que o "espiritismo" tem valor porque é a "doutrina dos bonzinhos".

É o que vemos nos eventos realizados nos "centros espíritas". Toda a pieguice no uso de imagens de crianças em suas propagandas, na "alegria mais pura" dos grupos jovens e das enjoadas musiquinhas "espíritas" (para não dizer o uso de sucessos qualquer nota do rádio que tenham letra "positiva", como a intragável "Um Dia de Domingo" de Sullivan e Massadas) são exemplos disso.

De repente, a má mediunidade e o pior moralismo são "compensados" pela "ação de caridade" e pelos "bons exemplos de fraternidade" que os "espíritas" fazem. Como se a "bondade" pudesse justificar a mentira, a fraude e os valores retrógrados defendidos.

É por isso que vemos o caso do "funk", quando intelectuais acham que as grosserias do ritmo expressam uma "nova moralidade", que todos os funkeiros são "grandes artistas", "pessoas iluminadas", "cidadãos exemplares", "ativistas corajosos" comprometidos com a "sabedoria intuitiva".

Se uma boa e bastante influente parcela da sociedade é capaz de pensar e argumentar, com surpreendente perseverança, em favor dos funkeiros, faz sentido acreditar que basta ser bonzinho para ver perdoadas as fraudes e mentiras que se lançam em nome da Doutrina Espírita no Brasil.

Carrega-se na filantropia para esconder, por baixo do tapete, as fraudes, pastiches e fingimentos ocorridos. Recentemente, chegaram a promover Divaldo Franco como "filantropo", vendo que as críticas ao "movimento espírita" que apontaram fraudes na obra de Chico Xavier iriam fazer das suas contra o anti-médium baiano.

Assim, Divaldo foi classificado por um programa decadente da TV Globo como "o maior filantropo do mundo", por causa de um casarão cujos trabalhos, em 63 anos de existência, não conseguiram beneficiar mais do que 0,08% da população de Salvador. Festeja-se demais por tão pouco.

Tudo é defendido porque o "espiritismo" é "bonzinho". Os neo-pentecostais, com seus erros indiscutíveis, acabam virando joguetes desse maniqueísmo. É certo que Marco Feliciano, Silas Malafaia, Edir Macedo e Valdomiro Santiago fazem das suas, mas eles acabam apenas sendo usados tendenciosamente para promover a "boa imagem dos espíritas".

Daí que os "espíritas" querem dar uma de "bonzinhos". Deturpam a doutrina de Allan Kardec, fazem práticas irregulares de suposta mediunidade, pregam um moralismo conservador que não suaviza as dores das pessoas (até piora, em muitos casos) e querem ser conhecidos como a "doutrina do amor e da caridade".

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Atriz de 'As Patricinhas de Beverly Hills' passa Chico Xavier para trás

BRITTANY MURPHY NOS PRIMÓRDIOS E NO FINAL DA CARREIRA.

Recentemente, foram celebrados os 20 anos da comédia juvenil As Patricinhas de Beverly Hills, que a cineasta Amy Heckerling dirigiu e adaptou, para os anos 90, o enredo da obra literária Emma (1815), de Jane Austen (1775-1817).

Uma das "patricinhas", a personagem nerd Tai Frasier, foi interpretada pela saudosa Brittany Murphy (1977-2009), brilhante atriz, produtora e cantora que só faleceu aos 32 anos por alguma causa misteriosa, mas sempre relacionada ao infeliz casamento com o produtor inglês Simon Monjack (1970-2010), que provavelmente teria sido mulherengo, caloteiro e viciado em drogas.

Pois é muito curioso que Brittany Murphy é mais admirável que Chico Xavier, apesar das relações entre mito e realidade colocassem a alegre, simpática, sensível e talentosa Britt numa situação bastante desfavorável.

Brittany teve um pai, Ângelo Joseph Bertolotti, o A. J., que abandonou a mulher - Sharon Murphy, mãe da atriz - , chegou a ser preso por envolvimento com um grupo mafioso e tinha fama de durão. Brittany ainda era bebê quando seus pais se separaram.

Graças à exploração midiática, Brittany ganhou fama de neurótica, medíocre, temperamental, relapsa, e até de drogada. A coitada consumia remédios além da dose necessária - os médicos, submissos ao poderoso lobby da indústria farmacêutica, às vezes receitavam aos pacientes um consumo de remédios além do recomendado - e a imprensa marrom, na cara-de-pau, a chamava de junkie.

Apesar da fama nada generosa, que criou um mal-entendido com os produtores de Happy Feet 2, que vetaram a participação de Brittany no elenco de dublagem, trocando-a pela insossa Pink, Brittany, na verdade, tinha um caráter muito grandioso e quem conviveu com ela sempre guardou boas recordações da atriz, colega e amiga.

Atores como Ashton Kutcher, Dakota Fanning, Donald Faison, Alicia Silverstone e Elijah Wood, além de cineastas como Amy Heckerling e Frank Miller, se sentiram encantados com o convívio profissional da atriz e com a capacidade dela de compreender a natureza de seus personagens.

Ela também era considerada uma cantora de talento inigualável, que era capaz de trabalhar com seu próprio talento vocal num meio em que cantores usam tecnologias como o vocoder e o pro-tools para "melhorar" suas vozes. Foi bastante elogiada pelo DJ inglês Paul Oakenfold, que chegou a trabalhar com ela.

E aí, a "neurótica, medíocre, temperamental, relapsa, drogada e tudo de ruim" Brittany Murphy derruba de vez o mito do supostamente bondoso, iluminado, sábio, lúcido, humilde, sincero, despretensioso e progressista Chico Xavier, com uma frase que o anti-médium mineiro não teria coragem de dizer.

Sem fazer apologia ao sofrimento, Brittany Murphy declarava que os dias difíceis poderiam se tornar maravilhosos se a pessoa puder superar tais dificuldades. Não era uma adoração do ato de sofrer, como se observam nas diabéticas frases de Chico Xavier, mas um recado de esperança que uma atriz "problemática" disse em uma frase o que 400 e tantos livros não conseguiram dizer.

Eis a frase em questão:

"Everybody has difficult years, but a lot of times the difficult years end up being the greatest years of your whole entire life, if you survive them". ("Todos têm seus anos difíceis, mas muitas vezes os anos difíceis acabam se tornando os melhores anos de toda sua vida, se você sobreviver a eles").

É de ficar pasmo como uma frase derruba quatro centenas e alguma dezena de livros. E ver que a atriz que fez a Tai em As Patricinhas de Beverly Hills, a Molly Gunn de Grande Menina, Pequena Mulher, a Daisy de Garota, Interrompida, a Sarah de Recém-Casados e a Shelly de Sin City derrubou Emmanuel, André Luiz e os falsos espíritos de Humberto de Campos e Meimei, entre outros.

E isso mostra o quanto não podemos confiar no que dizem. A "problemática" Brittany Murphy era uma pessoa muito mais iluminada e adorável do que o "todo-iluminado" Chico Xavier que fez pastiches literários, apoiava fraudes de materialização e às vezes era maledicente, mesmo.  

O "todo-sábio" anti-médium mineiro foi passado para trás e Brittany, definitivamente, ganhou o nosso coração.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Falsas psicografias de roqueiros: Chorão


Nem mesmo Chorão, o falecido líder do grupo paulista Charlie Brown Jr., morto por overdose em 2013, escapou da máquina de fabricar falsas mensagens espirituais. O suposto médium Jardel Gonçalves, de tendência "independente", já que aparentemente não está vinculado ao "movimento espírita", havia divulgado uma suposta mensagem do cantor e skatista nas horas vagas.

O grupo Charlie Brown Jr. foi um dos mais populares da virada do século e sua tragédia se estendeu quando, após o fim do grupo decretado com a morte de seu fundador, os remanescentes estavam formando uma outra banda.

Provavelmente deprimido por conta de suas relações de amizade e eventuais desavenças, algumas bastante pesadas, com Chorão (codinome de Alexandre Magno Abrão, primo da apresentadora Sônia Abrão), o baixista Luiz Carlos Leão Duarte Jr., o Champignon, se suicidou poucos meses após a morte do parceiro de banda.

Certamente, Chorão tem uma mensagem tipicamente de skatista, que no mundo espiritual permanece sempre a mesma. A personalidade não se altera no mundo espiritual, embora os "médiuns", ainda que digam admitir isso, alterem as personalidades dos mortos reduzindo-os a garotos-propagandas da religiosidade "espírita", com um forte ranço católico e por meio de mensagens apócrifas.

Estas, na verdade, são boladas por cada suposto médium da ocasião. E reflete apenas o estilo dele, que não necessariamente corresponde à natureza pessoal do falecido, como observamos nas ocasiões em que apresentamos mensagens atribuídas aos outros roqueiros.

Jardel Gonçalves divulgou, algum tempo atrás, mensagem atribuída a Chorão, com o mesmo tom formalista que escreveu em outras mensagens, atribuídas aos espíritos de Leila Lopes (atriz relembrada na reprise da novela da Rede Globo O Rei do Gado) e Rafael Mascarenhas, filho da atriz e apresentadora Cissa Guimarães quando era casada com o músico Raul Mascarenhas.

A estranheza das mensagens - vamos publicar, junto com a de Chorão, as de Leila e Rafael - se observa quando o filho de Cissa, considerada uma mãe liberal e moderna (teria sido "descolada" na adolescência), na suposta mensagem atribuída a ele, chama sua mãe pelo vocativo de "senhora", quando sabemos que rapazes desse perfil já chamam pais e mães pelo vocativo de "você".

A publicação das três mensagens serve para comparar o quanto elas são parecidas entre si, quando divulgadas por um mesmo suposto médium, e o quanto elas são abertamente diferentes em relação a cada falecido.  Primeiro publicaremos a mensagem de Chorão e depois as respectivas mensagens da atriz e do jovem que também foi músico e skatista.

MENSAGEM ATRIBUÍDA A CHORÃO:

"Este é um grande momento de nossas recordações, abra as asas como os pássaros que não param e não se fadigam. Posso vê-la mais nitidamente agora do que antes. Celebramos aqui um nascimento novo, a canção é tudo em minha vida. Caminhando dentro da luz continuarei cuidando de nossa família, sei que não haverá separação entre os que se amam. Hoje estou no melhor campo de atividades curativas que poderíamos receber. Transmito ao seu redor uma radiação cósmica, tudo o que fez por mim está guardado entre canções e preces. Orientarei em sonhos para que possa vencer as barreiras. Aos meus irmãos e àqueles que cuidam dos meus entes queridos, meu abraço caloroso em nossa vida de luta e alegria!"

MENSAGEM ATRIBUÍDA A LEILA LOPES:

"Querida família que a benção de Deus os envolva. Este é um grande momento para as recordações. Despedir de vocês não foi fácil, três dias antes tive um sonho, vagos presentimentos, já era tempo de partir. A minha passagem veio num sono silencioso, depois fui para o hospital espiritual, tornei-me auxiliar na colônia divina servindo ao próximo. Hoje estou no campo de atividades curativas que podemos receber. Ao meu irmão Kleber e companheiro, através dos mentores, venho em sonho para te dar luz, amenizar a dor e pedir que cuide bem da saúde, não se desgaste tanto não sofra, Deus vela e te guarda nas tardes e noites de cada amanhecer. Sempre estivemos juntos nas horas boas e difíceis com coragem. Ore e viva com Jesus na intimidade do seu coração e nas suas atitudes. Deixei uma lembrança através daquela canção e assim entendeste que era preciso abrandar a dor e deixar a vida seguir. Seja forte em sua caminhada. No coração que lhe pertence, com um afetuoso abraço em seus passos, a alegria de viver sempre será o companheiro reconhecido. Ao meu amor (marido Gian Batista) tudo o que fizeste por mim está guardado entre canções, risos e preces. Seja sorridente, o sorriso é a luz que ilumina minha alma e caminhando dentro da luz cuidará da nossa família. O segredo da minha vida só você sabe tenha te deixado cedo, lembro os dias que se foram. Caminho, aceito e compreendo a minha própria renovação com alegria. Encontro  a família unida e agradeço pelos pensamentos em prece. Isso deu ao meu espírito um entendimento maior. Sinto a paz interior que os envolve quando se recorda do nosso convívio. Sou feliz por ter realizado diversos sonhos durante minha passagem na Terra; de ter ajudado muitas pessoas. Aqui na vida espiritual, os assuntos da confiança no poder divino são mais vivos e mediatos ao coração. Agradeço por todas as preces que seu carinho me envia, são como flores que você me endereçou. Não há separação entre os que se amam. Fiquem com a paz do senhor!"

MENSAGEM ATRIBUÍDA A RAFAEL MASCARENHAS:

"Mãe, Deus vela e te guarda! Querida mamãe, meus queridos irmãos, devo lembrar a paternidade divina e pedir a Deus que os abençoe. O tempo se desdobra e o amor sempre evidencia a necessidade de pararmos por alguns momentos para os assuntos do coração. Este é um grande momento de nossas recordações. Reconheço o carinho da mamãe que se dedica ao trabalho lembrando a presença do filho que cresceu em seus braços. Estou na colônia divina cheio de luz. Fiquei hospitalizado a princípio para o tratamento de minhas faculdades espirituais. Ouvia as notas de oração de pessoas amigas até que o sono me favoreceu. Passei pelo hospital espiritual, quando me vi entre enfermeiros. Um anjo guardião me afagava. Celebramos aqui um nascimento novo, desde de os primeiros dias do mês que vamos terminando no calendário terrestre.

Mamãe, há mais uma nova etapa a ser cumprida, a caminhada está se iniciando e diante do universo a ser atendido de novas propostas, de trabalhos em suas mãos. Segue sempre cumprindo sua missão. A senhora e o papai sabem que eu amava o dever cumprido. Estou muito bem, cuide de sua saúde, sei que me ensinaram a caminhar nos caminhos de minha vida, nos processos de minha juventude, de cada instante vivido. Peço a Deus para que nossas lágrimas agora se façam preces de alegria pelo reconforto e emoção do nosso reencontro.

 As luzes emanam sobre nós, irradiam fé e o amor quando a dor assola o coração. A canção é tudo em minha vida, sou alegre e passo nas linhas serenas entre canções e preces. A oração foi o caminho de luz que me reuniu a todos por pensamentos. Esta é a certeza de que o carinho e a dedicação me envolveram tanto quanto me envolvem ainda hoje no grande entendimento.

 Orientado pelos mentores, vim aos sonhos numa sublime passagem ao seu lado mamãe, que é só ternura em nossa benção. A luz espiritual está repleta não só em mim, mas ao seu redor pelas estrelas que constelam o céu. Mamãe não se encontra só, muito trabalho te espera pela frente e estarás tranquila para auxiliar o próximo. Lembranças com um sorriso, com meu abraço caloroso em nossa vida cheia de lutas e alegrias. Mãe, Deus vela e te guarda. Descansa nas orações de tua proteção em teu manto de luz!"

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Falsas psicografias de roqueiros: Cássia Eller


A indústria de pretensas psicografias tenta eventualmente se respaldar em figuras bem famosas, de grande prestígio e popularidade, para produzir mensagens apócrifas criadas das mentes dos próprios supostos médiuns, imitando, muitas vezes mal, os perfis dos falecidos.

No caso do Rock Brasil, vemos casos aberrantes envolvendo Renato Russo, Raul Seixas e Cazuza, reduzidos a uns patetas assustados que infantilmente pedem para que nos "unamos na fé cristã", com relatos que não se sabe se são risíveis ou deprimentes, mas sabe-se com certeza que nada têm a ver com o que os falecidos eram quando estavam na Terra.

Recentemente, foi divulgada uma mensagem atribuída ao espírito de Cássia Eller. Foi no último dia 11 de maio, no Grupo de Dependência Química do Lar de Frei Luiz, na Taquara, no Rio de Janeiro, pelo "médium" José Helenio. É desse mesmo lugar e do mesmo setor que trabalhava Gilberto Arruda, assassinado na manhã de 19 de junho.

A mensagem não condiz com o perfil de Cássia, pelo conteúdo bastante carregado, um texto pesado e por isso de difícil leitura, e uma narrativa que inclui detalhes alucinógenos sobre o suposto "mundo espiritual" e pedantes conceitos supostamente vinculados à Doutrina Espírita.

Estranhamente, a suposta Cássia, descontando a narrativa surreal do "inferno" (com dragões, trovões etc) que diz existir, escreve como se fosse uma senhora idosa, dessas donas-de-casa que, só por se tornarem "espíritas", se acham intelectualizadas e entendidas de ciência, divagando demais sobre a "vida espiritual" e os "sofrimentos humanos". Vamos para o texto:

MENSAGEM "PSICOGRAFADA" ATRIBUÍDA A CÁSSIA ELLER

Divulgada por José Helenio, no Lar de Frei Luiz, Rio de Janeiro, em 11.05.2015.

"Se eu disser para vocês que o inferno existe, acreditem, pois eu estava mergulhada nele, de corpo e alma, num espaço sombrio e frio, bem interno do ser, dos pés à cabeça, sem tempo, sem luz, nem descanso e afogava-me, a cada segundo, num oceano de matéria viscosa que roubava até minha ilusória alegria… 

Naquele lugar não havia luz, somente nuvens cinza e chuvas com raios e trovões, gritos estridentes e desesperados, gemidos surdos, pedidos de socorro, lágrimas, desalento, tristeza e revolta… Preciso descrever mais as cenas dantescas de animais que nos mastigavam e, em seguida, nos devoravam sem consumir nossos corpos; se é que posso dizer que aquilo, que sobrou de mim, era um corpo humano. queria fugir para bem longe dali, mas tudo em vão, quanto mais me debatia no fluido grudento, mais me afundava e, quando alcançava, de novo, a superfície apavorante, mãos e garras afiadas faziam-me submergir naquele líquido pastoso e mal cheiroso. 

Dragões lançavam chamas de suas bocas sujas e nos queimavam, machucando e estilhaçando a pouca consciência que me restava da lembrança de minha estada no corpo físico, neste planeta azul. Guardiões das trevas olhavam atentos seus presos e vigiavam todos os movimentos realizados naquele imenso espaço de sofrimentos, dores, lamentos, depressões, angústias e arrependimentos tardios… 

O ar era ácido e provocava convulsões diversas. Perguntava-me porque ali estava se nada fizera por merecer tão infeliz destino, depois de ser expulsa do corpo de carne através do uso maciço de drogas. A dúvida assaltava-me os raros momentos de raciocínio menos desequilibrado e as crises de abstinência trancavam todas as portas que dariam acesso à saída daquele campo de penitência de espíritos rebeldes e viciados com eu. 

Os filmes de horror que assisti, quando encarnada, estariam ainda muito distantes dos padecimentos, pânicos, pavores e temores que ficariam para sempre registrados na minha memória mental, os piores dias que vivi até hoje, como joguete e marionete de forças que me escravizavam o ser, debilitado, fraco, desprovido de energias, suja, carente e chorosa. Não me lembrava do que acontecera comigo… 

Quando o medo é maior que as necessidades básicas, a mente fica encarcerada num labirinto hipnótico e “torporizante” de emoções truncadas e desconectadas da realidade… Assemelha-se a um pesadelo sem fim, sempre com final trágico e apavorante. Quando conseguia conciliar um pequeno tempo de sono; era imediatamente desperta por seres que me insultavam e xingavam, acusavam-me de suicida maldita e jogavam-me lama misturada com pedras… Insetos e anfíbios ajudavam a traçar o perfil horrendo dos anos que passei no umbral. 

Preciso escrever estas palavras para nunca mais me esquecer: “Com o fenômeno da morte, nós não vamos para o umbral, nós já estamos no umbral quando tentamos forjar as leis maiores da criação com nossas más intenções e tendências viciantes”. Tudo fica registrado num diário mental que traça nosso destino futuro, no bem ou no mal. 

O umbral não fora criado por Deus; ele é de autoria dos espíritos que necessitam de um autêntico e genuíno estágio educativo em zonas inferiores, onde poderão se depurar de suas construções aleijadas no campo dos sentimentos e dos pensamentos disformes, mal estruturados e mal conduzidos por nossa irresponsabilidade, de mãos dadas com a imensa ignorância que nos faz seres infelizes e distantes da tão sonhada paz de consciência. 

Após alguns anos umbralinos, despertei numa tarde serena, num campo verdejante e calmo. Não acreditava no que via, pois tudo, agora, parecia um sonho… Percebi, ao longe, o canto de uma ave que insistia em acordar-me daquele pesadelo no qual já me acostumava a viver; a morrer todos os dias… 

Seu canto era uma música que apaziguava meu coração e aguçava meus pensamentos na lembrança de como fui parar ali naquele campo gramado e repleto de árvores. Consegui sentar-me na relva e ao olhar todo aquele espaço natural, deparei-me com milhares de outros seres como eu, nas mesmas condições de debilidade moral, usufruindo, agora, de um bem que não merecia, mas vivia ! 

Todos nós dormíamos e fomos despertos com música e preces em favor de todos os presentes… A maioria era de jovens e adultos, poucos idosos e centenas de enfermeiros que olhavam atentos para nossos movimentos no gramado. Com seus olhos serenos, projetavam em nós a mansidão e a paz tão esperadas por nossos corações enfermos, débeis e carentes de atenção, de afeto e carinho. 

Alguém me tocava, de leve, os ombros e chamava-me pelo nome, como se me conhecesse há muito tempo. Eu identifiquei aquela voz e “temia” olhar para trás e confirmar minha impressão auditiva, era Cazuza todo de branco, como lindo enfermeiro, de cabelos cortados bem curtos e estendia suas mãos para que eu levantasse, caminhasse e conversasse um pouco em sua companhia. Não consegui me levantar, porque uma enxurrada de lágrimas vertia dos meus olhos, como nascente de rio descendo a montanha das dores que trazia no peito. 

Meu ídolo ali estava resgatando e cuidando de sua fã, debilitada e muito carente. Ele cantou pequena canção e tive a capacidade de avaliar o que Deus havia reservado para aqueles que feriam suas leis e buscavam consolo entre erros escabrosos e desconcertantes. 

A misericórdia divina sempre conspira a nosso favor, nós desdenhamos do amor divino com nossas desatenções e desequilíbrios das emoções comprometedoras, que arranham e esmagam as mais puras sementes depositadas no ser imortal. aprendi palavras boas ! 

Somente agora enxergo que sou espírito e que a vida continua e precisa seguir o curso natural das existências, como na roda-gigante: hora estamos aqui no alto; hora estamos aí embaixo encarnados. Daqui de cima, parece ser mais fácil compreender porque temos de respeitar as leis e descer num corpo físico para, igualmente, quando aí estivermos, conquistarmos, pelo trabalho no bem, a lucidez que explica porque há a reencarnação, filha da justiça divina. 

Após um tempo no campo reconfortante, fui reconduzida para um hospital onde me recupero até hoje dos traumas e cicatrizes que criei no corpo do perispírito. As lesões que provoquei foram muito graves, passei por várias cirurgias espirituais e soube que minha próxima encarnação será dolorosa e expiarei asma, deficiência mental e tuberculose. Mesmo assim, estou reunindo forças para estudar, pois sempre guardamos, no inconsciente, todos os aprendizados conquistados. 

Reencarnarei numa comunidade carente no interior do Brasil e passarei por muitos reveses, para despertar em mim o valor da vida do espírito na pobreza e na doença crônica. Peço orações e a caridade dos corações que já sabem o que fazem e para onde desejam chegar. Invistam suas forças e energias espirituais em trabalhos de auxílio ao próximo e serão, naturalmente, felizes. Obrigada por me aceitarem como necessitada que sou !"

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Falsas psicografias de roqueiros: Raul Seixas


Vivo, Raul Seixas era discriminado pelo mercado e pela sociedade moralista. Morto, é glorificado pelos mesmos que o discriminaram. Tantos oportunistas se cercaram diante da imagem do roqueiro morto e fingiram que sempre gostaram dele, usando-o em causa própria.

Em relação ao legado que Raul Seixas deixou, vemos "sertanejos" e axézeiros, além de "pop-roqueiros" de quinta categoria, voltando-se para o cadáver do cantor baiano como urubus voando em cima de carniças. Todo mundo tirando uma casquinha, usurpando, em causa própria, o prestígio e a credibilidade de Raulzito.

No "espiritismo" não seria diferente. Um suposto médium, Nelson Moraes, foi construir uma "psicografia" de Raul Seixas usando o pseudônimo de Zílio, no caso de haver algum problema na Justiça, através de uma imagem estereotipada do roqueiro.

Assim, Nelson Moraes, juntando sua formação religiosista, um "espiritismo" que sabemos é mais católico do que espírita, baseou-se no que a mídia não-especializada, como o Fantástico da Rede Globo e as revistas Amiga e Contigo, divulgavam sobre Raul Seixas para criar um "espírito" que, com toda a certeza, nada condiz com o que foi o roqueiro baiano.

Isso porque o tal do Zílio é demasiado místico, piegas e com uma religiosidade tão alta que chega a parecer bobo nos seus depoimentos. E é bom deixar claro que esse misticismo Raul Seixas deixou já no final da década de 1970.

O abobalhado Zílio, que os incautos acreditam "poder ser Raul Seixas", nada tem a ver com o Raul Seixas do final da vida, afiado e sarcástico que compunha coisas como "Muita Estrela, Pouca Constelação" e que dava entrevistas mostrando seu ceticismo em relação aos rumos do país.

O "Raul Seixas" de Nelson Moraes ainda parecia preso a "Gita" e "Metamorfose Ambulante", enquanto o Raul Seixas real se divertiu nos últimos meses de vida ao lado de Marcelo Nova, fazendo um rock'n'roll com o natural cinismo de dois músicos que não queriam se submeter à caretice e muito menos à pieguice.

Dois livros foram lançados, Um Roqueiro no Além e Há Dez Mil Anos, este último um trocadilho de muito mau gosto com o livro Há Dois Mil Anos, de Emmanuel e Chico Xavier, um título oportunista e sem muita imaginação.

Há um trecho do livro Um Roqueiro no Além que chega mesmo a expressar incoerência, pois uma passagem do livro mostrava a tampa do caixão sendo levantada, quando, na realidade, o caixão estava lacrado.

"Quando o carro parou escutei gritarem o meu nome seguido de muito pranto. Pelo movimento, percebi que alí deveria ser o local do velório. Tiraram o caixão do carro e, quando eu menos esperava, abriram a tampa.

Senti um grande alívio! Tentei levantar-me, mas não consegui. Muita gente debruçou sobre mim para chorar.

O que eu poderia fazer? Já havia tentado de tudo para sair dalí. A única explicação que eu encontrava para aquele fato é que eu estava realmente morto e o meu espírito preso ao corpo que já começava a cheirar mal".

O livro Um Roqueiro no Além mostra ainda um texto introdutório que nada corresponde à personalidade original de Raulzito, já que Zílio se comporta como um infantilizado, alguém que é medroso e submisso, e que só está preocupado com o misticismo religioso que, repetimos, Raulzito já havia largado por volta de 1978 até o fim da vida.

Vamos ler então essa mensagem, que força a barra com trocadilhos fáceis com as temáticas de Raulzito, o que indica tendenciosismo e falta de autenticidade, porque o contexto revela que Raul nunca faria trocadilhos gratuitos com os temas abordados por suas músicas.

"Frente a realidade que me surpreendeu, a metamorfose agora é outra!

A Sociedade Alternativa não acontece no embalo dos sonhos mal sonhados, nasce na individualidade daqueles que vivem na real. 

Vivi como um cometa que passa e causa espanto, não consegui ajustar-me na órbita que poderia sustentar-me na trajetória rumo a felicidade que sonhei para mim e para os outros. Porém, ainda não apaguei, vou continuar entre a luz e a sombra, procurando minha própria luz em constante metamorfose. 

Voltei sem alarde, faço da mente do médium o meu telegrafo para revelar ao mundo das ilusões, a verdadeira Sociedade Alternativa que nos aguarda no universo infinito e que deve ser construída no universo íntimo de cada um, aí e agora. 

Depois de atravessar os vales escuros da dor e do sofrimento, minha visão ampliou-se e pude compreender que aqueles que buscam afogar suas ansiedades e frustrações nas drogas químicas e alcoólicas, é como um epilético criado artificialmente, o qual sofre e faz sofrer. Por isso, vejo-me na obrigação consciencial de informar aos companheiros que estão a caminho que o sofrimento não pára aí, ele se estende pelos vales espirituais onde a epilepsia se torna real processando a duras penas os elementos venenosos inseridos no corpo perispiritual. 

Muitas vezes, embalados pelo sonho e pelo lirismo dos poetas e pelo modismo estimulado pela sociedade de consumo, deixamos de enxergar a realidade à nossa volta e buscamos distrair a nossa consciência das responsabilidades inerentes a verdadeira finalidade da vida. Conseqüentemente, alteramos o valor das coisas e os conceitos sobre juventude, lar, família e objetivos, deixando cair vertiginosamente o nosso amor próprio e o amor por aqueles que nos são caros. Nesse conceito equivocado, tudo se torna lícito, até mesmo o que não convém. Os que viveram esse tipo de liberdade na Terra, hoje superlotam os vales das sombras à semelhança de larvas, arrastando-se entre o limo e as escarpas dos abismos espirituais, situação em que, alguns casos, pode se prolongar por longos séculos. 

Antes de questionar a vida, questione a si mesmo, analise seus conceitos, seus sentimentos, sua gratidão por aqueles que o ajudaram a renascer na Terra e, com certeza, você encontrará uma grande razão para viver e lutar contra o único inimigo que pode derrotá-lo: Você mesmo".

Mas, no outro livro Há Dez Mil Anos, Zílio ainda carrega mais a sua religiosidade, com uma mensagem bastante tendenciosa que os críticos do "espiritismo" definem como "panfletarismo religioso". Porque a religiosidade passa a ser um apelo marqueteiro, monolítico, estando até acima de outras intenções.

"Hoje me sinto muito feliz quando encontro alguém lendo os meus depoimentos, mais do que quando executam as minhas músicas. Aos poucos estou alcançando o sucesso, não mais o sucesso do mito, mas sim, do ser humano que sou. Espero que aqueles que hoje são fã do mito, ao ler meus depoimentos, venham se tornar fãs de verdade e daquele que realmente merece nossa gratidão e reconhecimento: Jesus. Um dia, Ele será seguido como o grande ídolo da humanidade."

Observando bem as coisas, dá para concluir, com total certeza e segurança, que Zílio nunca foi Raul Seixas. Esses dois livros não são a praia de Raul e nunca foram roteiro de "suas viagens". O que se observa aí são caricaturas místicas e devotamente religiosas, que não condizem com a realidade e com a verdadeira personalidade do roqueiro baiano.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Falsas psicografias de roqueiros: Cazuza


Hoje faz 25 anos que Cazuza faleceu. O ex-vocalista do Barão Vermelho, ícone do Rock Brasil e da MPB verdadeira em geral (não aquela "verdadeira MPB" que lota plateias com facilidade, aparece no Domingão do Faustão e toca nas horrendas FMs "populares" da vida), deixou uma trajetória marcada pela personalidade boêmia e pela poesia simples e fortemente expressiva.

E, é claro, como o "espiritismo" é marcado por supostos médiuns que nada têm de intermediários, porque se tornam os centros das atenções e os mais famosos deles, como Chico Xavier e Divaldo Franco, tentaram compensar a mediunidade irregular tentando se passar por pretensos pensadores, eventualmente tentando tirar uma casquinha com os finados do além.

E aí, volta e meia os "médiuns" que se acham "donos dos mortos" vêm com mensagens atribuídas a este ou aquele famoso que, por suas irregularidades em relação à natureza pessoal de cada falecido, eles tentam dar uma de bonzinhos enchendo de conteúdo religioso.

E Cazuza tornou-se vítima do Robson Pinheiro, o "médium best-seller" da vez, depois dos Gasparetto e de Chico Xavier, que trabalhou a imagem do roqueiro como se ele tivesse sido um dos daqueles abobalhados cantores canastrões do brega jovem que apareciam no Qual é a Música do SBT.

O livro Faz Parte do Meu Show foi lançado em 2004 e, atribuído a autoria espiritual não a Cazuza, mas ao "parceiro" de Robson, Ângelo Inácio, tenta rechear o conteúdo religioso dessas pretensas psicografias com muita gente famosa, incluindo Carlos Drummond de Andrade, Chacrinha, Clara Nunes e Elis Regina, entre outros.

A sinopse da tendenciosa obra é a seguinte: o suposto Cazuza, depois de desencarnar, vai para o mundo espiritual, numa cidade descrita nos mesmos moldes de Nosso Lar de Chico Xavier. Fica triste, aprende as "lições" de sua vida exagerada, e resolve mudar de perspectiva, conhecendo os "desígnios de Deus" e as "boas-novas do Cristo".

Ele recebe assistência espiritual, e se recupera e, então, é levado para uma gravação do Cassino do Chacrinha do além, que mostrava vários cantores brasileiros já falecidos. Elis Regina, Clara Nunes, etc etc. E aí Chacrinha convida Cazuza a dar continuidade à sua atividade musical, agora produzindo letras e melodias de mensagens "fraternais". Tudo "lindo".

E aí Cazuza, não o roqueiro que viveu entre nós, mas o personagem que Robson Pinheiro e seu amiguinho (imaginário) Àngelo Inácio, sobrevoa a Terra e visita, como espírito, lugares agradáveis e desagradáveis relacionados à sua vida, incluindo o Arpoador, praia frequentada pelo cantor e onde era inicialmente realizado o Circo Voador, onde Cazuza chegou a participar num evento teatral.

Com toda essa trajetória, e mais algumas explicações pedantes sobre sexo na vida espiritual - que fariam Allan Kardec tapar a cara com uma das mãos, de tão envergonhado - , o livro encerra sempre com aquelas "maravilhosas" lições "espiritualistas", cheias de palavras "lindas". Há até uma mensagem atribuída a Ângelo Inácio tentando "explicar" o livro:

"O autor das palavras preferiu não se identificar diretamente; todavia em seus apontamentos, fica a sua marca. Quanto a mim, fui convidado tão-somente a auxliar o intérprete destas experiências com meu jeito escritor e repórter dos dois lados da vida. Sei que este trabalho causará polêmicas, discussões e rebeldia. Afinal, de uma forma ou de outra, todos somos rebeldes, exagerados... aprendizes. Talvez, mesmo, apenas simples aprendizes do grande artista cósmico: Deus. E, como principiantes, ao compor a música de nossas experiências, erramos, gritamos, ou choramos. Exageramos nas atitudes e nos punimos ao realizar o próprio julgamento, no tribunal de nossas consciências. Até o momento em que descobrimos que, com nossa arte, por mais singela, é possível participar da orquestra divina, do show da vida".

Anos antes desse livro, Robson Pinheiro já havia forjado uma mensagem "inédita" atribuída ao espírito de Cazuza, para o livro Canção da Esperança, lançado em 1995. O livro narra a suposta vida espiritual do presumido autor, Franklim (com "m" no final, mesmo), depois que desencarnou vítima da AIDS.

Na nona edição do livro, mais recente, de 2010, o livro é acrescido de textos novos escritos por Robson Pinheiro usando o nome dele ou usando o nome de Cazuza e botando na conta do seu espírito. Além disso, há um prefácio atribuído a Adolfo Bezerra de Menezes, o ex-presidente da FEB, trazida por Chico Xavier.

Um outro suposto médium, através de suposta mensagem de Cássia Eller, descreveu que "ela" teria visto o roqueiro Cazuza transformado em enfermeiro de uma colônia espiritual. E, com certeza, garoto-propaganda do religiosismo exagerado do "espiritismo" brasileiro.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Falsas psicografias de roqueiros: Renato Russo


Sabemos que, no Brasil, o "espiritismo" está totalmente distante de Allan Kardec, podemos garantir que a anos-luz do professor francês. Pode ser exagero, mas não é, pois o "espiritismo" brasileiro preferiu montar sua ideologia sem qualquer identificação, a não ser em palavras "desencarnadas", com a trajetória do ilustre pedagogo de Lyon.

O "espiritismo" montou sua doutrina a partir de adaptações do Catolicismo medieval, dos quais aspectos coercitivos e pompas ritualísticas foram eliminados, mas outros ritos e dogmas foram claramente adaptados.

Já a prática mediúnica, o que se vê é uma herança das bruxarias, ocultismos e invencionices trazidas por movimentos heréticos clandestinos, que geraram uma prática improvisada ou falsa de mediunidade, sobretudo com mensagens apócrifas que não passam de reles propagandismo religioso dos mais rasteiros e viscosos.

Diante da divulgação de mensagem atribuída a Cássia Eller, e da lembrança dos 70 anos de nascimento de Raul Seixas e dos 25 anos de falecimento de Cazuza, vamos começar uma série de canastrices paranormais que os supostos médiuns, que no Brasil são os "reis da cocada preta" e querem bancar os "donos dos mortos", fizeram com nossos roqueiros falecidos.

Vamos começar com Renato Russo, o saudoso líder da Legião Urbana, principal ícone do rock de Brasília, que teve seu nome usado pelo suposto médium do portal Luz Espírita, Wilton Oliver, que em 2011 divulgou mensagens supostamente atribuídas à autoria espiritual do músico.

Os quatro poemas abaixo soam como pastiches do lirismo de Renato Russo popularizados pelo disco As Quatro Estações, e Wilton se aproveita da aparente religiosidade de algumas canções do disco - "Monte Castelo", por exemplo, cita versos da Carta de São Paulo aos Coríntios, parte integrante da Bíblia - para forjar na pretensa psicografia uma religiosidade exagerada que Renato não assumiria.

Os poemas divulgados revelam este pastiche, e só o poema "Menos Ateu" causa muita estranheza, embora, é claro, essa estranheza sempre exista em supostas mensagens mediúnicas que na verdade vieram da imaginação do pretenso médium, e que eventualmente usam nomes de famosos para promover sensacionalismo em prol dos "centros espíritas".

E como são mensagens fraudulentas, elas precisam ser carregadas de palavras dóceis e de propaganda religiosa, por ser um artifício que amenize a farsa através da "boa palavra". Tudo pela desculpa de que, só por serem mensagens "inofensivas", elas seriam "verdadeiras", o que, na verdade, não tem o menor sentido de lógica.

A canastrice poética de Wilton Oliver e seu pastiche de Renato Russo aparecem, portanto, reproduzidas abaixo. Para piorar, a música "Do Além" chegou a ser musicada e gravada pela cantora Caroline Garcia, o que mostra o poder que o sensacionalismo místico tem para ludibriar as pessoas.

É como diria Renato Russo em "O Reggae": "Tiram todas as minhas armas / Como posso me defender?". Não seria hora de Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos tomarem uma providência contra essa malandragem toda?

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DO ALÉM

Eu vim de lá
Eu vim contar
A história mais feliz
A quem quiser sorrir
Falar do que tem dentro de mim 

Vim dar do que é meu
Da parte de Deus
E um sonho pra sonhar
Um canto pra cantar
Eu vim de lá

Vim pra dizer das coisas que aprendi
De um mundo mais feliz
Vim fazer o bem
Vim dar mais do mel
Bem menos do fel
Mais vidas pra lembrar
E um sonho pra sonhar além
Do além

HOJE MAIS QUE ONTEM

Bom olhar o sol nascer 
além das montanhas 
e afastar a sombra pra lá de mim. 
Bom ver o mar e o céu azul 
num rosto amigo ver Jesus. 
Bom saber que o amor está aqui.

Quantos segredos guardei 
e poucas vezes perdoei. 
Quantos erros esqueci de perdoar. 
Eu poderia lamentar, 
mas prefiro tentar outra vez.

Tudo se renova em espírito e verdade, 
mais justiça, 
enfim, mais amor em mim.

Vejo mais fraternidade, 
não estamos sós, 
na beleza do infinito eu estou aqui. 
Acredite em mim, 
simplesmente vivo.

Só a verdade me liberta. 
Eu tenho sede, 
eu tenho pressa, 
eu acredito na promessa, 
acredito nas palavras de amor e fé, 
meu coração guarda as tuas palavras. 
Não existe perigo, 
tu estás comigo 
e com meus irmãos.

MENOS ATEU

Eu só desejo a você o que for necessário
É o que desejo a você.
A primeira vez era só incompreensão
A gente não sabia, mas alguém falou da lei de amor
E nos mostrou então a salvação é caridade
E desde então escolhemos a verdade.
Olha, o sol já vem, já vem, já vem
Vem, vem somar o sorriso teu
Do primogênito ao derradeiro,
Somos todos filhos de Deus - Refrão
Eu só desejo a você o que for necessário
É o que desejo a você
Que a paciência que te falta hoje,
amanhã você possa ter
Que você possa plantar a felicidade
E você saiba doar tudo aquilo que se tem
Que você faça somente o bem
Olha, o sol já vem, outra vez já vem
Vamos brincar no quintal de Deus
Vamos ser mais honestos
Vamos ser menos ateus.
O que nasce do amor só pode ter bondade
Não acredito na imperfeição
Não acredito na maldade
Eu sei, temos nosso ninho
Mas, se vamos brincar no quintal de Deus
Vamos ser mais honestos
Vamos ser menos ateus.