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Para Chico Xavier, "quanto pior, melhor"

A ÁGUA DESSE BALDE TAMBÉM ERA FLUIDIFICADA?

Teologia do Sofrimento. Nome bonitinho para uma ideologia de Francisco Cândido Xavier que não difere muito do chamado holocausto, já que corresponde a uma defesa do pior sofrimento em troca das chamadas "recompensas futuras".

Parece Frederick Taylor misturado com Henry Ford. A ideia é se sobrecarregar de infortúnios, sofrimentos, angústias, encrencas, viver boa parte do tempo assim, para depois, na velhice ou mesmo na morte física, contrair os prometidos "benefícios", que Chico Xavier definia como "bênçãos".

Como no taylorismo e no fordismo, a ideia é trabalhar de forma opressiva, sobrecarregada e sem qualquer proteção legal, apenas uma proteção precária, para que depois, se a pessoa sair ilesa, ou quase, poderá obter lucros e outras gratificações. Mas só depois de "se lenhar".

Quanto pior, melhor. É isso que se resume a ideologia de Chico Xavier. Ele queria que as pessoas sofressem sem queixumes, mas "amando", e não se podia questionar bulhufas. apenas aceitando a dor e fazendo preces para manter as forças de aguentar qualquer barra pesada. Nem que a pessoa se transforme em personagem de Franz Kafka e seja condenada pelo crime que não cometeu.

Ah, isso é "espiritismo"! Pode ser que o desgraçado tenha esquecido de que cometeu um crime nos tempos do Império Romano. O Brasil de Chico Xavier é uma sucursal tardia do Império Romano, os brasileiros que se dão mal hoje é porque foram romanos no passado, e aí vemos como funciona o pensamento maniqueísta e linearizado do anti-médium mineiro.

Aí, arruma-se desculpa para pagamentos de dívidas. Se Kafka fosse chiquista, talvez tivesse colocado no livro O Processo que o personagem Josef K, um europeu, mas que poderia ser muito bem um brasileiro (Kafka parecia falar de nosso país em suas obras), teria vivido no Império Romano, provavelmente na área entre a Panônia, Ilíria, Dácia e Macedônia, e teria feito "das suas".

Na Teologia do Sofrimento, usa-se o passado para explicar a barra-pesada vivida no presente e usa-se o futuro como pretexto para aguentar esse sofrimento sem reclamar nem questionar. A vida é um castigo, o encarnado é um condenado, mas, "coitadinho", tem a chance de se redimir e pode obter suas recompensas futuras... daqui a cerca de cem anos.

Daí não ser estranho que o "espiritismo" brasileiro ser uma doutrina amaldiçoada. As famílias felizes que buscam a doutrina são ceifadas pela tragédia. Geralmente são as melhores pessoas que morrem, ou, na "melhor" das hipóteses, são obrigadas a aguentar os mais pesados sofrimentos.

Mesmo os devotos mais entusiasmados sofrem das suas. Até Juscelino Kubitschek, que quis ser amigo de Chico Xavier e declarou a Federação "Espírita" Brasileira como "instituição de utilidade pública", depois de tanta generosidade, viu o azar bater à sua porta em vários momentos, até ser vítima de um atentado nunca devidamente investigado, ele que foi um político moderado.

E muitas mães, que não se envergonham em exibir para os flashes do mundo suas caras de matronas chorosas nos "centros espíritas", estendendo as mãos com os olhos fechados cantando hinos igrejistas - sim, muitos cânticos católicos são feitos nesses "centros" - , perdem filhos em acidentes de moto, perdem maridos vítimas de assaltos, e ainda se acham "abençoadas".

Ser "espírita" é até pior do que cruzar com um gato preto na rua. Coitado do bichano! Ele poderia ser um animalzinho adorável, não tem culpa disso tudo. Como também passar debaixo da escada pode ser um meio de evitar, por exemplo, levar um banho de lama de um carro em disparada numa rua.

Pegue um livro de Emmanuel para ler e, aí sim, o azar bate à sua porta, ou talvez até a arrombe com tanta fúria querendo entrar em sua vida. Se você está estudando para um concurso público, pode ter certeza que perderá, por mais que você enfie sua cara nos livros indicados pelo programa.

Mas, não se preocupe, o aspirante a servidor público pode ter um emprego mal-remunerado numa empresa em crise, com um patrão mais estúpido que o possível empregado, sem horário fixo, ganhando mal e trabalhando mais. É a Teologia do Sofrimento, o amiguinho de Chico Xavier, Divaldo Franco, disse até que não há mal que um "Pai Nosso" não resolva.

"Não há mal que um 'Pai Nosso' não resolva" é um eufemismo para dizer "Está sentindo mal? Tome uma água com açúcar e tudo fica bem". Você sofre e basta apenas ficar orando, para ter algum "alívio". O problema não resolve, a "tempestade custa para passar". Mas, "não" tem problema, as graças futuras virão quando você morrer. Sua encarnação é só um castigo, mesmo.

Para quem não sabe, a Teologia do Sofrimento é uma herança do "espiritismo" brasileiro da ideologia sombria de Jean-Baptiste Roustaing e seu delirante livro Os Quatro Evangelhos. Sabemos que o "movimento espírita" hoje está mais enrustido, separando teoria e prática, se dizendo "fiéis a Allan Kardec", mas na verdade age como se estivesse sido rigorosamente fiel a Roustaing.

Roustaing definia a encarnação como um castigo. A Terra é uma grande penitenciária. O encarnado, um sentenciado cruel. Só os maus acabam sendo beneficiados, porque são os "carcereiros", "jagunços" e "justiceiros" das leis "espíritas".

Não é preciso dizer que Fernando Collor, depois que recebeu o voto de Chico Xavier para a campanha presidencial de 1989, foi agraciado pelas circunstâncias políticas, apesar de um breve "infortúnio" de oito anos, e viu seus piores rivais morrerem um a um e alguns outros rivais e desafetos se converterem em seus aliados.

Se depender das "boas energias" dos chiquistas, Fernando Collor prepararia sua volta à Presidência da República, já que ele parece ter os critérios necessários para ser o "líder maior" que conduzirá o Brasil para a condição de "coração do mundo e pátria do Evangelho". Ele tem a mesma embalagem "progressista" de conteúdo conservador de Chico Xavier.

Enquanto isso, o Brasil mergulha em retrocessos sem fim, porque preferiu se apegar em Chico Xavier. Logo a religião "espírita" que só fala em desapego. Tá, nos desapegamos naquilo que realmente precisamos, mas ficamos apegados em tudo que não precisamos nem nos serve para coisa alguma e.

Pior: mais apegados ainda ficamos, ou somos obrigados a ficar, naquilo que com tanto trabalho tentamos nos livrar, ou evitar obter ou contrair, por causa dessa doutrina chiquista. A vida na Terra não serve para coisa alguma. Só para sofrermos. É a Teologia do Sofrimento, que tanto impede o progresso do país.

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