sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Brasil está em séria crise, e isso não é uma piada


Que as pessoas até sentissem raiva só por ver Lula e Dilma Rousseff na tela da TV ou numa página de jornal, isso é compreensível. Que o pessoal não aguentasse 14 anos de PT no poder, vá lá, talvez não esteja preparado para um projeto político como esse.

Mas ficar despreocupado e feliz diante de um governo caótico que se sucedeu ao impeachment de Dilma é inadmissível. Desde maio de 2016, quando o insosso vice-presidente Michel Temer assumiu o mandato, houve uma série infinita e trágica de confusões, recuos, escândalos de corrupção, arbitrariedades, covardias, retrocessos políticos, crises econômicas e tantas ameaças.

Era para o Brasil estar uma situação de calamidade pública. E está mesmo. Mas a Rede Globo não noticia isso. Não vira primeira página de Veja. Não vira postagem com mais curtidas do Facebook. Não impulsiona uma parcela de brasileiros para as passeatas com camisas verde-amarelas.

Enquanto o governo Temer se marcava por uma série de incidentes graves como este, as pessoas iam para as praias e praças jogar conversa fora, rir despreocupadamente, fazer suas compras e rir até do aumento de preços. "Ih, está caro! Mas é isso mesmo!", diz a pessoa, tranquila, e compra o produto assim mesmo.

Jovens que poderiam reagir em passeatas - até existem os que fazem isso, mas de repente até isso se esfriou - vão jogar vôlei, caçar borboletas e, agora, bichinhos do Pokemon, e quando leem os jornais sobre mais um escândalo do governo Temer, ficam rindo como se não fossem escândalos políticos, mas demonstrações de senso de humor, como se a política fosse um programa humorístico de TV.

A situação está terrível e, sobretudo no Estado do Rio de Janeiro, existe uma figura típica daquele cidadão que lê as barbaridades que ocorrem no local e, de um jeito esnobe, fica dizendo para qualquer transeunte: "Mas não tem jeito mesmo o Rio, hein?". E depois volta para casa viver sua vidinha confortável de quem não se sente atingido pelos problemas.

Os escândalos, no plano nacional, também causam a mesma reação. Só que o Brasil não é uma versão ao vivo do A Praça é Nossa. O que vemos são casos de corrupção e outras atrocidades - como a terrível medida de limitar os gastos públicos - , envolvendo nomeação de políticos lenhados em cargos importantes do governo, além da catástrofe de pôr o terrível Alexandre de Moraes para ser ministro do Supremo Tribunal Federal, algo que, espera-se, nunca aconteça.

Isso porque o currículo de Alexandre de Moraes é extremamente calamitoso. Há até mesmo acusações de plágio em seus livros - o "espiritismo" já mostra caso semelhante, sobretudo com o "iluminado" Chico Xavier, ele mesmo uma coleção de irregularidades - , além de outros casos como a repressão aos movimentos sociais, práticas de corrupção e outras coisas de arrepiar.

O grande perigo de ter um sujeito desses no STF é porque a instância máxima do Poder Judiciário, que já está maculada por figuras como Gilmar Mendes, pode botar tudo a perder. Teremos que aguentar Alexandre de Moraes por cerca de 30 anos, ganhando um rio de dinheiro, gozando de foro privilegiado e imunidades mil, gozando de privilégios que, para um brasileiro médio, seria um sonho de contos de fadas.

E ninguém faz passeata, ninguém bate panela quando vê aquele sósia do Lex Luthor - que parece bonzinho diante do "ilustre jurista", que carrega um semblante bastante agressivo - , e o pessoal vai postar nas redes sociais foto de bichinho, de pesca ao lado do titio, de bolo de aniversário, de receita de comida, poeminhas, passarinhos, pôr-do-sol etc.

Caramba, e é o mesmo pessoal que espumava de raiva só de ver Lula! Eles reviveram esse momento quando, na cerimônia de cremação do corpo da ex-primeira-dama Marisa Letícia, não suportavam sequer ver Lula chorando, no seu direito de ser humano de manifestar seus prantos quando morre um ente querido.

Ao verem que Lula, depois, fez um discurso, as pessoas se espumaram de raiva. e houve até gente manifestando profundo rancor, até uma Luana Piovani dizendo que o ex-presidente "fez draminha". Isso como se não bastasse gente comemorando a morte de dona Marisa, na maior insensibilidade.

Já basta fazerem oposição ao PT. Se isso fosse feito dentro dos níveis respeitosos, seria até saudável e naturalmente democrático. Mas a onda de calúnias e difamações que os anti-petistas fizeram e fazem, da maneira mais doentia possível, chega a causar preocupação não só quando neste caso, quando eles fazem o que não devem, mas no atual contexto político, em que eles não fazem o que devem.

Para quem vomita rancor só quando vê o rosto de Lula, pelo menos poderia contribuir para barrar o acesso de Alexandre de Moraes ao STF. Fazer passeatas, ocupar as avenidas, soltar panelaços, soprar vuvuzelas etc. Ninguém faz. E, se um brutamontes desses entra no STF e lá permanece por cerca de três décadas, o pessoal deveria agitar para que tudo seja impedido para tal finalidade.

As nomeações de ministros "inundados até o topo da cabeça" em denúncias de corrupção para cargos estratégicos do governo Michel Temer já era coisa de arrepiar os cabelos e botar as pessoas para irem às ruas com auto-falantes despejando protesto contra todos eles. E não é para defender a substituição deles por alguém mais autoritário, porque isso pode botar o Brasil a perder.

Temos que levar a sério o problema quando vemos pessoas como Geddel Vieira Lima, Romero Jucá, Wellington Moreira Franco, Eliseu Padilha e Aécio Neves como homens de confiança do governo Temer. Assim como a ida de Alexandre de Moraes ao STF, na qual os religiosos deveriam apelar até para Deus colocar uma barreira no Supremo a um sujeito desses. Problemas com essa gente são gravíssimos e não devem ser visto como coisa sem importância ou uma piadinha qualquer.

E não se pode também defender políticos autoritários. É um horror ver que, nas redes sociais, há mensagens de pessoas que preferem exército nas ruas do que o povo debatendo leis, esquecendo o grande mal que foi a ditadura militar, fase política que envergonha até mesmo as Forças Armadas e que fez o Brasil afundar numa violenta crise econômica. Defender aventureiros políticos é extremamente perigoso e nocivo para o país.

Só para se ter uma ideia, vazou uma gravação de uma imagem de mensagens em que o "herói" dos reacionários extremistas, Jair Bolsonaro, discute com seu filho Eduardo, com trocas de grosserias e com o jovem ainda chamando de "m****" o irmão Renan, também filho do "grande brasileiro". Jair também tem histórico de corrupção, pois seu patrimônio é bem maior do que seu "jeito simples" que empolga os midiotas sugere.

As pessoas deveriam pelo menos prestar atenção no que foi a ditadura militar, ou prestar atenção no que é a atividade do Judiciário e do Ministério Público hoje. Uma figura irregular como o juiz Sérgio Moro, que prefere as conveniências do jogo de interesses do que o respeito rigoroso à lei, só consegue deixar o meio jurídico bastante vulnerável.

Mas para quem aceita que pastichador de obras literárias use a Doutrina Espírita para virar um semi-deus, vale tudo. Só não vale petista no poder. Tudo bem que as pessoas não queiram o PT no governo, mas pelo menos honrem seu ódio à corrupção, a ponto de dar ao Alexandre de Moraes uma grande frustração em sua carreira de advogado, barrando-lhe o acesso ao STF.

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