Pular para o conteúdo principal

Por que o "espiritismo" brasileiro é tão dissimulado?



Sabemos que as religiões evangélicas chamadas "neopentecostais", como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Assembleia de Deus, representam o que há de mais retrógrado e negativo nos movimentos religiosos. Essas seitas, no entanto, não possuem um defeito de extrema gravidade, que se torna típico do "espiritismo" brasileiro, que é a dissimulação.

O Espiritismo francês nunca foi devidamente apreciado no Brasil, a não ser por muito poucos. Além disso, essa doutrina foi muito prejudicada pelas tentações fáceis das paixões religiosas, que tão cedo fizeram o deturpador Jean-Baptiste Roustaing ter preferência sobre Allan Kardec, que, embora bajulado de maneira abusiva, nunca foi estudado com a devida seriedade.

Os estudos sobre mediunidade, comunicação com os mortos, vida espiritual e materialização foram prejudicados por um espetáculo de faz-de-conta que só serviu para promover idolatria religiosa aos chamados "médiuns", que, na verdade, perderam a antiga função intermediária que lhes deveria caber e, transformados em sacerdotes do "espiritismo" catolicizado, se transformaram no centro das atenções.

O "espiritismo" brasileiro virou uma religião de adoração, em que "mediunidade" e "caridade" são só pretextos para a divinização hipócrita dos "médiuns", que vivem do culto à personalidade. É tudo tão dissimulado que a doutrina brasileira vende uma imagem de "religião mais honesta do Brasil" pelo verniz de modéstia e despretensão, mas adota posturas desonestas que inexistem sequer nos piores momentos da Igreja Universal.

A mais preocupante delas é a traição aos ensinamentos originais de Allan Kardec, apreciados da boca para fora por deturpadores convictos que, apesar de abusarem da "catolicização", ainda têm o cinismo de pedir aos outros "não só entender Kardec, mas viver Kardec todos os dias". O cinismo hipócrita serve de cortina de fumaça para conceitos adotados pelo "espiritismo" brasileiro que vão contra as recomendações doutrinárias.

As atividades "mediúnicas" mostram obras fake, geralmente atribuídas a mortos famosos da moda ou a parentes falecidos de clientes dos chamados "auxílios fraternos" - "auxílio fraterno" é um setor de suposto socorro moral das pessoas aflitas, que buscam tratamento ou outras ajudas - , com informações colhidas de fontes bibliográficas ou jornalistas ou pela "leitura fria", interpretação textual e comportamental dos depoimentos de familiares de pessoas mortas.

CHICO XAVIER FOI MAU EXEMPLO

O "médium" Francisco Cândido Xavier costuma ser idolatrado como um suposto "espírito de luz" através de campanhas que, volta e meia, chegam para alimentar o fanatismo religioso em torno dele. A opinião pública, seduzida pelos apelos emocionais piegas que envolvem paisagens celestiais e floridas combinadas com retratos de Chico Xavier e frases ditas ou escritas por ele, mesmo creditadas a "autores mortos".

No entanto, ele abriu precedentes para práticas de confirmada irresponsabilidade associadas ao "espiritismo". João de Deus cometeu assédio sexual? As pessoas andam fazendo joguinho para saber quem foi quem na encarnação passada? Vítimas de uma tragédia coletiva são acusadas de terem sido aristocratas sanguinários na Idade Média? Estabelece-se datas fixas para grandes mudanças? Todo esse caminho foi aberto por Chico Xavier.

Não dá como usar a carteirada para inocentar ou transformar em vítima Chico Xavier. Ele surgiu como um arrivista, imagem que foi podada com o passar do tempo, para oferecer um "religioso limpinho" para o entretenimento da idolatria religiosa. E ele foi, sem sombra de dúvida, o que mais levou às últimas consequências a deturpação que atingiu o Espiritismo, com muitas de suas práticas definidas previamente como negativas em obras como O Livro dos Médiuns.

Textos empolados, uso de nomes ilustres para seduzir e iludir o público, determinação de datas fixas para acontecimentos futuros, uso de ideias mistificadoras lançadas sem fundamento científico (como as supostas "cidades espirituais"), tudo isso Chico Xavier fez e a literatura kardeciana definiu como atos negativos, em várias passagens, alertando também sobre o "inimigo interno" da Doutrina Espírita.

O "inimigo interno" não é alguém escondido em sombras. Não se trata de um Joaquim Silvério escondido por trás dos ativistas da Inconfidência Mineira, por exemplo. Se trata de um "inimigo interno" que está na bancada, lança livros, está à frente das doutrinárias, um "inimigo" que não está escondido na retaguarda de um movimento, casmurro e misterioso, mas aquele que está na vanguarda de sua movimentação, extrovertido, comunicativo e simpático a todos.

Chico Xavier mais parece um personagem de Monty Python. Um lunático, que seu pai via como um perturbado mental, e que dizia falar com dois espíritos, o da mãe e o de um jesuíta e que, com um protetor esperto e ambicioso (Antônio Wantuil de Freitas) e diversas circunstâncias tipicamente surreais, passou por cima de todos os obstáculos e virou um ídolo religioso, nessa "república de bananas" chamada Brasil.

Para reforçar o dado surreal, temos muita dificuldade de questionar o mito de Chico Xavier. Temos que reagir às bombas semióticas que o endeusam, tornando ele o "proprietário", o "acionista majoritário" de virtudes humanas que lhe foram privatizadas. A bondade deixou de ser pública, tornou-se uma franquia com o copyright de Chico Xavier, enquanto a maldade tornou-se pública e o porte de armas será liberado para cidadãos comuns e até para quem lhes roubar tais armas.

Chico Xavier representou tudo de negativo (sim, negativo) associado ao Espiritismo. Levou a deturpação às últimas consequências, completou e ampliou o trabalho de Roustaing para níveis preocupantemente altos. Mas, como nas comédias surreais que transformam pessoas sinistras em pretensos deuses, alvos da mais embasbacada idolatria religiosa, o "médium" tenta derrubar obstáculos, não como um humilde perseverante, mas antes um ambicioso matreiro.

DISSIMULAÇÃO É, MUITAS VEZES, PIOR DO QUE A FALSIDADE ABERTA

O que os brasileiros menosprezam é que a deturpação do Espiritismo nem de longe pode ser considerada um problema menor, acidental ou até mesmo uma licença cultural da religiosidade brasileira. É um processo muito grave que arruinou todo o esforço de entender, corretamente, a questão da vida espiritual e do zelo moral dos brasileiros.

A esfera de beatitude movida pelas paixões religiosas que corromperam a Doutrina Espírita fez com que muitos brasileiros, movidos pelo orgulho da beatitude do "iluminado" Chico Xavier, ficassem surdos e cegos a qualquer questionamento. Isso é grave. Muitos textos que põem em xeque a "superioridade" de Chico Xavier estão entre os mais boicotados na Internet, o que faz com que os chiquistas prefiram uma tolice favorável ao "médium" do que uma revelação dolorosa contra ele.

Para piorar, as chamadas forças progressistas de esquerda, que chegam a contestar as mais entranhadas armadilhas do poder midiático e a desconfiar até de piadas difundidas pelo humorismo televisivo (que, não raro, sugerem preconceitos sociais graves), ficam com medo de contestar Chico Xavier, apreciado com a mesma beatitude viciada dos mais conservadores seguidores do "médium".

NAÇÃO DE IDIOTAS

As forças progressistas deveriam, ao menos, questionar Chico Xavier com o mesmo empenho que se questiona a CBN, o Aécio Neves, o Pânico da Pan, a Regina Duarte, o Ultraje a Rigor. Não se pode se iludir e endeusar um reacionário, que Chico sempre foi, como um pretenso pacifista, um pretenso filantropo, com uma imagem adocicada construída artificialmente pelo discurso midiático, inspirado pelo modelo trazido pelo católico e reacionário inglês Malcolm Muggeridge.

Se as esquerdas não conseguem desmontar o discurso montado, ao longo dos tempos, por Antônio Wantuil de Freitas e pelo modelo importado de Malcolm Muggeridge, tratando a idolatria do reacionário Chico Xavier como se fosse um "presente de Deus", então o Brasil tornou-se um país de tolos, uma nação de idiotas que não sabem o que realmente é o Espiritismo e levam gato por lebre o tempo inteiro, consumindo um Catolicismo medieval fantasiado de Doutrina Espírita.

Os apelos emocionais que envolvem Chico Xavier são de uma pieguice que dá náuseas. Seu visual, cafona, não era para sugerir alguém moderno e futurista, ainda mais um sujeito que, com sua peruca e terno branco bregas, expressava valores morais ultraconservadores, mas ditos de forma que seduzissem até mesmo os progressistas mais enérgicos. Chico foi um assediador moral e poucos perceberam.

A nação é tão idiotizada que não vê problema no Espiritismo ser "catolicizado", usando como desculpa a "afinidade com os ensinamentos cristãos". Não vê problema na idolatria religiosa, tida como "admiração saudável a um humilde homem de bem", sem o menor constrangimento de se levar guiar por apelos sentimentais piegas e ridículos, assimilando, sem saber, valores reacionários escondidos em palavras suaves como "resignar-se com os infortúnios em silêncio".

Os fascistas fazem a festa. Que padre não seria Chico Xavier nos porões do DOI-CODI, fazendo a extrema unção dos torturados pelo coronel Brilhante Ustra? Que assessor não seria Chico Xavier para a ditadura militar? Chico usava a Comunicação para traduzir o AI-5 em palavras tão dóceis que até os opositores da ditadura militar aceitariam sem reclamar.

Se observarmos bem nas "maravilhosas" e "progressistas" (sic) ideias de Chico Xavier, ele defendia valores análogos às pautas reacionárias lançadas pelo golpe político desde 2016. O trabalho exaustivo, a ausência de debate nas escolas, a hierarquia social extremamente rígida, a conformação com as perdas e danos na vida, tudo isso corresponde a pautas dignas de um Jair Bolsonaro e foram ditas por Chico Xavier.

Mas associar Chico Xavier a Jair Bolsonaro, apesar dessa espantosa comunhão de ideias, faz muitos brasileiros correrem para o quarto e chorarem feito crianças malcriadas. Para Chico Xavier, não se oferece o terreno da realidade, as fantasias têm que prevalecer, o mundo da fantasia não pode sofrer sequer uma invasão bárbara das revelações realistas, mesmo com provas consistentes, argumentos lógicos e coisa e tal.

Tudo é amaldiçoado, e temos então o "tóxico do intelectualismo", e o mais grave é que os brasileiros pegam carona nessa falácia que contraria a recomendação kardeciana de ampliação do senso crítico (Kardec admitia que ele mesmo poderia ser questionado, desde que de acordo com a lógica e nunca pela mistificação como a que ocorreu no Brasil).

Só no Brasil é que o senso crítico, quando ameaça os paraísos confortáveis da fé deslumbrada, é criminalizado e reprovado. Mas o que espanta é que os brasileiros embarcam nessa farsa acreditando que Chico Xavier representa o "espiritismo de verdade" e achando que o "tóxico do intelectualismo" está de acordo com os postulados de Kardec, o que é um absurdo. Isso seria como se colocássemos como sinônimos o Método Paulo Freire e a Escola Sem Partido.

COMO SE DÁ A DISSIMULAÇÃO DO ESPIRITISMO

A guerra semiótica que envolve o "espiritismo" brasileiro e, principalmente, a figura de Chico Xavier, é que todo o esforço de dissimulação discursiva é feito para mascarar os aspectos negativos e retrógrados de uma doutrina que já nasceu catolicizada, rompendo com Kardec.

Essa dissimulação parte de uma premissa inicial: o aparato de simplicidade que faz o "espiritismo à brasileira" escapar de comparações verídicas com o Catolicismo medieval que, na sua forma portuguesa, foi trazida para o Brasil pelos jesuítas (incluindo o padre Manuel da Nóbrega, depois renomeado Emmanuel).

A estratégia é levar a embalagem como se fosse o conteúdo. Daí mais um problema semiológico que blinda Chico Xavier. No caso do caráter medieval do "espiritismo" brasileiro, ele é dissimulado porque a doutrina de inspiração roustanguista (apesar de toda bajulação a Kardec) não usa do aparato pomposo do antigo Catolicismo da Idade Média, como igrejas construídas a ouro, cerimônias ritualíticas e indumentárias sacerdotais.

Pouco importa se o "espiritismo" brasileiro é, em seu conjunto, um "Catolicismo medieval" sem make up, com "sacerdotes" à paisana - os "médiuns" - "padres" com trajes casuais (os "palestrantes" e "escritores", às vezes "médiuns" de mediana projeção) e com um conteúdo, também medieval, trazido sob uma retórica de falsa racionalidade.

Para os adeptos e seguidores de Chico Xavier, tudo tem que se reduzir num imaginário agradável, mesmo que seja através de um entulho de conceitos contraditórios e enviesados. Muitos nem sabem que o "espiritismo" brasileiro é deturpado, medieval, ultraconservador e, quando há textos esclarecendo tudo isso, fogem deles como o diabo foge da cruz.

A dissimulação faz do "espiritismo" algo oposto do que realmente é. Se baseia no legado do Espiritismo francês, mas o trai com um conteúdo de herança roustanguista nunca devidamente assumida. Catoliciza demais seus postulados, inserindo neles ideias mistificadoras e levianas, porém agradáveis, mas juram que praticam "respeito rigorosíssimo" aos ensinamentos originais.

O 'espiritismo" brasileiro é ultraconservador, defendendo pautas como o trabalho exaustivo e o evitamento dos debates nas escolas ("bandeira" da Escola Sem Partido), mas lembrar desses aspectos fazem os "espíritas" chorarem aos soluços, porque a religião brasileira adota uma embalagem "progressista", por ideias abstratas como "paz", "fraternidade", "caridade" e "amor".

Esse é o problema semiológico maior. O conflito entre conteúdo e embalagem. A embalagem fala pelo conteúdo, que tem que ser ignorado, escondido e esquecido. A dissimulação do "espiritismo" usa ideias associadas ao progressismo que, no entanto, são muito abstratas. Daí ser possível um texto de Emmanuel ser anti-comunista dando a falsa impressão de que está a favor dessa causa esquerdista.

As palavras podem trair. E, num país marcado pela desinformação que é o Brasil, o "espiritismo" aproveita que as pessoas têm uma compreensão enviesada da realidade para enganá-las, oferecendo gato por lebre, vendendo como "doutrina lógica e progressista" uma religião medieval e ultraconservadora, cuja embalagem se apresenta como "moderna e avançada", mas esconde um conteúdo embolorado de tão retrógrado, que poucos têm coragem de admitir.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Padre Quevedo: A farsa de Chico Xavier

Esse instigante texto é leitura obrigatória para quem quer saber das artimanhas de um grande deturpador do Espiritismo francês, e que se promoveu através de farsas "mediúnicas" que demonstram uma série de irregularidades. Publicamos aqui em memória ao parapsicólogo Padre Oscar Quevedo, que morreu hoje, aos 89 anos. Para quem é amigo da lógica e do bom senso, lerá este texto até o fim, nem que seja preciso imprimi-lo para lê-lo aos poucos. Mas quem está movido por paixões religiosas e ainda sente fascinação obsessiva por Chico Xavier, vai evitar este texto chorando copiosamente ou mordendo os beiços de raiva. A farsa de Chico Xavier Por Padre Quevedo Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como “Chico Xavier”, começou a exercer sistematicamente como “médium” espiritista psicógrafo à idade de 17 anos no Centro Espírita de Pedro Leopoldo, sua cidade natal. # Durante as últimas sete décadas foi sem dúvidas e cada vez mais uma figura muitíssimo famosa. E a...

Chico Xavier apoiou a ditadura e fez fraudes literárias. E daí?

Vamos parar com o medo e a negação da comparação de Chico Xavier com Jair Bolsonaro. Ambos são produtos de um mesmo inconsciente psicológico conservador, de um mesmo pano de fundo ao mesmo tempo moralista e imoral, e os dois nunca passaram de dois lados de uma mesma moeda. Podem "jair" se acostumando com a comparação entre o "médium cândido" e o "capitão messias". O livro O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll & Mr. Hyde) , de Robert Louis Stevenson, explica muito esse aparente contraste, que muitas vezes escapa ao maniqueísmo fácil. É simples dizer que Francisco Cândido Xavier era o símbolo de "amor" e Jair Bolsonaro é o símbolo do "ódio". Mas há episódios de Chico Xavier que são tipicamente Jair Bolsonaro e vice-versa. E Chico Xavier acusando pessoas humildes de terem sido romanos sanguinários, sem a menor fundamentação? E o "bondoso médium" chamando de "bobagem da grossa" a dúvida que amigos de Jair Presente ...

Brasileiros têm dificuldade para se despedir de Doca Street

Nosso país é ultraconservador e dotado de estranhos "heróis", que incluem ídolos religiosos, políticos do tempo da ditadura militar, tecnocratas e até machistas de perfil bem moralista, os quais temos medo de perder, como se fossem nossos tios queridos. Todos morrem, mas os feminicidas são os únicos que "não podem morrer". Eles que mais descuidam da saúde, sofrem pressões morais violentas por todos os lados, fragilizam suas almas alternando raivas explosivas e depressões abatedoras, e nós temos que acreditar que eles são feito ciborgues aos quais nem uma doença incurável consegue abatê-los. Há 40 anos exatos, um caso de machismo violento aconteceu em Armação de Búzios. O empresário Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, então com 42 anos, assassinou, com dois tiros, a socialite Ângela Diniz, a "pantera de Minas Gerais", que chegou a fazer uma sessão de moda para a revista A Cigarra, nos anos 60. O motivo alegado era o da "legítima def...

"Superioridade espiritual" de Chico Xavier e Divaldo Franco é uma farsa

Muito se fala da suposta superioridade espiritual de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, que seus seguidores definem como "espíritos puros" e dotados da mais extrema elevação moral dentro do "movimento espírita" brasileiro. São muitos relatos, argumentos, evocações, tudo o mais para tentar afirmar que os dois são as pessoas que mais chegaram ao máximo da evolução espiritual, talvez até mais do que Jesus Cristo, segundo alguns, até pelo fato de terem chegado à velhice (Chico Xavier faleceu há 13 anos). Só que essa visão nada tem a ver com a realidade. Sabendo que o "movimento espírita" brasileiro se desenvolveu às custas de mitificações, mistificações e fraudes diversas, é também notório que Chico Xavier e Divaldo Franco também participaram, com gosto, em muitas falcatruas cometidas pelo "espiritismo" brasileiro. Eles erraram, e erraram muitíssimo. Usaram o prestígio que acumularam ao longo dos anos para legitimar e popular...

Doca Street realmente morreu. Mas foi hoje

Com tantos rumores de que Doca Street havia falecido há algum tempo, não imaginávamos que seu falecimento se deu apenas hoje, 18 de dezembro de 2020. De fato, ele esteve em idade avançada demais para estar vivo e, embora os familiares afirmassem que ele não estava doente - ao menos podemos considerar que ele não estava com Covid-19, apesar de ter estado no grupo de risco - , ele sofreu um infarto, um mal considerado potencial para feminicidas, que sofrem pressões emocionais pelo crime cometido. Sim, Doca foi para a pátria espiritual, e isso deu fim a um longo ciclo em que homens matam as mulheres que querem se separar deles e conseguem passar por cima de qualquer frustração. Muitos dos homens que, sonhando com a impunidade, se inspiraram no assassino de Ângela Diniz para cometerem seus crimes, conseguiram conquistar novas namoradas, com perfil que surpreendentemente homens de caráter mais generoso e inofensivo não conseguem conquistar. Desde 2015 o "crime passional", hoje def...

Chico Xavier causou confusão mental em muitos brasileiros

OS DOIS ARRIVISTAS. Por que muitos brasileiros são estupidamente reacionários? Por que há uma forte resignação para aceitar as mortes de grandes gênios da Ciência e das Artes, mas há um medo extremo de ver um feminicida morrer? Por que vários brasileiros passaram a defender o fim de seus próprios direitos? Por que as convicções pessoais prevalecem sobre a busca pela lógica dos fatos? O Brasil tornou-se um país louco, ensandecido, preso em fantasias e delírios moralistas, vulnerável a paixões religiosas e apegado a padrões hierárquicos que nem sempre são funcionais ou eficientes. O país sul-americano virou chacota do resto do mundo, não necessariamente porque o Primeiro Mundo ou outros países não vivem problemas de extrema gravidade, como o terrorismo e a ascensão da extrema-direita, mas porque os brasileiros permitem que ocorram retrocessos de maneira mais servil. Temos sérios problemas que vão desde saber o que realmente queremos para nossa Política e Economia até nossos apego...

O grande medo de Chico Xavier em ver Lula governando o país

Um bom aviso a ser dado para os esquerdistas que insistem em adorar Francisco Cândido Xavier é que o "médium" teve um enorme pavor em ver Luís Inácio Lula da Silva presidindo o Brasil. É sabido que o "médium" apoiou o rival Fernando Collor de Mello e o recebeu em sua casa. A declaração foi dada por Carlos Baccelli, em citação no artigo do jurista Liberato Póvoas ,  e surpreende a todos ao ver o "médium" adotando uma postura que parecia típica nas declarações da atriz Regina Duarte. Mas quem não se prende à imagem mitificada e fantasiosa do "médium", vigente nos últimos 40 anos com alegações de suposto progressismo e ecumenismo, verá que isso é uma dolorosa verdade. Chico Xavier foi uma das figuras mais conservadoras que existiu no país. Das mais radicais, é bom lembrar muito bem. E isso nenhum pensamento desejoso pode relativizar ou negar tal hipótese, porque tal forma de pensar sempre se sustentará com ideias vagas e devaneios bastante agr...

Factoide tenta abafar escândalo de Madre Teresa de Calcutá e transformá-la em "santa"

RONALD REAGAN, QUE FINANCIAVA O GENOCÍDIO NA AMÉRICA CENTRAL E ORIENTE MÉDIO, ERA VISTO COMO "DEFENSOR DA PAZ" PELA "ILUMINADA" MADRE TERESA DE CALCUTÁ. Um factoide atribuído a um caso brasileiro foi forjado para não só tentar abafar as denúncias escandalosas que envolveram a Madre Teresa de Calcutá como também liberar o caminho para sua "santificação", que a Igreja Católica define como canonização, a promoção artificial (feita por homens da Terra) de certos indivíduos já falecidos a uma presumida "pureza" e "perfeição espiritual". Consta-se que um engenheiro então com 35 anos, mais tarde identificado como Marcílio Haddad Andrino, que morava em Santos, havia acabado de se casar com a mulher - com a qual vive hoje com dois filhos no Rio de Janeiro - e vivia uma lua-de-mel em Gramado, conhecida cidade gaúcha. De repente ele teria se sentido mal. Foi atendido num hospital de Gramado e, constatado como "portador de hidrocefalia...

Por que a mídia quase não noticia mortes de assassinos?

O ADVOGADO LEOPOLDO HEITOR MATOU A SOCIALITE DANA DE TEFFÉ E FALECEU EM 2001 AOS 79 ANOS. MAS SEU CRIME NÃO OCORREU NA DITADURA MILITAR. Por que a imprensa quase não noticia a tragédia ou as mortes de assassinos? Elas noticiam quando gandulas de futebol de várzea morrem de mal súbito, ou quando recos morrem por problemas causados por treinamentos militares. Mas quando um assassino, geralmente rico, morre de infarto ou câncer, quase não há notícia, a não ser quando o contexto permite. Comparemos, por exemplo, o caso de dois feminicidas, o advogado Leopoldo Heitor, que provavelmente teria matado e ocultado o cadáver da socialite tcheca Dana de Teffé, em 1961, e o empreiteiro Roberto Lobato, que assassinou a esposa Jô Lobato, em 1971, alegando "legítima defesa da honra". Leopoldo Heitor faleceu em 2001 e teve seu falecimento creditado até no Wikipedia. Tinha 79 anos. Heitor cometeu seu feminicídio numa época em que Jânio Quadros governava o Brasil, enquanto Lobato pratico...

URGENTE! Divaldo Franco NÃO psicografou coisa alguma em toda sua vida!

Estamos diante da grande farsa que se tornou o Espiritismo no Brasil, empastelado pelos deturpadores brasileiros que cometeram traições graves ao trabalhoso legado de Allan Kardec, que suou muito para trazer para o mundo novos conhecimentos que, manipulados por espertos usurpadores, se reduziram a uma bagunça, a um engodo que mistura valores místicos, moralismo conservador e muitas e muitas mentiras e safadezas. É doloroso dizer isso, mas os fatos confirmam. Vemos um falso Humberto de Campos, suposto espírito que "voltou" pelos livros de Francisco Cândido Xavier de forma bem diferente do autor original, mais parecendo um sacerdote medieval metido a evangelista do que um membro da Academia Brasileira de Letras. Poucos conseguem admitir que essa usurpação, que custou um processo judicial que a seletividade de nossa Justiça, que sempre absolve os privilegiados da grana, do poder ou da fé, encerrou na impunidade a Chico Xavier e à FEB, se deu porque o "médium" mi...