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Burrice dos brasileiros garante adoração extrema a Chico Xavier


CHICO XAVIER COM SEMBLANTE MALICIOSO.

O Brasil é um dos países mais ignorantes do mundo. E premiar um arrivista com a "divinização", ainda que disfarçada pela "adoração saudável (sic) a um homem simples e humilde" revela o quanto podemos ser complacentes com o erro humano, não porque geralmente errar é humano, mas porque mesmo os erros mais graves podem ser tolerados dependendo do status de quem erra.

Os brasileiros sentem um apego doentio a pessoas dotadas de algum prestígio social, mas que cometem erros graves dos mais diversos, da simples esperteza traiçoeira aos crimes de morte. Há uma blindagem que cerca vários deles, sejam as dadas nos últimos 45 anos, sejam aquelas que vem de mais tempo.

Somos o país do "jeitinho" e da "memória curta", premiamos desonestos com a "divinização", endeusamos assassinos, elegemos corruptos desde que sejam vindos das elites dominantes, e muitos têm o orgulho de ignorar aspectos sombrios de personalidades alvos de extrema adoração, mas cuja narrativa é simplória e rudimentar, bem ao gosto da burrice humana, que no Brasil é vista como "motivo de orgulho" de pessoas que agora adotam o refrão "não quero saber" de peito erguido.

A "memória curta" manipula a reputação de personalidades ao gosto das circunstâncias, podendo transformar reacionários convictos em pretensos progressistas. Recentemente, tivemos a campanha de uma parcela de intelectuais brasileiros muito badalados pela mídia de transformar a "cultura" brega, defendida pela ditadura militar por promover o povo pobre de maneira caricatural, em um pretenso movimento "libertário-esquerdista" sob a desculpa esfarrapada de "combater o preconceito" e aceitar a "revolução do mau gosto" das "periferias".

COMO SE DÁ A ADORAÇÃO A CHICO XAVIER?

A adoração extrema a Chico Xavier segue um roteiro que foi montado lá fora, pelo inglês Malcolm Muggeridge, para blindar uma reacionária de perfil semelhante, Madre Teresa de Calcutá, depois "santificada" por uma intoxicação alimentar que creditaram ter sido "câncer terminal".

É claro que o mito de Chico Xavier foi trabalhado bem antes e de maneira intensa, mas Antônio Wantuil de Freitas, seu ideólogo original, enfatizava mais os aspectos pitorescos do que religiosos. Wantuil já estava morto quando se adotou o "método Muggeridge" para exaltar Chico Xavier, e este método criou uma outra abordagem, mais "limpa" e de fácil assimilação.

E como a retórica humana, aproveitando o sentido traiçoeiro das palavras, que podem mentir se passando pela "verdade" e ferir usando "belas palavras", dizendo "não" sem pronunciar esta palavra. E Chico Xavier falava muitas crueldades, através de seu discurso dócil. Era capaz de ser reacionário com palavras educadas, apesar de, no Pinga Fogo da TV Tupi, ter sido muito explícito ao fazer comentários que seriam iguais vindos da boca de Jair Bolsonaro ou um de seus três principais filhos.

Nessa retórica, primeiro se distorce a imagem do precursor do Espiritismo, o educador francês Allan Kardec, que no Brasil passa a ser visto como um semi-católico. A ideia é "suavizar" o cientificismo do Codificador para que se evitem as acusações de desvios doutrinários pela religião brasileira.

Com isso, ao "domesticar" Kardec, abre-se caminho para glorificar o deturpador Chico Xavier, que já deixa de ser conhecido como desfigurador dos ensinamentos espíritas, porque já se domesticou o pedagogo francês que foi reembalado como "tão catolicizado" quanto os brasileiros.

Em seguida, começa-se a endeusar Chico Xavier apreciando de maneira seletiva sua trajetória, trazendo apenas aspectos positivos e vagos e se aproveitando da ignorância da maioria da população, pois é a burrice coletiva que se torna o terreno fértil para o desenvolvimento da idolatria religiosa.

SEGUIDORES DE CHICO XAVIER QUASE NÃO LEEM SEUS LIVROS

Como fazem os evangélicos de tendência neopentecostal - como a Igreja Universal do Reino de Deus, do "bispo" Edir Macedo - , o "movimento espírita" também não libera toda a obra literária de Chico Xavier para ser lida pelos seus seguidores. O objetivo, tanto em um como em outro caso, é evitar que a leitura "indiscriminada" permita conhecer aspectos sombrios e contraditórios dos livros religiosos.

Diante disso, nota-se que, apesar de todo o blablablá que o oba-oba chiquista tanto atribui a Chico Xavier, tido como "sábio", "mestre", "transmissor de conhecimento" e "pensador espírita", é na BURRICE que se encontram as condições de promoção dessa idolatria religiosa. Dissimula-se tanto o discurso, pelo malabarismo das palavras, que até a burrice é relativizada: "é uma ignorância que busca a verdadeira sabedoria pela fé e pelas lições (sic) humanas".

Com isso, o acervo de Chico Xavier a ser apreciado como "filosofia" é bem enxuto. Ele se limita a uma seleção de frases, umas colhidas em livros, outras em depoimentos, que expressam tão somente um moralismo conservador, embora em palavras melífluas feitas para envolver emocionalmente as vítimas desse discurso mistificador.

A biografia também é ligeira. Um exemplo pode ser lido aqui. Ela é menos informativa do que persuasiva, com muitos apelos emocionais e nenhum racional. Não é uma biografia imparcial, mas faz muita gente dormir tranquila. Sobretudo a "patrulha canina" que, em tese, esperaria uma biografia mais objetiva, mas que nunca reage a textos tão superficiais, porém muito agradáveis.

Essa promoção da imagem de Chico Xavier é tão mesquinha que não se espera outra coisa senão a de que essa campanha acaba promovendo-o como uma "fada-madrinha do mundo real", com uma abordagem infantilizada que não corresponde à realidade. E é assustador como existe um lobby gigantesco para colocar, na biografia de Chico Xavier, a fantasia acima da realidade.

Semelhante esforço havia sido feito antes com o médico Adolfo Bezerra de Menezes, que introduziu a obra de Jean-Baptiste Roustaing no Brasil mas tornou-se conhecido, erroneamente, como o "Kardec brasileiro". Um político insosso à maneira dos políticos do MDB atualmente, o "doutor Bezerra" passou a ser promovido como se fosse o "Papai Noel brasileiro", tendo sido conhecido, na posteridade, só por aspectos positivos, pois os negativos foram jogados na "poeira do tempo".

O mais irônico é que Bezerra foi contemporâneo de Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Olavo Bilac e Machado de Assis, todos figuras de grande admiração, mas que também tiveram seus defeitos descritos em suas biografias. Machado, por exemplo, não tinha uma postura bem resolvida quanto sua negritude e Rui Barbosa foi um político irregular. Mas Bezerra de Menezes, que foi temperamental, populista e demagogo, só tem uma biografia perfumada e rodeada de flores.

As paixões religiosas encontram terreno fértil no Brasil, pela burrice dominante que vitima e vicia as pessoas, tomadas de relativismos também viciados, que sempre as deixam em zonas de conforto e situações e percepções agradáveis. O Brasil é o único país onde as pessoas reagem com fúria contra a realidade e contra as verdades que doem, se tornando prisioneiras da cegueira emocional dos "olhos do coração". E é isso que garante com que o arrivista Chico Xavier seja endeusado.

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