Pular para o conteúdo principal

Chico Xavier e Jair Bolsonaro são frutos de um mesmo inconsciente coletivo

CHICO XAVIER APOIOU A DITADURA E O AI-5 E DIZIA PARA OS SOFREDORES AGUENTAREM A DESGRAÇA CALADOS. MAS TEM GENTE QUE SE INCOMODA AO COMPARÁ-LO A JAIR BOLSONARO.

Vamos acabar com essa coisa de opor Francisco Cândido Xavier e Jair Messias Bolsonaro, por causa de fachadas ideológicas como "amor x ódio". Deixemos disso. Os dois são frutos de um mesmo inconsciente coletivo, das mesmas condições psicológicas e de um mesmo sistema de valores. A relação de oposição remete à obra O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll & Mr. Hyde), clássico de Robert Louis Stevenson, aquela ideia dos "dois lados de uma mesma moeda".

Vamos acabar, portanto, com essa oposição. E isso não é calúnia, não é rancor nem intolerância religiosa. É realidade, esse ente desagradável que nem os devaneios da fé religiosa e a pseudo-razão "espírita" podem contrariar. Até porque soa ridículo que a fé religiosa, tão zelosa em promover a fraternidade e evitar conflitos, é a que mais entra em conflito com a realidade, com os fatos.

A maioria absoluta dos seguidores de Chico Xavier não lê seus livros nem conhece suas ideias. Se contentam com o pacote selecionado das ideias que circulam nas redes sociais e que sempre se reciclam, com os pregadores "espíritas", nos seus blogs, falando a mesma coisa, se repetindo constantemente.

São ideias agradáveis, mensagens piegas, joguinhos de palavras opostas que mais soam auto-ajuda piorada. Tudo isso com essas frases insossas ilustradas com paisagens da natureza, como aquela comida ruim que precisa de um monte de tempero para ser intragável. Até uma balbuciação de um bêbado pareceria uma "linda frase" se fosse colocada diante de uma paisagem com um beija-flor voando sobre uma flor.

E, como todo medíocre, Chico Xavier também conta com uma força de terceiros a dar seus depoimentos sobre a "figura humana" que "conviveram intimamente", eufemismo para aquele contato de mais de horas, nos bastidores de algum evento ou em visitas programadas para reportagens chapa-branca, que até a nossa débil imprensa investigativa - que emperra em certas pautas - realiza quando o assunto é o "bondoso médium".

É a mesma estratégia que promoveu Madre Teresa de Calcutá, que, no Brasil, até setores das esquerdas aceitam, com subordinação de gado bovino, ter sido "símbolo da caridade", só porque seu denunciador, Christopher Hitchens, se desiludiu com as esquerdas e morreu direitista.

Como, todavia, não se decepcionar com essas esquerdas namastê e as esquerdas nem-tão-namastê-assim que prestam alguma consideração a Madre Teresa e, por associação, a Chico Xavier? Acabam assinando embaixo a uma propaganda "glorificante" tramada pelo inglês Malcolm Muggeridge, o "fabricante de santos", que já era direitista quando glorificou a megera albanesa e, no Brasil, serviu de modelo para a direitista Rede Globo, durante a ditadura militar, "santificar" o "médium".

As esquerdas que se esquecem que o mito "caridoso" de Chico Xavier foi montado para desviar a atenção da opinião pública para Lula, fazendo do "médium" um anti-petista e anti-lulista por antecipação. É claro que esse mito teve precedentes, mas eram de âmbito regional e tinham interesses religiosos estratégicos, seja da Federação "Espírita" Brasileira, seja da União "Espírita" Mineira.

O mito que hoje conhecemos, de âmbito nacional, envolvendo Chico Xavier foi uma invenção da Rede Globo através do método Malcolm Muggeridge. Os ideólogos designados para a tarefa viram o documentário Algo Bonito Para Deus (Something Beautiful For God), que Muggeridge fez em prol de Madre Teresa ("santificada" por um suposto milagre ocorrido justamente no Brasil, onde uma intoxicação alimentar foi creditada como "câncer terminal" e o Vaticano aceitou a lorota) e fizeram o mesmo com Chico Xavier, até então visto apenas como um fenômeno bizarro.

Note-se que a narrativa "glorificante" que até hoje, postumamente desde julho de 2002 - o "médium" morreu no último dia do mês anterior - , não veio em toda sua trajetória, mas de um momento de crise da ditadura militar, que adotou o "médium" (que apoiava abertamente o regime ditatorial e foi condecorado pela Escola Superior de Guerra, que só premiava quem colaborava pra valer com a ditadura militar) para tentar salvar o regime e evitar a ascensão da esquerda no Brasil.

Até mesmo fatos mais antigos recebiam narrativas "novas" ou "tardias", de membros que variavam de pessoas conservadoras da classe média mineira até personalidades competentes mas nem tão geniais assim - há jornalistas investigativos mais contundentes que Saulo Gomes, por exemplo; o que Carl Bernstein e Bob Woodward fizeram nos EUA faz o trabalho de Gomes parecer trabalho de caouro de faculdade - , além de políticos da direita moderada.

Daí que prestemos atenção às seguintes estratégias para promover um Chico Xavier agradável para ser consumido pelo gado humano das redes sociais:

1) Seleciona-se o que há de agravável nas ideias de Chico Xavier, de livros e depoimentos do "médium", aquelas frases piegas que lembram auto-ajuda com pastiches (grosseiros) de "filosofia oriental" (sobretudo naquilo que há de conservador nessas crenças, sobretudo chinesas e hindus), e apresentam aqueles trocadilhos fáceis de entender ("silêncio" e "voz", "fraqueza" e "força" etc) e publica esse material na Internet;

2) Como esse material demonstra um caráter intelectual bastante medíocre, porque mais parecem mensagens de auto-ajuda ruins, péssimos arremedos de aconselhamento moral, eles precisam de um apelo visual para parecerem "atraentes": coloca-se fotos de passarinhos, de flores, de céu azul, usa-se uma fonte gráfica mais bonita (tipo English ou um serifado elegante tipo Footlight) e o pessoal vai achar tudo lindo;

3) Só que isso é insuficiente e, aí, é necessário recorrer a terceiros para reforçar a propaganda do "médium". Aí é que chegam o "exército" de "testemunhas" que "conviveram intimamente" com o "médium" - ainda que essa "intimidade" seja apenas um contato relativo nos bastidores, uma amizade distanciada, e não menos mitificadora, que se priva da verdadeira intimidade do "médium", embora fosse suficiente para uma propaganda mais "aprofundada" em favor do "médium";

4) Os propagandistas são diversos, cada um lançando livros de "lindas histórias" e "convivências íntimas com a figura humana" do "médium", despejadas em quantidade para que a propaganda, com um maior número de voluntários, valesse mais do que a verdade.

Dessa forma, enquanto livros de jornalismo investigativo, visceral e contundente, como O Enigma Chico Xavier Posto à Clara Luz do Dia, lançado em 1944 por Attila Paes Barreto, estão fora de catálogo, esperando que uma alma samaritana, pelo menos, o publique na Internet, há obras chapa-branca cheias de delírios e invencionices, mas sempre com relatos agradáveis e "bonitos".

Esse é um recurso publicitário que também reforçou a "santificação" de Madre Teresa de Calcutá. Livros mistificadores de "testemunhas oculares" que mexem em fraquezas emotivas, embora sejam vendidos com a falsa reputação de "documentos objetivos". Submete-se a objetividade em prol do subjetivismo, no qual a retórica "imparcial" não está a serviço da compreensão real e isenta dos fatos, mas antes da aceitação de uma mitologia no imaginário dominante de uma multidão.

Em outras palavras, esses "relatos íntimos" são apenas um verniz de "imparcialidade" em que a fantasia busca respaldo da realidade, como se a fantasia tivesse que recorrer a um cartório e a realidade, funcionária desse cartório, tivesse que agilizar os documentos para legitimar a fantasia como um "ente realista", pouco importando as contradições em jogo.

Daí que o "pacote" de Chico Xavier que garante a sua fanática idolatria - agora definida pelos "isentões" de plantão pelo eufemismo "apenas uma admiração saudável a um homem de bem" - é selecionado e enxuto, sem os aspectos sombrios das suas ideias, que em verdade são profundamente conservadoras e de direita.

Mas, mesmo assim, algumas ideias conservadoras deixam escapar, e só o entorpecimento emotivo dos chiquistas e dos "isentões" que "admiram moderadamente" Chico Xavier é que ignoram isso, ou, quando são informados dessas ideias, tentam o malabarismo discursivo da relativização pelo pensamento desejoso.

Vejamos uma delas, de um momento até posterior ao apoio que Chico Xavier deu à ditadura militar, publicado em 1996 no livro Doutrina Escola, pela neo-roustanguista Editora IDE:

"RECOMEÇO

Quando o teu próprio trabalho te pareça impossível ...
Quando a dificuldade e sofrimento te surjam a cada passo ...
Quando te sintas à porta de extremo cansaço ...
Quando a crítica de vários amigos te incitem ao abatimento e à solidão ...
Quando adversários de teus ideais e tarefas te apontem por vítima do azar ...
Quando as sombras em torno se te afigurem mais densas ...
Quando companheiros de ontem te acreditem incapaz a fim de assumir compromissos novos ...
Quando te inclines à tristeza e à solidão ...
Levanta-te, trabalha e segue adiante.

Quando tudo reponte no caminho das horas, não te desanimes, porque terás chegado ao dia de mais servir e recomeçar.".

Interpretemos essa mensagem, que, mesmo atribuída a Emmanuel, revela o pensamento de Chico Xavier, diante da constatação que o "médium" concordava com tudo que era oficialmente associado ao pensamento do suposto espírito jesuíta.

Nota-se que os primeiros versos revelam um trabalho de difícil execução e bastante cansativo. Depois há a reprimenda dos amigos, a intervenção dos adversários (geralmente um patrão abusivo e colegas traiçoeiros), as sensações de "abatimento e solidão" e a "atribuição do azar".

Em seguida, surge a metáfora das "sombras mais densas" e o descrédito dos antigos companheiros de que o sujeito, sobrecarregado, será capaz de desempenhar novas tarefas e este, de tão amargurado e abandonado, seja condenado à tristeza e à solidão.

E qual é o recado do "progressista" Chico Xavier diante disso? Continuar trabalhando e seguindo adiante com a tarefa exaustiva. E, sádico, o "médium" ainda diz para o sujeito "não desanimar", porque o dia seguinte será para "mais servir e recomeçar". Mesmo quando "reponta no caminho das horas", ou seja, tanto pode ser o prolongamento de uma jornada como a repetição da mesma no dia seguinte.

Paremos para pensar. Trabalho exaustivo, pressões de outrem (amigos e adversários), tarefa difícil e cansativa, horário extenuante. Aliás, quanto a isso, Chico Xavier já narrou um episódio em que ele e o suposto mentor estavam na casa do "médium" e ele reclamou do trabalho cansativo que ultrapassava as horas da noite. O "médium" também alegava estar fraco e doente. Ele teria recebido o conselho de Emmanuel para continuar trabalhando, o que diz muito sobre a ideia de servidão.

"Trabalha e segue adiante". "Mantenha-se na prece em silêncio". "Não reclame". Se a tarefa é impossível, trabalhe. Se o trabalho é cansativo, trabalhe. Se as horas ultrapassam a carga horária, trabalhe até completar a tarefa. Se as pressões do patrão e dos colegas são piores, aguente e trabalhe. Se o salário reduz, com as contas crescendo e o dinheiro evaporando, trabalhe mais ainda. E se o dia acabou, prepare-se para um outro dia de mais servidão.

O que é isso senão a defesa da "reforma trabalhista", e uma das provas contundentes do direitismo de Chico Xavier, manifesto aos 85 anos, em 1996, num tempo em que muitos pensam que ele havia aprendido a respeito do seu apoio à ditadura militar. Um texto como este, analisado acima, mostra o quanto as ideias de Chico Xavier se dialogam com a precarização do trabalho, uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro.

IDEIAS ÓBVIAS TRANSFORMADAS EM FALSAS METÁFORAS, PARA PERMITIR INTERPRETAÇÕES OPOSTAS

Isso irrita muitos adeptos de Chico Xavier. "Imaginem, comparar o bom médium ao Bolsonaro, aquele traste!", é o comentário muito comum de seus seguidores. "Isentões" se preparam para um caminhão de desculpas para relativizar o direitismo de Chico Xavier. "Espíritas de esquerda" adotam mil malabarismos, com palavras rodopiando, dando piruetas, para tentar afirmar que Chico Xavier é "alma-gêmea" de Lula.

Forças-tarefa de pensamentos desejosos tentam arrancar Chico Xavier de alguma associação com o pensamento de direita. Falar que Chico Xavier é um dos maiores representantes do pensamento conservador brasileiro, apesar de ser uma realidade confirmada por fatos e até por ideias do próprio "médium", fazem muita gente chorar. Daí ser preferível fazer interpretações delirantes e transformar o que é óbvio e indiscutível em falsas metáforas para colocar, nelas, interpretações opostas.

Essa bomba semiótica é feita constantemente e até o famoso bordão da direita "isenta" (que se diz "de centro"), "não sou de direita nem de esquerda", acompanhado de outros bordões como "sou apolítico e apartidário", servem para blindar Chico Xavier.

Só que esquecemos que até os bolsonaristas fazem isso. Embora vários deles se assumam de direita, outros se dizem "de centro", e todos são "apartidários", sendo muito famoso o lema "Meu Partido é o Brasil".

Chico Xavier não pensaria diferente sobre esse "partido preferido". Seu "partido" também "seria o Brasil". Vide a expressão "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", precursor do lema "Brasil, Acima de Tudo, Deus Acima de Todos", em linguagem mais empolada.

O Clube do Pensamento Desejoso, com seus textões dotados até de referência bibliográfica, resumo, tudo dentro da regra das monografias, seguindo a cartilha da Associação Brasileira de Normas Técnicas - afinal, os "isentões" têm que caprichar na cosmética "científica" de suas teses meramente opinativas - , vão investir com sua tropa de elite para um combate intenso contra a realidade, inimiga de Chico Xavier, e sua "quadrilha" de fatos indiscutíveis que "maculam a memória do bom homem".

São fatos indiscutíveis que, no entanto, são discutidos por esse verdadeiro BOPE, por essas milícias "do bem" que são os chiquistas "espíritas", não muito diferentes dos bolsonaristas "evangélicos". Todos brigando brutalmente com a realidade e os fatos, contra os quais se desfecham tiroteios ruidosos, com exércitos de palavras e suas forças-tarefa retóricas tentando desmontar a granada dos fatos óbvios, transformados em falsas metáforas para assim decompor a realidade.

Chico Xavier, assim, é beneficiado pelo monopólio da fantasia e das ideias agradáveis. Alguns "defeitinhos" são aceitos pelos "isentões" só para dar um aparato "gente como a gente". Mas, fora isso, há um esforço mais do que hercúleo de desvincular o "médium" do bolsonarismo, apesar das origens arrivistas que tanto unem Chico Xavier e Jair Bolsonaro, confirmado pelos escândalos que cada um obteve no começo de carreira e as ideias conservadoras compartilhadas.

"Injusto! Chico Xavier não aprovaria o ódio nem a vingança". Mesmo? E as ameaças de morte do sobrinho Amauri Xavier, depois que ele denunciou as fraudes do tio, ameaças estas confirmadas pela revista Manchete (num tempo em que jornalismo investigativo era jornalismo investigativo) e que tornam o falecimento, por demais prematuro, bastante suspeito em suas motivações? E os comentários ríspidos de Chico Xavier contra os amigos de Jair Presente desconfiados com as "psicografias" atribuídas ao amigo morto?

E os seguidores de Chico Xavier, que despejam ódio a quem contesta até um espirro dado pelo "médium"? Só no caso de Padre Quevedo, partidários de Chico Xavier manifestaram uma explosão de ódio profunda, em texto hidrófobo e de intolerância religiosa contra um católico que trabalha com Ciência melhor que os "espíritas".

E no caso de Amauri Xavier? Que texto rancoroso não se pode reconhecer no artigo de um "espírita" solidário a Chico Xavier, cheio de agressões e desaforos contra o sobrinho do "médium"? E, mais recentemente, um texto psicótico de alguém incomodado com as críticas e revelações contra seu ídolo "médium"?

Eles seriam diferentes dos bolsomínions, por supostamente "defender o amor"? E que "amor" defendem, despejando ódio nas palavras? Mas, também, que nervosismo bolsomínion não podem ter mesmo os "espíritas de esquerda", como Ana Cláudia Laurindo, incomodada com qualquer aproximação conceitual de Chico Xavier com Jair Bolsonaro? Ela, por acaso, não sabe do apoio, com apetite bolsonarista, que Chico Xavier deu à ditadura militar e ao AI-5?

Que argueiros nos olhos alheios são severamente criticados pelos "espíritas"! Quantas brigas com a realidade fazem aqueles que se dizem "inimigos da violência", que, conforme seus interesses, julgam a Lógica e o Bom Senso, quando não lhes agradam, como pretensos subprodutos das paixões humanas!

Querem que Chico Xavier esteja acima da Lógica e do Bom Senso, ou mesmo acima da Verdade, ainda que esta seja tratada por muitos como propriedade exclusiva do "médium". Chegam mesmo, como quem se acha mais realista que o rei, criticar o rigor da lógica do professor Allan Kardec, como se forçasse ele a se render à mistificação em torno e em favor de Chico Xavier.

Dessa forma, os chiquistas, sejam de que espécie for, de Carlos Vereza a Franklin Félix, passando por uma incontável quantidade de medíocres da sociedade de classe média que "conhecem" o "médium", demonstram-se profundamente terraplanistas e seus procedimentos não diferem muito dos bolsonaristas, apenas sendo mais habilidosos em mascarar seus atos e pontos de vista.

Mas, no fundo, a fruta não cai longe da árvore. É uma mesma árvore que pariu Chico Xavier e Jair Bolsonaro, com os mesmos inconscientes coletivos, com as mesmas condições psicológicas, com as mesmas contradições, dissimulações, reacionarismos às vezes explícitos, em outras envergonhados, dentro de um suporte moralista que costuma não ser amigo da Lógica e do Bom Senso.

Dessa maneira, bolsonaristas e chiquistas são igualmente terraplanistas, com o apetite de brigar com a realidade, mas também de dissimular seus pontos de vista, quando querem. Se bem que os bolsonaristas, pelo menos, já assumem, em parte, os aspectos sombrios de seus instintos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Padrão de vida dos brasileiros é muito sem-graça e atrasado para virar referência mundial

Pode parecer uma grande coincidência, a princípio, mas dois fatores podem soar como avisos para a pretensão de uma elite bem nascida no Brasil querer se tornar dominante no mundo, virando referência mundial. Ambos ocorreram no âmbito do ataque terrorista do Hamas na Faixa de Gaza, em Israel. Um fator é que 260 corpos foram encontrados no local onde uma rave  era realizada em Israel, na referida região atingida pelo ataque que causou, pelo menos, mais de duas mil mortes. O festival era o Universo Paralello (isso mesmo, com dois "l"), organizado por brasileiros, que teria entre as atrações o arroz-de-festa Alok. Outro fator é que um dos dois brasileiros mortos encontrados, Ranani Glazer (a outra vitima foi a jovem Bruna Valeanu), tinha como tatuagem a famosa pintura "A Criação de Adão", de Michelangelo, evocando a religiosidade da ligação de Deus com o homem. A mensagem subliminar - lembrando que a tatuagem religiosa não salvou a vida do rapaz - é de que o pretenso pr...

Padre Quevedo: A farsa de Chico Xavier

Esse instigante texto é leitura obrigatória para quem quer saber das artimanhas de um grande deturpador do Espiritismo francês, e que se promoveu através de farsas "mediúnicas" que demonstram uma série de irregularidades. Publicamos aqui em memória ao parapsicólogo Padre Oscar Quevedo, que morreu hoje, aos 89 anos. Para quem é amigo da lógica e do bom senso, lerá este texto até o fim, nem que seja preciso imprimi-lo para lê-lo aos poucos. Mas quem está movido por paixões religiosas e ainda sente fascinação obsessiva por Chico Xavier, vai evitar este texto chorando copiosamente ou mordendo os beiços de raiva. A farsa de Chico Xavier Por Padre Quevedo Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como “Chico Xavier”, começou a exercer sistematicamente como “médium” espiritista psicógrafo à idade de 17 anos no Centro Espírita de Pedro Leopoldo, sua cidade natal. # Durante as últimas sete décadas foi sem dúvidas e cada vez mais uma figura muitíssimo famosa. E a...

Brasil vai virar potência com valores velhos?

BRASIL DE LULA ESTÁ MAIS AFINADO COM A CLASSE MÉDIA IDENTITÁRIA QUE PASSA A MADRUGADA TOMANDO CERVEJA DO QUE DO TRABALHADOR QUE DORME CEDO PARA A JORNADA DO DIA SEGUINTE. Algo estranho se percebe depois da entrada do novo mandato do presidente Lula. Os mais favorecidos, atualmente, não são necessariamente o povo pobre, como também a construção do Brasil não se dá com valores novos ou renovados nem na discussão dos maiores problemas brasileiros, acumulados há seis décadas. Quem se favorece com o Brasil de Lula 3.0 é a classe média identitária, que finge ser pobre caprichando nos trejeitos de turista de mercado municipal, usando bermudões e sandálias de dedo. O Brasil "feliz" está muito mais próximo da classe média que atravessa madrugada adentro tomando cerveja nos bares da moda, rindo alto com as piadas vazias que contam, do que do trabalhador que tem que acordar cedo para mais uma jornada difícil no dia seguinte. Nunca na história do nosso país vimos a hipocrisia de uma clas...

Brasil vive a perigosa onda da positividade tóxica

Algo muito estranho acontece no Brasil. Mais do que a onda de calor excessivo das temperaturas em algumas capitais, temos a onda da positividade tóxica, um clima de euforia exagerada trazida pela propaganda festiva a que se reduziu o governo Lula dos dias atuais, um governo que, de repente, ficou aquém dos dois mandatos anteriores, que haviam sido admiravelmente esforçados. Há, no Brasil, uma obsessão por uma felicidade excessivamente hedonista, em que o consumismo e as emoções baratas estão acima até mesmo da qualidade de vida e do sossego, pois "tranquilidade" é mergulhar direto numa happy hour  sem fim. O Brasil se transformou numa versão live action  do Instagram e do Tik Tok. Pessoas passaram a rir histericamente feito doidas, dando altas gargalhadas ao ouvir piadas que nem são tão engraçadas assim. E a prioridade, na noite, é do pessoal que se diverte fazendo barulho, em vez das pessoas que precisam descansar para renovar as energias, depois de jornadas diárias de traba...

O problema semiótico de Nosso Lar

A "paz" de Francisco Cândido Xavier é uma grande guerra semiótica. A adoração dos brasileiros ao "médium" de Pedro Leopoldo mostra o quanto este se torna pior do que um encantador de serpentes, através de suas bombas semióticas que o fazem, mesmo feioso, retrógrado e ultrapassado, sedutor a ponto de se tornar uma pretensa unanimidade nacional. Criando armadilhas que deixam desprevenidos até mesmo semiólogos como Nelson Job e Wilson Roberto Vieira Ferreira, este do Cinegnose , e fazem com que esquerdistas e ateus sejam hipnotizados pelo seu ideário conservador, Chico Xavier é um paiol de bombas semióticas muito perigoso, fazendo com que esse problema não seja distante de nós, quando muita gente imagina que bombas semióticas são coisa de cinema surreal polonês ou sueco. Com Chico Xavier, as bombas semióticas estão junto de nós. Ele em si é um sério problema semiótico, um sujeito que nada teve de realmente sábio, humilde nem altruísta e que foi mais um ilusionist...

Masculinidade tóxica explica por que os feminicidas são vulneráveis

É bom a imprensa brasileira passar a noticiar mortes de antigos feminicidas. Se nossos periódicos noticiam até morte de gandula de futebol de várzea por mal súbito ou de recos de alistamento militar por conta de infarto sofrido num treino, por que esconder as tragédias que eventualmente atingem até feminicidas cujos julgamentos foram noticiados até em rede nacional? Também morre quem atira. E nenhum feminicida fuma muito, usa drogas e se embriaga na juventude para virar, aos 79 anos, influenciador digital ou muso fitness . Temos velhos feminicidas com idade de óbito, como Doca Street, Roberto Lobato e Pimenta Neves, e aparentemente nenhum deles, mesmo octogenários, está sob risco de morte ou indício de doenças graves (mesmo as da velhice!), talvez na esperança de algum terraplanista da moral conservadora vê-los aos 90 anos correndo a São Silvestre em 2025 com um moderno celular para fazer selfies. Claro que virou um tabu noticiar tragédias de feminicidas jovens ou não por diverso...

A chatice dos "intelectuais de Internet"

É salutar que pessoas discordem disso ou daquilo, desde que suas ideias se somem a um debate. Mas não é isso que acontece na Internet. Frequentemente pessoas só discordam para "puxar o tapete", geralmente para relativizar tanto uma questão que o debate se torna esvaziado e o problema permanece na mesma coisa. Temos, na verdade, contestações de internautas que, salvo honrosas exceções, se subtraem a um debate. Os "intelectuais de Internet" estão sempre aí, patrulhando o estabelecido, sempre buscando proteger aquilo que está em evidência ou em moda, em vez de resolver um determinado problema. Vejo queixas na Internet de pessoas que são assim, que protegem tanto o estabelecido que elas se irritam mais quando alguém busca resolver um problema, porque isso lhes tira a estabilidade de sua rotina e tira a graça de reclamar do problema pelas costas. É sério: se alguém se encoraja a combater um problema, ele passa a ser alvo de humilhação por parte de internautas. Os...

O grande medo de Chico Xavier em ver Lula governando o país

Um bom aviso a ser dado para os esquerdistas que insistem em adorar Francisco Cândido Xavier é que o "médium" teve um enorme pavor em ver Luís Inácio Lula da Silva presidindo o Brasil. É sabido que o "médium" apoiou o rival Fernando Collor de Mello e o recebeu em sua casa. A declaração foi dada por Carlos Baccelli, em citação no artigo do jurista Liberato Póvoas ,  e surpreende a todos ao ver o "médium" adotando uma postura que parecia típica nas declarações da atriz Regina Duarte. Mas quem não se prende à imagem mitificada e fantasiosa do "médium", vigente nos últimos 40 anos com alegações de suposto progressismo e ecumenismo, verá que isso é uma dolorosa verdade. Chico Xavier foi uma das figuras mais conservadoras que existiu no país. Das mais radicais, é bom lembrar muito bem. E isso nenhum pensamento desejoso pode relativizar ou negar tal hipótese, porque tal forma de pensar sempre se sustentará com ideias vagas e devaneios bastante agr...

A pegadinha de Chico Xavier aos esquerdistas

Por que Francisco Cândido Xavier, um dos maiores bastiões do pensamento conservador brasileiro, é ainda cultuado por parte das esquerdas? Por que ele, com um reacionarismo de palavras dóceis mas com o mesmo apetite dos bolsonaristas, carrega sobre si, mesmo postumamente, a imagem de "progressista", criada sem motivo que fosse sequer plausível? Simples. É que Chico Xavier sempre foi um sujeito esperto. Mesmo quando suas atitudes eram influenciadas por outras pessoas, como seu descobridor e dublê de empresário Antônio Wantuil de Freitas, então presidente da FEB, Chico Xavier adotava com gosto as artimanhas que seus semelhantes lhe recomendavam fazer. A cumplicidade de Chico Xavier em muitos atos que parecem não ser de sua decisão era, todavia, bastante notória. Chico Xavier personificava o "mineiro que come quieto", o estereótipo do mineiro que parece ingênuo e calado, mas muito atento e malicioso. Além disso, foi o "médium" que levou às últimas conse...

Mais famoso feminicídio do Brasil será adaptado em minissérie

MASCULINIDADE TÓXICA DE DOCA STREET NÃO ERA SEGREDO PARA A IMPRENSA EM 1977, MAS DIFERE DO "HISTÓRICO DE ATLETA" QUE MUITOS TERRAPLANISTAS DA MORAL HUMANA PENSAM A RESPEITO DELE HOJE. O portal RD1 noticiou que está em pré-produção a minissérie Quem Ama Não Mata , que será exibida pelo serviço Globoplay, baseada no famoso "crime passional" que repercutiu no Brasil no final de 1976 e cuja impunidade, em 1981, fez eclodir milhares de crimes do tipo, hoje considerados feminicídios, com reflexos até hoje, mesmo com o crime considerado hediondo desde 2015. Quem Ama Não Mata  tende a ser um equivalente brasileiro de Era Uma Vez Em Hollywood , de Quentin Tarantino, no sentido de que, apesar do crime cometido, Doca Street foi blindado como "malvado favorito" de uma grande parcela da sociedade, a exemplo de Charles Manson nos EUA, líder de uma seita que, em 1969, matou várias pessoas, entre elas a atriz Sharon Tate. No caso de Doca Street, ele matou, sob os e...