Pular para o conteúdo principal

Paulo Gustavo e as perigosas psy-ops de Chico Xavier

 FOI PAULO GUSTAVO ACREDITAR QUE CHICO XAVIER ESTÁ NO CÉU E A TRAGÉDIA ACABOU CAINDO PARA O HUMORISTA.

Há quase um mês, o humorista Paulo Gustavo morreu depois de resistir por mais de um mês aos sintomas da Covid-19. Tinha 42 anos, iria fazer 43 ainda este ano. Ninguém imaginava que a doença iria matá-lo, quando outras pessoas, como Jair Bolsonaro e até Guilherme de Pádua, se expõem com muito mais risco à doença e, no caso do presidente, ele já teve a doença.

Vivemos num Brasil extremamente viciado e um motivo que deve ter contribuído para a morte precoce de Paulo Gustavo foram as energias maléficas do "espiritismo" brasileiro, pois foi reprisada uma esquete do antigo humorístico 220 Volts, intitulada "Morte", do ano de 2012, no qual Paulo interpreta um personagem que morre e vai para o céu. Ele cita três personagens que ele alega habitarem o "céu": Chico Xavier, Irmã Dulce e Gandhi.

Foi bastante infeliz a inclusão de Francisco Cândido Xavier, o grande deturpador da Doutrina Espírita - já surgem trocadilhos jocosos dizendo que ele fez o Espiritismo virar um "chiqueiro" - , entre os "habitantes do céu", e, para piorar, ele foi o primeiro nome mencionado. Só podia dar azar, porque Chico Xavier é o maior pé-frio de toda a História do Brasil. De Juscelino Kubitschek a Guilherme Fontes, muita gente sofreu azar por causa do "médium".

E se não só as esquerdas "namastê" como as esquerdas "nem tão namastê assim" conseguem questionar Chico Xavier, preferindo a zona de conforto da "passagem de pano" - é errado falar ou escrever "passação de pano", assim como é errado dizer "forçação de barra", sendo o certo falar "forçamento" ou "força de barra" - , então o nosso país virou refém de um charlatão, invertendo o aviso kardeciano de que "é melhor cair um homem do que todos aqueles que se sentirem enganados por ele". Preferimos que o Brasil caia, como foi em 2018.

Chico Xavier é um paiol de bombas semióticas aqui e ali. É a personificação da guerra híbrida criptografada. Sua suposta caridade vira uma "carteirada" fácil, e seu sentido semiológico é inverso ao de dizer que o ex-presidente Lula "é corrupto". Fala-se "Chico Xavier fez caridade" pelo piloto automático, sem saber mesmo se realmente fez essa tal caridade e sem perguntar como foi, como é.

É aquela coisa: a favor de Chico Xavier, vale qualquer boataria. Só quando se é contra ele, se exigem provas das mais cabeludas, e, quando elas são apresentadas (e as provas desse lado negativo são bastante fartas), as pessoas ainda não aceitam. Depois ficam falando mal de obsessão espiritual, pois em relação a Chico Xavier, seus seguidores e simpatizantes, mesmo os "distanciados", "isentos" e até os ditos "ateus" (?!), sofrem as piores obsessões, como a fascinação e a subjugação.

SILÊNCIO DIANTE DAS REVELAÇÕES NEGATIVAS

Conta-se nos bastidores que, em breve, virão revelações relacionadas ao caso Amauri Xavier Pena, sobrinho do "médium" que morreu misteriosamente, embora a Federação "Espírita" Brasileira tenha declarado oficialmente que ele "morreu de hepatite" por ter "bebido muito na vida".

No entanto, Amauri foi vítima de uma grande campanha negativa. A gente deveria parar para pensar e imaginar: Amauri realmente era um alcoólatra? Ou ele apenas eventualmente se embriagava como todo jovem, sem fazer "carreira de bebum" na vida? Há vários indícios de campanha caluniosa dentro do "meio espírita" e muita mentira se fez contra o jovem, depois que ele decidiu denunciar as fraudes do tio, em 1958.

Isso não é invenção, é suspeita, e a revista Manchete fez um alerta, em sua edição de 09 de agosto de 1958, de que Amauri estava sofrendo ameaças de morte, e o motivo já havia sido anunciado pela revista, o envenenamento. 

Há fortes suspeitas de que Amauri teria sofrido maus tratos num sanatório onde foi internado, e ele teria saído expulso de lá, supostamente por ter encerrado a internação, mas por ter tido um comportamento desagradável aos funcionários e diretores dessa instituição. Tudo isso ocorreu entre 1958, o ano da denúncia de Amauri, e a morte suspeita dele, em 1961, mas o caso, mesmo prescrito pela lei - suas investigações não valem mais para efeitos jurídicos - , tem que ser investigado.

Da mesma forma, merece investigação a hipótese de que Chico Xavier colaborou (sim, essa é a palavra) com a ditadura militar, pois a Escola Superior de Guerra não perderia tempo, pela lógica da instituição mentora do golpe e do governo ditatorial, para homenagear quem não tivesse relação direta com seus propósitos. 

E merece investigação também as verbas que a Federação "Espírita" Brasileira, junto à Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus receberam da ditadura militar para crescerem, como movimentos religiosos, visando enfraquecer a Igreja Católica, que, através da Teologia da Libertação, estava crescendo como força maior de oposição ao poderio militar, com forte prjoeção internacional na denúncia de crimes contra os direitos humanos.

Infelizmente, só os chamados "neopentecostais" é que são investigados, questionados e até combatidos, como é o caso da crise da Igreja Universal em Angola. Mas quando se falam de denúncias contra Chico Xavier, mesmo com provas consistentes de seu reacionarismo, suas fraudes e sua desonestidade, até os simpatizantes mais "distanciados" reagem em silêncio. Quando as pessoas falam, é para defender o suposto médium, mas se não for este o caso, há um silêncio que soa como uma criminosa omissão.

A historiadora Ana Lorym Soares, quando trabalhou a tese que deu origem à monografia O livro como missão: A publicação de textos psicografados no Brasil dos anos 1940 a 1960, lançada em 2018, teve a oportunidade de ter em mãos o que Amauri Xavier Pena não viveu para revelar: a existência de um esquema criminoso de modificações editoriais dos livros "mediúnicos", que revelam fraudes literárias que vão além da falsidade ideológica de enfeitar livros com os nomes de mortos famosos.

Ana Lorym preferiu passar pano em tudo isso e, como gafe imperdoável para uma acadêmica que se queira ser objetiva, ela acreditou na lorota, sem pé nem cabeça, de que as modificações editoriais seriam uma forma de tornar a "mensagem dos espíritos viável para o público de leitores". 

E isso foi um tiro no pé, porque essa argumentação ridícula e desprovida de lógica, lançada pelos dirigentes da FEB, era uma forma de "carteirada" da instituição que, não bastasse o uso de nomes de mortos para enfeitar os livros mistificadores, era também um artifício para desqualificar os próprios mortos, dos quais se alegava que "não sabiam transmitir o recado para os vivos na Terra".

O pior é que as modificações editoriais chegavam a futilidades como as que Chico Xavier mencionou em carta de 03 de maio de 1947 ao presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, de que um poema tinha como verso final "Sorrindo...Sorrindo..." e o "médium" queria que mudasse para "Sorrindo... Cantando...". Nem isso para Ana Lorym desconfiar das coisas, contaminada ela está no meio acadêmico brasileiro, que confunde "imparcialidade" e "análise objetiva" como passar pano em problemática.

OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS

Cabe avisar aos semiólogos esforçados que Chico Xavier não foi o Isaac Asimov brasileiro para ter poderes excepcionais de prever o futuro e nem sua pretensa profetização deva ser levada a sério, até por haver aspectos risíveis de que o Chile seria poupado de explosões vulcânicas e terremotos que devastariam a Costa Oeste dos EUA (inclusive Califórnia, indo abaixo até Hollywood), o Japão, a Itália e a Nova Zelândia. 

A lógica é que o Chile sairia do mapa junto com os outros territórios vulcânicos do Hemisfério Norte, por uma razão muito simples: faz parte do Círculo de Fogo do Pacífico, parte de um intenso terreno vulcânico que também inclui a Itália, situada no Mediterrâneo, a República Democrática do Congo, recentemente atingida por uma erupção de um vulcão, e a Islândia.

Os livros de Chico Xavier são tão ruins, como se não fosse suficiente personificar o alerta kardeciano de que os espíritos levianos são "escrevinhadores" (são mais de 400 livros que não servem sequer para papel higiênico), que há profundos erros de História, Sociologia, Antropologia e de outras áreas do Conhecimento, que só por si invalidariam a obra.

Só o livro que Chico Xavier e Antônio Wantuil de Freitas escreveram a quatro mãos, Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho - título com significado idêntico ao lema bolsonarista "Brasil, Acima de Tudo, Deus Acima de Todos", lembrando que Chico Xavier seria, hoje, um bolsonarista irredutível, para desespero de parte de seus seguidores - , é, como livro de História do Brasil, pior do que até mesmo os piores livros didáticos que ficam chamando bandeirantes e militares genocidas de "heróis".

E aí os chiquistas mais radicais nos perguntam: "Vocês só falam dos erros de Chico Xavier. E os acertos dele, vocês falam?". A gente dá uma invertida: "Os acertos, ou melhor, os supostos acertos de Chico Xavier, são a coisa que somente se fala dele. Nós falamos o que vocês não têm a menor coragem de falar e, quando não podem negar os defeitos, se calam ou passam pano diante deles".

Chico Xavier é glorificado pelas psy-ops (termo que vem de psychological operations, "operações psicológicas") que desenvolveu a partir de 1970, quando seu mito, que estava quase para ser desmascarado, começou a ser desenvolvido através da pretensa imagem de "caridade e bondade" nos moldes que o inglês Malcolm Muggeridge fez em prol de outra farsante, Madre Teresa de Calcutá.

Desde então, ele foi denunciado como cúmplice de Otília Diogo, como reacionário (as próprias entrevistas do "médium" no Pinga Fogo da TV Tupi, 1971) e como farsante "mediúnico" (revista Realidade, novembro de 1971). Em 1969, ele quase foi denunciado, também, como mercenário que transferiu o dinheiro da venda dos seus livros "psicográficos" para os dirigentes da FEB, nos bastidores do "movimento espírita" brasileiro.

Realidade ainda fez um exame que mostrava que a "mediunidade" de Chico Xavier era fruto de distúrbios mentais que davam a ele falsa impressão de que estava "falando com os mortos". Era um tipo de delírio mental que havia sido atestado pela lógica da ciência médica, que não estava ali para desqualificar o "médium" e realizou os exames de maneira realmente isenta, ainda que as conclusões obtidas fossem de profundo desagrado dos seguidores e partidários do "médium".

Com tantos incidentes assim, a ditadura militar, por sorte, viu em Chico Xavier um "salvador da Pátria" e, feliz com o apoio entusiasmado do "médium" ao regime, o teria feito um colaborador certeiro. Aliada do poder midiático, a Rede Globo, veículo que sustentava o apoio social ao regime militar, fez de Chico Xavier um "filantropo de novela das oito/nove", promovendo a imagem que hoje garante a reputação entre seus seguidores de diversos níveis.

Chico Xavier tornou-se um instrumento do diversionismo "espiritualista" no momento em que a ditadura militar via fracassarem tanto a falácia do "milagre brasileiro" quanto a ferramenta repressiva do AI-5. E Chico Xavier serviu como instrumento para desviar as atenções do povo quanto a outras ameaças de derrubada do poder ditatorial, a ascensão de Lula, então um líder sindical e hoje favorito para a campanha presidencial de 2022, e o crescimento das facções de esquerda da Igreja Católica.

Com isso, Chico Xavier veio com uma farsa chamada "cartas mediúnicas". A ideia é deixar a ênfase nos livros "mediúnicos" enfeitados de nomes famosos (que iam de Humberto de Campos a Cornélio Pires, tio de José Herculano Pires, espírita até certo ponto sério, mas amigo do "médium") e passar a enfatizar as "cartas de pessoas comuns falecidas", criando um fenômeno sensacionalista que, se causou algum benefício, foi para a chamada "imprensa marrom", a maior favorecida por essa armação lançada por Chico Xavier e alimentada por "leituras frias" e pesquisas bibliográficas.

As "cartas mediúnicas" são um arsenal de verdadeiros explosivos semiológicos, que ninguém percebe, nem mesmo os semiólogos mais esforçados, que, como corajosos Ulisses, ainda se deixam se render a cantos de sereias (que, no Brasil, não vêm de belas mulheres com rabo de peixe, mas de um velho feioso de aparência repugnante que usou peruca e boné), conseguem perceber. Talvez os semiólogos tenham velhas mães "espíritas" e sejam tomados pela Espiral do Silêncio, daí tanta passagem de pano em Chico Xavier.

A bomba semiótica evoca a cidade fictícia de Nosso Lar - cujo livro homônimo os semiólogos esforçados, na sua boa-fé, consideram "realista e científico" - , um "paraíso" fabricado pela mente fértil de Chico Xavier a partir de obra do inglês George Vale Owen e com sugestões de ficção científica do jovem Valdo Vieira (o mesmo que rompeu com o "médium" no caso Otília Diogo, o que deveria chamar a atenção dos investigadores). Esse "paraíso" servia de desculpa para que a vida na Terra fosse um festival de tantos sofrimentos e desgraças.

Se Nosso Lar é a bomba semiótica que o "humilde blogueiro" da Semiótica não percebeu, as "cartas mediúnicas" eram mais bombas semióticas na psy-op que promoveu o "médium" de um pitoresco charlatão paranormal a um "símbolo indiscutível de amor e caridade" a ponto de ninguém ter a mínima coragem de contrariar o confortável mito, que hoje serve para memes da multidão idiotizada que predomina nas redes sociais.

Essas "bombas semióticas" fazem com que um simples apelo tipo "Querida Mamãe" e o mershandising religioso - as mensagens sempre terminam pedindo preces ou a "união das pessoas" em torno do Cristo - consigam enganar milhares de famílias e transformem quem deveria investigar, questionar e rejeitar tudo isso, como jornalistas, juristas e acadêmicos, em verdadeiros flanelinhas de tanto passar pano em Chico Xavier.

As bombas semióticas envolvem simulações de afetividade, e os semiólogos esforçados não sabem que foi Chico Xavier que mais manejou a arma perigosa do "bombardeio de amor", o love bombing, que não é patrimônio exclusivo de pastores estelionatários nem de machistas obsessivos em agradar suas namoradas de forma tóxica. 

É na figura do "médium" que o "bombardeio de amor" teve os efeitos mais perigosos, criando uma emotividade tóxica e uma simbologia de pretensa humildade - condizente ao "complexo de vira-lata" que domina tanto o nosso país - que vicia tantos brasileiros, que preferem ver suas casas pegando fogo do que ver seu adorado Chico Xavier confirmado como um vigarista da fé.

Daí a suposta consolação emocional, aliada a uma perigosa conformação com a desgraça humana. E cria uma devoção tóxica, uma emotividade tóxica, uma positividade tóxica. Recentemente, a cantora Cláudia Leitte, em entrevista ao programa Altas Horas, declarou, em suma, que "se deixarmos de nos preocupar com a pandemia (da Covid-19), a pandemia desaparece". Essa falácia de que "é só esquecer o problema que ele se afasta da gente" é uma das caraterísticas maiores do "pensamento" de Chico Xavier.

Outra bomba semiótica é que o significado simbólico da gourmetização das mortes prematuras - que faz a festa do jornalismo "mundo cão" que acha o "médium" um "santo homem" - não só serve para alegar, sem fundamentação científica alguma, que "no outro lado a vida é melhor", como também serve para forçar a aceitação das mortes nos porões da repressão militar, porque, se "as pessoas comuns, quando morrem cedo, vão para um lugar melhor", imagine "os presos políticos", que, na ótica de Chico Xavier, estavam "pagando pelo que fizeram em outras vidas".

O "FILANTROPO DE NOVELA"

Paulo Gustavo agiu por boa-fé ao mencionar Chico Xavier. Evidentemente, o "médium" não foi para o céu e nem, segundo os "isentões" de plantão (inclusive os "isentões espíritas" que adoram ler o volume da Superinteressante sobre o "médium"), no "purgatório" para preparar se reencarnar como "missionário na África", devaneio demagógico dos "espíritas" para justificar sua carteirada "filantrópica".

O "médium" foi para planos inferiores do mundo espiritual, como um mentiroso que havia lutado para se tornar uma pretensa unanimidade na Terra e que até hoje, postumamente, é alvo de uma emotividade tóxica e obsessiva em prol de sua figura. Consta-se que Chico Xavier levou um choque, ao voltar para o mundo espiritual, muito pior do que Adolf Hitler, o abominável tirano nazista, porque este, no fim da vida, já desenvolveu sua consciência do mal que fez e, por piores que fossem as dores do desenlace, houve um preparo psicológico para isso.

E Chico Xavier, pelo contrário, esperava que sua malandragem e sua esperteza sem limites, favorecida pelas circunstâncias e pela passagem de pano de milhares de pessoas, ele pudesse frequentar o banquete dos puros, ao lado de Jesus Cristo, lá no céu. Pensava que, se passando por humilde na Terra, Chico Xavier seria uma relíquia humana no céu, quando ele percebeu que não passava de um verme moral, em cuja trajetória incluiu a suspeita morte de um sobrinho como barreira derrubada para o avanço do seu arrivismo religioso.

Por sorte, um lobby televisivo favoreceu o "médium" desde os anos 1950. Foi assim que Humberto de Campos Filho, herdeiro do homônimo escritor usurpado pelo "médium", aceitou fazer o papel de idiota, depois de tão exemplar ceticismo, num evento religioso promovido por Chico Xavier. Humberto Filho foi assediado de forma a fazer papel de trouxa mexendo em sopinhas na panela, chorando feito criança arrependida nos ombros do "médium" e sendo iludido com amostras de Assistencialismo barato no qual o prestígio do filantropo está acima até dos resultados medíocres obtidos.

E aí Chico Xavier foi promovido a "filantropo de novela", com uma abordagem que chega ao ponto da mais enjoativa e nojenta pieguice. E se Chico Xavier, no cinema, recebeu interpretações de Lúcio Mauro, Alamo Facó e, principalmente, de Nelson Xavier, o imaginário popular inverte as coisas, em mais um efeito da psy-op chiquista, que é de ver em Chico Xavier o Nélson Xavier gentil, bonachão e consolador das novelas das nove da Globo.

A psy-op de Chico Xavier mostra uma sociedade brasileira desinformada, que não consegue ver que pode haver o uso leviano dos pretextos de "caridade" e "fraternidade", sendo capaz de endeusar oportunistas que se valem pelo Assistencialismo barato, pela ação paternalista, visando a promoção pessoal e o retorno social através do prestígio e do poder religioso, por mais que fique dizendo o tempo todo que "a caridade deve ser feita sem querer algo em troca". 

Como diz o ditado: "Quem muito diz ser, é porque não é, porque quem realmente é não precisa ficar dizendo". E o que Chico Xavier mais fazia muito era alardear demais sobre uma humildade que ele nunca teve e sobre uma suposta caridade que ele jurava não exigir recompensa alguma, mas que no fundo estava ciente das recompensas sociais que ele, farsante da pretensa mediunidade e reacionário dos mais radicais (é considerado o "Jair Bolsonaro do Cristianismo"), obteve ao sabor das conveniências.

As operações psicológicas do "bondoso médium" também usaram as "cartas mediúnicas" como meio de anestesiar os brasileiros, diante da crise da ditadura militar e da ação "subversiva" da Teologia da Libertação e seu "catolicismo comunista". Mas a anestesia de Chico Xavier se deu de tal forma que ele foi vendido pela mídia associada à ditadura como um "líder ecumênico", de tal forma que tentou cooptar, para o apoio ao "médium", até mesmo forças antagônicas a ele e seus ideais, como esquerdistas e ateus. Nunca a esperteza de alguém foi tão longe, cooptando para si até seus potenciais opositores!

E é essa imagem de suposto caridoso, que recentemente foi reproduzida por Luciano Huck - seguidor confesso do "médium" - , que criou um imaginário, nos bastidores da televisão, que contaminou gerações de atores, produtores, diretores e outros técnicos de televisão. E o que Paulo Gustavo fez foi seguir esse imaginário, por mais que ele desse preferência à Irmã Dulce.

E como em toda maldição de Chico Xavier, cuja pessoa tornou-se um perigoso pé-frio para milhares de brasileiros - apesar de praticamente ninguém perceber isso ou simplesmente negar - , Paulo Gustavo, que agia para fazer uma caridade menos ostensiva e menos oportunista que o "médium", acabou sofrendo o azar de morrer por uma doença da qual, aparentemente, ele poderia ter contraído e curado com facilidade. 

Mas como a maldição de Chico Xavier atinge pessoas com perfil mais diferenciado, Paulo, que agiu por ingenuidade, acabou sendo vítima fatal dessas energias vibratórias que parecem boas e agradáveis mas são extremamente maléficas. Daí o trocadilho de Chico Xavier com cicuta, um tipo de veneno de sabor doce que lembra framboesa, conhecido por matar o filósofo grego Sócrates.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Padre Quevedo: A farsa de Chico Xavier

Esse instigante texto é leitura obrigatória para quem quer saber das artimanhas de um grande deturpador do Espiritismo francês, e que se promoveu através de farsas "mediúnicas" que demonstram uma série de irregularidades. Publicamos aqui em memória ao parapsicólogo Padre Oscar Quevedo, que morreu hoje, aos 89 anos. Para quem é amigo da lógica e do bom senso, lerá este texto até o fim, nem que seja preciso imprimi-lo para lê-lo aos poucos. Mas quem está movido por paixões religiosas e ainda sente fascinação obsessiva por Chico Xavier, vai evitar este texto chorando copiosamente ou mordendo os beiços de raiva. A farsa de Chico Xavier Por Padre Quevedo Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como “Chico Xavier”, começou a exercer sistematicamente como “médium” espiritista psicógrafo à idade de 17 anos no Centro Espírita de Pedro Leopoldo, sua cidade natal. # Durante as últimas sete décadas foi sem dúvidas e cada vez mais uma figura muitíssimo famosa. E a...

Episódios que podem (e deveriam) derrubar Chico Xavier

Enquanto continua sendo cultuado como "fada-madrinha" para os adultos do mundo real, Francisco Cândido Xavier é blindado até nos seus piores erros, ainda mais que a narrativa "gente como a gente" do complexo de vira-lata que assola o Brasil transformou o anti-médium mineiro em alguém "imperfeito", temporariamente retirado do antigo pedestal montado por seguidores e simpatizantes. Mas fora dessa imagem de "fada-madrinha", consagrada por frases piegas, Chico Xavier esconde incidentes terríveis, que não devem ser entendidos como errinhos de nada. São erros muitíssimo graves, que envolvem falsidade ideológica, juízo de valor, fraudes literárias e defesa de ideias moralistas retrógradas, além de apoio a fraudes de materialização. Há o caso da apropriação do nome de Humberto de Campos, que mostra indícios de revanchismo por parte do "médium", que não gostou da resenha que o escritor maranhense escreveu para o Diário Carioca, desaprovando a ob...

Chico Xavier foi o João de Deus de seu tempo

Muitos estão acostumados com a imagem de Francisco Cândido Xavier associado a jardim floridos, céu azul e uma série de apelos piegas que o fizeram um pretenso filantropo e um suposto símbolo de pacifismo, fraternidade e progresso humano. Essa imagem, porém, não é verdadeira e Chico Xavier, por trás de apelos tão agradáveis e confortáveis que fazem qualquer idoso dormir tranquilo, teve aspectos bastante negativos em sua trajetória e se envolveu em confusões criadas por ele mesmo e seus afins. É bastante desagradável citar esses episódios, mas eles são verídicos, embora a memória curta tente ocultar ou, se não for o caso, minimizar tais episódios. Chico Xavier é quase um "padroeiro" ou "patrono" dos arrivistas. Sua primeira obra, Parnaso de Além-Túmulo , é reconhecidamente, ainda que de maneira não-oficial, uma grande fraude editorial, feita pelo "médium", mas não sozinho. Ele contou com a ajuda de editores da FEB, do presidente da instituição e dublê ...

Não é o Espiritismo que é charlatão; o "movimento espírita" brasileiro é que comete charlatanismo

FRAUDE DE MATERIALIZAÇÃO - Pessoas ou objetos cobertos que exibem fotos mimeografadas ou de recortes de revistas. Muita gente se assusta quando se fala que nomes como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco praticam charlatanismo. Seus seguidores, uns quase choramingando, outros mesmo tomados de prantos, reagem dizendo que tal adjetivo é "forte demais" para qualificar "pessoas de bem". Aqui existe a mania do relativismo, já que no Brasil até homicidas saem da cadeia e retomam suas vidas como se não tivessem cometido crime algum, pouco importando os danos causados pelas famílias das vítimas. Se isso ocorre sob o consentimento da Justiça, o que dizer daqueles que deturpam e distorcem a Doutrina Espírita, à mercê de muitas fraudes e irregularidades. É verdade que o Espiritismo como um todo é acusado de charlatanismo no mundo inteiro. Lidar com fenômenos tidos como sobrenaturais causa desconfiança, e não é raro que venham pessoas para denunciar uma manifestação espíri...

As contradições dos seguidores do "líder" Chico Xavier

Para os que acham o anti-médium mineiro Francisco Cândido Xavier um "grande líder", há uma série de posturas bastante insólitas e interpretações das mais risíveis. É claro que Chico Xavier nunca seria um líder de fato, ele nunca teve essa vocação de liderança para coisa alguma, mas seus seguidores, infantilizados, querem que ele lidere sempre tudo, ou pelo menos algo que acreditam ser de sua competência. O que ele fez ao Espiritismo brasileiro é altamente vergonhoso. E a reputação que ele alcançou com isso se torna mais vergonhosa ainda, porque neste caso ficou fácil alguém ser alçado a semi-deus errando muito, cometendo fraudes, omissões, vacilos, contradições, posturas tendenciosas e tudo de ruim, mas associado a tudo de bom que existe na Humanidade na Terra. Sejamos sinceros. Chico Xavier é alvo das mais pérfidas e fúteis paixões terrenas humanas. É a desculpa que a hipocrisia humana encontrou para gostar de um velhinho humilde e ignorante, o que garante camuflar os...

O grande medo de Chico Xavier em ver Lula governando o país

Um bom aviso a ser dado para os esquerdistas que insistem em adorar Francisco Cândido Xavier é que o "médium" teve um enorme pavor em ver Luís Inácio Lula da Silva presidindo o Brasil. É sabido que o "médium" apoiou o rival Fernando Collor de Mello e o recebeu em sua casa. A declaração foi dada por Carlos Baccelli, em citação no artigo do jurista Liberato Póvoas ,  e surpreende a todos ao ver o "médium" adotando uma postura que parecia típica nas declarações da atriz Regina Duarte. Mas quem não se prende à imagem mitificada e fantasiosa do "médium", vigente nos últimos 40 anos com alegações de suposto progressismo e ecumenismo, verá que isso é uma dolorosa verdade. Chico Xavier foi uma das figuras mais conservadoras que existiu no país. Das mais radicais, é bom lembrar muito bem. E isso nenhum pensamento desejoso pode relativizar ou negar tal hipótese, porque tal forma de pensar sempre se sustentará com ideias vagas e devaneios bastante agr...

Chico Xavier e Divaldo Franco NÃO têm importância alguma para o Espiritismo

O desespero reina nas redes sociais, e o apego aos "médiuns" Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco chega aos níveis de doenças psicológicas graves. Tanto que as pessoas acabam investindo na hipocrisia para manter a crença nos dois deturpadores da causa espírita em níveis que consideram ser "em bons termos". Há várias alegações dos seguidores de Chico Xavier e Divaldo Franco que podemos enumerar, pelo menos as principais delas: 1) Que eles são admirados por "não-espíritas", uma tentativa de evitar algum sectarismo; 2) Que os seguidores admitem que os "médiuns" erram, mas que eles "são importantes" para a divulgação do Espiritismo; 3) Que os seguidores consideram que os "médiuns" são "cheios de imperfeições, mas pelo menos viveram para ajudar o próximo". A emotividade tóxica que representa a adoração a esses supostos médiuns, que em suas práticas simplesmente rasgaram O Livro dos Médiuns  sem um pingo de es...

Chico Xavier, que abençoou João de Deus, fez assédio moral a Humberto de Campos Filho

HUMBERTO DE CAMPOS FILHO SOFREU ASSÉDIO MORAL DE CHICO XAVIER PARA TENTAR ABAFAR NOVOS PROCESSOS JUDICIAIS. Dizem que nunca Uberaba ficou tão próxima de Abadiânia, embora fossem situadas em Estados diferentes. Na verdade, as duas cidades são relativamente próximas, diferindo apenas na distância que requer cerca de seis horas e meia de viagem. Mas, com o escândalo de João Teixeira de Faria, o João de Deus, até parece que as duas cidades se tornaram vizinhas. Isso porque o "médium" Francisco Cândido Xavier, popularmente conhecido como Chico Xavier, em que pese a sua reputação oficial de "espírito de luz" e pretenso símbolo de amor e bondade humanas, consentiu, ao abençoar João de Deus, com sua trajetória irregular e seus crimes. Se realmente fosse o sábio e o intuitivo que tanto dizem ser, Chico Xavier teria se prevenido e iniciado uma desconfiança em torno de João de Deus, até pressentindo seu caráter leviano. Mas Chico nada o fez e permitiu que se abrisse o c...

Mariana Rios recorre ao padrinho de João de Deus, Chico Xavier, para tentar explicar foto com Photoshop

Apresentadora do reality show  A Grande Conquista, da Record TV, a atriz e cantora Mariana Rios cometeu um ato bastante infeliz, ao ser acusada por muitos internautas de ter usado recurso do Photoshop para tratar a foto de divulgação do programa, no perfil do Instagram. A princípio, a atriz publicou apenas um desabafo, sem dar a explicação que ela prometeu dar, e feito na base do vitimismo: "Vou usar a discussão totalmente superficial e de uma certa forma 'boba' sobre a foto acima, para fazer uma analogia. Vivemos uma época onde temos a necessidade de apontar as fraquezas do outro, evitando assim olhar para nossas próprias. Aprendi desde cedo em casa: Se não tenho nada a acrescentar sobre o outro, prefiro me calar. Nesse caso era só dar um zoom na foto. O que me preocupa é a quantidade de vezes em que julgamos, maltratamos e condenamos em casos sérios". Até aí, tudo bem, coisas normais de personalidade querendo evitar polêmicas caprichando no discurso vitimista e na ...

Filantropia de Chico Xavier não passou de jogada marqueteira da Rede Globo

Sabe-se que Francisco Cândido Xavier tem uma trajetória muito mais cheia de confusões e escândalos do que qualquer esboço de coerência e consistência. Só que ele é adorado, até de maneira ferrenha e fundamentalista, porque ele é "bonzinho". As pessoas falam tanto na sua "bondade e humildade", elas que não conseguem ser boas e humildes por conta própria. Além do mais, que bondade Chico Xavier realmente fez? As "afirmações" são muito vagas, superficiais e subjetivas, não têm qualquer tipo de embasamento. O que poucos se lembram é que a "bondade e humildade" de Chico Xavier não passa de um truque publicitário montado pela Rede Globo de Televisão, à semelhança do que o jornalista britânico Malcolm Muggeridge, da BBC, fez com Madre Teresa de Calcutá, no documentário Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God) , de 1969. MALCOLM MUGGERIDGE "INVENTOU" O MITO "FILANTRÓPICO" DE MADRE TERESA. A Madre Teresa, na verd...