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Chico Xavier, que abençoou João de Deus, fez assédio moral a Humberto de Campos Filho


HUMBERTO DE CAMPOS FILHO SOFREU ASSÉDIO MORAL DE CHICO XAVIER PARA TENTAR ABAFAR NOVOS PROCESSOS JUDICIAIS.

Dizem que nunca Uberaba ficou tão próxima de Abadiânia, embora fossem situadas em Estados diferentes. Na verdade, as duas cidades são relativamente próximas, diferindo apenas na distância que requer cerca de seis horas e meia de viagem. Mas, com o escândalo de João Teixeira de Faria, o João de Deus, até parece que as duas cidades se tornaram vizinhas.

Isso porque o "médium" Francisco Cândido Xavier, popularmente conhecido como Chico Xavier, em que pese a sua reputação oficial de "espírito de luz" e pretenso símbolo de amor e bondade humanas, consentiu, ao abençoar João de Deus, com sua trajetória irregular e seus crimes.

Se realmente fosse o sábio e o intuitivo que tanto dizem ser, Chico Xavier teria se prevenido e iniciado uma desconfiança em torno de João de Deus, até pressentindo seu caráter leviano. Mas Chico nada o fez e permitiu que se abrisse o caminho para um suposto médium hoje com prisão preventiva decretada devido às denúncias de assédio sexual que chegaram a 300. Não dá para arrumar desculpas para inocentar Chico Xavier, porque ele não preveniu sobre tal escândalo.

O próprio Chico Xavier está associado a uma série de incidentes bastante negativos que o lobby que o defende fez jogar debaixo do tapete da fé religiosa. São coisas que envolvem a sua participação em práticas fraudulentas e em obras que defendem um moralismo retrógrado, literatura fake e exploração leviana das tragédias familiares de pessoas comuns.

Um desses casos é tido oficialmente como "exemplo de misericórdia, perdão e conciliação", mas é um caso aberrante de assédio moral. Chico não cometeu, ao que se saiba, atos de assédio sexual, mas contra ele pesam episódios tão negativos quanto, e o que vamos citar é um caso no qual um dos familiares que processaram um "médium" foi assediado para que o processo judicial do caso Humberto de Campos não continuasse com novos recursos na Justiça.

ASSÉDIO MORAL DE MOTIVAÇÃO RELIGIOSA

Sabemos que Chico Xavier e Antônio Wantuil de Freitas, então presidente da FEB, escreveram a quatro mãos uma carta que era puro cinismo e tamanha irresponsabilidade. É a carta lançada em 1944 e, atribuída ao espírito de Humberto de Campos, mostrava o "escritor" estranhamente defendendo a omissão da identidade literária, confundindo-a com o anonimato da caridade:

"Eis, porém, que comparecem meus filhos diante da justiça, reclamando uma sentença declaratória. Querem saber, por intermédio do Direito Humano, se eu sou eu mesmo, como se as leis terrestres, respeitabilíssimas embora, pudessem substituir os olhos do coração. Abre-se o mecanismo processual, e o escândalo jornalístico acende a fogueira da opinião pública. Exigem meus filhos a minha patente literária e, para isso, recorrem à petição judicial. Não precisavam, todavia, movimentar o exército dos parágrafos e atormentar o cérebro dos juízes. Que é semelhante reclamação para quem já lhes deu a vida da sua vida? Que é um nome, simples ajuntamento de sílabas, sem maior significação? Ninguém conhece, na Terra, os nomes dos elevados cooperadores de Deus, que sustentam as leis universais; entretanto são elas executadas sem esquecimento de um til".

Em sã consciência, Humberto de Campos não teria defendido tais ideias, em mensagens que claramente aponta, em muitos trechos, o estilo pessoal de Chico Xavier. Esse trecho mostra o cinismo, a cara-de-pau e o oportunismo do "médium" que apelava para a impunidade, motivado pelas paixões religiosas que exercia sobre seus adeptos e a fascinação obsessiva que usava para mantê-los sempre sujeitos à adoração extremada e cega, ainda que disfarçada de "saudável admiração a um homem simples e bondoso".

Passados treze anos e tendo falecido, em 1951, a viúva do escritor maranhense, Catarina Vergolina de Campos, Chico Xavier viu uma oportunidade de armar uma tocaia para seduzir sua vítima. Humberto de Campos Filho, que atuava como jornalista e produtor de TV, estava interessado no "espiritismo" brasileiro, por influência de alguns profissionais de TV que adotavam essa religião.

Chico convidou Humberto Filho para uma doutrinária em Uberaba, no Grupo "Espírita" da Prece. Foi em 1957 e o produtor fez uma caravana com amigos para ir até a cidade mineira. Assistiu a uma doutrinária (como os "espíritas" definem como suas missas) comandada pelo "médium" e, no final, Chico foi abraçar o filho do escritor maranhense. Foi a confraternização da raposa com a galinha.

O abraço foi tomado num clima de fascinação obsessiva marcado pelo "bombardeio de amor" (técnica perigosíssima de dominação que envolve pretensa afetividade e fortes apelos emocionais) do ambiente. Chico, assim que abraçou Humberto Filho, fez um falsete que o desnorteou, dando a falsa impressão de que o "médium" teria recebido o espírito do autor maranhense.

Em seguida, após esse ato, na verdade um assédio moral de motivação religiosa, Humberto Filho foi convidado por Chico para visitar as imediações da "casa espírita" e, depois, realizar uma pequena excursão pelos redutos pobres de Uberaba, dentro da caridade espetacularizada, porém fajuta, de Assistencialismo (que os "espíritas" creditam como "Assistência Social"). Foi um espetáculo de pura encenação, dentro dos mais tendenciosos e levianos espetáculos religiosos oportunistas.

No Grupo "Espírita" da Prece, Chico Xavier mostrou cozinheiras fazendo sopas, além de alguns pobres e doentes alojados. Na excursão, ele visitou algumas casas humildes e, vendo um idoso tristonho em uma delas, Chico cochichou, de maneira muito estranha, e o idoso passou depois a reagir com alegria tolamente infantil.

Os "espíritas" classificam esse episódio como um "exemplo admirável e maravilhoso da capacidade de perdoar e promover a confraternização cristã", mas se trata de um dos atos mais deploráveis que o oportunismo humano pode criar, neste caso da parte do esperto Chico Xavier, um arrivista que deveria ser denunciado pelos aspectos negativos de sua trajetória. E estes não foram poucos.

O ato "fraternal" era, na verdade, um processo muito traiçoeiro de dominação de uma pessoa, de forma que a fizesse desistir de novos processos judiciais contra Chico e a FEB. Daí a sedução religiosa que se fez ao produtor Humberto de Campos Filho, que caiu como um patinho nesse processo de fascinação religiosa e bombardeio de amor.

O escândalo de João de Deus é apenas o começo de uma série de escândalos que o "espiritismo" brasileiro, contaminado desde o começo por sua predileção por Jean-Baptiste Roustaing, irá apresentar, chocando ainda mais as pessoas. 

E tudo isso porque os "espíritas" se servem de mil apelos agradáveis para dissimular seus atos desonestos, reacionários e oportunistas. O escândalo que começou com João de Deus irá chegar, sem dúvida alguma, a Chico Xavier. Nos preparemos para isso.

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