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'Lives' de cantores famosos confirma: "caridade" de Chico Xavier é uma farsa



As lives, transmissões ao vivo, monetizadas pela publicidade na Internet e feitas em ambientes privativos, supostamente na residência de um famoso, são marcadas pela suposta caridade na qual são outras pessoas, os internautas que assistem a essas transmissões, que contribuem, unicamente, para as arrecadações dos famosos que não mexem nos seus bolsos sequer para uma coceira, evitando pagarem para ajudar os próximos.

São os outros que contribuem para a "caridade", doando mantimentos, remédios, dinheiro e outros objetos para "ajudar o próximo", sem a garantia que essa ajuda realmente é feita ou não. Trata-se dos padrões de um Assistencialismo barato e fajuto, em que o "filantropo" não doa sequer uma bola de gude ou um grampo para papel para quem é pobre e doente.

Fatos ensinam muito sobre esse Assistencialismo e alertam sobre o mito que se faz da "caridade" de Francisco Cândido Xavier, tão exaltada por muitos mas, como simetricamente se fala da corrupção atribuída ao ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, se considera "verdade" sem ter um pingo de prova consistente, um menor vestígio de fundamentação, qualquer que fosse.

Afinal, Pedro Leopoldo, Uberaba e o resto do Triângulo Mineiro atingiram níveis escandinavos de vida? A qualidade de vida dos brasileiros melhorou MESMO com tal "caridade"? Devemos comparar com os fatos, porque, se a "caridade" de Chico Xavier tivesse funcionado, não estaríamos na crise que hoje vivemos. Deixemos dessa ilusão de considerar o "médium" como filantropo, porque isso nunca aconteceu.

COM QUE DINHEIRO?

A primeira hipótese que consideramos é que Chico Xavier deu o dinheiro do lucro dos seus livros para os cuidados da Federação "Espírita" Brasileira. Isso não foi um voto de pobreza nem a FEB usou essa fortuna toda para ajudar os pobrezinhos. A grana ia toda para os dirigentes e para o sustento da instituição. Foi algo semelhante que Madre Teresa de Calcutá, que desviou o dinheiro da "caridade" para os cofres de sacerdotes do Vaticano, como a imprensa e o meio acadêmico confirmam.

Devemos ver a "caridade" pelos resultados, e não pelo aparato de beleza nem pelo prestígio do suposto benfeitor. Se o "benfeitor" é glorificado, mas os resultados são imprecisos - não basta dizer que "Chico Xavier ajudou muita gente" ou "sua caridade beneficiou milhões", porque isso é especulação de qualquer maneira - , então essa glorificação é um grande desperdício.

A verdade é que Chico Xavier nunca fez caridade, e, na ironia de José Herculano Pires, que passava pano nos erros do "médium" mineiro, ter definido da "caridade" de Divaldo Franco como um "meio para esconder o lado sombrio de sua trajetória", isso também se observa na trajetória do beato de Pedro Leopoldo e Uberaba, que na verdade se promoveu às custas das ações de terceiros, como se vê naquele patético jogo de cena que iludiu Humberto de Campos Filho, em 1957.

Vamos contar a verdade. Nos "centros espíritas" onde fazia palestras, Chico Xavier pedia aos presentes que contribuíssem para doar objetos, mantimentos e dinheiro para atividades "assistenciais" (tecla SAP: "assistencialistas"), enquanto, depois que o material foi acumulado, se realiza aquela caravana de ostentação celebrando uma "caridade" chinfrim, mas que é suficiente para a promoção pessoal do "médium" que havia se promovido por obras literárias fake.

Quanto ao uso de dinheiro do lucro dos livros, a tese dominante não procede. Até porque Chico Xavier apenas se recusou a ser remunerado e, por isso, o dinheiro não era seu para ele doar para os pobres. A tese entra em contradição, se trabalhada pelo âmbito filosófico: se o "médium", acredita-se, "nada recebeu em dinheiro", como ele poderia doar o que não tem para ajudar o próximo?

Se a "doação de dinheiro" vem das mãos da FEB, então é esta a responsável pela "caridade", não o "médium". E não há dados que provam esse uso, porque se assim fosse Minas Gerais já teria voltado à Era do Ouro, seria o primeiro Estado brasileiro a atingir níveis escandinavos de vida, campeão em qualidade de vida, prosperidade e dignidade humana. Houve prova disso? Não. Por outro lado, Minas Gerais teve que enfrentar tragédias ecológicas pesadas como Mariana e Brumadinho. Cadê os alertas dos "mensageiros" de Chico Xavier para prevenir tudo isso? Nada foi alertado.

O que Chico Xavier fez foi o que os nababescos ídolos popularescos - representantes da "boa cultura" que os "espíritas" abençoam, como "sertanejos" e funkeiros - fizeram em suas lives nas redes sociais. Pediu para outras pessoas fazerem doações, e se promover em cima, com ostensivos eventos de Assistencialismo.

"Mas Chico Xavier fez 400 livros, espalhando a boa nova...", diriam alguns. Isso não procede. Até porque são livros de mistificação e de moralismo retrógrado - não muito diferente do que defendem os bolsonaristas - , nada valendo de realmente necessário para nossas vidas, porque não passam de arremedos de livros de auto-ajuda e obras católicas cujos ensinamentos, embora conservadores, são menos obscurantistas que a obra medieval de Chico Xavier.

Não há como argumentar em favor do "médium". Tresloucados opositores de Padre Quevedo, de um tal site Plenitude (felizmente já extinto), tentaram alegar que Chico Xavier era até "cozinheiro", vejam só, eles que tratavam o paranormal espanhol-brasileiro como um "insano".

O apresentador Luciano Huck, promovido a "filantropo" da mesma maneira que a Rede Globo, a serviço da ditadura militar, fez com Chico Xavier (que, antes dos anos 1970, não tinha a idolatria que o segue hoje, sendo apenas visto como realmente foi, um grotesco sujeito que fingia ser paranormal), também não fez a "caridade" associada a ele.

Quadros "assistenciais" do Caldeirão do Huck mostram que quem faz "caridade" são terceiros: do patrocinador à produção do programa, passando por pessoas que reformam carros e casas e contatam pessoas para participar do programa. Huck, um dos empresários mais ricos do Brasil e beneficiário também de lucro como garoto-propaganda de outras empresas, não mexeu no bolso sequer para testar a maciez do tecido de sua calça.

São essas coisas que chamam a atenção e colocam os seguidores de Chico Xavier numa postura patética e extremamente ridícula. E é por isso que, quando ficam contrariados, os chiquistas agem como bolsonaristas, até quando reagem a comparação do "bondoso médium" com o "odioso presidente". Mas, fazer o quê, as pessoas têm suas contradições. Além disso, não é preciso gostar de Jair Bolsonaro para ser bolsonarista. Basta gostar de Chico Xavier. Dá no mesmo.

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