Pular para o conteúdo principal

Guerra criptografada: Chico Xavier foi o diversionismo usado para salvar a ditadura militar



Brasil, 1975. A crise da ditadura militar, já evidente em 1974, quando o "milagre brasileiro" foi incapaz de conter a crise econômica, se agravou quando os coronéis do DOI-CODI, instituição atuante na prisão, tortura e morte de presos políticos, cometeram seu abuso de poder ao expor a morte do jornalista da TV Cultura de São Paulo, Vladimir Herzog, assassinado sem uma solicitação formal de ordens superiores para isso.

O episódio, que tentou ser abafado ao creditar a morte de "Vlado", como era conhecido, como um "suicídio" - montou-se uma cena para simular que ele "se matou", quando ele foi enforcado por um grupo de torturadores que o agrediram, ao saber que o jornalista se comportava de maneira insubmissa aos seus algozes - , expôs o abuso de poder dos coronéis, numa hierarquia abaixo dos generais, aumentando as crises e os conflitos internos na ditadura militar.

Junto a isso, há a ascensão do líder sindical Luís Inácio Lula da Silva, que atraiu multidões em seus discursos nas manifestações sindicais do ABC Paulista. O líder demonstrava, por suas ideias, uma figura que atraiu a atenção da opinião pública e, por isso, seria um grande opositor que colocaria a perder todo o projeto político da ditadura militar e das elites civis que o causaram.

Isso fez com que a estrutura civil que respaldava a ditadura militar se mexesse. Na cultura, os esforços foram feitos para aumentar a popularidade da música brega entre o público brasileiro, indo além das zonas rurais e de prostíbulos decadentes que consumiram esse tipo de música.

Apresentadores conservadores como Sílvio Santos, Edson Curi (o "Bolinha") e Raul Gil se tornaram propagandistas da música brega. Emissoras de TV também solidárias ao regime, mesmo a falida TV Tupi como as concorrentes TV Record e TV Bandeirantes, e, mais tarde, a TV Studios (embrião do SBT), também difundiram a música brega.

O mercado despejou, a partir de 1977, uma centena de ídolos bregas que emulavam de disco music e pop adulto romântico e uns apareciam de jeans em frente a estações de trem, como se fossem garotos-propaganda da US-Top.

A ideia é enfraquecer culturalmente o povo brasileiro, que também era bombardeado pela erotização do corpo feminino, representado sobretudo pelas revistas "de sacanagem", que viram seu mercado explodir na época, visando evitar o aumento das resistências contra a ditadura militar. A ideia era salvar o regime da maneira que possível, criando anestesiamento das classes populares através da exploração de instintos tanto sexuais e lúdicos quanto religiosos.

COM A "AJUDA" DE MALCOLM MUGGERIDGE

Um aspecto que chama a atenção de todos é o crescimento das religiões durante a ditadura militar, evidentemente não o Catolicismo, que marcadamente agiu em solidariedade às vítimas da repressão e escondia manifestantes estudantis para não serem presos pela polícia, mas outras que poderiam representar um respaldo conservador ao regime.

Aí entram tanto as seitas derivadas da protestante neopentecostal Igreja Nova Vida, a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus - respectivamente, de Edir Macedo e Romildo Ribeiro Soares, o R. R. Soares - , da igualmente atuante Assembleia de Deus, quanto o "movimento espírita", representado pela Federação "Espírita" Brasileira e pela atuação "independente" das federações regionais.

Embora inicialmente rivais, as seitas "neopentecostais" e o "movimento espírita" serviram, igualmente, como alternativa para a ditadura militar obter um suporte religioso conservador, já que a Igreja Católica atuava contra os interesses dos generais, e, embora clandestina, as ações da Teologia da Libertação pelas Comunidades Eclesiais de Base, que adotavam o Método Paulo Freire como método pedagógico, iam em contronto com os propósitos ditatoriais.

Havia muitos interesses em jogo no caso destas religiões. O aparente conflito entre "neopentecostais" e "espíritas", polarizado pelo respaldo midiático - Record, Bandeirantes e similares arrendavam cultos das "neopentecostais", enquanto Rede Globo, católica, via no "espiritismo" brasileiro um "Catolicismo à paisana" - , não seria um telecatch forjado para supor uma "diversidade" na fé?

Em todo caso, a atuação do "espiritismo" brasileiro serviu, à ditadura militar, para criar uma figura diversionista, com a múltipla função de supostamente promover a paz e caridade, enquanto tentava desviar a atenção dos brasileiros a figuras como o sindicalista Lula e a promover uma "resignação pela fé" diante das dificuldades do período ditatorial.

Esse sujeito era ninguém menos que Francisco Cândido Xavier, conhecido pelo apelido de Chico Xavier, e que se tornou um paiol de bombas semióticas que deveria ser levado em conta, em vez de ser tolerado e apreciado bovinamente dentro de um "mistério da fé" redivivo pelo igrejismo medieval dos "espíritas".

Moldado como "símbolo máximo de amor ao próximo", através de uma campanha que juntou propaganda enganosa com mistificação - afinal, não há prova alguma de que Chico Xavier realmente praticou caridade, as ações tão alardeadas nesse sentido ou são medíocres ou não passam de mentiras - , o "médium" ganhou uma narrativa que já valia no exterior, promovida pelo jornalista britânico Malcolm Muggeridge para "suavizar" a imagem reacionária de Madre Teresa de Calcutá.

"SÍMBOLO DA CARIDADE" CHICO XAVIER SÓ TORNOU A SER COM NARRATIVA LANÇADA PELA DITADURA MILITAR

Devemos prestar atenção que, antes de 1975, Chico Xavier nunca gozou, realmente, da imagem glorificada de sua pessoa, a não ser em âmbito regional, em Pedro Leopoldo e Uberaba, mal chegando a refletir em Belo Horizonte, da qual a terra-natal do "médium" integra a região metropolitana.

A imagem que predominava dele, e foi a que motivou o convite para ser entrevistado pelo programa Pinga Fogo, da TV Tupi, em 1971, era de um pitoresco indivíduo que se autoproclamava "paranormal", estando mais próximo de um fenômeno sensacionalista do que de um alvo de adoração popular.

Isso tanto era verdade que Chico Xavier não tinha a blindagem que recebe atualmente, como se o "médium" fosse "o PSDB que deu certo" ou um "tucano que ninguém captura" (PSDB era o partido que recebeu a simpatia do "médium" no final da vida), quando hoje nem o jornalismo investigativo (BBC Brasil, The Intercept etc) se encoraja a desconstruir o "médium" - a BBC, vergonhosamente, ventilou que "Chico Xavier fez obras de caridade" sem trazer fundamentação alguma.

Antigamente, Chico Xavier era desconstruído pelo jornalismo investigativo de verdade - o hoje esquecido caso de Attila Paes Barreto, no seu livro O Enigma Chico Xavier Posto à Clara Luz do Dia, de 1944, é um exemplo clássico - e literatos não mediam palavras para desqualificar a suposta mediunidade do beato de Pedro Leopoldo.

Além disso, um dado curioso é que a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referência em dados sobre a população brasileira e os fatores envolvidos em seu cotidiano, não mencionou Chico Xavier no verbete relacionado a Pedro Leopoldo.

Naquela época - os dados da EMB foram colhidos entre 1953 e 1958 - , Chico Xavier já tinha um cartaz na mídia nacional e na sociedade, embora em condições menos generosas do que as atuais. Mas, pelo bem ou pelo mal, ele era uma celebridade, e ainda vivia em Pedro Leopoldo nessa época,.

Só que o verbete do município de Pedro Leopoldo, disponível na página 320 do livro reproduzido neste link, não há uma única menção de Chico Xavier entre as personalidades ilustres locais, lembrando que a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros menciona alguns nomes ilustres do município, de certo modo veteranos: o "médium" já era fenômeno de mídia havia pelo menos duas décadas, em relação a 1959, ano do referido volume, o terceiro sobre cidades de Minas Gerais.

Também o município de Uberaba, onde Chico Xavier visitava periodicamente na época e virou o seu exílio a partir de 1959, após o escândalo das denúncias de Amauri Xavier, também não mencionou o nome do "médium", como mostra este referido volume, o quarto sobre cidades mineiras.

A narrativa que "santificou" Chico Xavier veio depois de 1971, quando O Cruzeiro, publicando mensagens atribuídas a Emmanuel, publicou uma foto do "médium" sorrindo com uma criança no colo, bem à maneira de Malcolm Muggeridge mostrando Madre Teresa também carregando uma outra criança. Começava a narrativa que, até hoje, seduz muitos e coloca muita gente a agir no piloto automático, divulgando "frases" de Chico Xavier nas redes sociais, sob o pretexto de "trazer alegria (sic) para todos".

Chico Xavier, portanto, era anti-lulista desde o começo, apesar dos esforços recentes de uma esquerda domesticada e anestesiada, que no "movimento espírita" encontra um potencial propagandista na figura de Franklin Félix, de usar supostas semelhanças, tão fictícias quanto superficiais, mas emocionalmente envolventes, que colocam "médium" e sindicalista como pretensas "almas gêmeas".

O "AME-O OU DEIXE-O" ASTRAL: O "MUNDO ESPIRITUAL" COMO "EXÍLIO" PARA OS DESCONTENTES DA DITADURA

A figura de Chico Xavier era diversionista sob muitos aspectos. Foi um líder religioso usado para anestesiar as massas diante da crise da ditadura militar. Chico era um sujeito que sempre pregou a conformação com a desgraça humana, e defendeu tanto a ditadura militar que a Escola Superior de Guerra o condecorou, o que traz a constatação, dolorosa para muitos, e bastante contraditória (um "defensor" dos oprimidos premiado pelos opressores), de que o "médium" colaborou, com gosto, com a ditadura militar que ele apoiou explicitamente, sem remorsos posteriores.

O diversionismo se deu porque o "sistema" promoveu a adoração a Chico Xavier - a mesma que coloca o "gado digital" para publicar "memes consoladores" com frases piegas do "médium" nas redes sociais - para evitar que Lula se tornasse mais popular, porque a sociedade conservadora já tinha um "ativista" para se contrapôr àquele "comunista" que agitava as massas promovendo greves e piquetes do proletariado raivoso.

Chico Xavier mostrava aspectos "dóceis" e "confortadores". E representou um propagandista a serviço da necropolítica que tanto promovia os mortos da repressão ditatorial quanto às tragédias humanas das convulsões sociais. E isso se deu a partir do truque das "cartas mediúnicas" (as "cartas marcadas", na definição de Waldo Vieira, rompido com o ex-colega após o escândalo Otília Diogo), verdadeira peça diversionista para entreter o povo diante da crise ditatorial.

Descontando o aspecto fake, confirmado com as comparações das "assinaturas espirituais" (não raro com a caligrafia do próprio Chico Xavier), e a confusa atribuição de que as "psicografias" seriam ditadas pelos "espíritos" ou escritas por "eles", nota-se que as cartas atribuídas a falecidos comuns, o que fez o "médium" se aposentar do uso dos nomes de grandes literatos, só eventualmente utilizado, sem muito alarde, eram uma forma de dizer que "morrer cedo é tão bonito".

Isso tem uma dupla interpretação: se as pessoas comuns, ao morrerem cedo, "estarão bem e felizes no outro lado", as vítimas da repressão ditatorial estariam "mais felizes ainda". Se um Jair Presente da vida foi para um "lugar melhor", imagine alguém com o destaque de Vladimir Herzog ou gente de coragem como Carlos Lamarca e Carlos Marighella? Eles estariam "em lugar melhor ainda"!

Foi nos anos 1970 que foi reabilitado um esquecido livro de Chico Xavier, Nosso Lar, adaptado a partir da novela A Viagem, de Ivani Ribeiro, transmitida pela TV Tupi - que blindava Chico Xavier e criou um lobby de atores e profissionais de TV chiquistas, o que facilitou o "médium" seduzir Humberto de Campos Filho com um evento de Assistencialismo "espírita" - , e gerou uma linhagem de "romances espíritas" ambientados no suposto "mundo espiritual".

O que deve ser lembrado é que o "mundo espiritual", até hoje, é um grande mistério. Apenas se tem noção, na humanidade da Terra, de sua existência pela interpretação filosófica, mas, cientificamente, inexistem vestígios de como seria realmente o "outro lado da vida". O que "sabemos" através de Chico Xavier são apenas especulações, feitas com o sabor das paixões materiais, que tentam, para o consolo coletivo, criar a ilusão de que "no outro lado" tudo é igualzinho à vida terrena.

A ideia do "mundo espiritual" foi trabalhada, nos anos 1970, como uma espécie de "Brasil: ame-o ou deixe-o" astral. Se você não segue a cartilha conservadora da sociedade vigente, as circunstâncias lhe farão você morrer. Mas aí a pessoa que interrompe, bruscamente, seus planos de vida - que dificilmente serão reconstituídos no mundo espiritual (alguém já viu, por exemplo, uma pessoa completar, na encarnação seguinte, um livro inacabado na anterior?) - e vai para um mundo onde, supostamente, se traduz de "forma melhorada" a vida terrena.

Isso é uma grande falácia, pois é feita sem qualquer tipo de fundamentação lógica, a mínima que for, nem qualquer tipo de embasamento teórico com a menor consistência possível. Trata-se apenas de um meio de justificar a "necropolítica" da ditadura militar, marcada pelo feminicídio, crimes no campo, pistolagem que atinge de bicheiros rivais a líderes comunitários, de operários a padres, e pelas convulsões sociais que envolvem de latrocínios a parricídios.

É uma maneira de desprezar o breve prazo que temos numa encarnação, porque para os "espíritas" tanto faz jogar fora uma encarnação inteira sem fazer o que se planejou. A encarnação posterior trará dificuldades para restituir e reconstituir a missão encarnacional perdida, e isso será doloroso para o reencarnado, que terá dificuldades para "reescrever" o "livro inacabado", tanto em metáfora quanto no sentido literal.

Essa guerra criptografada revela o caráter ultraconservador e reacionário de Chico Xavier, um sujeito que prestou grandes serviços para a ditadura militar e representou uma série de manobras que contaminaram o inconsciente coletivo dos brasileiros até hoje. Portanto, o conservadorismo de Chico Xavier é uma realidade indiscutível, porém renegada por uma boa parcela de brasileiros que se recusam o conflito humano, mas brigam permanente e desesperadamente com os fatos.

Se ao menos nossos esquerdistas deixarem de dizer amém a Chico Xavier, deixar de moldá-lo conforme o pensamento desejoso e vê-lo como um igrejista tão deplorável e medieval quanto Edir Macedo, pode ser que as nossas forças progressistas de esquerda reconstruam o caminho perdido em 2016.

Caso contrário, teremos a direita sempre protagonizando o caminho geral do povo brasileiro. Com as esquerdas, domesticadas e infantilizadas, rebolando o "funk" e orando para Chico Xavier, sob os olhares embasbacados de um Luciano Huck, a nossa direita ficará com as chaves do nosso país em suas mãos, dando continuidade ao processo iniciado com o golpe político de 2016, com ou sem um Jair Bolsonaro no comando.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O grande medo de Chico Xavier em ver Lula governando o país

Um bom aviso a ser dado para os esquerdistas que insistem em adorar Francisco Cândido Xavier é que o "médium" teve um enorme pavor em ver Luís Inácio Lula da Silva presidindo o Brasil. É sabido que o "médium" apoiou o rival Fernando Collor de Mello e o recebeu em sua casa. A declaração foi dada por Carlos Baccelli, em citação no artigo do jurista Liberato Póvoas ,  e surpreende a todos ao ver o "médium" adotando uma postura que parecia típica nas declarações da atriz Regina Duarte. Mas quem não se prende à imagem mitificada e fantasiosa do "médium", vigente nos últimos 40 anos com alegações de suposto progressismo e ecumenismo, verá que isso é uma dolorosa verdade. Chico Xavier foi uma das figuras mais conservadoras que existiu no país. Das mais radicais, é bom lembrar muito bem. E isso nenhum pensamento desejoso pode relativizar ou negar tal hipótese, porque tal forma de pensar sempre se sustentará com ideias vagas e devaneios bastante agr...

Padrão de vida dos brasileiros é muito sem-graça e atrasado para virar referência mundial

Pode parecer uma grande coincidência, a princípio, mas dois fatores podem soar como avisos para a pretensão de uma elite bem nascida no Brasil querer se tornar dominante no mundo, virando referência mundial. Ambos ocorreram no âmbito do ataque terrorista do Hamas na Faixa de Gaza, em Israel. Um fator é que 260 corpos foram encontrados no local onde uma rave  era realizada em Israel, na referida região atingida pelo ataque que causou, pelo menos, mais de duas mil mortes. O festival era o Universo Paralello (isso mesmo, com dois "l"), organizado por brasileiros, que teria entre as atrações o arroz-de-festa Alok. Outro fator é que um dos dois brasileiros mortos encontrados, Ranani Glazer (a outra vitima foi a jovem Bruna Valeanu), tinha como tatuagem a famosa pintura "A Criação de Adão", de Michelangelo, evocando a religiosidade da ligação de Deus com o homem. A mensagem subliminar - lembrando que a tatuagem religiosa não salvou a vida do rapaz - é de que o pretenso pr...

Brasil vai virar potência com valores velhos?

BRASIL DE LULA ESTÁ MAIS AFINADO COM A CLASSE MÉDIA IDENTITÁRIA QUE PASSA A MADRUGADA TOMANDO CERVEJA DO QUE DO TRABALHADOR QUE DORME CEDO PARA A JORNADA DO DIA SEGUINTE. Algo estranho se percebe depois da entrada do novo mandato do presidente Lula. Os mais favorecidos, atualmente, não são necessariamente o povo pobre, como também a construção do Brasil não se dá com valores novos ou renovados nem na discussão dos maiores problemas brasileiros, acumulados há seis décadas. Quem se favorece com o Brasil de Lula 3.0 é a classe média identitária, que finge ser pobre caprichando nos trejeitos de turista de mercado municipal, usando bermudões e sandálias de dedo. O Brasil "feliz" está muito mais próximo da classe média que atravessa madrugada adentro tomando cerveja nos bares da moda, rindo alto com as piadas vazias que contam, do que do trabalhador que tem que acordar cedo para mais uma jornada difícil no dia seguinte. Nunca na história do nosso país vimos a hipocrisia de uma clas...

Brasil vive a perigosa onda da positividade tóxica

Algo muito estranho acontece no Brasil. Mais do que a onda de calor excessivo das temperaturas em algumas capitais, temos a onda da positividade tóxica, um clima de euforia exagerada trazida pela propaganda festiva a que se reduziu o governo Lula dos dias atuais, um governo que, de repente, ficou aquém dos dois mandatos anteriores, que haviam sido admiravelmente esforçados. Há, no Brasil, uma obsessão por uma felicidade excessivamente hedonista, em que o consumismo e as emoções baratas estão acima até mesmo da qualidade de vida e do sossego, pois "tranquilidade" é mergulhar direto numa happy hour  sem fim. O Brasil se transformou numa versão live action  do Instagram e do Tik Tok. Pessoas passaram a rir histericamente feito doidas, dando altas gargalhadas ao ouvir piadas que nem são tão engraçadas assim. E a prioridade, na noite, é do pessoal que se diverte fazendo barulho, em vez das pessoas que precisam descansar para renovar as energias, depois de jornadas diárias de traba...

Padre Quevedo: A farsa de Chico Xavier

Esse instigante texto é leitura obrigatória para quem quer saber das artimanhas de um grande deturpador do Espiritismo francês, e que se promoveu através de farsas "mediúnicas" que demonstram uma série de irregularidades. Publicamos aqui em memória ao parapsicólogo Padre Oscar Quevedo, que morreu hoje, aos 89 anos. Para quem é amigo da lógica e do bom senso, lerá este texto até o fim, nem que seja preciso imprimi-lo para lê-lo aos poucos. Mas quem está movido por paixões religiosas e ainda sente fascinação obsessiva por Chico Xavier, vai evitar este texto chorando copiosamente ou mordendo os beiços de raiva. A farsa de Chico Xavier Por Padre Quevedo Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como “Chico Xavier”, começou a exercer sistematicamente como “médium” espiritista psicógrafo à idade de 17 anos no Centro Espírita de Pedro Leopoldo, sua cidade natal. # Durante as últimas sete décadas foi sem dúvidas e cada vez mais uma figura muitíssimo famosa. E a...

"Mediunidade" de Chico Xavier não passou de alucinação

  Uma matéria da revista Realidade, de novembro de 1971, dedicada a Francisco Cândido Xavier, mostrava inúmeros pontos duvidosos de sua trajetória "mediúnica", incluindo um trote feito pelo repórter José Hamilton Ribeiro - o mesmo que, ultimamente, faz matérias para o Globo Rural, da Rede Globo - , incluindo uma idosa doente, mas ainda viva, que havia sido dada como "morta" (ela só morreu depois da suposta psicografia e, nem por isso, seu espírito se apressou a mandar mensagem) e um fictício espírito de um paulista. Embora a matéria passasse pano nos projetos assistencialistas de Chico Xavier e alegasse que sua presença era tão agradável que "ninguém queria largar ele", uma menção "positiva" do perigoso processo do "bombardeio de amor" ( love bombing ), a matéria punha em xeque a "mediunidade" dele, e aqui mostramos um texto que enfatiza um exame médico que constatou que esse dom era falso. Os chiquistas alegaram que outros ex...

Jair Bolsonaro defende calote de instituições religiosas. Uma delas é "espírita"

  Em tese, o bolsonarismo é o extremo oposto das religiões. O bolsonarismo é motivado pelo ódio, é vingativo, prega o rearmamento do cidadão comum, é golpista e prega a violência e o golpe contra as instituições. Enquanto isso, a imagem da religiosidade está sempre associada, supostamente, ao altruísmo, ao amor, ao auxílio aos oprimidos, à defesa da paz e do diálogo. Mas não é bem assim. Descontando exceções honrosas, de religiões e crenças dedicadas, mesmo nos seus limites institucionais, ao altruísmo, e correntes progressistas da Igreja Católica (Teologia da Libertação) e da Igreja Batista, além de religiões populares como a maior parte do Islamismo e as de origem africana, a maioria das religiões prega um conservadorismo sombrio, que vai contra a imagem de "bondade" e "amor' a que estão teoricamente associadas. O portal UOL noticiou que 16 entidades religiosas possuem dívidas que, segundo levantamento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), correspondem...

Esquerdas ainda não admitem direitismo de Chico Xavier

  Mesmo quando um conhecido portal de esquerda furou a bolha para publicar um texto sobre o apoio do suposto médium Francisco Cândido Xavier à ditadura militar - tão convicto que rendeu condecoração da Escola Superior de Guerra, que não premiaria qualquer um, mesmo quem fosse de direita - , os esquerdistas mainstream, ocupados com a queda de Bolsonaro, conseguem acreditar no direitismo do beato de Pedro Leopoldo / Uberaba. Ainda iludidos com a imagem de "fada madrinha" que promove Chico Xavier nos últimos 45 anos - com base em narrativas importadas de ideias de Malcolm Muggeridge - , imaginam ser "um absurdo" que o "bondoso médium", se estivesse vivo, fosse um bolsonarista radical, que avisasse a todos para "não usar o instrumento do impeachment como um brinquedo". Ninguém acredita no direitismo de Chico Xavier, mesmo quando aqui apresentamos provas vindas das palavras e textos do próprio "médium" (mesmo se considerarmos as "autori...

Nosso total repúdio à inclusão de Chico Xavier no livro de "Heróis do Brasil"

MAIS UM FALSO HERÓI PARA A GALERIA DE NOSSA HISTÓRIA FALSIFICADA. Um deputado do Centrão, Franco Cartafina, do PP de Uberaba, Minas Gerais, pediu e conseguiu. Ele propôs que o suposto "médium" Francisco Cândido Xavier no livro de "heróis do Brasil", alimentando ainda mais a idolatria cega a esse farsante religioso e cometendo um péssimo serviço de glorificar um dos homens que mais deturparam o legado trabalhoso da Doutrina Espírita, cujas bases originais estarão para sempre arruinadas em nosso Brasil. O PP, que se diz Partido Progressista mas é um dos partidos-chave do baixo-clero da direita brasileira, é um dos partidos do Centrão que flertam com o bolsonarismo, e Franco Cartafina é ligado ao agronegócio e ao coronelismo de Uberaba - ao qual Chico Xavier, como bom ultraconservador, havia servido durante muito tempo - , uma das cidades consideradas redutos do bolsonarismo em Minas Gerais. Isso tanto é verdade que, recentemente, havia recebido Eduardo Bolsonaro e dep...

O silêncio omisso e criminoso diante de questões contra Chico Xavier

Sobre Francisco Cândido Xavier, ocorre uma coisa surreal no Brasil. Quanto aos aspectos positivos de sua pessoa, mesmo aqueles que, em verdade, são falsos, mas garantem uma narrativa agradável, todo mundo fala, o nome dele salta nas redes sociais, até quem não devia falar bem dele acaba fazendo isso. Mas quando se tratam de aspectos negativos, fora uns protestos eventuais de uns fanáticos furiosos, o que reina é o silêncio. Um silêncio omisso, uma dúvida transformada em zona de conforto, como se toda dúvida pudesse repousar no imaginário coletivo na condição de um "mistério da fé", facilmente resolúvel, mas cujos resultados podem pôr em xeque fantasias que fazem muita gente dormir tranquila. E se trata de um silêncio criminoso, por uma simples razão. Tudo tem que ser investigado, questionado, para ver se vale a pena ou não. Passagens de pano não valem, mas, para Chico Xavier, é o que mais faz em relação a ele. Nunca se passou tanto pano em favor de uma pessoa, fazendo vista g...