Pular para o conteúdo principal

A decadência vexaminosa do Rio de Janeiro



O que a queda de dois edifícios na Comunidade Muzema, em Itanhangá, Zona Oeste do Rio de Janeiro (tragédia que lembra uma "prima pobre" da do edifício Palace Dois, há duas décadas, na vizinha Barra da Tijuca), e a volta da Rádio Cidade "roqueira" têm em comum?

Simples. Assim como os edifícios da Muzema (e do Palace Dois) foram construídos com bases frágeis e material precário, a Rádio Cidade é uma "rádio rock" criada sob uma estrutura de uma FM pop e com pessoal sem especialização em rock. E, apesar do repertório tocado ter ficado "mais legalzinho", a Cidade de hoje não é mais do que um reles "pen drive" de canções roqueiras. Uma "rádio rock" sem a alma roqueira e que se limita apenas a um mero vitrolão roqueiro, anunciado por gente completamente fora do ramo.

Isso apenas reflete uma parte da decadência do Rio de Janeiro, não só a ex-Cidade Maravilhosa (ela não faz jus a esse título há muito tempo), mas a sua região metropolitana, inclusive uma Niterói que mais parece uma cidade caipira isolada no mato, no Norte do Brasil.

É uma cidade marcada pela confusão mental que só pode gerar um gênero musical de expressão abaixo do medíocre e sem músicos nem compositores de verdade, o ridículo "funk carioca" - que vende uma falsa imagem de "vanguarda" pelo país e pelo mundo - , uma "rádio rock" que surgiu como FM das mais pop e que elegeu como presidente um ex-militar que promete defender a pátria brasileira entregando seu patrimônio econômico para empresas estrangeiras.

Os fluminenses, em geral, e os cariocas, em particular, contribuíram para essa decadência. Elegem políticos ruins, primeiro os defendendo entusiasticamente para depois os espinafrarem na revolta seletiva orquestrada pelo jornal O Dia a partir de uma combinação seletiva das pregações do Jornal Nacional (Globo) e do Brasil Urgente (Band).

O Rio de Janeiro está tão decadente que as pessoas passaram a aceitar a poluição que fez a capital fluminense ser mais poluída que São Paulo. Os caminhões de lixo estacionam até diante de restaurantes e as famílias, em vez de evitar tais estabelecimentos - a fumaça do lixo contamina, pelo ar, a comida a quilo e pode trazer intoxicação alimentar - , vão fazer suas refeições com a comodidade bovina.

Os fluminenses só se revoltam de maneira seletiva, e, quando se revoltam, fazem mal. O cyberbullying do Rio de Janeiro tornou-se famoso em todo o país, pela ação reacionária de jovens que fazem ofensas violentas àqueles que discordam dos fenômenos da moda. Até mesmo a onda da pintura padronizada no Rio de Janeiro, que está deixando de vigorar na capital mas ainda causa o sofrimento dos passageiros de ônibus em Niterói, São Gonçalo e Nova Iguaçu, entre outras cidades, teve sua patrulha de fanáticos (os chamados "padronizetes") intolerantes à discordância alheia.

O mais gozado é que esses brucutus digitais primeiro defendem com unhas e dentes uma causa furada. Ofendem e ameaçam quem os discorda, convidando outras pessoas a participar de atos de cyberbullying. Ofensores mais atrevidos criam blogs de ofensa e difamação contra suas vítimas e, mais adiante, vão para as cidades onde elas moram fazer ameaças, talvez de morte.

Esses brucutus fazem tudo isso na maior raiva, levando sua intolerância e desrespeito humano às alturas, defendendo causas que depois se mostram falidas. Até verem, pela primeira página de O Dia ou O Globo, que suas causas defendidas se comprovaram decadentes, aí é tarde demais, esses idiotas da Internet já estão com a ficha policial praticamente preenchida com seus IPs nas mãos de delegados de polícia.

Mas isso é um reflexo da burrice, da estupidez e do marasmo que toma conta do Rio de Janeiro e que faz com que até pessoas nem tão brilhantes como o âncora Rodrigo Bocardi, da Rede Globo, sofresse ataques na Internet ao enumerar os defeitos de Ipanema, famosa praia carioca. O âncora é paulista e só eventualmente aparece no Rio de Janeiro como apresentador suplente de telejornais. Mesmo assim, parece mais realista que muitos cariocas e, diante das críticas, lamentou que "precisaria desenhar" para explicar suas ironias sobre Ipanema.

O Rio de Janeiro já não é referência para o Brasil para coisa alguma, embora, por exemplo, a pintura padronizada que arrasou com o transporte carioca esteja agora estragando os sistemas de ônibus em Florianópolis, Teresina, Recife, Olinda e tenha feito permanecer o intragável sistema dos "ônibus iguaizinhos" em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia e Brasília, com a corrupção empresarial comendo solta porque as empresas não mostram mais sua identidade visual (o povo não sabe que empresa opera a linha que pega; está tudo igual, mesmo).

Mas se a "cultura popular" do Rio de Janeiro é o "funk" - um engodo inspirado no miami bass da Flórida reacionária - , a "cultura rock" é uma seita religiosa comandada pela Rádio Cidade, cujos ouvintes hipnotizados pelo nome da rádio "só querem ouvir rock" sem saber a diferença de um Led Zeppelin e um AC/DC, e o entorno urbano carioca é dominado pela "segurança privada" dos milicianos, então se vive numa decadência sem limites.

A decadência é tanta que o Jornal do Brasil teve que cancelar sua edição impressa, depois de voltar com uma linha jornalística mais instigante e honesta. O provável sucessor, o jornal O Dia, nunca esteve aí para pegar os órfãos do JB, e fica no seu jornalismo semi-popularesco - se bem que na editoria cultural o popularesco é bem barra-pesada - com pinceladas de editoria política reacionária.

Além disso, tem-se o fanatismo dos torcedores de futebol, que na hora de conhecer um amigo, primeiro perguntam o time para depois perguntar o nome, e fazem uma verdadeira poluição sonora gritando em níveis estridentes - com decibéis comparáveis ao de aviões perto de um ouvido humano - a cada gol de um time de futebol, mesmo em partidas transmitidas no fim de noite, em vésperas de dias úteis, perturbando o sono de trabalhadores.

O Rio de Janeiro está tão velho e problemático que o acesso entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) e o Centro carioca é uma região explosiva em crimes, o entorno do Complexo do Alemão e do Complexo da Maré. Em certos horários, há tiroteio e quem vem do Aeroporto para ir ao Centro precisa se agachar para não ser atingido por uma bala perdida. E isso ocorre constantemente, como se não bastasse a péssima estética de viadutos e barracos no local.

É difícil escrever isso em poucas palavras, mas o Rio de Janeiro precisa se sacudir completamente. Acho que o Rio deveria parar de brincar de "cidade-modelo" e não impor coisa alguma. Deveria resolver, desde a questão dos milicianos (capazes de matar, a sangue frio, uma Marielle Franco) até sua própria cultura, pelo menos perguntando aos funkeiros e aos "roqueiros da Rádio Cidade" o que eles realmente querem da vida. E, além disso, avisar aos torcedores para não fazerem barulho na hora do gol de um time de futebol. Tem gente que precisa dormir para acordar cedo para ir ao trabalho.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Padrão de vida dos brasileiros é muito sem-graça e atrasado para virar referência mundial

Pode parecer uma grande coincidência, a princípio, mas dois fatores podem soar como avisos para a pretensão de uma elite bem nascida no Brasil querer se tornar dominante no mundo, virando referência mundial. Ambos ocorreram no âmbito do ataque terrorista do Hamas na Faixa de Gaza, em Israel. Um fator é que 260 corpos foram encontrados no local onde uma rave  era realizada em Israel, na referida região atingida pelo ataque que causou, pelo menos, mais de duas mil mortes. O festival era o Universo Paralello (isso mesmo, com dois "l"), organizado por brasileiros, que teria entre as atrações o arroz-de-festa Alok. Outro fator é que um dos dois brasileiros mortos encontrados, Ranani Glazer (a outra vitima foi a jovem Bruna Valeanu), tinha como tatuagem a famosa pintura "A Criação de Adão", de Michelangelo, evocando a religiosidade da ligação de Deus com o homem. A mensagem subliminar - lembrando que a tatuagem religiosa não salvou a vida do rapaz - é de que o pretenso pr...

Padre Quevedo: A farsa de Chico Xavier

Esse instigante texto é leitura obrigatória para quem quer saber das artimanhas de um grande deturpador do Espiritismo francês, e que se promoveu através de farsas "mediúnicas" que demonstram uma série de irregularidades. Publicamos aqui em memória ao parapsicólogo Padre Oscar Quevedo, que morreu hoje, aos 89 anos. Para quem é amigo da lógica e do bom senso, lerá este texto até o fim, nem que seja preciso imprimi-lo para lê-lo aos poucos. Mas quem está movido por paixões religiosas e ainda sente fascinação obsessiva por Chico Xavier, vai evitar este texto chorando copiosamente ou mordendo os beiços de raiva. A farsa de Chico Xavier Por Padre Quevedo Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como “Chico Xavier”, começou a exercer sistematicamente como “médium” espiritista psicógrafo à idade de 17 anos no Centro Espírita de Pedro Leopoldo, sua cidade natal. # Durante as últimas sete décadas foi sem dúvidas e cada vez mais uma figura muitíssimo famosa. E a...

Brasil vai virar potência com valores velhos?

BRASIL DE LULA ESTÁ MAIS AFINADO COM A CLASSE MÉDIA IDENTITÁRIA QUE PASSA A MADRUGADA TOMANDO CERVEJA DO QUE DO TRABALHADOR QUE DORME CEDO PARA A JORNADA DO DIA SEGUINTE. Algo estranho se percebe depois da entrada do novo mandato do presidente Lula. Os mais favorecidos, atualmente, não são necessariamente o povo pobre, como também a construção do Brasil não se dá com valores novos ou renovados nem na discussão dos maiores problemas brasileiros, acumulados há seis décadas. Quem se favorece com o Brasil de Lula 3.0 é a classe média identitária, que finge ser pobre caprichando nos trejeitos de turista de mercado municipal, usando bermudões e sandálias de dedo. O Brasil "feliz" está muito mais próximo da classe média que atravessa madrugada adentro tomando cerveja nos bares da moda, rindo alto com as piadas vazias que contam, do que do trabalhador que tem que acordar cedo para mais uma jornada difícil no dia seguinte. Nunca na história do nosso país vimos a hipocrisia de uma clas...

Brasil vive a perigosa onda da positividade tóxica

Algo muito estranho acontece no Brasil. Mais do que a onda de calor excessivo das temperaturas em algumas capitais, temos a onda da positividade tóxica, um clima de euforia exagerada trazida pela propaganda festiva a que se reduziu o governo Lula dos dias atuais, um governo que, de repente, ficou aquém dos dois mandatos anteriores, que haviam sido admiravelmente esforçados. Há, no Brasil, uma obsessão por uma felicidade excessivamente hedonista, em que o consumismo e as emoções baratas estão acima até mesmo da qualidade de vida e do sossego, pois "tranquilidade" é mergulhar direto numa happy hour  sem fim. O Brasil se transformou numa versão live action  do Instagram e do Tik Tok. Pessoas passaram a rir histericamente feito doidas, dando altas gargalhadas ao ouvir piadas que nem são tão engraçadas assim. E a prioridade, na noite, é do pessoal que se diverte fazendo barulho, em vez das pessoas que precisam descansar para renovar as energias, depois de jornadas diárias de traba...

Não é o Espiritismo que é charlatão; o "movimento espírita" brasileiro é que comete charlatanismo

FRAUDE DE MATERIALIZAÇÃO - Pessoas ou objetos cobertos que exibem fotos mimeografadas ou de recortes de revistas. Muita gente se assusta quando se fala que nomes como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco praticam charlatanismo. Seus seguidores, uns quase choramingando, outros mesmo tomados de prantos, reagem dizendo que tal adjetivo é "forte demais" para qualificar "pessoas de bem". Aqui existe a mania do relativismo, já que no Brasil até homicidas saem da cadeia e retomam suas vidas como se não tivessem cometido crime algum, pouco importando os danos causados pelas famílias das vítimas. Se isso ocorre sob o consentimento da Justiça, o que dizer daqueles que deturpam e distorcem a Doutrina Espírita, à mercê de muitas fraudes e irregularidades. É verdade que o Espiritismo como um todo é acusado de charlatanismo no mundo inteiro. Lidar com fenômenos tidos como sobrenaturais causa desconfiança, e não é raro que venham pessoas para denunciar uma manifestação espíri...

Amauri Xavier e Marielle Franco: dois cadáveres na vida de dois arrivistas

Finalmente uma reportagem sobre a trajetória de Amauri Xavier, sobrinho de Francisco Cândido Xavier trouxe a luz um aspecto bastante sombrio no "movimento espírita", que durante um tempo demonstrou que sente também um ódio bolsonarista, pondo em xeque o mito de que os "espíritas", sobretudo chiquistas, nunca sentem ódio e são incapazes de rogar violência e vingança. A religião que traiu Allan Kardec com igrejismo católico-medieval e que tem na Teologia do Sofrimento sua profissão de fé tem em Chico Xavier seu maior manipulador de corações e mentes, atuando mesmo postumamente, através da influência que seu legado, apoiado por "técnicas" como "bombardeio de amor" e fascinação obsessiva, exerce na população. A religião é tão dissimulada que a maioria dos seguidores de Chico Xavier se esquece que defende valores ultraconservadores, é reacionária e adora mistificação religiosa. A dissimulação é tanta que, sem poder provar o que realmente são, os...

Jair Bolsonaro recebe livro de Chico Xavier e se dá bem

DOIS MITOS E O LEMA QUE INSPIROU "BRASIL, ACIMA DE TUDO, DEUS ACIMA DE TODOS". Descobrimos uma foto na Internet com o presidente Jair Bolsonaro segurando nada menos que o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho , de Francisco Cândido Xavier. Sim, o Chico Xavier, que muitos pensam ser a antítese de Jair Bolsonaro. Ao que tudo indica, não é montagem, de fato o "mito" está segurando mesmo o livro de Chico Xavier e não de Olavo de Carvalho, como iria se esperar, nem sequer o livro biográfico de Carlos Alberto Brilhante Ustra. É certo que a Federação "Espírita" Brasileira sempre dá esse livro de presente para um governante. Mas sabemos que existem afinidades vibratórias entre as simbologias de Chico Xavier e de Jair Bolsonaro, que deveriam ser analisadas por um semiólogo com uma bravura de Ulisses Odisseu, se não se rendesse, em dado momento, ao "canto de sereia" do "médium de Pedro Leopoldo e Uberaba". Os chiquistas de...

Dr. Bezerra de Menezes foi um político do PMDB do seu tempo

O "espiritismo" vive de fantasia, de mitificação e mistificação. E isso faz com que seus personagens sejam vistos mais como mitos do que como humanos. Criam-se até contos de fadas, relatos surreais, narrativas fabulosas e tudo. Realidade, que é bom, nada tem. É isso que faz com que figuras como o médico, militar e político Adolfo Bezerra de Menezes seja visto como um mito, como um personagem de contos de fadas. A biografia que o dr. Bezerra tem oficialmente é parcial e cheia de fantasia, da qual é difícil traçar um perfil mais realista e objetivo sobre sua pessoa. Não há informações realistas e suas atividades são romantizadas. Quase tudo em Bezerra de Menezes é fantasia, conto de fadas. Ele não era humano, mas um anjinho que se fez homem e se transformou no Papai Noel que dava presentinhos para os pobres. Um Papai Noel para o ano inteiro, não somente para o Natal. Difícil encontrar na Internet um perfil de Adolfo Bezerra de Menezes que fosse dotado de realismo, most...

Carlos Baccelli era obsediado? Faz parte do vale-tudo do "espiritismo" brasileiro

Um episódio que fez o "médium" Carlos Bacelli (ou Carlos Baccelli) se tornar quase uma persona non grata  de setores do "movimento espírita" foi uma fase em que ele, parceiro de Francisco Cândido Xavier na cidade de Uberaba, no Triângulo Mineiro, estava sendo tomado de um processo obsessivo no qual o obrigou a cancelar a referida parceria com o beato medieval de Pedro Leopoldo. Vamos reproduzir aqui um trecho sobre esse rompimento, do blog Questão Espírita , de autoria de Jorge Rizzini, que conta com pontos bastante incoerentes - como acusar Baccelli de trazer ideias contrárias a Allan Kardec, como se Chico Xavier não tivesse feito isso - , mas que, de certa forma, explicam um pouco do porquê desse rompimento: Li com a maior atenção os disparates contidos nas mais recentes obras do médium Carlos A. Bacelli. Os textos, da primeira à última página, são mais uma prova de que ele está com os parafusos mentais desatarraxados. Continua vítima de um processo obsessi...

Obsessão por Chico Xavier contamina até quem quer recuperar as "bases kardecianas"

  ISSO É O QUE DEVERIA SE FAZER E NUNCA É FEITO: JOGAR CHICO XAVIER NO LIXO. O Brasil é um país viciado em valores e princípios que se vê que não valem a pena, são retrógrados, nunca trazem serventia social profunda, já perderam a validade social, não dão para serem aproveitados e, mesmo assim, considerável parcela dos brasileiros defende esses valores como "universais", "atemporais" e, pasmem, destinados a dominar o mundo! Sim, a megalomania brasileira atinge níveis insanos. Já observamos isso com a Alemanha e estivemos próximos de uma catástrofe planetária. Um Brasil imbecilizado, religiosamente obsessivo e conservador até quando tenta parecer moderno e libera, não tem o menor direito nem a mínima condição de comandar o mundo nem em se tornar um país desenvolvido. Que o nosso país possa descer do pedestal antes que destrua o nosso planeta. Vemos com muita preocupaçao a blindagem obsessiva em torno de Chico Xavier, um farsante, um charlatão incorrigível, um reacion...