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Por que as elites devem temer as convulsões sociais?


A situação está delicada no Brasil e boa parte da sociedade, depois de sofrer a histeria anti-PT, agora parece pular sobre as nuvens do paraíso, mesmo diante de um desastrado governo de Michel Temer e uma desordem institucional desenfreada.

Temos desde o risco de perdermos as riquezas naturais para os estrangeiros - o nosso petróleo será um patrimônio estrangeiro, através da venda gradual do espólio da Petrobras - até mesmo a venda dos satélites de segurança estratégica do Brasil, que deveriam se subordinar à soberania brasileira usando apenas tecnologia nacional e concessões restritas à empresas brasileiras - , dentro de um cenário em que o Judiciário e o Ministério Público atuam de acordo com as conveniências.

O assustador não é somente a ameaça que está em curso, principalmente quando a possibilidade do presidente Michel Temer ser tirado do poder, em 2017, só permitirá sua sucessão através de uma eleição indireta, no qual os parlamentares do Congresso Nacional, majoritariamente conservadores, irão escolher o candidato à altura de seus interesses de classe.

Desde que foi aprovada a PEC dos Gastos Públicos, que limitará o orçamento para os setores públicos - como Educação e Saúde - por duas décadas, praticamente sufocando a vida nacional, tudo se espera nos retrocessos que aprofundarão ainda mais as desigualdades sociais.

Só as reformas da Previdência Social e do Trabalho tendem a forçar os brasileiros a trabalharem mais e por mais tempo, ganhando menos salários, perdendo garantias sociais e praticamente nunca se aposentando, porque não terão força para chegarem vivos à idade de aposentadoria, ainda mais quando serão obrigados a ter quase 50 anos de contribuição só para receber a tal "aposentadoria integral", ou seja, umas migalhas a mais para o "salário de fome" da aposentadoria geral.

Diante de tudo isso, a perda de protagonismo das classes populares no Brasil ocorrerá em doses muito pesadas, porque as elites voltaram com apetite descontrolado de recuperar seus privilégios. Já surgem rumores de que poderão ser revogados a Lei Áurea e até o Sete de Setembro, alterando o Dia da Pátria para o Quatro de Julho, pois o Brasil estará cada vez mais subordinado aos interesses dos EUA.

Parlamentares lutam para aprovar todo tipo de retrocesso. Frear verbas para Educação e Saúde. Limitar salários dos trabalhadores. Extinguir garantias sociais. Atenuar os abusos do empresariado. Perdoar a sonegação fiscal dos mais ricos. Privatizar empresas públicas. Desnacionalizar a economia. Entregar nossas riquezas para estrangeiros, ainda que não exclusivamente dos EUA (uma reserva de pre-sal em Santos já foi vendida para uma estatal norueguesa). É jogar o Brasil para baixo!

CARIDADE PALIATIVA

Aí as pessoas acham que a "caridade" institucional - ou seja, a caridade paliativa - , que expõe mais o benfeitor do que os benefícios fajutos que traz, é a salvação máxima do povo brasileiro, e basta as elites e os movimentos religiosos investirem em "casas de caridade" e "projetos filantrópicos" resolverão a situação das desigualdades sociais.

Embora sejam válidas algumas dessas instituições - não é o caso do "espiritismo", cuja "filantropia" só serve para acobertar as irregularidades dessa doutrina deturpadora com "bom-mocismo" - , isso em si não rompe com as estruturas sociais injustas que agora estão sendo não apenas recompostas, mas ampliadas com os vorazes projetos de exclusão social que o governo Temer está realizando e poderá ser continuado por um sucessor eleito indiretamente.

Isso porque o projeto excludente é cruel demais e o povo pobre, que viu o comecinho de sua emancipação social, não aceitará perder o protagonismo social que se iniciou. O povo pobre sabe muito bem da diferença que é trabalhar e ter uma casa própria e uma vida independente e ficar hospedado numa "casa de caridade" tomando sopinha e sendo subordinado a um líder religioso que, por mais "generoso" que possa parecer, irá impor suas regras.

Daí o risco de convulsões sociais. Já se observa o "espírito do tempo" num estranho assalto a uma agência do Banco do Brasil, em Niterói, no qual se desconfia de que o ato, ocorrido em horário movimentado, a poucos metros de um posto policial e com o detector de metais previamente desligado, pode ter sido combinado por um funcionário demitido do banco.

A ocorrência se deu após o governo Temer anunciar um plano de demissões e fechamento de agências da instituição financeira. O que mostra o preparo que a "sociedade feliz" com o atual governo que "não é lá grande coisa mas está resolvendo o país" precisa tomar muito cuidado com as convulsões sociais. Meses atrás, até a "paradisíaca" praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, foi palco de um estranho linchamento, típico das mais matutas cidades do interior.

O que vemos nos últimos meses é a formação de elites ainda mais poderosas e blindadas, como as de juízes, banqueiros e, pasmem, os movimentos religiosos, que aparentemente só possuem "os tesouros do céu" mas, quando lhes convém, sempre acariciam os afortunados da Terra. Podemos incluir os "espíritas" nessa empreitada? Sim, vide o exemplo de Divaldo Franco, que sempre recorreu às elites não para cobrar delas alguma ajuda, mas para bajulá-las e receber delas prêmios.

A toga, o setor financeiro e a fé religiosa garantem a seus detentores uma blindagem na qual seus erros e abusos são sempre protegidos. Não há punição contra eles, e a "luminosidade" na Terra cria uma ilusão até para os supostos médiuns do "espiritismo", que se valem do "culto à personalidade" e da roupagem "filantrópica" que lhes blinda,

Pode-se pintar um quadro e atribui-lo falsamente a um pintor falecido, processo que consiste em fraude, e a Justiça nunca pegar no pé porque tudo é feito com o pretexto do "pão dos necessitados". É a caridade paliativa blindando fraudes pseudo-mediúnicas.

Isso não vai conter a convulsão social, porque sabemos que as pessoas não toleram tantos retrocessos. E a gente vê os "espíritas" apelando para "aceitar o sofrimento", inventando que "perder tudo é um ganho" e tudo o mais, recomendando para "ninguém reclamar" e "nunca contestar", como se valesse, entre os "espíritas" brasileiros, o ditado popular de que "pimenta nos olhos dos outros é refresco".

As elites têm que se preocupar, e os ricos que estiverem voltando de carro para seus condomínios de luxo têm que fazer manobras rápidas e serem amigos dedicados dos porteiros, para que eles aceitem colaborar com rapidez para abrir os portões. Isso porque o projeto de exclusão social do governo Temer, ao promover milhares de desempregos e subempregos, irá irritar muitos cidadãos pobres que, sem ter a que recorrer, virarão assaltantes.

Isso se dará tanto pela falta de dinheiro para pagar as contas quanto pela revanche de ver os benefícios sendo cortados dia após dia. E é isso que fará com que o preço mais caro da retomada conservadora se volte para os mais ricos, o que pode fazer com que as elites mais endinheiradas, como as dos magnatas da mídia e do mercado financeiro, tenham que usar o excedente de seus nababescos depósitos bancários para enterrar seus filhos.

Afinal, o que se verá de reação das classes populares é imprevisível. As elites acreditam que tudo está sob controle e basta apenas compensar os projetos de exclusão social das reformas econômicas vorazes do governo Temer - já inauguradas pelo estrangulamento do orçamento público - com festinhas beneficentes e filantropia de fachada (que mais promove o benfeitor do que o benefício, que é pouco).

Isso é impossível. As pessoas não aceitarão ficar numa posição social subalterna e o que se observará é a repetição dos trágicos episódios que atingiram as elites nas crises econômicas graves do final da ditadura militar e do governo de José Sarney.

Serão tragédias atingindo sobretudo jovens ricos, estabelecendo o preço que a exclusão social causará sufocando a vida do povo pobre a ponto de muitos humildes, desamparados na vida, tenham que recorrer ao crime para protestar contra sua situação. Isso não é praga, será um efeito natural daqueles que veem suas conquistas sociais dificilmente obtidas serem dissolvidas tão bruscamente.

A situação ainda poderá ser mais grave do que os outros períodos políticos citados, porque a exclusão social agora é institucionalizada, dentro de um governo propositalmente voltado para os mais ricos e agindo para o desmonte das conquistas sociais das classes populares, muitas delas históricas e tradicionais. As convulsões sociais ocorrerão na mesma proporção da exclusão social, pela natureza das atitudes e suas consequências diretas.

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